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Danilo Dos Santos é o artilheiro do Botafogo na temporada 2026 - Foto: Thiago Ribeiro/AGIF |
O Botafogo vive um dos momentos mais delicados da temporada de 2026. Um time previsível, quase inofensivo e que transborda fragilidade defensiva — essa tem sido a tônica da equipe, que sofreu mais um duro golpe ao ser goleada por 4 a 1 pelo Athletico Paranaense, em Curitiba. Foi a quinta derrota em sete partidas no Campeonato Brasileiro, resultado que mantém o clube na zona de rebaixamento, na 17ª colocação com apenas seis pontos.
Sob o comando do técnico interino Rodrigo Bellão, oriundo do sub-20, o time pouco evoluiu em relação ao período anterior. Mantendo o esquema 4-3-3, o Botafogo demonstra enorme dificuldade tanto para se defender com consistência quanto para criar jogadas ofensivas. O único gol na partida surgiu, mais uma vez, em bola parada — um sintoma claro da limitação criativa da equipe.
Após o jogo, o meio-campista Santi Rodríguez resumiu o sentimento coletivo: a equipe falhou em todos os aspectos. A declaração reforça a percepção de um grupo que parece perdido em campo, sem identidade tática e emocionalmente abalado.
Desempenho individual em queda agrava cenário coletivo
O desempenho coletivo ruim é agravado por atuações individuais abaixo do esperado. A defesa, especialmente, tem sido protagonista negativa. A dupla de zaga formada por Bastos e Barboza, antes considerada confiável, vive fase irreconhecível e falhou diretamente nos primeiros gols da partida. O goleiro Raul também voltou a comprometer, sendo encoberto com facilidade em uma cobrança de falta.
No setor ofensivo, a situação não é melhor. Jogadores como Montoro e Arthur Cabral demonstram desconexão com o restante do time e pouco contribuem em campo. Cabral, inclusive, atravessa uma seca preocupante: são nove jogos sem marcar e apenas um gol na temporada.
Outros nomes, como Matheus Martins, Santi Rodríguez e Júnior Santos, até tentam reagir com esforço, mas esbarram na desorganização geral. A equipe transmite a sensação de apatia, como se entrasse em campo sem saber exatamente o que fazer.
Crise extracampo pesa no rendimento
Além dos problemas técnicos, o ambiente fora das quatro linhas também influencia diretamente o desempenho. A instabilidade nos bastidores, marcada por incertezas sobre o futuro do clube e polêmicas envolvendo a gestão da SAF, tem impacto visível no comportamento dos jogadores.
O Botafogo parece um time sem direção, refletindo um clube que enfrenta turbulências estruturais. A falta de estabilidade administrativa contribui para o clima de insegurança que se traduz em campo.
Dependência de Danilo expõe fragilidade ofensiva
Outro fator que evidencia a crise é a dependência do volante Danilo, artilheiro da equipe na temporada com seis gols. Convocado para a seleção brasileira, ele desfalcou o time na goleada sofrida e seguirá ausente no próximo compromisso.
Sem seu principal goleador — um jogador que nem atua no ataque —, o Botafogo escancara a falta de eficiência ofensiva. Os números são alarmantes: os atacantes pouco produzem, finalizam pouco e quase não marcam.
A esperança recai sobre Júnior Santos, destaque na conquista da Libertadores de 2024, mas que ainda não balançou as redes em seu retorno ao clube.
Confronto direto pode definir rumo imediato
Na próxima quarta-feira, o Botafogo terá uma oportunidade crucial para tentar reagir. Enfrenta o Mirassol, no Nilton Santos, em um confronto direto contra a zona de rebaixamento. Ambas as equipes somam seis pontos, e uma vitória pode significar alívio momentâneo na tabela.
Mais do que os três pontos, o duelo representa um teste de caráter para um elenco pressionado. Caso não haja resposta imediata, o risco de afundar ainda mais na crise — técnica, emocional e institucional — se torna cada vez mais real.
O tempo passa, e o Botafogo segue à deriva em um campeonato que já começa a cobrar caro pela falta de rumo.
