O Editorial do Le Progrès (O progresso) na tradução livre, não poupou críticas à John Charles Textor
Em junho de 2022, a venda do OL deixou de ser apenas uma hipótese quando o nome de John Textor surgiu de surpresa, ainda sem dizer muito aos torcedores. Desde o início, uma pergunta central já se impunha: qual é, de fato, sua real capacidade financeira? O tempo trataria de trazer várias respostas negativas, mas, em sua primeira grande apresentação em Décines, o homem forte da Eagle caprichou no discurso e na estratégia de comunicação.”
O que começou como uma história de esperança e renovação terminou em frustração e ruptura. Tratado como herói no verão europeu de 2024, John Textor viu sua imagem despencar rapidamente entre os torcedores do Olympique Lyonnais (OL), que hoje o definem como um “cowboy de araque” — símbolo de uma gestão considerada confusa, arriscada e distante da realidade do clube.
Quando assumiu protagonismo no projeto do Lyon, Textor prometia modernização, competitividade e estabilidade financeira. Em um momento delicado da história do clube, suas declarações ambiciosas e o discurso de empresário inovador conquistaram parte da torcida, que via nele uma alternativa ao modelo tradicional de gestão do futebol francês.
No entanto, o entusiasmo durou pouco.
Gestão contestada e tensão financeira
Ao longo dos meses seguintes, o OL passou a conviver com incertezas financeiras, decisões estratégicas questionadas e um relacionamento cada vez mais tenso com os órgãos de controle econômico do futebol francês. A ameaça de sanções administrativas e até de rebaixamento nos bastidores acendeu o alerta vermelho entre torcedores e funcionários do clube.
A percepção geral era de improviso. Para muitos fãs, Textor passou a representar uma figura mais preocupada com discursos midiáticos do que com soluções concretas para os problemas estruturais do Lyon.
Ruptura com a torcida
O rompimento definitivo veio com os grupos organizados. Os Bad Gones, principal grupo ultra do clube, manifestaram publicamente sua rejeição ao dirigente, acusando-o de conduzir o OL como um aventureiro. O termo “cowboy de pacotilha” ganhou força nas arquibancadas e nas redes sociais, sintetizando a perda total de confiança no empresário americano.
Faixas, comunicados e protestos deixaram claro que Textor já não era bem-vindo no entorno do clube.
Perda de poder e afastamento
Nos bastidores, a crise culminou em disputas internas com investidores e credores. Pressionado, Textor acabou afastado das decisões centrais da holding que controla o Olympique Lyonnais, perdendo espaço e influência no comando do projeto esportivo.
Sua tentativa de retomar protagonismo em assembleias e instâncias administrativas foi mal recebida e terminou isolada, reforçando a sensação de fim de ciclo.
Um capítulo amargo na história recente do OL
A passagem de John Textor pelo Lyon entra para a história como um período de instabilidade, promessas não cumpridas e desgaste institucional. De símbolo de renovação a personagem rejeitado pela torcida, sua trajetória ilustra como a relação entre dirigentes e clubes tradicionais pode se deteriorar rapidamente quando expectativas não são atendidas.
Enquanto o Olympique Lyonnais tenta reconstruir sua imagem e reorganizar sua gestão, a torcida espera que o clube vire a página e recupere o caminho da estabilidade — dentro e fora de campo.
Com informações Le Progrès
