O Botafogo vive um dos momentos mais delicados desde a criação da SAF. O chamado “aporte” financeiro envolvendo a GDA LUMA e a Hutton Capital, que na prática se configura como um empréstimo de altíssimo risco com juros de 25% ao mês, ameaça comprometer de forma grave o futuro financeiro da SAF Botafogo no médio e longo prazo, caso tal empréstimo seja aprovado pelo Botafogo Associativo.
Apesar de vendido publicamente como um aporte estratégico por John Textor, o modelo apresentado é, na essência, mais uma dívida, e bem agressiva. Em um clube que já carrega um histórico pesado de endividamento de R$1,5 Bilhão de dívida geral, e R$700 Milhões de dívidas no curto prazo aceitar um empréstimo com essas condições é abrir caminho para a insolvência financeira.
Textor pensa no presente, ignora o futuro
John Textor, ainda controlador da SAF, demonstra estar mais preocupado em capitalizar politicamente o fato dele ter retirado o Botafogo do Transfer Ban, após pagar as parcelas restantes que deve ao Atlanta United, do que em garantir sustentabilidade ao projeto. O movimento soa como uma tentativa de salvar sua própria imagem, enquanto empurra o Botafogo para uma ¨linha de tiro em guerra perigosa¨.
O problema é estrutural: Textor não pode transferir ações da SAF ou da Eagle Holdings BidCO, pois enfrenta dificuldades financeiras relevantes. Ele deve valores significativos à Ares Management Corporation, maior credora da Eagle, além da Iconic Sports, cujo julgamento completo na justiça comercial britânica ocorrerá nas próximas semanas. Em caso de derrota, será extremamente difícil para Textor retomar o controle da Eagle Holdings BidCO, além de perder ações nesta holding, perdendo o controle parcial ou total da SAF Botafogo e do RWDM Brussels, já que possui apenas 65,4% das ações da Eagle Holdings BidCO, e a Iconic Sports é favorita para vencer este julgamento completo contra John Textor.
Thairo Arruda isolado e com sua saída cada vez mais provável
Dentro desse cenário, o CEO da SAF Botafogo, Thairo Arruda, surge como uma das poucas vozes de contenção. Ele discordou completamente do empréstimo via GDA LUMA e Hutton Capital e também vetou as vendas de Danilo e Montoro para o Nottingham Forest, como John Textor queria já no fim desta primeira janela de transferências da Inglaterra; Thairo entendeu que a entrega de ativos de tais jogadores estratégicos por valores baixos seria outro golpe no futuro do clube.
Com isso, Thairo ficou isolado. A percepção neste momento é clara: o Botafogo Associativo prefere manter John Textor, mesmo com decisões temerárias, a sustentar a posição técnica e responsável de seu CEO. Caso o empréstimo seja aprovado, cresce muito o risco de Thairo Arruda pedir demissão ou ser demitido nos próximos dias.
Se isso acontecer, Thairo Arruda irá redirecionar sua carreira, focando seu trabalho na CBF e também avaliando um possível convite para gerir o São Paulo, caso o presidente Harry Massis Júnior, e Rafinha, agora como dirigente, formalizem esse interesse no futuro próximo.
Vale lembrar: Thairo Arruda está colocando o seu cargo em risco e enfrentando pressões internas para impedir que John Textor entregasse Danilo e Montoro a preços reduzidos à Marinakis e ao Nottingham Forest, “por alguns trocados”, preservando patrimônio esportivo do clube.
Botafogo Associativo perdido e João Paulo Magalhães Lins na mira da história
O Botafogo Associativo, presidido por João Paulo Magalhães Lins, passa a imagem de completa desorientação. No momento ao permitir que um empréstimo abusivo seja dito como aporte por Textor, o Associativo caminha para legitimar a destruição do futuro da SAF Botafogo.
Se essa operação for aprovada, João Paulo Magalhães Lins tem tudo para se tornar o presidente mais odiado da história do Botafogo, superando nomes como Carlos Eduardo Pereira e Maurício Assumpção. Aceitar juros de 25% ao mês não é apenas imprudência: é uma loucura financeira que merece repúdio histórico.
O impacto será direto: aumento brutal das dívidas no longo prazo, perda de ativos, enfraquecimento esportivo e risco real de colapso financeiro.
A última esperança: intervenção da Ares Management
Diante da falta de postura do Botafogo Associativo, resta aos botafoguenses torcerem para que a Ares Management intervenha e impeça John Textor de seguir com esse empréstimo disfarçado de aporte. Como a Ares é a maior credora da Eagle Holdings BidCO, além disso, a Ares tem interesse direto em evitar que o Botafogo seja empurrado para a insolvência.
Textor está colocando o clube em uma guerra que não tem como vencer. Sem liquidez, sem controle pleno de suas empresas e pressionado por credores, ele arrisca tudo — menos o próprio patrimônio pessoal.
Se o empréstimo via GDA LUMA e Hutton Capital for aprovado, o Botafogo não estará apenas assumindo mais uma dívida. Estará assinando um cheque em branco contra o seu próprio futuro.
Empréstimo em avaliação e auditoria do BTG Pactual
Diante das dúvidas quanto à origem, viabilidade e condições do financiamento, o Botafogo Associativo, por intermédio de seu presidente João Paulo Magalhães Lins, solicitou uma auditoria externa conduzida pelo banco BTG Pactual, que atualmente analisa os detalhes da proposta apresentada por John Textor.
Desconfiança interna e auditoria em andamento
Nos bastidores do clube social, há desconfiança em relação às declarações recentes de John Textor. Na última quinta-feira, em entrevista à Botafogo TV, o empresário afirmou que iria “bancar pessoalmente” o pagamento ao Atlanta United para encerrar o transfer ban imposto ao clube. A chamada ala social do Botafogo, no entanto, avalia que Textor blefou ao fazer essa afirmação e manifesta convicção de que ele não cumprirá o compromisso nos termos anunciados.
Enquanto isso, as partes aguardam a conclusão da auditoria do BTG Pactual, que estuda não apenas a viabilidade financeira do empréstimo, mas também as condições contratuais e a origem dos recursos. Inicialmente, trabalhava-se com a expectativa de um empréstimo de US$ 50 milhões, com liberação imediata de US$ 20 milhões. No entanto, os valores atualmente analisados pelo banco são de aproximadamente 50% disso, ou seja, US$ 25 milhões (cerca de R$ 130,7 milhões).
A quantia teria como objetivo principal o pagamento de parte da dívida de cerca de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 156,9 milhões) que o Botafogo mantém com o Atlanta United, referente à compra e aos bônus contratuais da contratação de Thiago Almada, realizada em 2024.
Justificativa esportiva e riscos financeiros
John Textor sustenta que o empréstimo permitiria não apenas a retirada imediata do Transfer Ban, mas também a manutenção dos principais jogadores do elenco por mais tempo, o que, segundo ele, aumentaria o retorno esportivo e a valorização dos ativos do clube.
O argumento, porém, encontra resistência interna. Críticos apontam que um financiamento de custo elevado resolve um problema imediato, mas cria um passivo perigoso no futuro, especialmente em um cenário de endividamento já elevado. O risco é que a SAF passe a operar pressionada por juros excessivos, comprometendo receitas futuras e limitando investimentos estruturais.
O Banco BTG Pactual passou a exercer um papel central no processo. A instituição atua como consultora tanto da SAF Botafogo quanto do Botafogo Futebol de Regatas (Associativo), orientando tecnicamente sobre o que deve e o que não deve ser feito no atual cenário financeiro. Além disso, o BTG é responsável pela auditoria externa que analisa a viabilidade, a origem dos recursos e as condições contratuais do empréstimo apresentado por John Textor.
Por esse motivo, a conclusão da auditoria do BTG Pactual é aguardada com atenção. O banco está analisando o contrato do empréstimo e seus desdobramentos financeiros. Inicialmente, a expectativa era de um financiamento de US$ 50 milhões, com liberação imediata de US$ 20 milhões. Atualmente, porém, os valores estudados giram em torno de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 130,7 milhões).
A quantia seria suficiente para derrubar o transfer ban e garantir caixa operacional até, ao menos, o meio de 2026, oferecendo fôlego financeiro no curto prazo.
Alívio imediato e risco estrutural
Apesar do impacto positivo inicial, a avaliação predominante é de que “nem tudo são flores”. O empréstimo pode resolver problemas urgentes, como a regularização junto ao Atlanta United, a quem o Botafogo deve cerca de US$ 30 milhões (R$158 Milhões) referentes à parcelas que não foram pagas durante a contratação de Thiago Almada, mas cria um passivo de alto custo.
A leitura de parte dos dirigentes e conselheiros é que, no médio e longo prazo, a aceitação desse empréstimo tende a empurrar o Botafogo para um cenário de insolvência financeira, caso não haja crescimento de receitas suficiente para absorver juros tão elevados. Internamente, porém, há quem veja esse argumento como frágil diante do peso financeiro futuro do contrato.
