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John Textor em entrevista por chamada de vídeo, direto de Miami - Foto Reprodução: Itatiaia Esporte |
O Botafogo vive uma das fases mais turbulentas de sua história recente, marcada por uma disputa intensa na gestão da sua Sociedade Anônima de Futebol (SAF). No centro desse conflito está o empresário norte-americano John Charles Textor, ex-controlador da SAF do clube, afastado do comando desde 23 de abril e destituído do Conselho de Administração em 1º de julho, junto de Kevin Weston e Jordan Fiksenbaum. Mesmo fora do controle direto, Textor mantém uma postura combativa e reveladora, exposta em entrevista exclusiva por chamada de vídeo direto de Miami/Flórida, EUA, à rádio Itatiaia Esporte, onde o ex-dono do Botafogo apontou um futuro sombrio para o clube e critica duramente o papel do clube social.
A Perda do Controle e a Disputa Judicial
John Textor, que chegou ao Botafogo com um projeto ambicioso para profissionalizar o clube através da SAF, hoje enfrenta uma batalha jurídica para retomar o controle. Ele afirma ter entrado com ações judiciais no Reino Unido e no Brasil, buscando provar que continua sendo o proprietário de 90% das ações da SAF. Segundo ele, a disputa começou em meados de 2025 com outros stakeholders da Eagle Bidco, envolvendo quem tem autoridade para assinar documentos em nome do Botafogo e quem é o verdadeiro dono das ações.
Assista aos vídeos abaixo:
Na entrevista, Textor explicou:
A disputa evoluiu de uma questão administrativa para uma discussão sobre a titularidade das ações.
Protocolou um pedido de liminar no Reino Unido e uma ação de rescisão no Brasil, sustentando que os documentos e o fluxo de recursos comprovam sua propriedade majoritária.
Disse que o Botafogo sempre foi o seu clube favorito da Eagle Holdings BidCo.
A Crise no Botafogo e o Aviso aos Jogadores
Com a saída do controle, Textor não esconde sua preocupação com o futuro do clube e do elenco. Ele declarou que, se fosse jogador do Botafogo, também gostaria de sair diante da instabilidade atual. Para ele:
Muitos jogadores estão enviando mensagens e o vínculo com o departamento de futebol ainda existe.
Ele acredita que as decisões tomadas pelo clube, mesmo sem sua influência, são boas, mas alerta para um período “muito assustador”.
A pausa da Copa do Mundo está terminando, e será necessário tomar decisões difíceis sobre o elenco, principalmente sobre jogadores principais que podem querer sair devido à turbulência.
Citou exemplos específicos de insatisfação, como o técnico Franclim Carvalho, que chegou a pensar em sair, e o volante Danilo, que estaria cogitando deixar o clube.
Textor criticou o clube social por desmontar o que chamou de “o amor e a cultura do Botafogo”, elementos que foram responsáveis pelas conquistas recentes do clube.
O Conflito com o Clube Social e a Recusa ao Capital Externo
Um dos pontos centrais da crise é a recusa do clube social em aceitar a entrada de novos recursos financeiros que Textor tentava viabilizar para a SAF. Segundo ele:
Foi barrada a aprovação de empréstimos que somariam € 100 milhões (cerca de R$ 597 milhões), viabilizados com a ajuda de investidores como Evangelos Marinakis, dono do Nottingham Forest, e o empresário Kia Joorabchian.
O clube social agiu rapidamente para impedir essa entrada de capital, convocando uma assembleia de acionistas que resultou na sua retirada do Conselho.
Textor qualificou o voto da assembleia como “inválido”, porque a Eagle Bidco, sua empresa, não seria acionista com direito a voto.
Ele acusa o clube social de adotar uma estratégia para bloquear o dinheiro, deixar a situação se agravar e depois culpar os investidores estrangeiros pela crise.
Detalhes dos Empréstimos Vetados e a Polêmica Almax Sports Management
O portal Lance! revelou que os empréstimos vetados possuem ligações controversas:
O primeiro empréstimo, de até € 50 milhões, seria convertido em participação societária após a recuperação judicial. A origem desse dinheiro seria a Almax Sports Management, uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e associada a Kia Joorabchian.
A Almax foi citada no escândalo Football Leaks em 2016, apontada como uma empresa de fachada para ocultação de lucros e apropriação de direitos econômicos, prática proibida pela FIFA desde 2015.
O segundo empréstimo, também de até € 50 milhões, seria na modalidade DIP (Debtor In Possession), destinada a empresas em recuperação judicial que precisam de capital de giro urgente. A origem do dinheiro desse segundo empréstimo não está detalhada.
A Visão de Textor Sobre o Jogador Danilo e a Questão da Lealdade
John Textor falou com ênfase sobre o futuro do volante Danilo, que atualmente defende a Seleção Brasileira na Copa do Mundo:
Para Textor, o caminho natural de Danilo é o futebol europeu, onde há grande interesse por ele.
Contudo, ele afirmou desejar que Danilo permaneça no Botafogo para ajudar o clube a conquistar títulos nesta temporada.
Destacou ainda que o jogador é jovem e promissor, talvez o melhor do Campeonato Brasileiro, e que a SAF fez um acordo prometendo a ele a chance de se recuperar e voltar à Europa da forma correta.
Textor pediu lealdade ao atleta, ressaltando o investimento feito em sua recuperação e o apoio para que brilhasse na Copa do Mundo, deixando claro que não quer vê-lo indo para concorrentes nacionais como Palmeiras ou Flamengo.
Textor: Especulador do Caos e o Futuro nas Mãos da GDA LUMA
Apesar das declarações dramáticas e das tentativas de retomar o controle da SAF, John Textor hoje é visto por muitos como um especulador do caos. Isso porque é de domínio público que a empresa GDA LUMA será a nova controladora da SAF do Botafogo, um desfecho que Textor já não poderá impedir.
Sua principal preocupação, agora, tende ser outra: o julgamento completo da Iconic Sports no Reino Unido. Em caso de derrota nessa disputa judicial, Textor terá que enfrentar consequências financeiras significativas, e sua atenção estará voltada para como pagará suas dívidas, não para o futuro do Botafogo — um clube que seguirá em frente sem ele.
