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Franclim Carvalho - Foto Reprodução/Botafogo TV/Youtube |
O Botafogo venceu o modesto Independiente Petrolero da Bolívia, por 3 a 0 na noite desta terça-feira 28/4, no Estádio Nilton Santos, e segue na liderança do Grupo E da Copa Sul-Americana. Depois da partida, o técnico Franclim Carvalho festejou a produção ofensiva da sua equipe, mesmo com alguns reservas em campo. Franclim acredita que o gol marcado por Mateo Ponte, no início do primeiro tempo (com assistência do outro lateral, Alex Telles), abriu a defesa adversária.
Assista ao vídeo:
- Eu já disse aqui que os nossos laterais têm que correr muito. Nós normalmente temos substituídos os laterais porque eles têm que correr muito e têm corrido muito. Quando eu digo correr, não é só para frente. Eles têm que ir para frente e para trás. Nós tentamos manter a equipe equilibrada com quatro homens, às vezes ficam só três. Nós ficamos um pouco... não é chateado, mas gritei com eles - disse o treinador.
- Mas eu sabia que teríamos esse espaço nessa zona hoje em situação de cruzamento entre a zaga adversária e o goleiro. Fez (o gol) o Mateo, mas eu me lembro de outros dois ou três lances que o Alex entrou por ali em algumas bolas, nós tínhamos que atacar esse espaço, fizemos isso durante a semana com o lateral, com os extremos, com o atacante, com os volantes. O Mateo fez bem, ele aparece bem naquela zona. Portanto, foi bom - completou ele, antes de concluir:
"O gol abriu um bocadinho. Tínhamos que fazer mais gols nesse jogo, e nós fizemos. Foi uma quantidade elevada de arremates, de cruzamentos, de chances criadas".
Briga política entre social, John Textor e Ares
O treinador não tentou esconder que a boa atuação aconteceu apesar da instabilidade política e financeira que os alvinegros atravessam. Enquanto o Botafogo construía a vitória, a Justiça dava mais um capítulo à briga entre o clube social, John Textor e o fundo estrangeiro Ares pelo controle da SAF. O português destacou a importância de manter os atletas "dentro da bolha".
- Temos essa informação e não podemos fugir dela. Temos também um técnico muito chato que sou eu, e os atletas tem algo que sempre temos na vida: ambição. Eles chegam lá dentro, seja em treino ou em jogo, e não pensam mais nada a não ser correr, trabalhar, fazer gols e defender. Essa mentalidade que temos no grupo é muito importante para ficarmos dentro da bolha que estamos e não pensarmos em nada que nos rodeia. Isso é mérito do grupo. Quando falo do grupo, falo de jogadores, comissão, Léo, Brito. As pessoas mais próximas. Acho que nós do Botafogo, torcedores incluídos, temos que pensar que o inimigo não está aqui dentro, mas sim lá fora. Não tenho dúvida nenhuma que o fato de ser o Botafogo causa um alvoroço ainda maior.
- É um clube que causa comichão. Sabemos que temos qualidade aqui dentro e que querem bater no Botafogo. Estamos aqui para trabalhar e blindar com essas pessoas todas. É momento de nos unirmos, o torcedor está habituado. Ainda há pouco fiz o apelo do jogo de sábado. Espero que os torcedores me ouçam e em vez dos 22 mil tenhamos mais. 23 para mim já está bom. Todos queremos mais e acho que é por isso que temos conseguido passar alheios ao que nos rodeia. Muito mérito do caráter dos jogadores.
Perguntado sobre a possibilidade de priorizar alguma competição durante a temporada, Franclim reforçou que não pretende fazer isso.
- O Campeonato Brasileiro é muito competitivo. A forma como está construído nos permite chegar às últimas três rodadas e 18 ou 19 equipes estão lutando por alguma coisa. Portanto estaremos em alguma luta, certeza absoluta, seja ela qual for. Eu disse que não vou fazer gestão e escolher competições. Porque temos jogadores muito ambiciosos e com muita fome. Nós como comissão também. Temos que fazer jus a isso. Entrar no jogo com a equipe que achamos que é competente para e tentar ganhar seja a competição que for - disse o português.
- Obviamente que hoje mudamos cinco atletas, uns por opção outros por questão física. Não podemos priorizar. Temos um jogo muito importante no sábado e gostaria que os nossos torcedores viessem em massa. É um jogo muito importante para nós e os jogadores tem feito por merecer esse apoio. Os torcedores no jogo anterior estiveram presentes. Eu queria passar essa marca de 21 ou 22 mil no sábado. Portanto faço esse apelo porque temos feito por merecer esse apoio - finalizou.
O Botafogo volta a campo no próximo sábado para enfrentar o Remo, às 16h (de Brasília), novamente no Estádio Nilton Santos, mas dessa vez pelo Brasileirão.
Veja outros trechos da coletiva de Franclim Carvalho, técnico do Botafogo:
Kadir e Cabral como titulares no ataque
- Não é o jogo de hoje que me dá a ideia, mas conhecer os jogadores. São dois noves, mas são diferentes. Muito diferentes. O Kadir tem trabalhado bem e aproveitado as oportunidades. É um menino que gosto muito, acho que tem muito potencial. Nosso scout está de parabéns. Porque acho que ele pode nos dar coisas ali naquela posição que precisamos. Tem que crescer ainda, tem potencial, mas não é jogador feito. Po jogar com Cabral, Junior, Chris e Tucu. Aqueles dois homens procuramos que sejam um pouco diferentes.
- O que tentamos foi ter mais agressividade na área, não só com bola, mas sem bola. E o Kadir nos dá muito isso. O Cabral é um jogador rápido embalado e tem muito força. É inteligente para usar o corpo. Os dois se complementam bem. Como tínhamos o Ed e o Montoro nas costas, precisávamos de agressividade na frente. Foram esses os jogadores escolhidos e ficamos satisfeitos com o desempenho apesar de não terem feito gols.
Como melhorar a efetividade da equipe?
- Acho que o jogo vai ser diferente no sábado. Mas o que podemos fazer é continuar. Treinar, trabalhar, criar as oportunidades e depois começa a entrar. Contra a Chapecoense criamos menos chances e fizemos quatro gols. Hoje fizemos três. Tivemos 14 escanteios e não fizemos nenhum. Lembro de três lances do Bastos, do Chris e do Tucu após cruzamentos e temos que definir melhor obviamente. Ninguém está mais frustrado que os jogadores. Criamos muitas chances, tentamos chutar mais ao gol, que é algo que temos insistido, os jogadores fizeram. O volume ofensivo foi traduzido em finalizações e conseguimos fazer só três gols. A vitória nos deixa satisfeito, fizemos três e não sofremos nenhum. Estamos de acordo que precisamos converter o volume. Isso não termina hoje, temos que ir em busca de mais, sábado teremos mais e acho que vai ser um jogo diferente.
O que fazer para sustentar a série invicta?
- Eu já disse na semana passada. É bom que nós falemos disso. Mas eu gostaria que deixássemos de falar isso e não perder. Porque nós algum dia vamos perder, obviamente nós sabemos disso. Queremos adiar ao máximo esse dia. Costuma-se dizer que, quando ganhamos, estamos mais perto de perder. Mas eu não fiz nada a não ser propor aos jogadores algumas ideias. Umas eles estão de acordo, outras eles não estão, e nós negociamos. Mas eu acho que o grande mérito é dos jogadores e do elenco que nós temos. Estou muito satisfeito com a capacidade de trabalho dos jogadores, que nos surpreendeu, sinceramente. Pelo lado positivo. Do grupo todo. E acho que isso tem feito diferença.
- Há momentos do jogo que nós sentimos isso, que essa capacidade de trabalho faz a diferença. Há momentos do jogo que nós sentimos que a qualidade do jogador faz a diferença. E também sentimos em alguns momentos que é a organização que faz a diferença, pensarmos todos o mesmo. Mas claro que queremos manter essa série de resultados positivos, os jogadores têm trabalhado muito por isso. Antes de eu chegar, tinham duas vitórias seguidas. É um momento importante para nós. Hoje eu disse: "nós tínhamos a responsabilidade de assumir o favoritismo, porque na teoria éramos melhores que o adversário e tínhamos que demonstrar em campo. E acho que demonstramos. Portanto, agora teremos três dias para pensar no Remo, que vai ser um jogo difícil. E, como eu já disse, é um jogo muito importante para nós. Porque acho que é uma fase do Brasileiro que pode começar a afunilar, apesar de ser uma competição longa. E nós, até a parada, temos cinco jogos no campeonato que são muito importantes.
Rotação do elenco
- O Danilo é o atleta, ou era, que tinha maior minutagem desde que chegamos. 429 minutos, o que é muito. Estamos falando de 25 dias. É muito para o Danilo. Ele só não começou contra o Racing, mas entrou. Hoje não começou, nem aqueceu ou entrou. Sábado, se tudo correr dentro da normalidade, faltam 10 porque o Danilo vai jogar. Foi importante para dar esse descanso ao Danilo porque é um jogador importante para nós. Sei que ele pode estar um pouco chateado porque quer jogar sempre, mas sábado tem que dar uma boa resposta, pois precisamos dele e ele precisa de nós também.
Por que Villalba não jogou
- Aconteceu nada, o que já tenho dito que é a questão regulamentar. Temos 14 estrangeiros e só podemos trazer nove. Hoje podíamos trazer todos. O Villalba não se passou nada. Tem trabalhado normalmente e bem. Temos que optar de acordo com o que projetamos para o jogo. Temos que optar e deixar estrangeiros de fora por conta do limite, que estou de acordo com ele. Defendo o atleta local.
Atuação do panamenho Kadir
- Não sei se vai ter mais minutos, tem que trabalhar para isso como tem feito. Eu disse na Argentina que ele entrou por quatro ou cinco minutos e teve mérito de ter sido decisivo no lance que o Danilo faz gol. O Danilo fez o mais fácil, o Kadir o mais difícil. É um atleta que eu gosto. Tem características que gosto nos atacantes. Eu não olho a idade. O Kadir tem 18 e tem jogador. O Tucu, o Chris e o Junior são mais velhos e tem jogado até menos que o Kadir. Hoje optamos por ele e pelo Cabral pelo que imaginamos que poderia ser o jogo. Acho que é um jogador que tem muito potencial. Faria bem a ele ficar aqui mais uns meses ou anos para crescer mais um pouquinho. Ele vai ficar aqui porque está adaptado ao contexto, todos gostam muito dele. Ele tem que manter os pés no chão, a cabeça no lugar, ouvir as pessoas que o querem bem, tanto diretoria quanto colegas e comissão. E continuar o que tem feito, que é trabalhar. Porque ele pode atingir o nível de ser um jogador titular do Botafogo, o que ainda não é. Ele não atingiu esse nível, mas tem margem para.
