Esta matéria é um cenário hipotético do que pode ou não ocorrer com a SAF Botafogo nas próximas semanas.
Segundo a Forbes, Todd Boehly tem uma fortuna estimada em US$ 9,3 bilhões (R$ 48,6 Bilhões) e ocupa a 379ª posição entre os mais ricos do planeta. Quando assumiu o Chelsea, em 2022, sua fortuna era de US$ 4,5 bilhões — um salto de quase 90% em três anos.
Como Boehly fez fortuna?
Formado em Finanças nos EUA, Boehly começou sua carreira no mercado de derivativos de crédito e foi alçado ao topo ainda jovem, aos 23 anos. Trabalhou em bancos como Citibank e First Boston até ser convidado a integrar a Guggenheim Partners, onde chegou à presidência e gerenciou uma carteira de crédito de US$ 60 bilhões (R$312,6 Bilhões).
Em 2015, fundou sua própria holding, a Eldridge Industries, reunindo mais de 100 empresas dos setores de mídia, entretenimento, imóveis e esportes. Um dos pilares do império é a Security Benefit Life, seguradora que administra mais de US$ 50 bilhões (R$260,4 Bilhões) em ativos e fornece o "combustível" financeiro para novos investimentos.
Outros investimentos
Além do Chelsea, Boehly é sócio dos Los Angeles Dodgers (MLB) e tem participações nos Los Angeles Lakers (NBA). Sua holding já investiu em empresas como DraftKings, A24 Films, Soul Train Cruise e Raffles Hotel, consolidando seu nome entre os investidores mais ousados da atualidade.
Como Todd Boehly pode se interessar em comprar a SAF Botafogo, ao invés do Santos. Abaixo iremos fazer uma análise completa do que poderá ocorrer num cenário hipotético de projeção, já que John Textor está cercado por todos os lados, e as dívidas estão atrapalhando o Botafogo, já que a Ares, não vai liberar nenhum aporte, enquanto Textor estiver no comando da SAF.
A SAF do Botafogo está em disputa societária e judicial. A principal holding que controla a SAF é a Eagle Football Holdings BidCo, da qual John Textor é acionista e figura como dono majoritário, apesar de estar afastado de algumas decisões por liminar e litígio com credores.
Textor tem dívidas significativas relacionadas a operações financeiras que envolvem a própria Eagle e seus clubes — especialmente dívida com a Ares Management (que financiou a compra do Lyon) e com o fundo Iconic Sports, que também move ações contra ele.
A dívida total associada ao grupo de Textor é grande e complexa, parte está sendo debatida em tribunais no Brasil, Reino Unido e Europa.
A GDA Luma e Hutton Capital no cenário Botafogo
Textor anunciou que empresas como a GDA Luma (liderada por Gabriel de Alba) e Hutton Capital seriam parte de uma injeção de US$ 50 milhões (R$260 milhões) no Botafogo para resolver problemas de caixa e o Transfer Ban, ou para comprar parte da dívida que a Ares Management tem dentro da Eagle Holdings BidCO.
A operação proposta por Textor pode ser mais um empréstimo disfarçado de aporte, com juros muito altos e riscos financeiros altos para o clube caso seja aprovado pelo associativo.
A GDA Luma é conhecida por trabalhar com “distressed assets” (ativos em dificuldade financeira ou títulos podres na tradução livre) desse tipo de operação pode resultar em compra de dívida ou participação societária com deságio. Por ironia do destino ou não, Gabriel De Alba, dono da GDA Luma, tem Todd Boehly dono do Chelsea e do Strasbourg na BlueCO, como parceiro e investidor-chave na GDA Luma.
Quem é Todd Boehly?
Todd Boehly é um bilionário e investidor norte-americano, presidente e principal figura da Eldridge Industries, com grande atuação no esporte e em outros setores.
O que é a BlueCo?
BlueCo é um consórcio liderado por Boehly, Clearlake Capital, Mark Walter e Hansjörg Wyss que atua como veículo de investimento em futebol.
Sob a BlueCo, Boehly já detém:
Chelsea FC (Inglaterra, Premier League) — clube de futebol inglês adquirido em 2022.
RC Strasbourg Alsace (França, Ligue 1) — adquirido em 2023 como extensão do modelo de multiclubes. Parte da torcida do Strasbourg que antes ficava bastante tempo na segunda divisão francesa, a LIGUE 2, alega que a BlueCO trata o clube como segunda opção, em comparação ao Chelsea na Europa, porém não há atrasos de salários, e as contas de cada clube, seguem o orçamento sem prejudicar ninguém.
Boehly e a BlueCo, portanto, já operam no modelo de multipropriedade de clubes esportivos
Cenário hipotético: Boehly + Botafogo
Se Boehly se interessasse pela SAF do Botafogo
Seria importante entender 3 pontos principais:
Dívidas e Credores Atuais
Ares Management e Iconic Sports são credores na Eagle Football Holdings BidCO, com valores significativos exigidos juridicamente contra Textor.
Caso Boehly ou a BlueCo quisesse entrar, seria essencial reconciliar ou assumir essas dívidas para ter controle efetivo, isso envolve negociação com esses fundos e com o próprio Textor. Este cenário é para qualquer outro investidor/investidores.
Não é simples assumir de forma automática: termos, garantias e litígios precisariam ser negociados.
Controle societário da SAF
A Eagle Holdings BidCo detém 90% da SAF Botafogo, e ela mesma está em disputa.
Boehly teria que estruturar uma aquisição ou investimento que seja aceito pelos credores atuais e também pelo associativo do Botafogo, que tem poder de veto sobre mudanças societárias importantes.
Mudança da SAF da Eagle/BidCo para BlueCo
Em teoria, se um grupo liderado por Boehly comprasse ou assumisse controle acionário majoritário da Eagle ou da SAF Botafogo — ele poderia replanejar a SAF dentro de seu ecossistema (por meio da BlueCo).
No entanto, isso exigiria:
negociação / acordo com Ares, Iconic e demais credores;
aprovação judicial e dos órgãos reguladores;
negociação com o associativo do Botafogo e cumprimento de acordos societários vigentes.
Todd Boehly poderia teoricamente interessar-se pela SAF do Botafogo e até entrar na operação por meio da BlueCo, como já faz com Chelsea e Strasbourg;
Mas ele não “assumiria automaticamente” todas as dívidas de Textor — isso dependeria de negociação com os credores (Ares, Iconic) e de aceitação das condições vigentes na Eagle e na própria SAF.
Para isso acontecer, Boehly precisaria estruturar um plano de compra de ações ou ativos que inclua a liquidação ou reestruturação das dívidas existentes, e depois aprovar isso dentro das regras societárias do Botafogo e pelos órgãos legais competentes.
John Textor
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▼
Eagle Football Holdings
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├── Eagle BidCo (holding operacional)
│ │
│ ├── Botafogo SAF (~90%)
│ ├── Lyon (França)
│ ├── Molenbeek (Bélgica)
│ └── outros ativos
│
└── DÍVIDAS DO GRUPO
├── Ares Management (principal)
├── Iconic Sports
└── outros credores
Ponto crítico:
A dívida está na Eagle Holdings BidCo, mas afeta diretamente o Botafogo, porque a SAF é usada como garantia indireta e fonte de caixa.
Textor hoje está pressionado por credores, além do risco da perda de controle.
GDA Luma / Hutton Capital
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▼
Aporte / Empréstimo
│
▼
Eagle / Botafogo SAF
Cenário mais provável:
Não é “dinheiro novo limpo”
É empréstimo com garantia
Pode virar controle acionário se Textor não pagar
Ou seja: troca-se o credor, mas não se resolve o problema estrutural.
CENÁRIO HIPOTÉTICO: Todd Boehly entra no jogo
Opção 1 — Boehly compra a DÍVIDA (mais provável)
Todd Boehly / BlueCo
│
▼
Compra dívida da Ares / Iconic (com desconto)
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▼
Assume poder sobre Eagle / BidCo
Vantagens:
Compra com deságio
Tira Textor do centro da operação
Passa a mandar no grupo
Desvantagem:
Exige negociação dura com vários credores
Processo jurídico complexo
Outro cenário: Boehly compra DIRETO a SAF Botafogo (cenário menos provável)
Todd Boehly / BlueCo
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▼
Compra participação da Eagle na SAF
│
▼
Botafogo SAF
Muito difícil porque:
A Eagle está endividada
Credores podem bloquear
Associativo do Botafogo teria que aprovar
TRANSFERÊNCIA DO BOTAFOGO: DA EAGLE BidCo para → BlueCo
BlueCo (Boehly)
│
├── Chelsea (ING)
├── Strasbourg (FRA)
└── Botafogo SAF (BRA)**
**Cenário hipotético
O que muda na prática:
Botafogo sai da Eagle (Textor)
Entra num grupo financeiramente mais sólido
Passa a operar no modelo multiclubes da BlueCo
É possível Boehly se interessar pelo Botafogo
Não é automático assumir dívidas, ele escolheria quais assumir
O caminho mais lógico seria comprar dívida com deságio
GDA Luma/Hutton não resolvem o problema, só empurram
BlueCo seria uma troca de patamar, mas só com ruptura total com Textor.
ISSO FAZ SENTIDO PARA O BOTAFOGO?
VANTAGENS REAIS (se for BlueCo/Boehly)
Estabilidade financeira imediata
BlueCo não vive de rolagem de dívida como a Eagle. O Botafogo sairia do modo “apagar incêndio”.
Fim do risco sistêmico
Hoje o Botafogo sofre por dívidas que não são do Botafogo, mas do grupo Eagle. Isso acabaria.
Capacidade de investimento previsível
Não é gastar loucamente, é planejamento: orçamento claro, crédito no mercado, menos transfer ban.
Peso político internacional
Boehly conversa direto com FIFA, UEFA, Premier League. Isso muda o patamar da negociação.
RISCOS / ALERTAS
Risco de virar clube de ecossistema
Se não houver cláusulas fortes, o Botafogo pode virar fornecedor de ativos.
Além de manter a proteção de não mexer no escudo e símbolos importantes do Botafogo
Choque cultural
Modelo europeu nem sempre entende o futebol brasileiro (calendário, torcida, política do clube).
Centralização de decisões
Menos “jeitinho”, mais planilha. Isso incomoda muita gente da atual SAF Botafogo sob Textor.
COMPARAÇÃO DIRETA: EAGLE x BLUECO
🔴 Eagle Football (Textor)
Modelo: alavancagem pesada
Fonte de dinheiro: dívida
Estratégia: promessas + valorização futura
Problema central:
“crescer primeiro, pagar depois” — o depois chegou
Situação atual:
Sem crédito
Litígios com credores
Botafogo usado como caixa
BlueCo (Boehly)
Modelo: capital forte + controle de risco
Fonte de dinheiro: (Capital privado) equity + fundos institucionais
Estratégia: ativos esportivos sustentáveis
Regra clara:
clube não paga dívida de outro clube
Situação:
Crédito global
Governança
Planejamento multianual
Resultado da comparação:
Eagle é aposta. BlueCo é operação.
O QUE O ASSOCIATIVO DO BOTAFOGO PODE (E DEVE) FAZER
O associativo não é decorativo. Ele pode:
Aprovar ou vetar:
Troca de controle da SAF
Mudança de grupo controlador
Alterações em cláusulas de proteção do clube social
O QUE O BOTAFOGO PRECISARIA EXIGIR
Se fosse BlueCo, o associativo deveria bater o pé em:
Blindagem jurídica
Botafogo não responde por dívidas de outros clubes
Investimento mínimo obrigatório
Valor anual definido, não “se der”
Autonomia esportiva
Diretor executivo próprio
Cláusula anti-clube satélite
Nada de obrigação de vender jogador barato
Se o associativo não fizer isso, qualquer grupo vira risco — inclusive a BlueCo.
A BlueCo tem conversas adiantadas no momento para comprar a SAF do Santos, uma compra do Botafogo somente se houver o plano de aproveitar o que Textor fez pela metade em 2024, e não concluiu nem em 2025 e tampouco em 2026.
O QUE PROVAVELMENTE VAI ACONTECER
Agora a parte menos romântica
CENÁRIO MAIS PROVÁVEL (70%)
GDA Luma / Hutton entram como credores
Textor ganha fôlego curto
Dívida continua
Em 12–24 meses:
ou perde controle
ou o Botafogo volta ao caos
É adiar o inevitável
CENÁRIO INTERMEDIÁRIO (20%)
Credores (Ares/Iconic) tomam ativos
Eagle é desmontada
Botafogo entra em transição traumática
Novo dono aparece via leilão ou acordo
Doloroso, mas limpa o sistema
CENÁRIO BLUECO / BOEHLY (10%)
Compra dívida com deságio
Textor sai
Botafogo migra para outro grupo
Reconstrução com governança
Melhor cenário esportivo-financeiro
Politicamente difícil, mas não impossível
VEREDICTO FINAL
Textor já perdeu o controle financeiro, só não perdeu o societário ainda
GDA Luma não salva o Botafogo, só troca o cobrador
BlueCo seria um upgrade, mas exige ruptura total
O Botafogo precisa parar de pensar somente no hoje, e se esquecer do amanhã. É necessário um projeto esportivo, pois o Botafogo Way sob Textor é uma utopia.



