No meio da semana passada, veio a público a informação de que John Textor havia destituído Stephen Welch e Hemen Tseayo de seus cargos como diretores independentes da Eagle Football Holdings Bidco. A manobra, considerada ousada, tinha como objetivo permitir que o empresário Norte-americano retomasse o controle estratégico do grupo, especialmente em relação ao Olympique Lyonnais.
A resposta do fundo Ares Management, principal credor da Eagle Holdings Bidco e detentor de garantias robustas sobre as ações da holding, foi imediata. O fundo anunciou a intenção de destituir Textor de seu cargo e recolocar os administradores afastados. Durante vários dias, um cenário de grande incerteza jurídica se instalou nos bastidores de tal Eagle.
Ao final, a Ares acabou aceitando a saída dos dois administradores independentes, mas não conseguiu afastar John Textor de sua função como administrador da Bidco. Em contrapartida, o Norte-americano foi excluído dos órgãos decisórios da Eagle Football Group, entidade que controla diretamente o Olympique Lyonnais. Com isso, Textor permanece sozinho no comando da Eagle Bidco — e, consequentemente, responsável direto pela gestão do RWDM, na Bélgica, e do Botafogo, no Brasil.
À primeira vista, a jogada pode parecer um golpe de mestre. Mas, na prática, o cenário é bem mais delicado.
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Pressão financeira aumenta
O verdadeiro problema agora é financeiro. O fundo Ares possui garantias amplas que lhe permitem, em caso de inadimplência relevante seja por parte de John Textor ou de algum dos clubes estratégicos do grupo, acionar essas garantias, assumir o controle da Bidco e retirar Textor da governança.
E o contexto atual é preocupante. Botafogo e RWDM atravessam sérias dificuldades financeiras. Tanto no Brasil quanto na Bélgica, os clubes ligados a Textor estão sob proibição de registrar novos jogadores e enfrentam dívidas pendentes. Para manter sua posição, o empresário precisará agir rapidamente e resolver essas pendências.
RWDM sob risco imediato
A situação pode se agravar ainda mais nos próximos dias. Nesta semana, o RWDM será avaliado pela comissão de licenças do futebol belga e precisará comprovar que quitou — ou está prestes a quitar determinadas dívidas. Caso contrário, o clube corre o risco de sofrer um desconto de três pontos na tabela.
Para evitar essa punição, é essencial que a Bidco faça um aporte financeiro ao clube. Um eventual corte de pontos seria interpretado como prova de inadimplência do RWDM, e a responsabilidade recairia diretamente sobre John Textor, agora único gestor com plenos poderes para socorrer o clube de Molenbeek.
A dúvida que paira é clara: Textor deixará o RWDM à própria sorte? Em dezembro, o empresário havia injetado pessoalmente pouco mais de 1 milhão de euros (R$6,1 Milhões) no caixa do clube, sinalizando que ainda não o havia abandonado. Ainda assim, para o fundo Ares, um eventual fracasso em resolver a situação serviria como argumento sólido para caracterizar um cenário de inadimplência e justificar a ativação de suas garantias.
Semana-chave para o futuro
Atualmente no Brasil, John Textor terá de voltar sua atenção com urgência ao RWDM se não quiser arriscar perder tudo. Os próximos dias prometem ser decisivos para o futuro do empresário dentro da Eagle Football Holdings e, por consequência, para o destino dos clubes que estão sob seu controle.
O desfecho dessa semana pode redefinir não apenas a estrutura de poder da Eagle, mas também o futuro esportivo e financeiro de RWDM e Botafogo. No caso do Botafogo Textor só está no comando devido a liminar no Tribunal De Justiça do RJ, que ainda mantém ele, por este detalhe, mas se o Botafogo Associativo quando quiser, pode tombar tal liminar, e Textor dar adeus ao comando da SAF Botafogo, até antes mesmo do julgamento completo na justiça comercial britânica, onde a Iconic Sports, quer receber o dinheiro restante que fora emprestado para John Textor ter comprado o Lyon em 2022. No momento este valor está avaliado em US$ 97 Milhões De Dólares (R$510,2 Milhões) na cotação atual. Este julgamento completo (Full Trial) irá acontecer nas próximas semanas, em Londres.
Com informações Julien Denoël Sudinfo
