Todd Boehly é um dos investidores-chave na GDA Luma de Gabriel de Alba, empresa esta que John Textor tenta um empréstimo para o Botafogo; Como uma reviravolta hipotética, poderá fazer dono do Chelsea e Strasbourg, se interessar em comprar a SAF Botafogo ao invés do Santos

 


Todd Boehly sorrindo apos jogo do Chelsea pelo Super Mundial De Clubes 2025 - Foto Robbie Jay Barratt – AMA/Getty Images


Esta matéria é um cenário hipotético do que pode ou não ocorrer com a SAF Botafogo nas próximas semanas. 


Segundo a Forbes, Todd Boehly tem uma fortuna estimada em US$ 9,3 bilhões (R$ 48,6 Bilhões) e ocupa a 379ª posição entre os mais ricos do planeta. Quando assumiu o Chelsea, em 2022, sua fortuna era de US$ 4,5 bilhões — um salto de quase 90% em três anos.


Como Boehly fez fortuna?

Formado em Finanças nos EUA, Boehly começou sua carreira no mercado de derivativos de crédito e foi alçado ao topo ainda jovem, aos 23 anos. Trabalhou em bancos como Citibank e First Boston até ser convidado a integrar a Guggenheim Partners, onde chegou à presidência e gerenciou uma carteira de crédito de US$ 60 bilhões (R$312,6 Bilhões).


Em 2015, fundou sua própria holding, a Eldridge Industries, reunindo mais de 100 empresas dos setores de mídia, entretenimento, imóveis e esportes. Um dos pilares do império é a Security Benefit Life, seguradora que administra mais de US$ 50 bilhões (R$260,4 Bilhões) em ativos e fornece o "combustível" financeiro para novos investimentos.


Outros investimentos



Além do Chelsea, Boehly é sócio dos Los Angeles Dodgers (MLB) e tem participações nos Los Angeles Lakers (NBA). Sua holding já investiu em empresas como DraftKings, A24 Films, Soul Train Cruise e Raffles Hotel, consolidando seu nome entre os investidores mais ousados da atualidade.


Como Todd Boehly pode se interessar em comprar a SAF Botafogo, ao invés do Santos. Abaixo iremos fazer uma análise completa do que poderá ocorrer num cenário hipotético de projeção, já que John Textor está cercado por todos os lados, e as dívidas estão atrapalhando o Botafogo, já que a Ares, não vai liberar nenhum aporte, enquanto Textor estiver no comando da SAF.


A SAF do Botafogo está em disputa societária e judicial. A principal holding que controla a SAF é a Eagle Football Holdings BidCo, da qual John Textor é acionista e figura como dono majoritário, apesar de estar afastado de algumas decisões por liminar e litígio com credores. 


Textor tem dívidas significativas relacionadas a operações financeiras que envolvem a própria Eagle e seus clubes — especialmente dívida com a Ares Management (que financiou a compra do Lyon) e com o fundo Iconic Sports, que também move ações contra ele. 


A dívida total associada ao grupo de Textor é grande e complexa, parte está sendo debatida em tribunais no Brasil, Reino Unido e Europa. 


A GDA Luma e Hutton Capital no cenário Botafogo


                       
Gabriel de Alba - Dono e fundador da GDA Luma: Foto Reprodução

Textor anunciou que empresas como a GDA Luma (liderada por Gabriel de Alba) e Hutton Capital seriam parte de uma injeção de US$ 50 milhões (R$260 milhões) no Botafogo para resolver problemas de caixa e o Transfer Ban, ou para comprar parte da dívida que a Ares Management tem dentro da Eagle Holdings BidCO. 


A operação proposta por Textor pode ser mais um empréstimo disfarçado de aporte, com juros muito altos e riscos financeiros altos para o clube caso seja aprovado pelo associativo. 


A GDA Luma é conhecida por trabalhar com “distressed assets” (ativos em dificuldade financeira ou títulos podres na tradução livre) desse tipo de operação pode resultar em compra de dívida ou participação societária com deságio. Por ironia do destino ou não, Gabriel De Alba, dono da GDA Luma, tem Todd Boehly dono do Chelsea e do Strasbourg na BlueCO, como parceiro e investidor-chave na GDA Luma.


Quem é Todd Boehly?


O Presidente dos EUA, Donald John Trump, Cole Palmer (destaque na final) e Todd Boehly na cerimônia que coroou o Chelsea como campeão da primeira Copa Do Mundo De Clubes de 2025 após derrotar o PSG por 3 a 0, no Estádio MetLife, em East Rutherford, Nova Jersey em 13/07/2025 - Foto: Getty Images


Todd Boehly é um bilionário e investidor norte-americano, presidente e principal figura da Eldridge Industries, com grande atuação no esporte e em outros setores. 


O que é a BlueCo?

BlueCo é um consórcio liderado por Boehly, Clearlake Capital, Mark Walter e Hansjörg Wyss que atua como veículo de investimento em futebol. 


Sob a BlueCo, Boehly já detém:


Chelsea FC (Inglaterra, Premier League) — clube de futebol inglês adquirido em 2022. 


RC Strasbourg Alsace (França, Ligue 1) — adquirido em 2023 como extensão do modelo de multiclubes. Parte da torcida do Strasbourg que antes ficava bastante tempo na segunda divisão francesa, a LIGUE 2, alega que a BlueCO trata o clube como segunda opção, em comparação ao Chelsea na Europa, porém não há atrasos de salários, e as contas de cada clube, seguem o orçamento sem prejudicar ninguém.


Boehly e a BlueCo, portanto, já operam no modelo de multipropriedade de clubes esportivos


Cenário hipotético: Boehly + Botafogo


Se Boehly se interessasse pela SAF do Botafogo

Seria importante entender 3 pontos principais:


Dívidas e Credores Atuais


Ares Management e Iconic Sports são credores na Eagle Football Holdings BidCO, com valores significativos exigidos juridicamente contra Textor. 


Caso Boehly ou a BlueCo quisesse entrar, seria essencial reconciliar ou assumir essas dívidas para ter controle efetivo, isso envolve negociação com esses fundos e com o próprio Textor. Este cenário é para qualquer outro investidor/investidores.


Não é simples assumir de forma automática: termos, garantias e litígios precisariam ser negociados.


Controle societário da SAF


A Eagle Holdings BidCo detém 90% da SAF Botafogo, e ela mesma está em disputa. 


Boehly teria que estruturar uma aquisição ou investimento que seja aceito pelos credores atuais e também pelo associativo do Botafogo, que tem poder de veto sobre mudanças societárias importantes.


Mudança da SAF da Eagle/BidCo para BlueCo


Em teoria, se um grupo liderado por Boehly comprasse ou assumisse controle acionário majoritário da Eagle ou da SAF Botafogo — ele poderia replanejar a SAF dentro de seu ecossistema (por meio da BlueCo).


No entanto, isso exigiria:


negociação / acordo com Ares, Iconic e demais credores;


aprovação judicial e dos órgãos reguladores;


negociação com o associativo do Botafogo e cumprimento de acordos societários vigentes.


Todd Boehly poderia teoricamente interessar-se pela SAF do Botafogo e até entrar na operação por meio da BlueCo, como já faz com Chelsea e Strasbourg;


Mas ele não “assumiria automaticamente” todas as dívidas de Textor — isso dependeria de negociação com os credores (Ares, Iconic) e de aceitação das condições vigentes na Eagle e na própria SAF.


Para isso acontecer, Boehly precisaria estruturar um plano de compra de ações ou ativos que inclua a liquidação ou reestruturação das dívidas existentes, e depois aprovar isso dentro das regras societárias do Botafogo e pelos órgãos legais competentes.


John Textor

   │

   ▼

Eagle Football Holdings

   │

   ├── Eagle BidCo (holding operacional)

   │        │

   │        ├── Botafogo SAF (~90%)

   │        ├── Lyon (França)

   │        ├── Molenbeek (Bélgica)

   │        └── outros ativos

   │

   └── DÍVIDAS DO GRUPO

            ├── Ares Management (principal)

            ├── Iconic Sports

            └── outros credores


Ponto crítico:


A dívida está na Eagle Holdings BidCo, mas afeta diretamente o Botafogo, porque a SAF é usada como garantia indireta e fonte de caixa.


Textor hoje está pressionado por credores, além do risco da perda de controle.


GDA Luma / Hutton Capital

        │

        ▼

Aporte / Empréstimo

        │

        ▼

Eagle / Botafogo SAF


Cenário mais provável:


Não é “dinheiro novo limpo”


É empréstimo com garantia


Pode virar controle acionário se Textor não pagar


Ou seja: troca-se o credor, mas não se resolve o problema estrutural.


CENÁRIO HIPOTÉTICO: Todd Boehly entra no jogo

Opção 1 — Boehly compra a DÍVIDA (mais provável)


Todd Boehly / BlueCo

        │

        ▼

Compra dívida da Ares / Iconic (com desconto)

        │

        ▼

Assume poder sobre Eagle / BidCo


Vantagens:


Compra com deságio


Tira Textor do centro da operação


Passa a mandar no grupo


Desvantagem:


Exige negociação dura com vários credores


Processo jurídico complexo


Outro cenário: Boehly compra DIRETO a SAF Botafogo (cenário menos provável)


Todd Boehly / BlueCo

        │

        ▼

Compra participação da Eagle na SAF

        │

        ▼

Botafogo SAF


Muito difícil porque:


A Eagle está endividada


Credores podem bloquear


Associativo do Botafogo teria que aprovar


TRANSFERÊNCIA DO BOTAFOGO: DA EAGLE BidCo para → BlueCo


BlueCo (Boehly)

   │

   ├── Chelsea (ING)

   ├── Strasbourg (FRA)

   └── Botafogo SAF (BRA)**

**Cenário hipotético


O que muda na prática:


Botafogo sai da Eagle (Textor)


Entra num grupo financeiramente mais sólido


Passa a operar no modelo multiclubes da BlueCo


É possível Boehly se interessar pelo Botafogo

Não é automático assumir dívidas, ele escolheria quais assumir


O caminho mais lógico seria comprar dívida com deságio

GDA Luma/Hutton não resolvem o problema, só empurram

BlueCo seria uma troca de patamar, mas só com ruptura total com Textor.


ISSO FAZ SENTIDO PARA O BOTAFOGO?


VANTAGENS REAIS (se for BlueCo/Boehly)

Estabilidade financeira imediata

BlueCo não vive de rolagem de dívida como a Eagle. O Botafogo sairia do modo “apagar incêndio”.


Fim do risco sistêmico


Hoje o Botafogo sofre por dívidas que não são do Botafogo, mas do grupo Eagle. Isso acabaria.


Capacidade de investimento previsível

Não é gastar loucamente, é planejamento: orçamento claro, crédito no mercado, menos transfer ban.


Peso político internacional

Boehly conversa direto com FIFA, UEFA, Premier League. Isso muda o patamar da negociação.


RISCOS / ALERTAS

Risco de virar clube de ecossistema

Se não houver cláusulas fortes, o Botafogo pode virar fornecedor de ativos.

Além de manter a proteção de não mexer no escudo e símbolos importantes do Botafogo


Choque cultural

Modelo europeu nem sempre entende o futebol brasileiro (calendário, torcida, política do clube).


Centralização de decisões

Menos “jeitinho”, mais planilha. Isso incomoda muita gente da atual SAF Botafogo sob Textor.


COMPARAÇÃO DIRETA: EAGLE x BLUECO

🔴 Eagle Football (Textor)


Modelo: alavancagem pesada


Fonte de dinheiro: dívida


Estratégia: promessas + valorização futura


Problema central:


“crescer primeiro, pagar depois” — o depois chegou


Situação atual:

Sem crédito

Litígios com credores

Botafogo usado como caixa


BlueCo (Boehly)


Modelo: capital forte + controle de risco


Fonte de dinheiro: (Capital privado) equity + fundos institucionais


Estratégia: ativos esportivos sustentáveis


Regra clara:


clube não paga dívida de outro clube


Situação:

Crédito global

Governança

Planejamento multianual


Resultado da comparação:

Eagle é aposta. BlueCo é operação.



O QUE O ASSOCIATIVO DO BOTAFOGO PODE (E DEVE) FAZER

O associativo não é decorativo. Ele pode:


Aprovar ou vetar:

Troca de controle da SAF


Mudança de grupo controlador


Alterações em cláusulas de proteção do clube social


O QUE O BOTAFOGO PRECISARIA EXIGIR

Se fosse BlueCo, o associativo deveria bater o pé em:


Blindagem jurídica


Botafogo não responde por dívidas de outros clubes


Investimento mínimo obrigatório


Valor anual definido, não “se der”


Autonomia esportiva


Diretor executivo próprio


Cláusula anti-clube satélite


Nada de obrigação de vender jogador barato


Se o associativo não fizer isso, qualquer grupo vira risco — inclusive a BlueCo.


A BlueCo tem conversas adiantadas no momento para comprar a SAF do Santos, uma compra do Botafogo somente se houver o plano de aproveitar o que Textor fez pela metade em 2024, e não concluiu nem em 2025 e tampouco em 2026.


O QUE PROVAVELMENTE VAI ACONTECER


Agora a parte menos romântica 


CENÁRIO MAIS PROVÁVEL (70%)

GDA Luma / Hutton entram como credores


Textor ganha fôlego curto


Dívida continua


Em 12–24 meses:


ou perde controle


ou o Botafogo volta ao caos


É adiar o inevitável


CENÁRIO INTERMEDIÁRIO (20%)

Credores (Ares/Iconic) tomam ativos


Eagle é desmontada


Botafogo entra em transição traumática


Novo dono aparece via leilão ou acordo


Doloroso, mas limpa o sistema


CENÁRIO BLUECO / BOEHLY (10%)

Compra dívida com deságio


Textor sai


Botafogo migra para outro grupo


Reconstrução com governança


Melhor cenário esportivo-financeiro

Politicamente difícil, mas não impossível


VEREDICTO FINAL 

Textor já perdeu o controle financeiro, só não perdeu o societário ainda


GDA Luma não salva o Botafogo, só troca o cobrador


BlueCo seria um upgrade, mas exige ruptura total


O Botafogo precisa parar de pensar somente no hoje, e se esquecer do amanhã. É necessário um projeto esportivo, pois o Botafogo Way sob Textor é uma utopia.

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