O fim do castelo de areia só começou! John Textor é destituído pela Ares do cargo de diretor na Eagle Football Holdings BidCo, e liminar que ele tem do controle da SAF Botafogo pode cair a qualquer momento seja pelo Clube Associativo ou pelo Tribunal do RJ



Deixado de lado pelo fundo de investimento que lhe emprestou €425 milhões (R$2,2 Bilhões) para comprar OL, John Textor agora está sob ameaça em Botafogo. Enquanto Lyon estava em processo de rebaixamento administrativo pelo DNCG, Ares nomeou Michele Kang como chefe do Eagle Football Group no último verão. Nesta quarta-feira, o empresário Norte-americano foi demitido com efeito imediato de seu cargo de diretor da Eagle Football Holdings BidCO, segundo a RMC e AFP.


No pós-evento da Assembleia do Lyon, o conselho de administração da Ares decidiu remover John Textor da Eagle Football Holdings BidCO com efeito imediato.


Stephen Welch e Hemen Tseayo foram colocados pela Ares para contrariar o voto de John Textor, por isso ele demitiu ambos. Textor, já não tinha influência na direção do OL desde julho de 2025 e seu afastamento pelo valor emprestado pela Ares. Nunca houve dúvida de que ele estaria presente na Assembleia Geral marcada nesta quarta-feira em Lyon.


Seus dias no Botafogo agora parecem contados. Enquanto o clube está sob a limitação de uma proibição de contratação (Transfer Ban), John Textor havia prometido injetar dinheiro esta semana. Porém o que aconteceu foi um verdadeiro colapso contra ele.


Embora John Textor tenha perdido seu cargo na Eagle, sua posição como acionista na SAF Botafogo permanece, por enquanto, inalterada. Somente uma decisão do conselho diretor da SAF e clube associativo ou do tribunal de Justiça do Rio de Janeiro poderá remover definitivamente Textor do Botafogo por agora.


A Ares Management Corporation, principal credora da Eagle Football Holdings BidCO, acionou uma cláusula de proteção ao crédito prevista em contrato. Esse tipo de cláusula permite ao credor assumir o controle operacional da empresa devedora quando há deterioração financeira, quebra de governança ou risco ao pagamento da dívida.


Na prática, a Ares comunicou que passaria a comandar a Eagle, afastando John Textor da gestão do grupo. A decisão marcou uma escalada no conflito entre o empresário e seus financiadores.


2 - Isso significa que John Textor já perdeu oficialmente o controle da Eagle?

Depende do ponto de vista. A Ares afirma que sim: para o fundo, Textor foi afastado do comando operacional da holding com base em direitos contratuais.


Textor contesta essa versão. Ele diz que não houve ação judicial formal, que recebeu apenas uma carta e que, pelas leis do Reino Unido, seria necessária notificação adequada. Seus advogados classificam o movimento como juridicamente inválido. Portanto, há uma disputa aberta sobre a legitimidade do afastamento.


3 - Por que a Ares decidiu agir agora?

O estopim foi uma reorganização interna promovida por Textor, que afastou diretores independentes da estrutura de governança da Eagle. Para a Ares, esse movimento fragilizou mecanismos de controle justamente em um momento de instabilidade financeira.


Somam-se a isso o histórico de endividamento da holding, sucessivos descumprimentos contratuais e a ausência de uma solução definitiva para a dívida acumulada.


4 - Onde entra o Lyon nessa história? Textor já não havia sido afastado?

O Lyon é um dos principais clubes da rede controlada pela Eagle e, ainda que afete o Botafogo, se tornou o epicentro da disputa europeia. Na França, uma assembleia geral foi convocada para redefinir o poder dentro do clube.


Textor tentou usar essa assembleia como caminho para retomar influência no Lyon e na Eagle, e, por escalada, aumentar seus poderes no Botafogo, mas enfrentou resistência da atual presidente, Michele Kang, e da própria Ares, que apoiou a manutenção da nova gestão.


5 - O que aconteceu na assembleia do Lyon?

Textor tentou invalidar os votos de diretores independentes e reassumir um cargo no clube. A reação foi imediata: os advogados de Michele Kang e da Ares sustentaram que os votos haviam ocorrido antes de qualquer tentativa de destituição — e, portanto, eram legais.


A Ares enviou uma carta afirmando explicitamente que a destituição de John Charles Textor do cargo de diretor era válida e de efeito imediato. Na prática, Textor ficou sem poder no Lyon.


6 - Qual é o papel de Michele Kang nesse conflito?

Michele Kang assumiu o comando do Lyon após uma crise financeira, em junho do ano passado, e passou a contar com o apoio direto da Ares. Desde então, tornou-se a principal antagonista de Textor no cenário europeu.


Textor a acusa de romper o modelo multiclubes da Eagle e de deixar dívidas do clube francês com o Botafogo. Kang, por outro lado, lidera um processo de estabilização do Lyon sob supervisão do credor.


7 - A Eagle continua sendo dona do Botafogo?

Sim. Apesar da turbulência, a Eagle Football segue como controladora da SAF do Botafogo. Não houve, até agora, nenhuma alteração formal na estrutura societária do clube brasileiro.


O ponto central da crise é quem controla a Eagle, e não a propriedade direta do Botafogo.


8 - A Ares pode tirar John Textor do comando do Botafogo agora?

Não automaticamente. A gestão da SAF do Botafogo é regida por regras próprias. Mudanças no comando dependem do Conselho da SAF, com participação do clube social, ou do encerramento de decisões judiciais que hoje protegem a governança atual. Há, no entanto, bastidores que apontam para o rompimento de relações entre Textor e o clube social, o que pode trazer novas más notícias para o Norte-americano.


Além disso, há uma liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que preserva a composição do conselho. Portanto, mesmo com a Ares assumindo o controle da Eagle, Textor permanece no comando do Botafogo neste momento.


9 - Como essa crise já afeta o Botafogo?

O principal reflexo é a instabilidade financeira. O clube enfrenta um transfer ban imposto pela Fifa e depende de um aporte prometido por Textor para quitar dívidas ligadas à contratação de Almada.


Internamente, a SAF adotou uma estratégia de contenção: priorizou o pagamento de salários, tentou isolar o futebol profissional das disputas externas e buscou evitar atrasos às vésperas do Campeonato Brasileiro.


10 - Existe risco de intervenção da Justiça brasileira no Botafogo?

Hoje, não há nenhuma decisão da Justiça brasileira que indique uma intervenção direta no Botafogo. Pelo contrário: uma liminar em vigor preserva a atual estrutura de governança da SAF e impede alterações abruptas no conselho e no comando do clube.


Isso não significa, porém, que o risco seja inexistente. O cenário envolve disputas societárias complexas, valores elevados e reflexos no Brasil. Caso novos fatos jurídicos surjam, como questionamentos sobre aportes, garantias, fluxo de recursos ou cumprimento de obrigações da SAF, o tema pode voltar ao radar do Judiciário fluminense. E, como se sabe, decisões nesse campo nem sempre seguem uma linha previsível ou uniforme.


Ou seja, no momento, a Justiça atua como um fator de contenção, mas não como uma blindagem absoluta. O grau de exposição do Botafogo dependerá menos do debate internacional e mais de como a crise se materializa em atos concretos no Brasil.


11 - A Ares pode, em algum cenário, assumir o Botafogo?

Essa é uma questão comum para a torcida do Botafogo, mas a resposta é: não de forma direta. A Ares é uma gestora de crédito, não uma empresa de futebol. Seu interesse é proteger o investimento, não administrar clubes.


Qualquer mudança nesse sentido exigiria uma reestruturação societária profunda, venda de ativos ou decisões judiciais específicas. Hoje, esse cenário é considerado remoto.


12 - O que o torcedor do Botafogo precisa observar daqui para frente?

Três pontos serão decisivos:


se o aporte prometido por Textor será efetivamente realizado;

como a relação entre Eagle e Ares se estabiliza (ou não) nos bastidores;

se a crise externa continuará isolada da operação esportiva do clube.

Enquanto esses fatores não se definirem, o Botafogo segue em um estado de atenção, mas não de ruptura.


Com informações L´Équipe

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