No caso da SAF Botafogo, a última tentativa de John Textor de buscar ¨aporte¨ via GDA Luma, um fundo conhecido por comprar títulos e créditos podres além de dívidas com alto risco jurídico, acende vários alertas ao mesmo tempo. Ação que já foi criticada por Thairo Arruda, João Paulo Magalhães Lins e Montenegro. Os riscos de se envolver com a GDA Luma, são perigosos.
1) Natureza do dinheiro da GDA Luma: não é capital “saudável”
Fundos como a GDA Luma não entram para fortalecer projeto esportivo. Eles entram para:
comprar dívida com deságio agressivo
impor garantias duras
ganhar em cenário de crise, litígio ou execução
Ou seja: não é aporte estratégico, é dinheiro de emergência. Quando um clube recorre a esse tipo de capital, o mercado lê como:
“ninguém tradicional quis colocar dinheiro nessas condições”.
Isso encarece o custo do capital e enfraquece a posição do Botafogo em qualquer negociação futura.
2) Dívida gigantesca e concentrada no curto prazo
O fator mais grave é o tamanho e o perfil da dívida deixada pelo próprio Textor:
R$ 1,5 bilhão de endividamento total
R$ 700 milhões vencendo no curto prazo
Isso cria três riscos imediatos:
Risco de liquidez – o clube pode até ser “viável no papel”, mas não ter caixa para honrar compromissos.
Pressão por receitas antecipadas – venda de atletas abaixo do valor, cessão de direitos, adiantamento de TV.
Perda de poder esportivo – decisões passam a ser financeiras, não técnicas.
Nesse contexto, dinheiro de fundo oportunista não resolve o problema estrutural, só empurra a crise pra frente com juros maiores.
3) Disputa com a Ares: sinal vermelho para credores
A briga com a Ares é um fator crítico porque:
Ares é credor institucional grande
Litígios com fundos desse porte afugentam investidores sérios
Pode gerar cláusulas de aceleração de dívida
Para um fundo como a GDA Luma, isso é até “bom” (mais pressão, mais chance de execução).
Para o Botafogo, é péssimo: aumenta o risco de bloqueios, arrestos e disputas por prioridade de recebimento.
4) Julgamento na Justiça Comercial Britânica (caso Iconic Sports)
Esse ponto é talvez o mais tóxico do cenário todo.
A Iconic Sports cobra:
o dinheiro que Textor tomou emprestado em 2022
usado para comprar o Lyon
agora discutido na justiça comercial britânica (altamente rigorosa com contratos)
Isso gera dois efeitos diretos sobre o Botafogo:
Risco de contaminação patrimonial
Se ficar provado que houve confusão entre ativos do grupo, o Botafogo entra no radar.
Perda de credibilidade internacional
Qualquer investidor olha isso e pensa:
“Se ele não pagou lá fora, por que estaria seguro aqui?”
Fundos de crédito podre adoram esse tipo de cenário. Clubes, não sobrevivem bem a ele.
5) O problema central: risco não é só do Botafogo, é de governança
O ponto mais delicado não é a GDA Luma em si, é o padrão de gestão:
Endividamento explosivo
Uso cruzado de recursos entre clubes
Empréstimos pessoais para aquisições bilionárias
Litígios simultâneos em vários países
Isso coloca a SAF Botafogo num ambiente de risco sistêmico, onde:
uma decisão judicial fora do Brasil
ou um credor mais agressivo
pode gerar efeito dominó.
A tentativa de aporte via GDA Luma é perigosa porque:
não resolve a dívida, só muda o credor
aumenta a pressão jurídica e financeira
sinaliza fragilidade extrema do controlador
expõe o Botafogo a disputas que não nasceram no clube, mas podem cair no colo dele
No curto prazo, pode evitar colapso de caixa.
No médio prazo, aumenta o risco de perda de controle esportivo e financeiro da SAF.
De forma resumida antes de perder o atual controle da SAF Botafogo, John Textor quer envolver uma empresa que compra dívidas, e tem cobranças como de agiotagem, prejudicando o futuro da SAF Botafogo para novos investidores. Isto é caso grave, para um vindouro afastamento imediato.
