John Textor perde força política no Botafogo, e vê o CEO Thairo Arruda, o Presidente do Associativo João Paulo Magalhães Lins e ex-presidente Montenegro defenderem a sua saída do comando da SAF Alvinegra

Sem dinheiro e com promessas não cumpridas por Textor, correntes políticas importantes no Botafogo defendem que o Norte-americano deixe o comando da SAF alvinegra



Thairo Arruda, João Paulo Magalhães Lins e Carlos Augusto Montenegro - Foto Reprodução



Logo após ser afastado pela ARES do comando da Eagle Football Holdings BidCO, depois de uma tentativa frustrada de dar um golpe em Michele Kang, John Textor vive momento turbulento também no Botafogo. O Norte-americano enfrenta a maior pressão interna desde que assumiu a SAF alvinegra, no início de 2022.


Nas últimas semanas, Textor perdeu força política, e nomes importantes do associativo e da SAF defendem a saída do empresário. Há o entendimento de que a gestão do Norte-americano está fazendo mal ao clube.


Escolhido por Textor, o CEO da SAF alvinegra, Thairo Arruda, é um dos personagens que contestaram decisões recentes do Norte-americano. O presidente do associativo, João Paulo Magalhães Lins, também vê com desconfiança os últimos movimentos do programador, empresário de mídia e tecnologia estadunidense.


O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, que ainda detém bastante influência fora da SAF, é um dos que se mostram contrários à continuidade de Textor. Após as conquistas da Libertadores e do Brasileirão em 2024, Montenegro definiu o empresário como "herói" e "ídolo", mas também já manifestou preocupação com os rumos da SAF, a ponto de afirmar que Textor havia pegado dinheiro com agiota.


As promessas não cumpridas e a falta de dinheiro causam desconfiança em dirigentes e funcionários. O clima de apreensão toma conta de todos os departamentos do Botafogo.


Textor fez uma série de promessas neste início de 2026 — a principal delas sendo a entrada de um aporte para sanar principais dívidas e o Transfer Ban referente à dívida com o Atlanta United pela compra de Almada. Não houve, até agora, nenhum sinal de que esse dinheiro vá entrar nos cofres do clube.


Textor está ciente do isolamento no Botafogo e admitiu para pessoas próximas um certo receio diante da pressão. Ele foi afastado da Eagle, mas continua no comando do Glorioso por causa de uma liminar concedida em outubro de 2025.


Apesar do receio, Textor confia na manutenção da liminar da Justiça do Rio de Janeiro, concedida em outubro de 2025, que lhe deixa no poder. Assim, ele não vê a possibilidade de sair.


— Quando as coisas ficam difíceis, você não abandona. Isso é ridículo. Eu não me importo se os torcedores não apreciam mais os títulos. Eu sou o dono certo para esse clube — disse o empresário em entrevista ao "Arena Alvinegra" no sábado.


Textor não investe dinheiro no Botafogo há pelo menos oito meses. O caixa recente do Alvinegro é movimentado por patrocínios, cotas de TV e vendas de jogadores — o que inclui inclusive adiantamento de valores de saídas recentes, como a transferência de Cuiabano para o Nottingham Forest.


Mesmo com a promessa de Textor de um aporte significativo para esta semana, o cenário é de pessimismo nos bastidores do clube. Há o entendimento de que o Norte-americano não vai conseguir viabilizar esse dinheiro. O Norte-americano não conta mais com o prestígio interno de antes.


A dívida da SAF é calculada em pelo menos R$ 1,5 bilhão — com passivo de curto prazo de R$ 700 milhões. No entanto, o aporte prometido seria para pagar o que é considerado dívida urgente, como é o caso do débito com o Atlanta United. O Botafogo sofreu transfer ban da FIFA e precisa pagar US$ 21 milhões ao clube Norte-americano para poder voltar a inscrever os jogadores, mas possui dívida ainda maior com o time Norte-americano.


Aporte é motivo de divergência

O prometido aporte financeiro é um dos principais motivos de divergência nos bastidores do Botafogo. O valor, na verdade, é um empréstimo com juros altíssimos que seriam fornecidos por quatro antigos parceiros de Textor em negócios do passado.


Se os juros não forem pagos, esses novos investidores ficariam com uma porcentagem da SAF ou até com a verba de vendas futuras de atletas.


Textor sofreu resistência de praticamente todas as partes envolvidas com o Botafogo pelo empréstimo: o conselho da Ares, antes formado por Hemen Tseayo e Stephen Welch, pessoas influentes na SAF e diretores do associativo. Uma ala do clube não esconde o receio dos próximos passos.


Diante da negativa, o Norte-americano destituiu Tseayo e Welch (este voltou após a assembleia da Eagle Group) das cadeiras do conselho da Ares. Isso incomodou Michelle Kang, atual presidente do Lyon, que horas depois iniciou um processo de retirar Textor do comando da Eagle Football junto da Ares.


Não à toa, o Botafogo de Futebol e Regatas (clube associativo) entrou com um processo e pediu ao TJ-RJ a manutenção da decisão que obriga a SAF a comunicar previamente atos financeiros relevantes, como a venda de ativos e despesa extraordinárias.


Além disso, no documento, o clube afirma que a medida não interfere na gestão, mas busca evitar esvaziamento patrimonial em meio a conflito societário e crise financeira. O processo foi aberto no último dia 26.


Paralelamente a isso, o Botafogo, com a SAF, prepara outro pedido de recuperação, mas agora judicial e com as dívidas feitas pela gestão de John Textor. A Justiça do RJ pode mitigar problemas mais urgentes, como o Transfer Ban imposto pela Fifa, que o pune com três janelas sem possibilidade de registrar jogadores.


O Botafogo quitou nesta quarta-feira 28/1, os dois meses de direitos de imagem do grupo de jogadores que estavam em atraso. Com o pagamento, o clube ficou em dia com os salários do elenco, já que o pagamento da carteira de trabalho (CLT) estava regularizado. Ainda há, no entanto, o débito referente ao recolhimento do FGTS.


A diretoria havia prometido o pagamento dos direitos de imagem atrasados em reunião com os capitães do elenco na semana passada. O clube chegou a atrasar três meses de direitos de imagem. Uma folha foi paga no dia anterior à estreia do elenco principal na temporada, contra o Volta Redonda, no dia 21, após cobrança dos atletas.


As outras duas folhas foram quitadas nesta quarta, véspera da estreia do Botafogo no Brasileirão, contra o Cruzeiro, no Nilton Santos.


Cumprir a obrigação com os atletas é uma boa notícia em meio à crise fora de campo. Com transfer ban imposto pela Fifa pelo não pagamento da transferência de Almada, o Botafogo também está no meio da briga judicial entre John Textor e o fundo de investimentos Ares.

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