Thiago Ezequiel Almada - Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Em meio a uma profunda crise financeira e política na SAF, o Botafogo enfrenta uma corrida contra o relógio para pagar a segunda parcela da dívida pela contratação de Thiago Almada junto ao Atlanta United. O prazo vence nesta segunda-feira (16/3), e o não pagamento pode levar o clube a um novo Transfer Ban imposto pela FIFA, que impediria a inscrição de novos jogadores — um cenário extremamente prejudicial ao planejamento esportivo de 2026.
O acordo firmado em fevereiro prevê cinco parcelas de US$ 5 milhões cada (cerca de R$ 26,6 milhões na cotação atual), e o pagamento da primeira em fevereiro já livrou o clube da proibição. No entanto, fontes internas relataram ao ¨GE¨ que o clube não dispõe do valor em caixa para honrar a segunda parcela, o que acendeu alarmes dentro da SAF.
Contexto financeiro delicado — e erros na estratégia de captação
A urgência em resolver a pendência com o Atlanta United é apenas um dos sintomas de um quadro financeiro grave que vem sendo debatido há semanas. A gestão de John Textor tem buscado soluções emergenciais para equilibrar o caixa da SAF, incluindo negociações de empréstimos com investidores como GDA Luma e Hutton Capital. Entretanto, especialistas em finanças do futebol e analistas próximos à SAF alertam que essas operações podem ter sido equivocadas e perigosas.
Natureza duvidosa do capital: fundos como a GDA Luma são conhecidos por comprar “créditos podres” e aplicar dinheiro com juros extremamente altos ou condições que podem ser convertidas em participação acionária — o que não fortalece o projeto esportivo, mas traz risco jurídico e financeiro às entidades esportivas.
Termos controversos: segundo o que apuramos, os empréstimos concedidos pela GDA Luma e Hutton Capital foram feitos com juros na ordem de 25 % ao mês, e podem ser convertidos em equity (participação acionária), abrindo margem para que esses investidores tomem posições majoritárias na SAF ou na Eagle Holdings BidCo de Textor — em vez de simplesmente refinanciar a dívida.
Analistas financeiros afirmam que a aposta em “soluções emergenciais” sem caixa robusto é perigosa e contraproducente, pois pode comprometer a governança e a saúde financeira de longo prazo do clube.
Críticas e riscos jurídicos: Textor sob pressão
Outras matérias e análises publicadas recentemente destacam o quanto essas estratégias têm gerado críticas fortes à gestão de Textor. Uma delas aponta que o uso de capital de fundos oportunistas sinaliza fragilidade financeira e pode dificultar futuras negociações com investidores mais tradicionais, além de aumentar a pressão por receitas antecipadas ou venda de ativos esportivos abaixo do valor de mercado.
Relatórios ainda indicam que a relação entre Textor e os credores institucionais — especialmente a Ares Management Corporation, que é a maior credora da Eagle Holdings BidCo — está cada vez mais tensa, com disputas judiciais em curso sobre o controle acionário da holding e da própria SAF do Botafogo.
Motivo para possível perda da SAF e volta da Ares?
A pressão jurídica não se limita apenas ao pagamento de Almada. Há movimentações internas e externas que podem resultar na queda da liminar que mantém Textor como sócio‑majoritário da SAF. Colunistas e veículos de imprensa esportiva vêm levantando que o modelo de financiamento atual e a incapacidade de gerar caixa robusto podem ser motivos para a perda do controle da SAF Botafogo por parte de John Textor — abrindo espaço para que o Botafogo Clube Associativo negocie diretamente com a Ares Management, que figura como a maior credora da Eagle BidCo e teria interesse em retomar o controle acionário da SAF caso Textor deixe de comprovar capacidade de pagamento.
Essa possibilidade teria implicações significativas para a gestão financeira e esportiva do clube, incluindo um eventual reposicionamento da Ares como parceira central na reestruturação da dívida global do Botafogo.
A aposta de Textor em empréstimos arriscados sem caixa próprio é motivo real para perder a SAF, enquanto a Ares e o Botafogo Clube Associativo poderiam assumir o controle e estabilizar a gestão financeira do clube após a liminar cair na justiça do Rio De Janeiro.
O Botafogo enfrenta hoje uma batalha após a outra entre inadimplência e perda de controle da SAF. Textor apostou em soluções emergenciais sem liquidez e agora vê a possibilidade de sua saída se tornar realidade. Para os torcedores e sócios, a maior preocupação não é apenas a falta de jogadores, mas o futuro da própria gestão da SAF e do clube associativo, que pode finalmente reassumir protagonismo com apoio de credores estratégicos como a Ares.

