“Não vai ter camarote nem jogar camisa”: Montenegro explica perfil de Gabriel de Alba, que visitará o Botafogo depois do encerramento da Copa Do Mundo 2026, em entrevista (VÍDEO)


John Textor e Carlos Augusto Montenegro em 2024; Gabriel de Alba - Foto Reprodução



A futura parceria entre a GDA Luma e o Botafogo começa a ganhar contornos mais claros. Embora ainda existam etapas formais a serem cumpridas, os bastidores do clube já apontam para um projeto que pretende combinar gestão empresarial, reestruturação esportiva e fortalecimento institucional. As informações foram detalhadas pelo ex-presidente Carlos Augusto Montenegro durante participação em uma live do canal “Gerações Botafoguenses”, realizada na quarta-feira (10/6).


Segundo Montenegro, um dos próximos movimentos será a vinda de Gabriel de Alba ao Brasil após a disputa da Copa do Mundo. A visita é vista como estratégica para acelerar o conhecimento do ambiente político e esportivo do clube e iniciar contatos com profissionais que podem integrar a nova estrutura de futebol.


Projeto mira estabilidade e visão de longo prazo


A leitura nos bastidores é que a GDA Luma não pretende atuar apenas como investidora financeira. O objetivo seria implantar um modelo de gestão com metas de médio e longo prazo, reduzindo a dependência de decisões emergenciais e fortalecendo áreas consideradas fundamentais para a competitividade do clube.


Entre as prioridades aparecem:


Reorganização da estrutura do futebol;

Fortalecimento dos departamentos de análise de mercado e scouting;

Planejamento esportivo baseado em dados;

Sustentabilidade financeira;

Desenvolvimento de ativos esportivos e patrimoniais;

Consolidação de uma cultura de gestão profissional.


A estratégia se aproxima de modelos modernos adotados por grupos investidores em clubes ao redor do mundo, nos quais a tomada de decisão é compartilhada entre executivos especializados e departamentos técnicos.


Montenegro revelou que pretende apresentar Gabriel de Alba a Raphael Rezende, profissional que ganhou reconhecimento durante sua passagem pelo clube e participou de processos importantes de prospecção de atletas.


Atualmente comentarista do SBT para as transmissões da Copa Do Mundo 2026, Raphael Rezende poderá voltar ao futebol e ao Botafogo, caso a emissora não renove seu contrato. A eventual volta é vista por integrantes do clube como uma alternativa para fortalecer uma área considerada estratégica no planejamento esportivo moderno.


A aproximação entre Gabriel de Alba e Raphael Rezende indica que a nova gestão pode priorizar conhecimento de mercado, inteligência esportiva e processos estruturados de contratação, reduzindo a dependência de decisões isoladas.



Assista abaixo:


– Eu já falei com o Raphael, já avisei ao novo sócio, estou aguardando ele vir ao Brasil. Ele deve vir ao Brasil só depois da Copa. Não vai vir antes. Ele está acompanhando tudo no dia a dia com o Eduardo Iglesias, que é o novo CEO, mas ele vai ser apresentado ao clube, à SAF. Estou dando uma informação para vocês em primeira mão. Vai conhecer o Lonier, vai no Nilton Santos etc assim que terminar a Copa. Talvez no primeiro jogo do Botafogo na Sul-Americana. Perfeito. Nessa ocasião, ele vai conhecer pessoalmente o Raphael Rezende – explicou Montenegro, com uma ressalva.


– O Raphael é muito competente. Mas não esqueçam sempre de uma coisa. Eu acho que profissionalismo é profissionalismo. E a gente que quer o nosso clube profissional tem que dar exemplo. Como ele está chegando no Brasil, o máximo que a gente pode fazer é apresentar sem compromisso. Não tem que indicar, não tem que pedir, não tem que fazer força, não tem que nada. Tem que apresentar, mostrar o currículo, deixá-lo pesquisar, deixá-lo conversar com a pessoa que a gente está apresentando, e ele resolve. Entendeu? Porque a gente está ajudando um cara que está vindo de fora – disse.



‘Tudo dele é diferente do início do Textor’

E qual será o estilo de Gabriel de Alba? Vai aos jogos, vai aparecer com frequência?


– Ele já disse uma coisa também para o João Paulo (Magalhães Lins, presidente) que eu gostei muito. Ele tem muitos negócios no mundo todo e vai montar uma senhora equipe de profissionais aqui. Mas ele não vai vir muito. Vai vir pouco. Não vai ter esse negócio de ir a todo jogo, camarote, jogar camisa, patrão, nada. Ele quer ver trabalho e resolver. A primeira prioridade é a recuperação judicial. Obviamente, fazendo o clube funcionar, pagando os Transfer Bans etc. Mas, para você ser um bom dono, você tem que ter uma boa equipe e respeitar seus profissionais, o seu CEO, e ter todas as informações para tomar decisão. Ele não precisa estar aqui toda hora. Então, eu acho que tudo dele é diferente do início do John Textor, tá?


– Concordo que ele está pegando um ativo maior do que o Textor pegou em 2021 para 2022, mas também está pegando uma puta dívida que o Textor não pegou. Mas ele tem mais know-how em recuperação judicial, isso é uma coisa importante. Não tem bola preta no currículo. Então, vai dar certo. E se der errado? Se der errado, deu errado. Mas eu sou uma pessoa otimista e acho que vai dar certo. Eu estou contando com o seguinte, com seriedade, transparência dos números e a gente disputar os campeonatos com dignidade. Títulos vão vir ou não – frisou.


Leia outras respostas de Montenegro:

Chegada da GDA Luma

– O que é pior no Textor é que ele brigou com todos os sócios da vida dele, inclusive os parceiros dele, os americanos, todos. Todos não querem olhar para a cara dele. O último com quem ele brigou foi o Botafogo, que virou uma paixão dele. O Gabriel (de Alba) ele achou que era a solução e, sem querer, ele saiu fazendo um bem ao Botafogo. Ele apresentou o Gabriel dentro de um contrato espúrio. Um contrato nojento. E a gente estava assessorado, graças a Deus, pelo BTG. O BTG falou “não, assina isso. Isso é coisa de gente ladra, safada. Não assina isso”. E o João Paulo não assinou. Mas o Gabriel, quando viu que o John Textor assinou sozinho e empurrou na marra, ele se preocupou e começou a conversar com o BTG e começou a querer participar da salvação do Botafogo, etc. Mandou uma proposta e negociou durante 90 dias com o BTG. O da Mastercom foi rápido e o do (Evangelos) Marinakis, Kia (Joorabchian) e laranjas foi da noite pro dia. A solidez da conversa com a GDA foi muito maior.


Relação entre Gabriel de Alba e JP Magalhães Lins

– Como você viu, o dono vai vir aqui no final da Copa. Conhecer o clube, já conhece as pessoas-chaves, já conhece o CEO, conhece muito o João Paulo. O João Paulo vai estar com ele agora. O João Paulo está na Copa do Mundo, para assistir à Copa e para continuar e finalizar as negociações dele. A Michele Kang (presidente do Lyon) está lá, tem mais algumas pessoas lá importantes, ex-sócios da Eagle. Ele está lá como convidado da CBF e também da Fifa, o João Paulo tem uma amizade com o (Gianni) Infantino, e estará conversando com ele também sobre os Transfer bans. Nós estamos numa transição. Estou te dizendo como isso vai funcionar a partir de agosto, de setembro, quando eles realmente assumirem direto. Eles já vão adiantar agora um dinheiro pra pagar o único Transfer ban que a gente tem que pagar, talvez que seja o do Rwan Cruz, porque os outros, na negociação com a Fifa, vão cair na recuperação judicial. Isso aí já vai, se Deus quiser, abrir a porta para a gente contratar. De preferência, um goleiro.


Recuperação do Botafogo

– Olha, primeiro, eu sou um pouco mais otimista. Eu acho que em três anos, no máximo. Porque o Botafogo surpreende. O Botafogo é muito grande. Começa a arrumar a casa, começa a vir credibilidade de novo. Só a saída do John Textor já vai dar muita credibilidade no mercado futebolístico. Porque era calote atrás de calote. A verdade é essa. Ninguém recebia. Ninguém mais queria fazer negócio com o Botafogo. Entendeu? Então estava muito ruim. “Ah, mas e se o John Textor chegasse aqui amanhã com R$ 600 milhões?” Ia ajudar a resolver parte do problema. Mas a credibilidade dele não ia voltar com R$ 600 milhões. Nesses três anos, o que a gente pediu e está insistindo muito é disputar com dignidade. Disputar com dignidade. No Brasileiro, estar sempre na primeira página. É tentar ir o mais longe possível na Libertadores ou na Sul-Americana e na Copa do Brasil. Tentar ir. Entendeu? Isso para mim é dignidade. Se amanhã der sorte, embalar, você for além, conseguir isso, uma Copa do Brasil, Sul-Americana, ótimo. No Brasileiro, onde é mais elenco, porque são 38 rodadas e contusões e uma série de coisas, eu acho que a gente só vai voltar a disputar daqui a três anos. Para valer. Porque Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo estão na nossa frente, em elenco.


Parceria com a GDA

– O que a GDA assinou, cara, foi uma coisa muito mais valiosa do que a gente imagina. Quando ela diz “estou assinando um contrato vinculante”, ela está dizendo o seguinte: “estou com você na paz e na guerra. Estou com você no dia a dia e no problema. Estou com você de mão dada em tudo”. Se pintar um problema amanhã com o Lyon, ela está com a gente. Então, é um contrato vinculante. Casou mesmo. “Ah, mas, pô, ainda não tem o OK de fulano”. Também não interessa. O OK do fulano é para a gente resolver se vai ter filho. Mas, por enquanto, ele está casado. Óbvio que eles verificaram tudo, conversaram com todos os sócios também, conversaram com o BTG. Da mesma forma que a gente se resguardou, eles se resguardaram e assinaram um contrato vinculante. Então, isso é uma coisa importante. A gente arranjou um grupo grande pra estar do nosso lado. Não só tocando o futebol, não só tocando a recuperação judicial, como também brigando possíveis brigas, que a gente vai fazer o possível pra que não tenha mais. Tentar tirar o Botafogo desse noticiário ruim, entendeu? Então, essa assinatura e essa confiança, para mim, valeu mais do que tudo. Não é só dinheiro, botar 40 ou US$ 50 milhões. Os caras deram uma prova de confiança, mudaram o acordo de acionistas, mostraram interesse. E o interesse deles, eles foram bem claros, é projetar a GDA em toda América Latina, num mercado que tem uma visibilidade tremenda. Então, eles precisam recuperar e que o Botafogo tenha sucesso.


– O que a gente viu na GDA foi mais uma coisa. A GDA foi uma recomendação do BTG, que foi contratado pelo Botafogo para nos assessorar, para nos ajudar na escolha do parceiro. Então, na hora que você vê o currículo do Gabriel de Alba, vê os fundos que estão aportando e fazem parte da GDA, é um currículo rico. Por exemplo, não tem falência que o Textor tinha. Tem recuperação até. É, agora, o mais famoso, ele conseguiu tirar o Cirque du Soleil da falência e recuperou. Mas, a gente, a nossa meta é pagar esses R$ 2,7 bilhões de dívida, obviamente, não pensar mais em Transfer Ban, acertar isso tudo e disputar os campeonatos com dignidade. Se ganhar antes, maravilhoso, vamos comemorar tudo de novo, mas ganhar com o pé no chão, com sustentabilidade, entendeu?

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem