GDA Luma especializada em títulos podres, ajudaria John Textor no aporte ao Botafogo, o que poderia trazer Lyon de volta à Eagle; Pessoas próximas alegam que operação é agiotagem já que Textor pode perder o comando da SAF Botafogo com a atual liminar caindo

Em meio à crise no Botafogo, Textor promete R$ 264 milhões em operação financeira de alto risco



Cada vez mais isolado dentro de um Botafogo mergulhado em crise esportiva, financeira e política, John Textor prometeu um aporte total de 50 milhões de dólares (cerca de R$ 264 milhões) para aliviar a situação do clube, levantar o transfer ban imposto pela Fifa e iniciar um processo de reorganização financeira. A promessa, no entanto, faz parte de uma operação complexa, ainda em estágio inicial, cercada de incertezas e que tem gerado forte preocupação interna. Foi assim que a coluna de Pedro Lopes do UOL, iniciou a matéria.


O Botafogo convive hoje com uma dívida estimada em R$ 1,5 bilhão, enquanto John Charles Textor enfrenta uma disputa judicial pelo controle da Eagle Football Holdings BidCO, empresa que reúne os clubes do empresário, incluindo o próprio Botafogo e o Lyon além da disputa com a Iconic Sports. O litígio é travado com a Ares Management, gestora que emprestou cerca de 450 milhões de dólares a Textor para a compra do clube francês. A dívida não foi quitada, e a Ares afastou o norte-americano do controle do Lyon e da própria Eagle.


Mesmo assim, Textor permanece no comando do Botafogo por força de uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em outubro do ano passado. Atualmente, ao menos três ações judiciais discutem o controle acionário da Eagle e da SAF alvinegra, o que faz John Textor tendo chance de cair a qualquer momento e perder o controle da SAF Botafogo.


Nesse cenário, Textor prometeu um aporte inicial de 20 milhões de dólares, que seria usado principalmente para encerrar o Transfer Ban — originado pela dívida da compra de Thiago Almada junto ao Atlanta United. Em um segundo momento, haveria uma nova injeção de 30 milhões de dólares, totalizando os 50 milhões anunciados.


A coluna apurou que o investidor por trás da possível operação é a gestora norte-americana GDA Luma, liderada por Gabriel de Alba. A empresa é especializada em “distressed assets”, ou ativos em grave dificuldade financeira, adquiridos abaixo do valor de mercado para posterior reestruturação. Esse perfil ajuda a explicar o formato agressivo do negócio oferecido ao Botafogo.


Gabriel de Alba é fundador e sócio-gerente da GDA Luma Capital Management (GDA Luma),descrito em biografias públicas de executivos como um investidor internacional com uma longa carreira global em private equity (capital privado) e reestruturação. Ele trabalhou e investiu nos Estados Unidos, Europa, Canadá e outros mercados internacionais, além de ter diplomas pela NYU Stern (EUA) e pela Columbia University (EUA). Gabriel De Alba se destaca na sua formação profissional internacional e fluência em múltiplos idiomas como (inglês, espanhol, português, alemão, e francês).


Internamente, os termos dos aportes causam apreensão. As condições incluem juros elevados, exigência de diversas garantias e o comprometimento de receitas futuras, especialmente de vendas de jogadores. Pessoas ligadas à SAF, em conversas reservadas, chegaram a classificar a operação como “agiotagem”.


O plano, porém, vai além de um simples socorro financeiro. A ideia seria que esse aporte inicial abrisse caminho para uma operação mais ampla, na qual a GDA Luma compraria a posição da Ares dentro da Eagle e também parte das ações de Textor. Um novo fundo passaria a controlar o ecossistema da Eagle, incluindo Botafogo e Lyon, promovendo uma reestruturação completa do grupo e quitando integralmente a dívida com a Ares, que deixaria a operação.


Nesse desenho, ainda haveria a possibilidade de Textor permanecer na gestão do Botafogo, apesar de perder o controle majoritário da holding. A operação é vista por interlocutores como um possível “salva-vidas” tanto para o empresário quanto para o clube, ainda que envolva riscos elevados.


Enquanto o acordo não avança, a situação de Textor se deteriora dentro do próprio Botafogo. No início da disputa, ele contava com amplo apoio, tanto na SAF quanto no clube social. Hoje, essa sustentação vem se esvaindo. O clube social, inclusive, apresentou petição à Justiça pedindo que Textor, como pessoa física, seja incluído nas ações que discutem o controle do Botafogo e solicitando que a Eagle deposite uma caução mínima de R$ 150 milhões.


Textor foi afastado oficialmente do Lyon em junho de 2025. Desde então, prometeu repetidas vezes que um acordo estava próximo e que tinha recursos para capitalizar o Botafogo — inclusive em entrevista concedida em outubro do ano passado. O acordo, porém, não se concretizou, a disputa se aprofundou e o clube segue sangrando financeiramente.


Procurado nos últimos dias, John Textor não respondeu aos contatos de Pedro Lopes. Caso decida se manifestar, sua versão será publicada.

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