Futuro da Saf Botafogo: Iconic Sports venceu primeira batalha contra John Textor na corte de apelação, e conseguiu fazer com que a disputa judicial fosse para o Tribunal Comercial De Londres; Enquanto Textor tenta recriar uma Eagle 2.0 com amigos dos tempos da FUBOTV e outros investidores; porém o valor devido à Iconic terá que ser pago

 


Jamie Dinan e John Textor - Foto Reprodução


A disputa judicial entre Iconic Sports, empresa do bilionário Jamie Dinan, e John Textor ganhou um capítulo decisivo em Londres. A Corte de Apelação da Inglaterra e de Gales rejeitou o recurso apresentado por Textor, mantendo a decisão que permite que o caso siga para um julgamento completo na Justiça Comercial Britânica. Na prática, a Iconic Sports já saiu vitoriosa na primeira grande etapa do processo.


Com a negativa do recurso de apelação que não foi cedido à John Textor, a Iconic garantiu judicialmente o direito de buscar a recuperação de mais de US$ 97 milhões (aproximadamente R$ 518,1 milhões), valores que, segundo a empresa, foram utilizados por Textor e não devolvidos. Em libra esterlina, o montante já assegurado gira em torno de £70 milhões (R$501 Milhões), restando agora a definição final no julgamento de mérito, previsto para as próximas semanas na justiça comercial britânica em Londres.



Sede da justiça comercial britânica em Londres - Foto/Reprodução


Em nota pública, a Iconic Sports comemorou a decisão e foi direta:


“Esperamos recuperar mais de US$ 97 milhões (R$ 518,1 milhões) e resolver este assunto o mais rápido possível no próximo julgamento completo.”


A origem do conflito: Lyon, Eagle e dinheiro não devolvido


A raiz do embate remonta a 2022, quando a Iconic Sports auxiliou financeiramente John Textor na compra do Olympique Lyonnais. Parte desses recursos, segundo a acusação, deveria ter sido devolvida posteriormente — o que não ocorreu. Além disso, o plano original da Eagle Football Holdings BidCo de abrir capital na Bolsa de Nova York nunca se concretizou, agravando a crise de liquidez do grupo controlado por John Textor.


Com o avanço do processo no Reino Unido, a Iconic deixou claro que não pretende ceder no que já reconquistou juridicamente.


Ares no controle e o enfraquecimento de Textor


Análises recentes, como a feita pelo pesquisador Irlan Simões, apontam que desde o afastamento de Textor do comando do Lyon, o fundo Ares Management passou a exercer forte domínio sobre os cofres e decisões estratégicas da Eagle Football Holdings BidCo.


Nesse contexto, cresce a avaliação de que a Iconic Sports pode abocanhar uma parcela significativa dos 65,4% que John Textor ainda detém na Eagle. O cenário se torna ainda mais simbólico pelo fato de a Iconic manter boa relação com Mark Affolter, executivo ligado à Ares e que foi afastado por Textor do conselho da Eagle em 14 de novembro de 2025, movimento visto por muitos como uma tentativa de concentração de poder que acabou se voltando contra o próprio programador e empresário Norte-americano.


Botafogo, protestos e a reação de Textor

 
Torcedores da organizada BotaChopp | Textor, não confiamos Pare de mentir Pinochio  - Protesto na Rua Henrique Sheid, que dá acesso ao Setor Norte do Estádio Nilton Santos - Foto Reprodução

Enquanto a batalha jurídica ocorreu na quarta-feira 21/1 em Londres na Corte de Apelação da Inglaterra e Gales, os reflexos chegam diretamente ao Botafogo. No último sábado 24 de Janeiro de 2026, as seguintes torcidas organizadas: Fúria Jovem, Torcida Jovem Botafogo, Botachopp e Super Alvinegros realizaram protestos contundentes contra a gestão de John Textor, cobrando transparência, estabilidade financeira e respeito à SAF Botafogo.


Após os atos, Textor fez uma live no canal do Youtube, Arena Alvinegra, na qual adotou um tom defensivo e às vezes irônico. Ele afirmou que o Botafogo não está falido, que segue operando normalmente e que não irá ligar para o que não achar interessante. Também disse entender a insatisfação da torcida, mas reforçou que os problemas financeiros estariam concentrados na estrutura global da Eagle, não exclusivamente no clube carioca. Porém Textor disse: Não [penso em sair], isso é um absurdo. Somos donos de 90% deste clube. Eu sou o proprietário majoritário da Eagle, que detém os 90%. É bem possível que a propriedade mude com os próximos investimentos, com esses investidores que estou trazendo. E isso é bom. Mas quando as coisas ficam difíceis, você não desiste. Isso é ridículo. As coisas eram impossíveis quando cheguei a este clube. Tínhamos desafios inacreditáveis. E nos mantivemos firmes internamente. Fomos constantemente criticados pelos torcedores. A relação com os torcedores foi brutal em vários momentos. E nós continuamos trabalhando e lutando. E trouxemos para este clube o melhor ano em 120 anos.


A versão de Textor: acusações contra Michele Kang


Em meio à crise, Textor apresentou sua própria versão dos fatos. Segundo ele, na Live da Arena Alvinegra, Michele Kang, ligada ao Lyon e à Ares, teria utilizado recursos que pertenceriam à SAF Botafogo para cobrir déficits do clube francês. Textor alega ainda que números financeiros apresentados na França seriam falsos e que os franceses teriam uma dívida de cerca de €34 milhões (R$212,7 Milhões) com o Botafogo.


Essas acusações, no entanto, ainda não foram reconhecidas judicialmente e fazem parte de um embate narrativo que corre em paralelo à disputa legal no Reino Unido. Para especialistas consultados, é uma tentativa de Textor equilibrar o jogo midiático, com mentiras e informações não conclusivas. Por exemplo, Textor vetou do assunto Iconic Sports e a disputa perdida na Corte de apelação da Inglaterra e Gales ser citada na Live da Arena Alvinegra, outra pergunta que não pôde ser feita ou não fizeram, porque Textor não permitiu que o ex-diretor independente da Eagle, Donald William Cristopher Mallon fizesse um ¨pente fino¨ nas contas da SAF Botafogo.


O futuro: quem pagará esta conta bilionária?


Mesmo em um cenário hipotético no qual Textor consiga resolver parte de suas pendências com ajuda de amigos e investidores, muitos deles ligados à FuboTV, empresa da qual Textor foi acionista e presidente executivo, um ponto é tratado como inevitável:


A Iconic Sports terá que ser paga.


A SAF Botafogo, por sua vez, não faliu. O clube segue operando, com uma possibilidade de aporte futuro, para sair do atual Transfer Ban que dura há mais de 25 dias, embora cercado de incertezas nos bastidores. A grande incógnita passa a ser: Quem serão os futuros donos do projeto? Textor conseguirá se manter ou acabará diluído, parcial ou totalmente, no controle?


Um tabuleiro com muitas peças


Circula nos bastidores a possibilidade de uma espécie de “Eagle 2.0”, com gestão apoiada por nomes ligados à FuboTV, como Jordan Fiksenbaum, Kevin Watson, René Eichenberger, Shahrad Tehranchi, além de Andy Bird atual presidente independente, do atual CEO da FuboTV, David Gandler e um dos fundadores, e do co-fundador Alberto Horihuela. Há ainda investidores de outros setores, como Frank Patterson, velho aliado de Textor e figura conhecida nos EUA por projetos inovadores, incluindo o holograma de Michael Jackson em 2014.


Dentro desse tabuleiro complexo, surge também um cenário hipotético, mas que já circula em análises de mercado: caso John Textor consiga equacionar suas pendências judiciais, inclusive pagando a Iconic Sports com recursos oriundos de parceiros e amigos ligados à FuboTV, o projeto esportivo poderia ser reconfigurado em uma espécie de “Eagle 2.0”.


Nesse contexto, a FuboTV — plataforma de streaming historicamente focada em esportes ao vivo e que teve Textor como figura central em sua ascensão — poderia buscar um papel mais ativo na aquisição de direitos de transmissão, especialmente no futebol sul-americano. Entre as possibilidades ventiladas estariam os direitos do Campeonato Brasileiro e, em um movimento ainda mais ambicioso, da Copa Libertadores da América, seja de forma integral ou em pacotes específicos para o mercado internacional e digital.


A estratégia faria sentido dentro da lógica de negócios que marcou a trajetória de Textor na mídia esportiva: integrar conteúdo premium ao vivo, clubes sob influência societária e uma plataforma de distribuição global. Mesmo que Textor já não seja o principal acionista da FuboTV, sua rede de relacionamentos com executivos e investidores ligados à empresa — como David Gandler, Alberto Horihuela e outros nomes históricos do projeto — poderia facilitar conversas e articulações nesse sentido.


Ainda assim, especialistas ressaltam que, mesmo nesse cenário, a vitória judicial da Iconic Sports na Inglaterra impõe um limite claro: a dívida precisa ser quitada, independentemente de quem venha a administrar o Botafogo ou a Eagle no futuro. Ou seja, ainda que a FuboTV ou investidores ligados a ela passem a ter protagonismo em um novo arranjo societário, a Iconic Sports já garantiu juridicamente uma posição de força e não abrirá mão do que lhe é devido.


Assim, o futuro pode até incluir uma Eagle reformulada, maior integração entre clubes e mídia, e novas disputas pelos direitos de transmissão do futebol brasileiro e continental. Mas o caminho passa, obrigatoriamente, pela conclusão do julgamento completo na Justiça Comercial Britânica


John Textor construiu grande parte de sua carreira no setor de tecnologia e mídia. Um dos marcos dessa trajetória foi sua atuação à frente da plataforma de streaming FuboTV, um serviço focado em transmissões ao vivo de esportes e entretenimento.


Textor liderou a compra da FuboTV via sua empresa FaceBank Group, concluindo esse negócio em 2020, um movimento que transformou a FuboTV em uma companhia pública listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) sob o ticker FUBO. A oferta pública inicial (IPO) aconteceu em outubro de 2020, e a empresa chegou a alcançar uma capitalização de mercado próxima aos US$ 8 bilhões — um dos casos de IPO de maior destaque entre serviços de streaming naquele ano.


Durante esse processo, Textor não apenas permitiu que a FuboTV se tornasse pública, como também foi o maior acionista da empresa por um período significativo, o que lhe deu musculatura financeira e reputação no mercado de mídia esportiva.


Com o tempo, porém, Textor começou a reduzir sua exposição direta na FuboTV, vendendo parte de suas ações e se afastando da gestão executiva para focar no futebol. Embora detalhes específicos de cada operação de venda não sejam sempre divulgados amplamente, as movimentações refletem claramente sua transição de um papel ativo na FuboTV para investimentos estratégicos no esporte, especialmente por meio da sua holding Eagle Football Holdings.


Esse movimento financeiro e de carreira foi fundamental para que Textor tivesse os recursos e a experiência necessários para apostar pesado em clubes como Crystal Palace (acionista minoritário), Botafogo e Lyon, mesmo que hoje esteja no centro de uma batalha judicial com investidores como a Iconic Sports e a maior credora, a Ares.


Patterson construiu reputação como co-fundador da Pulse Evolution Corporation, pioneira em humanos digitais hiper-realistas, e hoje atua na Trilith Ventures, braço de investimentos ligado à Trilith Studios, que já sediou produções como os Filmes Vingadores: Ultimato, Guardiões da Galáxia Vol. 2, O Esquadrão Suicida e séries como WandaVision.


O cenário é de disputa aberta e sem espaço para concessões fáceis. A Iconic Sports já venceu John Textor em uma instância crucial, garantiu judicialmente valores expressivos e chega fortalecida ao julgamento completo na Justiça Comercial Britânica nas próximas semanas. Com laços sólidos com a Ares e respaldo jurídico, a empresa de Jamie Dinan, Alexander Knaster e Edward Eisler se posiciona como uma das protagonistas na possível reconfiguração do poder dentro da Eagle Football Holdings BidCO    e, por consequência, da SAF Botafogo.


Resta saber se Textor conseguirá se reinventar politicamente e financeiramente ou se verá seu império esportivo ser, aos poucos, desmontado nos tribunais. E ver a Iconic Sports triunfar mais uma vez, como já ganhou em 21 de Janeiro de 2026, na Corte de apelação da Inglaterra e Gales. O Julgamento Completo no Tribunal da Justiça Comercial Britânica ainda não tem uma data definida, mas é sabido que será bastante definidor do que há de vir. Um Norte, tanto para Botafoguenses, e torcedores do RWDM Brussels. 

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