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John Textor deitado com a cabeça na bola na mansão que possui em Jupiter Island, Flórida em 20 de Dezembro de 2024 - Foto: X. De Nauw/L'Équipe |
Legado da gestão temerário do programador e empresário Norte-americano continua pesando nas contas do clube francês, agora controlado por Michele Kang
A nova proprietária do Olympique Lyonnais, Michele Kang, já começou a enfrentar os efeitos da administração de John Textor. Um dos exemplos mais simbólicos da gestão do empresário norte-americano veio à tona neste fim de semana, após uma reportagem do jornal francês L'Équipe revelar que o clube continuará pagando durante sete anos o aluguel de um escritório de luxo em Miami/Flórida, nos Estados Unidos, contratado por Textor.
Segundo a publicação, o contrato de locação não pode ser rescindido e obrigará o Lyon a desembolsar mais de € 1 milhão (cerca de R$ 5,9 milhões) até o fim do vínculo, independentemente do espaço ser utilizado pela nova administração.
O episódio tornou-se um símbolo do passivo herdado por Michele Kang, que assumirá oficialmente 87,8% das ações do clube francês por aproximadamente € 30 milhões, valor considerado extremamente baixo para uma equipe do porte do Lyon.
Compra barata esconde dívida bilionária
Embora o preço da aquisição tenha chamado a atenção, o baixo valor se explica pela delicada situação financeira encontrada pela empresária sul-coreana.
De acordo com o L'Équipe, o Lyon acumula uma dívida estimada em aproximadamente € 600 milhões, consequência de anos de investimentos malsucedidos, gastos elevados e decisões administrativas contestadas durante a gestão da Eagle Football, grupo comandado por John Textor.
Desse montante, cerca de € 500 milhões são devidos ao fundo de investimentos Norte-americano Ares Management, um dos principais credores do clube.
Para viabilizar a operação, Michele Kang assumiu pessoalmente um acordo financeiro que permitirá o cancelamento de aproximadamente € 262 milhões dessa dívida, além de realizar novos aportes para garantir a estabilidade da instituição.
Novos investimentos já foram prometidos
Além da compra das ações, Kang também se comprometeu a injetar recursos imediatamente no Lyon.
A dirigente já confirmou um aporte inicial de € 31 milhões durante esta janela de transferências para reforçar o caixa do clube. Caso a equipe comandada por Paulo Fonseca não consiga vaga na fase principal da Liga dos Campeões, ela ainda terá de investir mais € 40 milhões.
Somados aos compromissos financeiros já assumidos, os custos inesperados herdados da gestão anterior, como o aluguel do escritório em Miami, aumentam ainda mais a pressão sobre a nova proprietária.
Escritório em Miami vira símbolo da gestão Textor
O contrato do escritório luxuoso em Miami chamou atenção por não possuir ligação direta com as operações esportivas do Lyon.
Segundo o L'Équipe, John Textor assinou um contrato de locação com duração de sete anos para utilizar um espaço de alto padrão na cidade norte-americana. O compromisso, porém, não prevê rescisão antecipada, obrigando o clube francês a honrar integralmente os pagamentos.
Na prática, Michele Kang herdará uma despesa superior a € 1 milhão apenas com esse contrato, mesmo que o imóvel deixe de ser utilizado.
O caso repercutiu fortemente entre torcedores do Lyon, que veem o episódio como mais uma demonstração da política administrativa adotada durante a gestão Eagle Football.
Textor comprou o Lyon por € 798 milhões
O contraste financeiro impressiona.
Quando John Textor adquiriu o Olympique Lyonnais, em 2022, o negócio foi avaliado em aproximadamente € 798 milhões. Menos de quatro anos depois, Michele Kang assumirá o controle do clube por cerca de € 30 milhões, reflexo direto da deterioração financeira enfrentada pela instituição.
A diferença entre os valores evidencia o impacto da crise econômica vivida pelo clube e a necessidade urgente de reestruturação.
Situação também repercute no Botafogo
As revelações feitas pela imprensa francesa repercutiram também entre torcedores brasileiros, especialmente do Botafogo.
Isso porque o clube carioca também faz parte da Eagle Football Holdings, grupo criado por John Textor para administrar equipes em diferentes países.
Embora o Botafogo possua administração própria dentro da estrutura da holding, a situação financeira do Lyon e as dificuldades enfrentadas pelo grupo voltaram a gerar debates entre torcedores sobre os impactos que problemas em uma das equipes podem ter sobre os demais clubes ligados ao conglomerado.
Desafio de longo prazo
Durante sua primeira coletiva como futura controladora do Lyon, Michele Kang reconheceu que o trabalho de reconstrução será longo. Além de reorganizar as finanças, a empresária precisará recuperar a competitividade esportiva de um dos clubes mais tradicionais da França.
O contrato milionário do escritório em Miami representa apenas uma das diversas obrigações financeiras herdadas da gestão anterior, mostrando que o processo de recuperação do Lyon deverá exigir novos investimentos e planejamento rigoroso nos próximos anos.
