![]() |
Escudo do Botafogo formando pelas cadeiras do Estádio Nilton Santos - Foto: Vítor Silva/Botafogo |
O Botafogo de Futebol e Regatas está próximo de concluir um dos capítulos mais importantes de sua reestruturação financeira e administrativa. A proposta vinculante apresentada pela GDA Luma pela compra da SAF alvinegra avançou significativamente nos últimos dias e o contrato pode ser assinado já na próxima semana pelo clube associativo.
Após ajustes solicitados pela diretoria social do Botafogo, a oferta da GDA Luma ganhou força nos bastidores e passou a ser tratada internamente como a proposta mais “sustentável” e “consolidada” entre todas as que estão na mesa do clube.
A expectativa é de que o presidente do associativo, João Paulo Magalhães Lins, formalize a assinatura assim que retornar da Europa. O dirigente esteve em compromissos internacionais em Zurique na sede da FIFA, na Suíça e em Paris na França, participando de reuniões estratégicas relacionadas ao futuro da SAF.
Durante passagem por Zurique, João Paulo se reuniu com Gianni Infantino para tratar da situação dos Transfer Bans impostos ao clube. Atualmente, o Botafogo possui três punições ativas no sistema da FIFA:
Uma ação movida pelo Atlanta United FC envolvendo a contratação de Thiago Almada, com punição por tempo indeterminado;
Outra do Ludogorets Razgrad referente ao atacante Rwan Cruz;
E uma terceira do New York City FC pela negociação de Santiago Rodríguez.
As duas últimas impedem o Botafogo de registrar novos atletas por três janelas de transferências.
Depois da agenda na Suíça, o presidente esteve em Paris para reuniões com representantes da GDA Luma e outros investidores interessados na SAF alvinegra. Segundo informações de bastidores, João Paulo retorna ao Brasil no domingo e já teria condições de assinar o acordo na segunda-feira.
Apesar do avanço, integrantes do clube admitem cautela devido à complexidade da operação e à possibilidade de novos movimentos no mercado. Além da GDA Luma, o Botafogo ainda possui propostas de John Textor e de um fundo de investimentos do Texas, nos Estados Unidos. Um grupo multiclubes também demonstrou interesse na operação.
Nos corredores do clube, porém, a percepção é de que a proposta da GDA Luma se diferencia principalmente pelo modelo de gestão apresentado. Pessoas ligadas ao associativo apontam que o projeto combina investimento financeiro com administração direta do futebol, algo considerado essencial para evitar uma futura revenda da SAF em médio prazo.
A avaliação interna é de que a proposta oferece maior estabilidade institucional e um plano de recuperação mais equilibrado, baseado em austeridade financeira e reconstrução gradual do clube, sem abrir mão da competitividade esportiva.
Diferentemente de outros investidores que enxergam a SAF como oportunidade de valorização e revenda futura, a GDA Luma teria apresentado um plano de permanência e gestão de longo prazo, assumindo papel semelhante ao exercido anteriormente pela Eagle Football Holdings, grupo liderado por John Textor.
A proposta vinculante atualmente na mesa do Botafogo gira em torno de US$ 130 milhões, aproximadamente R$ 652 milhões na cotação atual. Desse montante, US$ 25 milhões (128,5 milhões) na cotação de Fevereiro de 2026; já haviam sido antecipados anteriormente como empréstimo ao clube.
Esse valor foi trazido por John Textor e seria posteriormente convertido em aporte via emissão de novas ações da SAF, movimento que gerou forte desgaste interno e culminou no pedido de demissão do ex-CEO Thairo Arruda.
Embora o ambiente seja de otimismo, pessoas envolvidas nas tratativas reforçam que ainda não há prazo definitivo para conclusão total da operação. A negociação segue em estágio avançado, mas depende de etapas jurídicas e financeiras típicas de uma transação desta magnitude.
Internamente, porém, o entendimento é de que a próxima semana tende a ser decisiva para o futuro da SAF do Botafogo neste cenário sob direção da GDA Luma.
