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Danilo pela Seleção Brasileira - Foto: Buda Mendes/Getty Images |
O chamado voltou a ecoar entre as paredes da história alvinegra. Nesta segunda-feira 18/5, no Museu do Amanhã, a convocação de Danilo para a Copa do Mundo de 2026 representou muito mais do que um reconhecimento individual. Para o Botafogo de Futebol e Regatas, significou a reafirmação de uma tradição que atravessa gerações e ajudou a moldar a identidade do futebol brasileiro no cenário mundial.
“O clube que transformou o Brasil no país do futebol.” A frase estampada em uma das faixas da arquibancada Leste Inferior do Estádio Nilton Santos resume a dimensão histórica do Glorioso na trajetória da Seleção Brasileira. Com a convocação de Danilo pelo técnico Carlo Ancelotti, o clube chega à marca de 48 jogadores cedidos ao Brasil em Copas do Mundo — número que mantém o Alvinegro isolado como a instituição que mais forneceu atletas à Seleção na história do torneio.
O retorno do Botafogo ao maior palco do futebol
A presença de Danilo encerra um hiato de 12 anos sem representantes botafoguenses em Mundiais. O último havia sido o goleiro Jefferson, convocado para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Ídolo contemporâneo do clube, Jefferson marcou época defendendo a camisa verde-amarela e protagonizou atuações memoráveis, incluindo um pênalti defendido contra Lionel Messi em um Superclássico das Américas.
Agora, é Danilo quem assume a responsabilidade de representar a Estrela Solitária no maior torneio do planeta. Contratado junto ao Nottingham Forest no ano passado, o volante chegou ao clube cercado de expectativas e dúvidas após se recuperar de uma grave lesão. A diretoria alvinegra apostou no potencial do jogador, e a resposta veio rapidamente dentro de campo. Natural de Salvador/BA, Danilo iniciou nas divisões de base do Bahia, em 2008. Oito anos depois, seguiu para o Jacuipense, de onde se transferiu para o Cajazeiras. O jogador começou a ganhar projeção internacional no Palmeiras, onde atuou de 2018 a 2020. Do clube paulista, o volante foi para o Nottingham Forest, em 2023, antes de chegar, no ano passado, ao Alvinegro.
Com atuações consistentes e personalidade no meio-campo, Danilo conquistou espaço não apenas no Botafogo, mas também no radar da Seleção. As boas exibições nos amistosos de março, diante da França e da Croácia, em Boston e Orlando, aumentaram sua cotação internamente na comissão técnica de Ancelotti. Hoje, ele surge como um dos candidatos reais a disputar posição entre os titulares da equipe brasileira.
MAIS UMA ESTRELA NA CONSTELAÇÃO ALVINEGRA! ⭐🇧🇷
— Botafogo F.R. (@Botafogo) May 18, 2026
Danilo é o 48º jogador do BOTAFOGO convocado para disputar a Copa do Mundo! Parabéns e boa sorte, craque! ⚽🔥 #BFR pic.twitter.com/Jo5TeMSPsl
– Estrelas são o início de tudo. E no futebol, não é diferente. Aqui no Botafogo, nasceram as lendas que fizeram o Brasil brilhar como o país do futebol e transformaram o talento na identidade de um povo. Algumas estrelas têm um brilho tão intenso que se destacam, viram pontos de referência e inspiram histórias. Estrelas como Nilton Santos, Garrincha, Didi, Zagallo, Paulo Cezar Caju, Jairzinho Furacão. Estrelas máximas. Inspirações. Imortais. Em 2026, a constelação segue crescendo – diz o vídeo, na narração de Roby Porto.
O vídeo traz também Danilo vestindo a camisa da Seleção no Estádio Nilton Santos.
– Agora chegou a minha vez de honrar as cores do Brasil e da nossa gente – comemorou o camisa 8 alvinegro, que tem 11 gols e sete assistências em 41 partidas pelo Botafogo, desde 2025.
Vitinho, lateral-direito que estava na pré-lista, não foi convocado. Luiz Henrique, Rei da América e campeão brasileiro e da Libertadores pelo Botafogo em 2024, agora no Zenit, foi convocado por Ancelotti, enquanto Igor Jesus, Alex Telles e John ficaram de fora.
A ligação histórica entre Botafogo e Seleção
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Danlo com a camisa da Seleção Brasileira, em vídeo divulgado pelo Botafogo - Foto Reprodução/Botafogo TV |
Muito antes da era moderna do futebol globalizado, o Botafogo já exercia papel central na construção da hegemonia brasileira no esporte. As gerações mais antigas costumam resumir o nascimento do “Brasil do futebol” a dois pilares históricos: o Santos Futebol Clube de Pelé e o Botafogo de uma constelação irrepetível de craques.
Foi o clube carioca que forneceu ao país alguns dos maiores nomes da história da Seleção: Garrincha, Nilton Santos, Mário Zagallo, Jairzinho e tantos outros personagens fundamentais nas conquistas das Copas de 1958, 1962 e 1970.
A influência botafoguense foi tamanha que o clube alcançou uma marca até hoje inigualável entre equipes brasileiras: representantes em 14 Copas do Mundo consecutivas. O Glorioso esteve presente em todas as edições entre 1930 e 1990, ficando ausente apenas nos Mundiais de 1994, 2002, 2010, 2018 e 2022.
Mais do que números, trata-se de um legado cultural. O Botafogo se consolidou como sinônimo de futebol técnico, criativo e ofensivo — características que moldaram a imagem internacional da Seleção Brasileira ao longo do século XX.
Danilo simboliza a nova geração alvinegra
A convocação também carrega forte simbolismo para o atual momento do clube. Em meio ao processo de reconstrução esportiva e reposicionamento internacional do Botafogo, ver um atleta do elenco principal retornar à Seleção em uma Copa do Mundo reforça o crescimento competitivo da equipe.
Danilo representa uma geração que tenta reconectar o clube à sua tradição vencedora e ao protagonismo internacional. Aos olhos da comissão técnica brasileira, o volante alia intensidade física, capacidade de marcação e qualidade na saída de bola — atributos valorizados por Ancelotti em sua ideia de jogo.
Internamente, o entendimento é de que a experiência na Copa pode consolidar definitivamente o jogador entre os principais meio-campistas brasileiros da atualidade.
Caminho do Brasil na Copa de 2026
O Brasil integra o Grupo C da Copa do Mundo de 2026. A estreia será diante do Marrocos, no dia 13 de junho, no MetLife Stadium na cidade de East Rutherfotd em Nova Jersey que está a 27 km de distância da área metropolitana da cidade metrópole de Nova York no Estado de mesmo nome. Em seguida, a Seleção Brasileira enfrenta o Haiti, em 19 de junho, no Lincoln Financial Field na cidade de Filadélfia/Pensilvânia, antes de encerrar a fase de grupos contra a Escócia, em 24 de junho, no Hard Rock Stadium em Miami/Flórida.
Antes do Mundial, a equipe comandada por Carlo Ancelotti terá dois amistosos preparatórios: contra o Panamá, em 31 de maio, no Estádio do Maracanã, e diante do Egito, em 6 de junho, em Cleveland. A apresentação oficial do grupo está marcada para 27 de maio, na Granja Comary.
Para o Botafogo, porém, o principal amistoso já foi vencido: o reencontro entre seu passado glorioso e um presente que tenta, novamente, colocar a Estrela Solitária entre os protagonistas do futebol mundial.
Os jogadores do Botafogo que já vestiram a Camisa da Seleção Brasileira
URUGUAI – 1930
Pamplona (meia)
Silvera (meia)
Benedicto (atacante)
Nilo (atacante)
Carvalho Leite (atacante)
ITÁLIA – 1934
Pedrosa (goleiro)
Octacílio (zagueiro)
Ariel (meia)
Silveira (meia)
Waldyr (meia)
Átila (atacante)
Canalli (meia-atacante)
Carvalho Leite (atacante)
FRANÇA – 1938
Nariz (zagueiro)
Silveira (meia)
Procópio (meia)
Patesko (atacante)
Perácio (atacante)
BRASIL – 1950
Nilton Santos (zagueiro/lateral-esquerdo)
SUÍÇA – 1954
Nilton Santos (lateral-esquerdo)
SUÉCIA – 1958 (campeão)
Nilton Santos (lateral-esquerdo)
Didi (meia)
Garrincha (atacante)
CHILE – 1962 (bicampeão)
Nilton Santos (lateral-esquerdo)
Didi (meia)
Zagallo (atacante)
Amarildo (atacante)
Garrincha (atacante)
INGLATERRA – 1966
Manga (goleiro)
Rildo (lateral)
Gerson (meia)
Jairzinho (atacante)
MÉXICO – 1970 (tricampeão)
Paulo César Caju (meia)
Roberto Miranda (atacante)
Jairzinho (atacante)
ALEMANHA – 1974
Marinho Chagas (lateral-esquerdo)
Dirceu (meia)
Jairzinho (atacante)
ARGENTINA – 1978
Rodrigues Neto (lateral-esquerdo)
Gilberto Alves, o Búfalo Gil (ponta-direita/atacante)
ESPANHA – 1982
Paulo Sérgio (Botafogo)
MÉXICO – 1986
Josimar (lateral-direito)
Alemão (volante)
ITÁLIA – 1990
Mauro Galvão (zagueiro)
FRANÇA – 1998
Gonçalves (zagueiro)
Bebeto (atacante)
BRASIL – 2014
Jefferson (goleiro)
ESTADOS UNIDOS, CANADÁ E MÉXICO – 2026
Danilo (volante)
Qual clube mais cedeu jogadores à Seleção Brasileira:
1º Botafogo (48)
2º São Paulo (46)
3º Flamengo (39)
4º Vasco (35)
5º Fluminense (32)

