No quadro Finanças do Esporte do UOL, PVC ouviu de ex-integrantes da SAF Botafogo, que John Textor é um jogador de pôquer que teve sorte em 2024 de acertar 2 vezes; e depois se perdeu na gestão e vai pedir ajuda para empresas que só pensam em enriquecer a qualquer custo (VÍDEO)


Paulo Massini, PVC e Pedro Lopes - Foto Reprodução UOL Esporte/Finanças Do Esporte


O Botafogo vive um dos momentos mais delicados desde a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em 2022. O debate apresentado no programa Finanças do Esporte, do UOL, trouxe um debate, em que o sucesso esportivo recente não foi suficiente para blindar o clube de uma crise financeira complexa, marcada por disputas judiciais, endividamento elevado e decisões de risco tomadas pelo ainda controlador John Textor.


Assista abaixo:


*Aos 29:14 é possível ver este momento



Apesar da goleada por 4 a 0 do Botafogo sobre o Cruzeiro e de um time competitivo em campo, o cenário fora das quatro linhas preocupa. O elenco campeão de 2024 já foi profundamente desmontado: oito titulares deixaram o clube, entre vendas, saídas e lesões. Jogadores como John, Gregore, Marlon Freitas, Luiz Henrique, Thiago Almada e Savarino não fazem mais parte do grupo, evidenciando que os impactos da crise já são reais até para àqueles que chamavam outros botafoguenses de agentes do caos.


A disputa com a Ares e o cerco financeiro


No centro do problema está a briga entre John Textor e a empresa Ares, credora da Eagle Football Holdings Bidco, tal holding controla o Botafogo. Segundo o próprio Textor, a Ares emprestou cerca de US$ 450 milhões (R$2,2 Bilhões) e agora pressiona para receber o valor de volta. Essa pressão tem efeito direto no clube: bloqueios, restrições de mercado e até o Transfer Ban, que impede o registro de novos jogadores.


A estratégia da Ares, segundo os debatedores, é clara: asfixiar financeiramente o grupo de Textor, reduzindo sua capacidade de compra, venda e gestão, até que a permanência no controle do Botafogo se torne inviável. O que está se encaminhando para ocorrer, além da Ares, John Textor ainda tem uma disputa judicial da Iconic Sports que luta e quer assumir os 65,4% que John Textor tem da Eagle Holdings BidCO, caso JT perca novamente para a Iconic Sports, desta vez no julgamento completo definitivo, Textor já perdeu o julgamento na Flórida, que a Iconic levou a disputa de recuperar o dinheiro que ajudou Textor ao comprar o Lyon, em 2022, para o Reino Unido, venceu a apelação na Corte da Inglaterra e Gales, em Londres, na última quarta-feira 21 de Janeiro de 2026. Textor está numa corda bamba.


Textor, o “jogador de pôquer”


Para entender o perfil do dirigente, PVC recorreu a uma metáfora recorrente entre pessoas que trabalharam com Textor no começo da SAF Botafogo: ele seria um jogador de pôquer, conhecido por apostas altas. Em 2024, essa aposta deu certo — mesmo sem uma “mão forte”, Textor venceu com “dois pares de seis”, sustentado por resultados esportivos excepcionais e valorização do clube.


O problema é que, agora, ele teria apostado em três frentes ao mesmo tempo:


Leverage Buyout (LBO) – aquisição e operação de empresas já endividadas com ainda mais dívida;


IPO de “cheque em branco” – tentativa de abertura de capital sem caixa consolidado;


O esporte em si, um ambiente altamente imprevisível, sujeito a lesões, derrotas e variáveis externas.


Segundo a análise, a combinação dessas três apostas simultâneas elevou o risco a um nível extremo.


A entrada da GDA Luma e Hutton Capital: solução ou novo problema?


Para contornar o Transfer Ban e a dívida com a Ares, Textor passou a negociar com a GDA Luma, empresa especializada em ativos podres — ou, em termos mais diretos, ativos endividados e desvalorizados. O plano envolveria um aporte inicial para liberar o Botafogo no mercado, seguido da compra da dívida da Ares.


O problema é o custo: a GDA não é uma investidora de futebol, mas de reestruturação financeira. Compra barato, reestrutura e cobra caro. Isso significa juros mais altos e maior pressão futura sobre o clube.


“Não é um projeto para investir em jogadores ou fortalecer o Botafogo esportivamente, mas para reestruturar um ativo e lucrar com ele”, destacou Pedro Lopes.


O IPO frustrado e o efeito dominó


O plano original da Eagle Football previa elevar o valuation do Botafogo e do Lyon por meio de conquistas esportivas, para então realizar um grande IPO nos Estados Unidos. A venda de ações pagaria as dívidas e ainda geraria lucro.


Esse plano, no entanto, desmoronou com a disputa judicial envolvendo a Ares, que se espalha por tribunais no Brasil, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Sem IPO à vista, Textor precisa buscar soluções emergenciais — e mais caras.


SAF: solução temporária ou novo tipo de crise?


O debate também expôs um ponto estrutural: a Lei da SAF não impede crises, apenas muda sua natureza. Clubes associativos quebraram no passado e continuarão quebrando. Na Europa, modelos semelhantes (SAD, SPA, clubes-empresa) também passam por colapsos, trocam de donos e recomeçam.


A diferença é que, agora, o torcedor vive a incerteza de não saber:


quem manda no clube,


se as dívidas estão sendo pagas,


se haverá novos investidores,


ou se o projeto esportivo será desmontado.


No caso do Botafogo, a SAF parece ter resolvido problemas antigos por um período, mas pode estar criando uma crise diferente — e potencialmente maior.


Um futuro em aberto


O Botafogo segue competitivo em campo, mas fragilizado fora dele. A permanência de John Textor no controle, a entrada de novos investidores e o rumo do clube dependem de negociações financeiras complexas e de decisões que envolvem riscos elevados.


Como resumiu PVC, a pergunta agora não é se o jogo ficou difícil, e isso já aconteceu. A dúvida é se Textor conseguirá, mais uma vez, ganhar a mão mesmo sem cartas fortes.

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