O Botafogo Associativo protocolou, no dia 27 de janeiro de 2026, uma petição junto ao agravo de instrumento nº 0089999-85.2025.8.19.000, apresentando uma série de exigências direcionadas à SAF em meio ao conflito jurídico entre as partes.
De acordo com o documento, o objetivo da associação não é interferir na gestão do futebol ou assumir o controle da SAF, mas adotar medidas preventivas para proteger o patrimônio e o valor do clube enquanto a disputa ainda não foi solucionada pela Justiça ou pela arbitragem.
Preocupação com eventual esvaziamento patrimonial
Um dos principais pontos levantados pelo Botafogo Associativo é o temor de que, ao final do processo, a SAF esteja sem ativos ou recursos financeiros relevantes. A associação sustenta que existe o risco de venda de jogadores, movimentações financeiras atípicas ou operações que possam reduzir significativamente o patrimônio da SAF antes de uma decisão definitiva.
Por isso, o pedido apresentado à Justiça busca garantir a comunicação prévia sobre operações consideradas relevantes, permitindo que a associação tenha tempo hábil para reagir caso identifique possíveis prejuízos. O texto ressalta que não se trata de veto ou impedimento às ações da SAF, mas de uma medida preventiva.
Preservação do valor do clube durante o conflito
Outro eixo central da petição é a preservação do valor econômico e esportivo do Botafogo enquanto o litígio permanece em andamento. O Associativo argumenta que o clube não pode se tornar refém de decisões financeiras tomadas sob pressão ou em um ambiente de instabilidade institucional.
Nesse sentido, a associação defende a necessidade de evitar vendas forçadas de ativos, endividamentos considerados atípicos e decisões que possam comprometer tanto o futebol quanto o patrimônio do clube. O pedido é fundamentado em princípios de governança e gestão responsável.
Pedido por maior transparência em decisões relevantes
A petição também aborda a necessidade de transparência por parte da SAF. O Associativo sustenta que decisões de grande impacto devem ser comunicadas previamente, acompanhadas de documentação e registros formais.
Segundo o texto, o objetivo não é aprovar ou rejeitar decisões, mas evitar surpresas futuras que possam resultar em prejuízos irreversíveis ao clube.
O que não está sendo solicitado
O Botafogo Associativo faz questão de esclarecer, no próprio documento, que não pretende assumir atribuições que cabem à SAF. A associação afirma que não busca comandar a gestão, interferir na escolha de jogadores, aprovar operações individualmente, administrar o dia a dia do futebol ou reassumir o controle esportivo.
Entendimento do Associativo
Em síntese, a associação sustenta que não busca poder de gestão, mas acesso à informação e previsibilidade. O argumento central é o de que a comunicação prévia permitiria identificar eventuais riscos antes que danos ao patrimônio do Botafogo se tornem irreversíveis, enquanto o conflito jurídico segue sem definição.
Um elemento que passa a ganhar peso na leitura do movimento do Botafogo Associativo é o receio de um afastamento de John Textor do comando do clube. Esse temor se intensificou após a Ares Management ter destituído Textor do cargo de diretor da Eagle Holdings BidCO, empresa no topo da estrutura societária do grupo.
Na avaliação do Associativo, esse episódio reforça a percepção de instabilidade no controle da SAF e levanta a possibilidade de mudanças abruptas na condução estratégica do clube. O entendimento é que, caso o clube associativo assim deseje, John Textor poderia ser afastado do Botafogo por meio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o que tornaria ainda mais sensível o momento atual.
Diante desse cenário, a petição também pode ser interpretada como uma forma de preparação institucional para um eventual período de transição, no qual decisões financeiras relevantes não poderiam ser tomadas sem conhecimento prévio da associação.
