John Textor com cara pra cima, durante Botafogo x Barcelona De Guayaquil no Estádio Nilton Santos (Foto: Pablo Porciuncula/AFP)
Botafogo paga o preço da gestão confusa de John Textor e acumula sinais de desgaste desde 2025.
A eliminação do Botafogo de Futebol e Regatas para o Barcelona Sporting Club ainda na terceira fase preliminar da Copa Libertadores da América nesta última terça-feira 10 de Março de 2026, dentro do Estádio Nilton Santos, não foi apenas um tropeço esportivo. O resultado escancarou problemas estruturais acumulados desde fevereiro de 2025 na condução da SAF alvinegra por John Charles Textor.
O revés em casa, logo no início da temporada, deixou uma mancha no histórico recente do projeto e expôs um ambiente fragilizado por decisões administrativas equivocadas. A queda antes mesmo da fase de grupos da principal competição do calendário continental serve como um recado claro: o Botafogo não pode continuar se planejando com base no sucesso atípico de 2024, tratando aquele ano mágico como regra de gestão.
O problema é que, desde o início de 2025, a condução da SAF passou a ser marcada por improviso, promessas não cumpridas e uma série de conflitos fora de campo que inevitavelmente respingaram no futebol.
Planejamento tardio e promessas vazias
Quando a FIFA aplicou um Transfer Ban ao clube devido à dívida com o Atlanta United FC na contratação de Thiago Almada em 2024, a promessa da gestão era de um Botafogo “muito ativo” no mercado assim que a punição fosse resolvida.
Este Transfer Ban, já era de conhecimento internamente desde outubro de 2025, e só foi resolvido apenas no dia 6 de fevereiro de 2026.
Na prática, isso demorou a acontecer.
Peças que poderiam dar mais alternativas à comissão técnica — como Edenílson, Cristian Medina e Júnior Santos — sequer puderam participar das fases preliminares da Libertadores. O time foi a campo com um elenco curto, lidando ainda com lesões e com um sistema de jogo longe do ideal.
O resultado foi previsível: um desempenho abaixo do prometido e uma eliminação vexatória.
A estratégia de vender para o próprio grupo
Desde fevereiro de 2025, outro movimento passou a levantar críticas internas e externas: a política de vendas de jogadores do Botafogo para clubes ligados ao próprio ecossistema de Eagle Football Holdings.
Vários ativos importantes foram negociados para o Nottingham Forest, operação vista por muitos analistas como uma tentativa de reorganizar o caixa do grupo empresarial de Textor.
O empresário apostava que o dono do clube inglês, Evangelos Marinakis, seria um aliado estratégico — praticamente um fiador informal para operações financeiras e esportivas dentro do projeto multiclubes. Essa expectativa, no entanto, nunca se materializou da forma imaginada.
Para parte da torcida e de analistas do mercado, o Botafogo passou a funcionar mais como fornecedor de talentos do que como prioridade competitiva dentro da estrutura.
Guerra financeira na Eagle Football
Enquanto os problemas esportivos se acumulavam, os bastidores financeiros da holding também entraram em turbulência.
Textor passou a enfrentar disputas diretas com a ARES Management, principal credora da Eagle Football Holdings. O fundo americano cobra garantias e questiona a estrutura financeira montada pelo empresário para sustentar o conglomerado de clubes.
Outra Holding que entrou na disputa é a Iconic Sports, que também reivindica direitos e participação em operações envolvendo ativos da Eagle BidCo e quer o valor emprestado que John Textor pediu para eles.
O conflito escalou a ponto de parar na High Court of Justice, onde um julgamento completo sobre a estrutura societária e as obrigações financeiras do grupo deve ocorrer nos próximos meses na Justiça Comercial britânica, com John Textor com reais chances de perder, para a Iconic.
A decisão pode redefinir não apenas o controle da Eagle Football, mas também o futuro de clubes vinculados ao projeto — entre eles o próprio Botafogo.
O reflexo no campo
Em campo, o impacto é inevitável.
O trabalho do técnico Martín Anselmi ainda engatinha, sem sinais claros de evolução imediata. Há jogadores experientes, lideranças no elenco e o aprendizado de campanhas recentes, mas o ambiente de desconfiança pesa.
A eliminação na Pré-Libertadores 2026 acabou sendo apenas o sintoma mais visível de uma gestão que, nos últimos meses, parece ter perdido rumo.
Se 2024 foi o auge de um projeto promissor, 2025 e o início de 2026 mostram o outro lado da moeda: planejamento frágil, conflitos financeiros e decisões que colocam em dúvida a capacidade de John Charles Textor de conduzir com estabilidade o futuro do Botafogo.
