A instabilidade no ecossistema multiclubes comandado por John Textor ganhou um novo capítulo relevante no mercado internacional. Em anúncio publicado no Financial Times na última sexta-feira 10 de abril de 2026, a Eagle Football Holdings Bidco Limited, atualmente sob administração da Cork Gully, anunciou formalmente a intenção de vender seus principais ativos — ou seja, as participações majoritárias que detém em clubes de futebol.
A empresa não deixou margem para dúvidas: trata-se de uma holding intermediária que controla participações em três clubes e que está colocando essas fatias no mercado. Entre os ativos citados estão o Eagle Football Group — empresa-mãe do Olympique Lyonnais, descrito como “um grande clube da Ligue 1” —, o Botafogo, classificado como “um dos clubes mais históricos do Brasil”, e o RWDM Brussels, equipe profissional sediada na Bélgica.
Lyon perto de mudança de controle
De acordo com o jornal francês L’Équipe, o Lyon já desperta interesse concreto no mercado. A publicação informa que o fundo Ares Management e a empresária Michele Kang, ambos atualmente envolvidos na administração do clube, avaliam a possibilidade de aquisição. Outros investidores também podem surgir ao longo do processo.
Em paralelo, o Eagle Football Group divulgou nesta terça-feira um comunicado oficial detalhando os próximos passos da operação. Entre eles, a criação de um comitê independente para supervisionar o processo e a possibilidade de compartilhar informações confidenciais com interessados na compra.
Comitê independente e processo de administração
A Eagle entrou em processo de administração no Reino Unido — mecanismo semelhante à recuperação judicial — e, como parte da governança, instituiu um comitê independente formado por três nomes:
Gilbert Saada (presidente)
Nathalie Dechy
Victoria Wescott
Segundo a empresa, o grupo terá a missão de acompanhar todo o processo administrativo, podendo inclusive sugerir a contratação de um especialista independente. Caberá também ao comitê avaliar eventuais propostas e recomendar ao conselho os caminhos mais vantajosos — incluindo a possibilidade de uma oferta pública inicial.
Textor fora e tensão com o Botafogo
Figura central no projeto multiclubes, John Textor está afastado do comando do Lyon desde 30 de junho de 2025. Sua ausência coincide com o agravamento das questões financeiras e institucionais envolvendo o grupo.
Do lado brasileiro, o Botafogo acompanha o cenário com interesse direto. O clube carioca cobra na Justiça mais de R$ 700 milhões do Lyon, em um litígio que adiciona ainda mais complexidade ao futuro das operações da Eagle Football.
Cenário aberto
Com ativos relevantes no mercado, interesse de investidores e um processo formal de venda em curso, o futuro da rede multiclubes de Textor entra em uma fase decisiva que se encaminha para o fim do império. A possível mudança de controle no Lyon pode desencadear efeitos em cadeia — inclusive no Botafogo — em um momento de redefinição estrutural dentro do futebol globalizado.
Veja o posicionamento do Lyon:
O Conselho de Administração do Eagle Football Group ("EFG" ou "a Empresa") realizou uma reunião ontem e tomou conhecimento de certos desenvolvimentos relacionados com o processo de administração judicial do acionista majoritário da Empresa, a empresa inglesa Eagle Football Holdings Bidco Limited ("Eagle Bidco").
Foi observado que, de acordo com as recomendações da Autorité des marchés financiers (AMF) e sujeitas às condições ali estabelecidas, em particular a demonstração de um interesse legítimo, a Empresa poderá compartilhar informações confidenciais com terceiros interessados na aquisição das ações da EFG detidas pela Eagle Bidco. Qualquer comunicação de tais informações confidenciais deverá ocorrer sob a proteção de um acordo de confidencialidade.
A este respeito, a Empresa celebrou acordos de confidencialidade (i) com a Eagle Bidco, para efeitos de organizar o processo de administração judicial da Eagle Bidco e procurar um potencial comprador para os ativos da Eagle Bidco, incluindo as ações que detém na EFG, e (ii) com um consórcio composto por fundos geridos pela Ares Capital e uma afiliada de Michele Kang, Presidente do Conselho de Administração e Diretora Executiva da Empresa.
A Empresa poderá, consoante o caso, celebrar acordos de confidencialidade semelhantes com outros terceiros interessados nas próximas semanas. Além disso, considerando que o processo de administração judicial da Eagle Bidco pode resultar em uma mudança de controle da Companhia, seguida de uma oferta pública de aquisição obrigatória de seus títulos, e tendo em vista os potenciais conflitos de interesse que poderiam surgir caso o CEO da Companhia se envolvesse em tal transação, o Conselho de Administração da Companhia, em conformidade com as melhores práticas de mercado, estabeleceu um Comitê Ad Hoc composto por três diretores independentes, a saber, Gilbert Saada (Presidente), Nathalie Dechy e Victoria Wescott.
Este Comitê será responsável por supervisionar o processo de administração judicial no interesse da Companhia e, quando apropriado, propor ao Conselho de Administração a nomeação de um especialista independente, monitorar o trabalho do referido especialista e emitir uma recomendação ao Conselho de Administração sobre os méritos de uma potencial oferta pública de aquisição da Companhia, seus acionistas e seus funcionários.
