Dívida da SAF Botafogo atingiu R$2,6 Bilhões, entenda como John Textor viu império construído em 2022, começar a ruir em 2023 com a crise na Eagle Holdings BidCo, que não cumpriu com contratos assinados junto a Ares Management


John Charles Textor em meio às dívidas - Foto Reprodução e Ilustração: GROK/Inteligência Artificial


Em 2022, John Charles Textor chegou ao Botafogo prometendo transformar o clube em parte de um império global do futebol. Um ano depois, a promessa de inovação e modernidade se transformou em uma batalha judicial e financeira que coloca em risco a estabilidade do clube carioca. A dívida atual da SAF Botafogo atinge 2,6 bilhões de reais, com credores pressionando por pagamento imediato e até bloqueio de registros de jogadores devido a pendências com o Atlanta United.


O Sonho Multiclubes


Textor não queria ser apenas dono de um clube. Seu plano foi criar uma rede global de times, a Eagle Football Holdings, que incluía o Botafogo, o Lyon, o Crystal Palace (onde ele foi apenas um sócio-minoritário) e o RWD Molenbeek, que mudou de nome para RWDM Brussels. O modelo parecia inovador: jogadores poderiam se movimentar entre clubes da rede, valorizar, ser vendidos e gerar lucro dentro de um sistema fechado e integrado.


No entanto, essa expansão foi financiada quase que inteiramente por empréstimos — mais de 500 milhões de dólares (R$2,55 bilhões), com a Ares Management Corporation (um dos maiores fundos de investimento do mundo) como principal credor. O fundo exigiu cláusulas rigorosas: caso Textor não cumprisse regras ou atrasasse pagamentos, o fundo poderia assumir o controle dos clubes, com garantias que incluíam participação no Crystal Palace, o estádio do Lyon (Groupama Stadium - o Parc Olympique Lyonnais) e 90% da SAF do Botafogo.


A Desordem Financeira


Em 2023, a Eagle Holdings entrou em inadimplência técnica, não por falta de dinheiro, mas por descumprimento de regras contratuais — em contratos bilionários, regras são tão importantes quanto capital. Apesar de ter sido concedida uma segunda chance de 12 meses para reorganizar as finanças, a holding não conseguiu reverter o cenário. Entre 2023 e 2025, a Eagle acumulou prejuízos de 25 milhões de euros (R$138,75 milhões de reais), receitas caíram 100 milhões de euros (R$555 milhões de reais), e a dívida líquida subiu de 463 milhões para 576 milhões de euros (R$2,57 bilhões de reais → R$3,20 bilhões de reais).


Ares, então, perdeu a paciência e forçou John Textor, a vender 44% das ações que tinha do Crystal Palace por 190 milhões de libras (R$1,2 Bilhão), dinheiro usado para pagar parte da dívida. Mas o problema persistia, especialmente com o Olympique Lyonnais, clube da cidade de Lyon, em crise, impedido de contratar e prestes a ser rebaixado. Para tentar salvar o clube francês, Textor começou a usar recursos do Botafogo — cerca de 122 milhões de euros (677 milhões de reais) entre 2024 e 2025. Receitas de vendas de jogadores como Luís Henrique, Igor Jesus e Jair foram direcionadas para o Lyon além da premiação da Libertadores de 2024, gerando uma dívida pendente de R$210 milhões de reais do clube francês com o brasileiro.


Conflito de Poder e Ares


A Ares tinha colocado 2 diretores, Donald William Cristopher Mallon, e posteriormente Hemen Tseayo, no conselho da Eagle com poder de veto, funcionando como freios às decisões de Textor. Ao demiti-los, John Textor violou acordos e desencadeou uma disputa legal. O fundo acionou cláusulas de proteção para assumir o controle da holding e afastar Textor, mas o empresário contestou, dando início a um litígio internacional complexo, que foi neste instante que a ICONIC Sports, outra holding de Jamie Dinan, para qual Textor pediu dinheiro emprestado para inteirar valor para comprar o Olympique Lyonnais em 2022.


Apesar de ter perdido parte do controle na Eagle Bidco, Textor ainda mantém a gestão prática do Botafogo, protegido por decisões judiciais que preservam a estrutura da SAF e uma liminar na justiça do RJ. No entanto, a pressão financeira é enorme, com pagamentos urgentes a serem feitos, risco de bloqueio de registros de jogadores e disputas com credores internacionais, nas próximas semanas.


O Papel do Lyon na Crise


O Lyon tornou-se uma peça central nessa história. Rebaixado administrativamente e sob pressão financeira, o clube francês acabou absorvendo recursos do Botafogo. A disputa com a Ares sobre o pagamento de 250 milhões de euros (R$1,39 bilhão de reais) restantes da dívida relacionada à compra do Lyon mantém o impasse vivo e aumenta o risco de medidas drásticas, incluindo venda de ativos estratégicos da holding, como Lyon, Botafogo e RWDM Brussels.


O Futuro do Botafogo


Hoje, o Botafogo vive um momento paradoxal: o clube mantém atividade esportiva importante, mas seu futuro societário é incerto. A estrutura da rede multiclubes, que parecia moderna, mostrou fragilidades quando o crescimento desacelera e dívidas se acumulam. Textor está isolado politicamente, cercado juridicamente e pressionado financeiramente, mas ainda resiste.


Se Ares assumir o controle total da holding na Europa, pode haver repercussões no Brasil. A dívida e a disputa transformaram o Botafogo em peça estratégica de um impasse bilionário, e decisões tomadas fora do campo têm impactos diretos no clube. Torcedores e investidores acompanham atentos, conscientes de que a estabilidade esportiva depende agora tanto das vitórias dentro de campo quanto das decisões nos tribunais. A novela ainda não acabou. Possui novos capítulos até o último capítulo que é certo de um dia ocorrer: John Textor é afastado da SAF Botafogo. Um dia chegaremos lá!

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