O embate entre o programador e empresário John Textor com a nova direção do Olympique Lyonnais formada por Michele Kang e Michael Gerlinger, se transformou em uma disputa internacional com reflexos diretos no Botafogo. Segundo o jornal francês L’Équipe, o clube francês acionou a FIFA no último dia de 2024 cobrando uma dívida referente à transferência do atacante Jeffinho — mais um episódio que evidencia o colapso do modelo de gestão compartilhada da antiga Eagle Football.
Ruptura e saída de Textor
O conflito entre Textor e a nova administração do Lyon se arrasta há meses, mas se agravou de vez após a reestruturação da Eagle Bidco, holding que detém 85% do capital do clube francês. A empresa foi assumida pela britânica Cork Gully à mando da ARES, operação oficializada recentemente e que retirou definitivamente Textor de tentar recuperar o comando do Lyon, cargo que ocupou até 30 de junho de 2025.
A mudança marcou também o fim prático da Eagle Football, projeto de multipropriedade que integrava Lyon, Botafogo e o RWDM Brussels. Com isso, deixou de existir o modelo de “caixa único”, que permitia movimentações financeiras entre os clubes conforme suas necessidades — prática agora questionada pela nova gestão francesa.
O caso Jeffinho
No centro da disputa está Jeffinho, atacante de 26 anos. Em janeiro de 2023, ele foi vendido pelo Botafogo ao Lyon por 10 milhões de euros (cerca de R$ 55,2 milhões na cotação da época), valor considerado acima do mercado — estimado, segundo a imprensa francesa, em até cinco vezes menos.
Dois anos depois, o jogador foi recomprado pelo Botafogo por 5,3 milhões de euros (aproximadamente R$ 34 milhões). O problema é que, de acordo com o Lyon, esse valor nunca foi pago.
O clube francês afirma à FIFA que não recebeu qualquer quantia da transferência e cobra, além do valor principal, juros pela inadimplência. Jeffinho segue vinculado ao Botafogo, mas atualmente está emprestado ao Liaoning Tieren, da China.
Lyon tenta recuperar prejuízos
Com o fim da estrutura de multipropriedade, o Lyon agora busca recuperar valores que considera terem sido comprometidos em benefício de outros clubes durante a gestão Textor. O caso Jeffinho é apenas um exemplo de operações realizadas dentro desse sistema que agora estão sendo revisadas.
Botafogo acumula pendências
A situação do Botafogo se complica ainda mais diante de outras disputas financeiras. O clube foi notificado pela FIFA em processos relacionados a pelo menos nove negociações internacionais:
Luiz Henrique (Real Betis)
Artur (Zenit)
Santiago Rodríguez (New York City FC)
Rwan Cruz (Ludogorets)
Álvaro Montoro (Vélez Sarsfield)
Kaio Pantaleão (Krasnodar)
Arthur Cabral (Benfica)
Jordan Barrera (Junior Barranquilla)
Matheus Martins (Udinese)
Além disso, o caso envolvendo o meia Thiago Almada resultou em um Transfer Ban imposto ao clube carioca.
Futuro incerto
Apesar das críticas crescentes no Brasil, John Textor segue no comando do Botafogo, atual campeão da Copa Libertadores de 2024. No entanto, a sucessão de notificações, dívidas e disputas judiciais levanta dúvidas sobre a sustentabilidade financeira do clube e os impactos esportivos a curto e médio prazo.
Do outro lado, o Lyon tenta reorganizar sua estrutura após a saída de Textor e encerrar pendências herdadas de um modelo que, embora já extinto, continua gerando consequências relevantes no futebol internacional.
