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Alex Telles - Foto Reprodução/GE |
Com vínculo até o fim de 2026 com o Botafogo, Alex Telles pode assinar pré-contrato a partir de julho e sair de graça no final do ano. Mas há conversas por renovação? Em entrevista a “TV GLOBO” e GE, que irá ao ar na íntegra neste Domingo 26/4, o lateral-esquerdo foi sincero. (O VÍDEO DESTA ENTREVISTA ESTARÁ DISPONÍVEL AMANHÃ)
"Vestindo a gloriosa camisa 13, Alex Telles". A frase, repetida em todo anúncio de escalação do Botafogo no estádio Nilton Santos, é o lembrete de uma coincidência iniciada em setembro de 2024 - quando o lateral, que sempre carregou o número às costas por motivos pessoais, chegou ao clube em que Zagallo e Loco Abreu eternizaram a 13. A superstição também foi vista na apresentação do jogador, que lembrou que "Telles no Fogão" tem 13 letras.
— Minha relação é muito pessoal, mesmo. Eu sempre usava o número 6 por ser lateral-esquerdo. Quando cheguei no Grêmio, o 13 era um número possível. Na época, meus pais falaram que, para eles, sempre foi especial. Sempre tiveram datas importantes, comemorativas, nesse dia — disse Telles em entrevista ao ge e à TV Globo, completando:
— E o mais importante: eu sou um cara devoto de Nossa Senhora de Fátima. Minha mãe colocou a imagem dela no meu quarto (na infância), e eu orava para ela pedindo tudo que eu tenho hoje. O dia dela é comemorado em 13 de maio. A partir do momento que eu escolhi a 13 como meu número, muitas coisas começaram a acontecer nesse dia. Nunca programado, foi acontecendo. Quando cheguei no Botafogo, eu já tinha essa identificação. Tinha o 13 disponível, ainda mais a 13 do Zagallo, do Loco Abreu, que já tinham uma história no clube. Não pensei duas vezes e está dando certo.
Contra a Chapecoense, pela Copa do Brasil, o lateral-esquerdo chegou ao 13º gol pelo clube. Curiosamente, de uma forma inédita, marcando seu primeiro gol de cabeça da carreira.
— Pois é, de cabeça (risos). Muita gente ficou surpresa por eu nunca ter feito gol de cabeça. Mas eu, pela minha característica, nunca fui um jogador de entrar muito na área, de ser um cara muito ofensivo. Sempre fui um cara de muito cruzamento, de passe no último terço. Os meus gols, se for ver, se não foram de pênalti, foram de falta ou de chute de fora da área. Sempre fui o cara de cruzar a bola. Por isso, nunca fui o cara de fazer o gol de cabeça. Nesse jogo fui feliz
Quase dois anos depois, Telles é um dos capitães do time do Botafogo, estabelecido como um líder. Em uma semana em que os holofotes se viraram mais aos bastidores —com John Textor afastado do comando da SAF e novos desdobramentos na briga societária —, o lateral-esquerdo vê um time pronto para deixar o caos apenas do campo para fora.
— Eu não acredito que interfira. Se formos ver os últimos jogos, a gente está dando conta do recado, independentemente das notícias que saem. A gente se fecha da melhor maneira, blinda o nosso vestiário. O mais importante é a gente focar no nosso trabalho, porque não temos que nos preocupar dessa maneira com o que não podemos controlar — disse Telles, acrescentando:
— Obviamente que a gente tem essa comunicação, sim, com a direção de vez em quando. Alguns membros da direção estão sempre aqui no nosso CT dando a cara para a gente, para poder conversar, o que for necessário. Como capitães, a gente tenta focar no que é dentro de campo. Nosso clima é maravilhoso, é muito bom, e isso se provou nos últimos jogos.
Aos 33 anos, Alex Telles é um dos jogadores com maior número de partidas disputadas na temporada, com 20; o número pode crescer neste sábado, pelo Brasileirão, contra o Internacional. A frequência dentro de campo vai de encontro a um problema crônico no joelho e preocupações com a forma física.
Recentemente, Telles se ausentou de dois jogos por dores na coxa esquerda. Caio Roque assumiu o posto enquanto Marçal, outra opção, estava no departamento médico. Para o camisa 13, a intensidade do calendário do futebol brasileiro precisa ser levada em conta na manutenção de um elenco forte.
— É bem bom falar sobre, porque as pessoas falam da minha parte física, eu vejo isso. Só que às vezes falam sem ter a real noção de quanto jogamos, os minutos que temos na temporada. Jogar no Brasil não é para qualquer um, com o calendário que se tem, com as viagens. E da forma como o Botafogo joga, sempre para vencer, atacando... Sempre quero estar disponível para ajudar o Botafogo na frente ou na defesa, me doo bastante. Não só nos jogos, mas no dia a dia. Não gosto de ficar fora de jogo. Isso certa hora vai dar um desgaste e vai se notar dentro de campo. Mas a gente precisa de elenco. A partir do momento que eu não estiver disponível por algum problema físico, tenho certeza que o Caio, o Marçal, o Abdias... Os laterais vão dar conta do recado.
Outros tópicos da entrevista com Alex Telles:
Conversas por possível renovação de contrato:
— Até então, não tive nenhum contato com o clube em relação a isso. O único contato que eu tenho com o clube é diariamente aqui nos treinamentos, é a gente falando de cada jogo, de cada treino. Não tenho nenhum contato em relação a isso, até porque a gente mantém um respeito. Eu jamais vou passar por cima de alguém ou do Botafogo porque é o Botafogo que importa, é o mais importante. Na hora certa, isso pode vir a acontecer. Eu não gosto de criar polêmica ou de falar com relação a isso. Eu controlo o que é o meu dia a dia, os meus treinamentos e o meu resultado no campo. Isso ainda não foi pauta, nem da minha parte nem da parte do clube. E na hora certa, se for para acontecer, vai acontecer. E o mais importante: se acontecer, vai sair da minha boca, eu que vou falar. Não vai ser ninguém que vai falar por mim. Então eu peço respeito. O mais importante é o Botafogo sair vencendo
Combinado com Vitinho contra a Chapecoense?
— Não tinha um combinado em si. Eu vi que teve um cruzamento que ele fez uns cinco, seis minutos antes do meu gol que a bola passou por ali e eu não estava no lugar certo. Eu pensei "poxa, se ele fizer esse cruzamento de novo, eu posso estar ali e entrar na hora certa". Teve um escanteio que eu fui do lado dele e falei "na próxima vez que tu cruzar, cruza no segundo". Quando eu vi que ele botou a bola na frente, eu acreditei nessa bola, ele fez o que eu pedi, colocou a bola no segundo, foi muito feliz no cruzamento, estava fazendo um grande jogo. A partir dali eu só acompanhei a bola para passar. Quando eu vi que o lateral não ia pegar, eu fiz praticamente um cabeceio de centroavante ali, como se eu soubesse muito (risos) Foi bonito. Mas o mais importante é que a bola entrou no gol e a gente conseguiu a vitória.
Possibilidade de venda de jogadores:
— A gente também fica (preocupado), obviamente. Isso faz parte dos negócios. Quando é SAF ou antes da SAF, acho que todos os clubes passam por isso, passam por negociações. Há jogadores que se destacam e são vendidos. Há jogadores que e destacam em outros clubes e o Botafogo ou outro clube vai lá e compra. Acho que isso faz parte do futebol. Obviamente que a gente via ter um elenco qualificado, a gente conversa sobre isso, a gente não fecha os olhos sobre isso.
— Nós, os mais velhos, temos essa abertura para conversar com as pessoas e montar um elenco forte para que a gente possa continuar competindo. A gente sabe que o ano é exaustivo, a gente precisa de jogadores. Felizmente ou infelizmente tem também esses destaques que acabam saindo. Eu digo infelizmente porque a gente acaba perdendo esses atletas, mas felizmente por suas carreiras, enfim. A gente sempre torce pelos jogadores, para realizarem os sonhos deles.
E a Copa do Mundo?
— Com certeza, eu sempre sonhei, nunca deixei isso de lado. Ainda mais depois de ter participado de uma Copa do Mundo como foi a última, em que a gente tinha muita esperança. Era um grupo maravilhoso. Ainda mais depois de ter me machucado no terceiro jogo, contra Camarões. Fica aquele gostinho de querer ter jogado mais, querer ter participado mais. Então esse sonho no meu coração continua, eu busco essa vaga. Sei que não fui chamado ainda, mas meu trabalho no Botafogo está sendo muito bem feito. Espero cada vez mais poder contribuir com o Botafogo para, quem sabe, poder ser lembrado.
Expectativa por possível chamado à seleção brasileira:
— Eu acho que no futebol tudo pode acontecer. Eu tenho consciência disso, não fui chamado ainda pelo professor (Carlo) Ancelotti. Mas estou num clube que me proporciona isso, estar sempre visível nos jogos, no Brasileiro, Sul-Americana, grandes jogos. Muito do que a gente faz no clube vai ser positivo, Acho que o maior exemplo disso é o Danilo, que está aqui com a gente. Está fazendo uma grande temporada, foi chamado e deu conta do recado. Acredito que, tudo pelo que eu já demonstrei e por tudo que eu posso ajudar o Botafogo, acho que pode ter uma lembrança. Vou ficar muito feliz se isso acontecer.
— Eu nunca tirei essa esperança de dentro do meu coração. A gente sabe que, no futebol, isso mostra no dia a dia. Sou consciente de que não fui chamado ainda, os que foram têm muita qualidade, merecem estar lá. Mas obviamente vou buscar para poder ter meu espaço.
Tem orgulho da carreira?
— Por incrível que pareça, eu sempre reflito com relação a isso. Eu estou sempre refletindo sobre minha carreira. Querendo ou não, eu sirvo de exemplo para os mais jovens, os outros jogadores. Eu penso muito sobre o que eu passei, isso tem que ser valorizado. Eu fico muito feliz, acho que é uma carreira honrada. Hoje em dia não é fácil construir uma carreira sempre em alto nível, todos os anos buscando novos objetivos. Fico muito feliz de ter conquistado tudo isso, sempre com títulos por onde eu passei. Isso é importante ressaltar, sempre conquistei muitos títulos por onde eu fui. Me sinto muito feliz por ter concretizado tudo isso, ter levado minha família para esses lugares, meus filhos, minha esposa...
Notícias da SAF interferem?
— A gente acaba vendo, isso é inevitável. Muitas notícias, vocês colocam na imprensa. Muitas vezes verdadeiras, outras não. A gente não tem muita consciência muitas vezes do que sai. A gente procura o máximo possível blindar o vestiário, a gente sempre falou sobre isso. Tanto eu como um dos capitães, a gente tem um elenco muito experiente, eu, Barboza, Marçal, Vitinho, Alan, Edenílson, que chegou também. Temos jogadores muito experientes, que viveram situações parecidas e que podem ajudar os mais novos com isso. Mas a gente sabe que o mais importante no futebol é o clube, são os torcedores, que é o que faz o clube viver. E os resultados. E quem faz os resultados somos nós, jogadores. Então é isso que a gente tem que controlar, é isso que nós controlamos. O que está extracampo a gente não pode controlar. Então nosso papel é esse, blindar o máximo possível, não deixar as notícias entrarem no nosso vestiário. Querendo ou não, a gente tem muita coisa para se preocupar, temos treinos, jogos, a cada três dias a gente está viajando. Esse é o nosso maior objetivo, fazer o Botafogo vencer.
— É muita gratidão que eu tenho, muita gratidão pelas coisas que eu conquistei. Eu sou um cara que reflito muito sobre minha carreira. Às vezes eu converso com a minha esposa e falo "poxa, olha que bonito que a gente está conquistando, que eu conquistei até hoje". E hoje é notória, o Botafogo é um capítulo muito bonito da minha carreira, da minha vida. Realmente eu não imaginava ter tanta identificação, não imaginava nem retornar ao Brasil um tempo atrás. E quando me foi apresentado o projeto e o Botafogo abriu as portas para mim, é um clube maravilhoso, um gigante do futebol mundial.
— Eu até converso com as pessoas, acho que o Botafogo merece muito mais respeito das pessoas, porque é um clube que tem um peso muito grande na história do futebol brasileiro, todo mundo sabe o peso que o Botafogo tem, os jogadores que aqui jogaram, a história pesada que o clube tem. Então eu acho que merece muito mais respeito, e quem faz isso são os torcedores, que faz o clube são os torcedores fiéis, que estão com o clube na boa e na ruim. Então é um clube com o qual eu me identifico por causa disso, eu trabalho com o coração, com paixão, e paixão é o que não falta aqui no Botafogo.
Se considera ídolo do Botafogo?
— Se considerar ídolo é muito complicado, eu gosto de deixar mais com as pessoas ter esse entendimento. Acho que sou um jogador que foi e está sendo importante para o clube, pela minha carreira, por tudo que eu já vivi aqui no Botafogo, por conquistar os títulos que a gente conquistou. Me considero um jogador importante, mas acho que ídolo eu vou deixar para os torcedores responderem e a quem cabe. Mas vou ficar muito feliz caso isso for verdade (risos).
Já conhecer o Franclim ajuda o trabalho?
— O fato de conhecer por dentro, que eu quis dizer, é que ele (Franclim) conhece a casa, já viveu aqui em 2024, ele sabe os caminhos do clube, o caminho para vencer. É um técnico vencedor aqui dentro do Botafogo. Então ele já chega com essa vantagem. E o que eu disse com relação a comandar o grupo é porque é um cara que tem comando, consegue gerir bem. A gente sabe que um grupo de praticamente 30 jogadores, um grupo largo, tem que saber gerir o dia a dia, um dia ou outro o jogador daqui a pouco não rende o esperado.
— Ele está conseguindo conversar, está conseguindo ser um cara que protege o clube perante o externo. E sabe comandar, como eu falei, sabe extrair o máximo dos jogadores e do grupo. E dá muita confiança a nós, aos capitães, aos mais velhos, a poder ajudar ele com os mais novos. Então acho que esse é o caminho, o ego não entra no nosso vestiário, com certeza não. A gente deixa bem claro aqui dentro do Botafogo, no vestiário, que o mais importante é o Botafogo, é a equipe. E fazer com que a gente vença. Não tem nem um ou outro que sobressai, e o Franclim é um cara que nos ajuda muito.
Brasileirão ou Copa do Brasil em 2026?
— É uma boa pergunta, são dois campeonatos diferentes. Eu acredito que um campeonato eliminatório, como a Copa do Brasil, o mais importante é sempre o próximo jogo. Se é um mata-mata, são dois jogos. O primeiro é o mais importante, o segundo mais ainda. E no Brasileiro, sendo um campeonato mais largo, de pontos corridos, quem jogou mais tempo sabe, o mais importante é pontuar sempre. Dentro de casa a gente tem que fazer nosso dever de casa e pontuar o máximo possível fora. Tentar pontuar em todos os jogos. Como é um campeonato de pontos corridos, lá n afrente faz as contas, e quem tiver mais pontos ganha. A gente leva esse lema para dentro do nosso vestiário, que todos os jogos são para vencer. Mas obviamente que nem toda equipe consegue vencer todos os jogos da temporada. Mas, se não vencer, pelo menos conquistar um ponto, um empate. Se tratando de pontos corridos, a gente precisa sempre estar pontuando"
Dá para brigar por títulos?
— Por todos os clubes que passei, eu sempre entrava para vencer. Aqui o Botafogo me proporcionou isso, por isso vim para cá. Deu certo em 2024, vencemos tudo. Acredito que temos um elenco muito qualificado. Disputar três competições não é fácil. O Brasileiro obviamente a gente quer vencer, vamos buscar o máximo possível as posições lá em cima para poder, também, buscar uma vaga na Libertadores do ano que vem. A possibilidade de conquistar um Brasileiro sempre é viável para a gente. E as outras duas competições inéditas para o clube, Sul-Americana e Copa do Brasil... Sendo, entre aspas, uma competição mais curta, acho que a gente vai valorizar, sim. Eu acredito muito que a equipe que criar mais conexão com a competição vai ter vantagem, como nós criamos em 2024 com a Libertadores. Nós tínhamos um elenco muito forte, cada jogo no Nilton Santos ou fora nós tínhamos uma conexão muito forte com a competição. E isso acabou nos ajudando bastante. Então acho que, quando mais cedo nós criarmos uma conexão com as competições eliminatórias, acredito que vamos ter um caminho positivo.
