Botafogo vive bastidores intensos com ao menos seis grupos interessados na compra da SAF, e disputa acirrada entre GDA Luma e Fundo de Investimentos do Texas


Escudos do Botafogo do remo, a fusão com o futebol, e o escudo mais conhecido e icônico do futebol - Foto Reprodução/Fogo Papers

Os bastidores do Botafogo de Futebol e Regatas atravessam um dos momentos mais movimentados e decisivos desde a criação da SAF em 2021, comprada por John Textor em Abril de 2022. Enquanto a crise envolvendo a gestão ligada a John Textor segue produzindo reflexos políticos e financeiros, o clube se transformou em alvo de uma verdadeira disputa internacional entre fundos de investimento, grupos empresariais e redes multiclubes.


Pelo menos seis grupos já sondaram oficialmente a situação da SAF alvinegra. Alguns deles seguem em conversas neste momento com representantes do associativo do Botafogo, que voltou a concentrar as decisões estratégicas do clube, após a decisão do juiz Marcelo Mondego na Justiça do Rio De Janeiro.


Atualmente, segundo informações apuradas, existem quatro propostas concretas sobre a mesa do clube: a da GDA Luma, a de John Textor, de executivos ligados ao Banco BTG Pactual, e a de um fundo de investimentos do Texas, nos Estados Unidos.


Além disso, outras empresas e grupos internacionais também demonstraram interesse no projeto botafoguense ao longo das últimas semanas, porém esses entraram em contato com a CORK GULLY, que administra judicialmente a Eagle BidCo, porém no momento eles não estão com o poder político, como estavam anteriormente.


Fundo do Texas chega com proposta “fortíssima”


O movimento mais recente nos bastidores veio de um dos fundos de investimento sediados no Estado do Texas, no Estados Unidos da América. Segundo informações recebidas via interlocutores ligados ao associativo, o grupo apresentou uma proposta considerada “fortíssima” nos “48 minutos do segundo tempo”, conforme reportado inicialmente pelo Canal do Manel na noite de terça-feira, 19 de maio de 2026.


A proposta já teria sido entregue formalmente ao clube com comprovação financeira de recursos disponíveis, além da assinatura de um acordo de confidencialidade (NDA).


Neste momento, o associativo analisa detalhadamente o modelo de negócio apresentado pelos investidores Norte-americanos.


A estratégia do grupo texano seria adquirir a SAF do Botafogo, reorganizar financeiramente o clube, potencializar receitas, valorizar ativos esportivos e posteriormente revender o projeto com lucro elevado no mercado internacional.


Esse modelo de operação é comum em fundos de private equity (capital privado) esportivo, principalmente nos Estados Unidos da América, onde clubes de futebol da MLS vêm sendo tratados como ativos globais de valorização acelerada.


Quem são os fundos do Texas ligados ao mercado esportivo


Embora o nome oficial do grupo interessado ainda não tenha sido confirmado, diversos fundos sediados no Texas vêm expandindo presença no futebol internacional e são apontados como possíveis interessados na SAF alvinegra.


Austin Sports Ventures


Grupo focado em investimentos esportivos, entretenimento e expansão de marcas globais. Trabalha com projetos de valorização comercial e crescimento internacional de ativos esportivos.


Two Oak Ventures


Empresa de private equity voltada para aquisição, reorganização operacional e valorização de ativos empresariais e esportivos.


P30 Sports Partners


Fundo especializado em gestão esportiva, expansão de receitas comerciais, governança e crescimento estratégico de clubes.


Synergy Sports Capital


Grupo com atuação em operações multiclubes, tecnologia esportiva, monetização internacional e gestão de ativos ligados ao esporte global fundada no início de 2026.


The Friedkin Group & Pursuit Sports


Conglomerado empresarial Norte-americano conhecido mundialmente pelos investimentos na AS Roma. O grupo possui parceria estratégica com a Pursuit Sports e experiência consolidada em gestão esportiva internacional.


TPG Capital


Também conhecido como Texas Pacific Group, é um dos maiores fundos de capital privado do mundo, com histórico bilionário em esportes, mídia, tecnologia e entretenimento.


PEAK6 Investments


Empresa especializada em investimentos financeiros e ativos estratégicos, com crescente presença no setor esportivo e de entretenimento digital.


Presidio Investors


Fundo voltado para aquisição e recuperação de ativos considerados subvalorizados, incluindo operações de reestruturação empresarial.


GDA Luma segue na frente


Apesar da entrada agressiva do fundo texano, a GDA Luma do mexicano Gabriel de Alba, continua sendo considerada internamente a proposta mais avançada e estruturada do processo.


O principal motivo é o estágio atual das negociações. O grupo já estaria em fase final de diligência financeira e jurídica, tendo acesso profundo às informações da SAF, incluindo passivos, riscos, contratos, receitas e potencial de valorização do clube.


Nos bastidores, fontes ligadas ao associativo resumem o cenário da seguinte forma:


“É uma proposta bem estruturada.”


Já existe inclusive um contrato vinculante em elaboração. Na prática, após a assinatura definitiva entre as partes, não haveria possibilidade de desistência unilateral.


A proposta da GDA gira em torno de R$ 500 milhões pela aquisição da SAF, além de aproximadamente R$ 150 milhões já colocados no processo, podendo elevar a operação para cerca de R$ 650 milhões.


Outro fator considerado importante é o tempo de envolvimento da GDA no processo. O grupo já conhece profundamente as fragilidades administrativas e financeiras deixadas pela gestão anterior de John Charles Textor, além de entender o potencial comercial da marca Botafogo.


Os nomes por trás da GDA


A força da proposta da GDA também está ligada ao peso internacional dos empresários envolvidos.


Entre eles está Marcelo Claure, proprietário do Club Bolívar e um dos empresários mais influente da Bolívia, e um dos mais ricos da América Latina.


Outro nome é Todd L. Boehly, ligado ao Chelsea FC e ao RC Strasbourg Alsace.


Também integra o projeto, o próprio Gabriel de Alba, conhecido pela recuperação financeira do Cirque du Soleil.


O grupo ainda pode contar com a participação do príncipe saudita Bader bin Abdullah bin Mohammed bin Farhan Al Saud.


Nos bastidores, a avaliação é de que esses investidores conhecem o “caminho das pedras” no futebol global e enxergam no Botafogo um ativo de enorme potencial internacional.


Críticas ao modelo de gestão de Textor


Embora interlocutores reconheçam que o projeto esportivo inicialmente apresentado pela Eagle Football Holdings possuía potencial, cresce internamente a avaliação de que a operação acabou comprometida por problemas de gestão e controle financeiro.


A percepção é de que o associativo agora não pode voltar a errar diante do tamanho do passivo acumulado pela SAF.


Outro ponto que pesa contra Textor seria a ausência de garantias financeiras consideradas suficientes nas conversas mais recentes com o clube.


Além disso, dirigentes avaliam que a dívida deixada pela gestão atual supera significativamente os valores anteriormente propostos para aquisição definitiva da SAF.


Botafogo se tornou uma marca valiosa


Apesar da crise administrativa, o Botafogo passou a ser visto no mercado internacional como uma marca altamente valorizada.


Internamente, há o entendimento de que o clube sairá de 2025 como uma das marcas esportivas mais valorizadas da América do Sul.


O clube ganhou projeção internacional, esteve presente em listas globais de reconhecimento esportivo e aumentou fortemente sua capacidade de geração de receitas com transferências de atletas.


O Botafogo arrecadou valores expressivos com negociações recentes envolvendo jogadores como Igor Jesus, Cuiabano, Jair e outros ativos valorizados pelo mercado internacional.


A avaliação interna é de que, sob uma gestão mais eficiente e sustentável, o potencial financeiro do clube poderia ser ainda maior.


Associativo busca estabilidade e sustentabilidade


O discurso predominante dentro do associativo é de cautela. A prioridade agora é encontrar um modelo de gestão responsável, sustentável e competitivo a longo prazo.


A ideia é evitar repetir ciclos de euforia seguidos por crises financeiras profundas.


Mesmo diante das turbulências recentes, integrantes do clube reconhecem que a primeira fase da SAF deixou legados importantes, como títulos, valorização da marca, fortalecimento estrutural e investimentos no centro de treinamento.


Agora, o objetivo é transformar o Botafogo em um clube autossustentável, capaz de disputar títulos nacionais e continentais todos os anos sem comprometer sua estabilidade financeira.

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