Por causa de John Textor ter brigado com o empresário de Artur Jorge que também agencia Martín Anselmi, e Thairo Arruda ter se demitido como CEO, além de alta multa rescisória e salários a serem pagos; Martín Anselmi segue como técnico até segunda ordem


 
Foto: Maxi Franzoi/AGIFMartin Anselmi, técnico do Botafogo durante partida contra o Gremio no estadio Arena do Gremio pelo campeonato Brasileiro Série A 2026



Quem poderia imaginar que os ditos agentes do caos da torcida do Botafogo estavam certos sobre 98% de tudo o que acontece na SAF Botafogo. Martín Anselmi não poderá ser demitido, pelo simples fato do Botafogo não ter o dinheiro para pagar os salários restantes de Anselmi junto da multa rescisória. Martín Rodrigo Anselmi tem contrato com o Botafogo até meados de 2027. Ele assinou um contrato de 1 ano e meio, quando acertou com o Botafogo e Thairo Arruda, ex-CEO do Botafogo, em 22 de Dezembro de 2025. John Textor não pode conversar, pois brigou com Hugo Cajuda, ex-empresário de Artur Jorge, e o Thairo Arruda que trouxe Anselmi pro Botafogo. Além da treta empresarial, o Botafogo neste momento não tem dinheiro para quitar as pendências de vez com Anselmi.


O clima nos bastidores da SAF Botafogo está longe de ser tranquilo. A situação envolvendo o técnico Martín Anselmi revela um cenário de tensão contratual, disputas internas e preocupações financeiras que podem aprofundar ainda mais a crise na SAF alvinegra.


Contrato trava possível demissão


Para tirar Martín Anselmi do comando técnico neste momento, o Botafogo precisaria pagar integralmente os salários previstos em contrato pelos próximos meses que vão até o ano de 2027. O vínculo firmado pelo clube com o treinador é de um ano e meio, e o acordo precisa ser cumprido caso a diretoria decida pela demissão.


Na prática, isso significa que uma saída imediata do treinador custaria caro aos cofres da SAF que tem que pagar cláusulas e parcelas aos ex-clubes de Almada (Atlanta United), Luiz Henrique (Real Betis) Jordan Barrera (Junior De Barranquilla) e Álvaro Montoro (Vélez Sarsfield). Dentro da atual conjuntura, Martín Anselmi só deixaria o cargo sem gerar essa obrigação financeira caso ele próprio pedisse demissão.


Quem trouxe Anselmi


A contratação do técnico argentino foi conduzida internamente por Thairo Arruda, ex-CEO, e figura central na estrutura da SAF do Botafogo. A aposta no treinador foi tratada como um projeto de médio prazo, mas o ambiente político e financeiro no clube tem tornado a continuidade do trabalho cada vez mais turbulenta.


Empresário do treinador e Textor: relação desgastada


                        
Hugo Cajuda no Mâs Monumental, na Final da Libertadores 2024 - Foto Reprodução Arquivo pessoal


Outro fator que complica qualquer negociação é o empresário de Anselmi, Hugo Cajuda. Nos bastidores, é conhecido que Hugo Cajuda não tem boa relação com o ainda dono da SAF, John Textor.


  
Artur Jorge no Estádio Nilton Santos - Foto: Vítor Silva/Botafogo

Essa animosidade vem desde dezembro de 2024, quando houve um forte desentendimento entre Textor e Cajuda durante as negociações envolvendo o então treinador Artur Jorge.


Na época, Hugo Cajuda pediu um novo contrato com aumento salarial para Artur Jorge, além de garantias sobre a permanência de boa parte do elenco para a temporada de 2025. Segundo relatos de bastidores, Textor teria feito promessas de renovação que não se concretizaram, o que desgastou profundamente a relação entre o empresário e o dirigente.


Se houver demissão, negociação promete ser dura


Caso o Botafogo decida demitir Anselmi, a negociação para resolver o contrato deverá cair no colo de Alessandro Brito, que teria de tratar diretamente com Hugo Cajuda — justamente alguém que já está em rota de colisão com John Textor.


Isso cria um cenário de negociação delicada e potencialmente conflituosa.


Transfer Bans e alerta financeiro


Enquanto os bastidores fervem, novos Transfer Bans (proibições de Transferências e de registrar jogadores) também ameaçam o clube, aumentando a pressão sobre a gestão da SAF.


Para muitos torcedores, a situação lembra o que ocorreu no RWDM Brussels, antigo RWD Molenbeek, outro clube ligado ao grupo de John Textor. Por lá, atrasos salariais e problemas administrativos geraram forte revolta da torcida, que chegou a pedir publicamente que Textor vendesse o clube. Algo que pode ocorrer inclusive, nos próximos meses.


Um “navio à deriva”


Hoje, o sentimento de parte da torcida botafoguense é de que a SAF vive um momento semelhante: um verdadeiro circo em chamas, ou um navio com uma âncora pesada que impede o clube de seguir seu destino.


Entre contratos difíceis de romper, conflitos com empresários, promessas não cumpridas e problemas financeiros batendo à porta, o Botafogo enfrenta um cenário de instabilidade que pode ter consequências profundas dentro e fora de campo.


E, no centro desse turbilhão, permanece uma realidade clara: Martín Anselmi só deixa o comando técnico agora se decidir sair por conta própria. Algo semelhante que aconteceu quando Davide Ancelotti, se desentendeu com a diretoria do Botafogo, após Luca Carlo Guerra, ex-preparador físico do Botafogo, ter tido uma péssima relação com os funcionários do clube, e de ter lesionado vários atletas.

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