John Textor e Michele Kang em 2023 durante festa do título do OL Lyonnes, equipe feminina do Lyon - Foto: Icon Sport
A Maior credora da Eagle Football Holdings BidCO, controladora da SAF do Botafogo, a Ares Management Corporation acionou uma cláusula de proteção na justiça britânica para assumir o controle da holding de John Textor. A informação é do jornal ¨O Globo¨ na noite desta terça-feira (27/1).
A Ares Management irá assumir em breve o controle da Eagle Football Holdings (EFH), empresa controladora da SAF do Botafogo. Principal credor da holding, o fundo exerceu uma cláusula de proteção ao crédito no âmbito de um processo interno na justiça britânica diante do agravamento da situação financeira e societária da Eagle. A medida afastaria John Textor do comando operacional da holding e marcaria uma virada no conturbado processo financeiro envolvendo a empresa. Outro fato que fez a Ares se posicionar, foi que Textor alegou que Michele Kang pegou dinheiro que era do Botafogo, nos tempos dos cofres únicos, isto foi dito por John Textor em Live no canal Arena Alvinegra.
Segundo a apuração feito pelo ¨O GLOBO¨, o contra-ataque da Ares, foi motivado, por uma reorganização interna promovida nesta semana por John Textor, que afastou membros independentes da estrutura de governança da Eagle, Hemen Tseayo e Stephen Welch. O que Textor fez, foi interpretado como um risco adicional pelos credores, levando a Ares a exercer garantias contratuais já previstas para situações de descumprimento ou deterioração da governança.
Há, no entanto, uma distinção central do ponto de vista societário. A Eagle segue como controladora do Botafogo, mas a eventual mudança não implicará automaticamente na troca de controle da SAF alvinegra. A gestão, hoje sob comando de John Textor, só pode ser alterada por decisão do próprio Conselho da SAF ou com o fim da decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que atualmente protege a composição do Conselho e a estrutura de governança. Ou seja, mesmo com a Ares assumindo o controle da Eagle como credora, a administração do Botafogo permanece inalterada neste primeiro momento. Mas Textor pode ser retirado do cargo posteriormente. Ainda mais, após perder para a Iconic Sports no julgamento completo na Justiça Comercial Britânica das próximas semanas, onde especialistas cravam que a Iconic tem 70% de chance de vencer Textor, após já terem vencido a tentativa de apelação, onde Textor perdeu.
Segundo informações de bastidores: Textor garante que segue no controle da Eagle e que trabalha para reverter as iniciativas dos credores. O empresário disse ainda que pretende realizar nesta semana um aporte financeiro no Botafogo, com o objetivo de blindar a SAF dos efeitos da crise internacional.
A tentativa deles de me afastarem era esperada. Mas não houve ação judicial. Ninguém está ciente disso, pois a lei do Reino Unido exigiria que fôssemos notificados. A história que está circulando se baseia apenas em uma carta formal que me foi enviada às 19h15 de terça-feira. Meus advogados contestam a alegação da Ares de que podem me destituir do cargo de diretor. Portanto, o vazamento ocorreu antes mesmo do envio da carta pela Ares – explicou Textor.
– É importante ressaltar que iniciei essa disputa ao destituir os diretores independentes pelos motivos descritos na minha notificação de destituição. São motivos bastante sérios – acrescentou.
Textor x Kang
Por fim, John condenou a assembleia geral que será realizada na França nesta quarta (28). Ele entende que leis foram infringidas, chamou a reunião de “conselho paralelo” e promete responsabilizar quem estiver envolvido. Michelle Kang, presidente do Lyon desde junho de 2025, também foi criticada por lesar o Botafogo.
– Esse conselho secreto na França é um grupo de pessoas responsáveis por negar os pagamentos devidos ao Botafogo. Esse conselho é ilegal. Estou cansado de Michelle Kang se recusar a cumprir suas obrigações e prejudicar o Botafogo – concluiu.
Crise da Eagle
A Ares já havia concedido sucessivas flexibilizações contratuais para que a Eagle reorganizasse a situação financeira. Com o aumento das tensões internas e a falta de uma solução definitiva para o endividamento, o fundo optou por assumir diretamente o controle da holding. A disputa está restrita à Eagle Football e à relação entre credor e devedor.
A retirada de Textor do comando da Eagle representaria um revés importante para o empresário americano, que perde o controle do grupo que centralizava sua estratégia multi-clubes. Para a Ares, a medida é tratada como um passo para proteger o crédito e conduzir uma reorganização sob nova gestão.
Mudança gera incerteza no Botafogo
Do ponto de vista prático, o novo cenário amplia as incertezas para o Botafogo, sobretudo no curto prazo. Isso porque John Textor sustenta que fará, ainda nesta semana, um aporte emergencial, operação que, segundo ele, já teria sido aprovada pelo conselho da Eagle.
O aporte visaria derrubar o transfer ban imposto pela Fifa em razão da dívida com o Atlanta United e a MLS pela contratação de Almada, que impede o clube de registrar novos jogadores contratados. A operação, no entanto, é um empréstimo com juros elevados e com venda de jogadores como garantia, que tem gerado resistência dentro da SAF.
Com a mudança de controle da holding e a entrada da Ares na posição de comando, cresce a dúvida sobre a viabilidade, o timing e até a autorização definitiva dessa operação. Caso o aporte não se concretize nos termos anunciados, o Botafogo pode enfrentar restrições adicionais de caixa e menor margem de manobra no mercado, num momento em que o clube depende diretamente desse reforço financeiro para cumprir compromissos e sustentar seu planejamento esportivo.
