Após forte pressão sobre o comando técnico, clube realiza mapeamento internacional em busca de experiência, reunindo nomes de destaque da Europa, América do Sul e Brasil, enquanto prepara alternativas para uma eventual mudança no comando técnico
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Torcida do Botafogo no Estádio Nilton Santos com bandeirão do clube em 8/8 no Clássico Vovô contra o Fluminense - Foto: Vítor Silva/Botafogo |
O Botafogo já trabalha com um plano de contingência para o comando técnico e, segundo apuração exclusiva da Gazeta Botafogo, um mapeamento de larga escala do mercado foi realizado pelo Head Scout do clube, com uma orientação considerada central internamente: a preferência será por um treinador de maior experiência e capacidade de assumir imediatamente um elenco pressionado por resultados. Após a já encaminhada saída do em breve, ex-técnico, Franclim Carvalho.
A lista é extensa e reúne profissionais de diferentes escolas do futebol mundial. Há brasileiros, argentinos, espanhóis, franceses, italianos, alemães, portugueses e holandês. O perfil procurado não se limita a um país ou a uma metodologia específica. O denominador comum é a experiência acumulada em clubes de grande porte, seleções nacionais e competições de alto nível.
A movimentação ganha ainda mais relevância depois da goleada sofrida pelo Botafogo diante do Cienciano, por 6 a 1, em Cusco, pela ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. O resultado aumentou a pressão sobre Franclim Carvalho, embora, até as últimas informações públicas disponíveis, não houvesse anúncio oficial do clube sobre uma troca no comando.
A prioridade mudou: experiência
A principal informação obtida pela Gazeta Botafogo é que o clube pretende olhar com atenção para treinadores que já tenham enfrentado ambientes de alta cobrança.
A avaliação não seria apenas sobre currículo ou quantidade de títulos. A ideia é encontrar um profissional capaz de administrar vestiário, pressão externa, calendário pesado e um elenco que precisa responder rapidamente dentro de campo.
Nesse cenário, nomes que até pouco tempo poderiam parecer distantes do radar brasileiro passaram a integrar o universo de possibilidades.
A relação inclui profissionais livres no mercado e também um treinador que atualmente possui contrato com outro clube brasileiro.
Thiago Motta
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Foto/Divulgação: Juventus FC |
Aos 43 anos, Thiago Motta aparece como um dos nomes de maior projeção da lista.
Ítalo-brasileiro, nascido no Brasil e com nacionalidade italiana, Motta construiu sua carreira de treinador principalmente na Europa. Depois de trabalhos no Genoa, Spezia e Bologna, assumiu a Juventus em 2024.
O treinador está sem clube desde março de 2025, quando deixou a Juventus.
Seu nome representa um perfil diferente dentro da relação: relativamente jovem, mas com experiência em uma das principais ligas europeias e passagem por um gigante italiano.
A possibilidade, naturalmente, dependeria de uma série de fatores, principalmente projeto esportivo, condições de trabalho e valores envolvidos.
Sylvinho
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Foto: Tullio Puglia/UEFA via Getty Images |
O ex-lateral-esquerdo da Seleção Brasileira, de 52 anos, construiu uma trajetória como treinador com forte experiência internacional jogando por Corinthians, Arsenal, Celta de Vigo, Barcelona e Manchester City. Antes de iniciar sua carreira à frente de equipes, trabalhou como auxiliar técnico em grandes clubes europeus, incluindo Barcelona e Inter de Milão.
Como treinador principal, Sylvinho comandou Lyon, Corinthians e a seleção da Albânia. Seu trabalho à frente dos albaneses ganhou destaque especialmente pela classificação para a Eurocopa de 2024, competição na qual a seleção enfrentou Espanha, Itália e Croácia na fase de grupos.
Rudi Garcia
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Ex-técnico da Bélgica, Rudi Garcia durante as quartas de final contra a Espanha, no Estádio Sofi, em Inglewood, Califórnia, EUA, na sexta-feira 10 de Julho de 2026 - Foto: AP/PHOTO/Andre Penner |
Outro nome de enorme experiência internacional é o francês Rudi Garcia, de 62 anos.
Garcia passou por clubes como Lille, Marseille, Lyon, Roma, Al-Nassr e Napoli antes de assumir a seleção da Bélgica. Em 2026, comandou os belgas na Copa do Mundo e levou a equipe às quartas de final, quando a Bélgica acabou eliminada pela Espanha.
Após o Mundial, a Federação Belga decidiu não renovar seu contrato. Garcia deixou o cargo depois de conduzir a seleção ao grupo das oito melhores equipes do Mundial.
Ou seja: trata-se de um treinador que chega ao mercado justamente depois de uma experiência recente em Copa do Mundo.
Sebastián Beccacece
O argentino de ascendência italiana, Sebastián Beccacece, de 45 anos, também aparece entre os nomes mapeados.
O treinador comandou o Equador na Copa do Mundo de 2026 e deixou o cargo após a eliminação para o México na segunda fase. Seu contrato terminava com o Mundial e não houve renovação.
Beccacece tem um perfil marcado por intensidade, pressão e forte preparação tática. Antes do Equador, construiu carreira em clubes argentinos e também teve passagem pelo Elche, da Espanha.
Seu nome acrescentaria à lista uma alternativa sul-americana com experiência recente em seleção nacional.
Marcelino García Toral
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Foto/Divulgação Villarreal CF |
Aos 61 anos, o espanhol Marcelino García Toral é outro treinador de currículo robusto.
Marcelino encerrou em 2026 sua segunda passagem pelo Villarreal. O clube anunciou a separação após a temporada, justamente depois de o treinador conduzir a equipe a uma segunda classificação consecutiva para a Liga dos Campeões — feito inédito na história do Villarreal.
O espanhol também acumula trabalhos por Valencia, Athletic Bilbao e outros clubes de expressão.
Seu currículo combina experiência, organização tática e conhecimento profundo do futebol espanhol.
Stefano Pioli
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Foto: REUTERS/Stringer/File Photo |
O italiano Stefano Pioli, de 60 anos, é um dos nomes mais conhecidos da lista.
Pioli comandou o Milan por quase cinco temporadas e foi campeão italiano na temporada 2021/22. Depois, assumiu o Al-Nassr, da Arábia Saudita, onde trabalhou com Cristiano Ronaldo.
O treinador deixou o clube saudita em junho de 2025. Posteriormente, passou pela Fiorentina, deixando o cargo em novembro do mesmo ano, e atualmente está livre no mercado.
É justamente o tipo de treinador que representa a nova preferência do Botafogo: experiência internacional, passagem por grandes clubes e capacidade de trabalhar sob enorme pressão.
Jair Ventura
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Jair Ventura - Foto/Divulgação: EC Vitória |
Entre os brasileiros, o nome que chama atenção é Jair Ventura, de 47 anos.
Filho de Jairzinho, o treinador tem uma relação histórica com o Botafogo e já comandou a equipe profissional alvinegra entre 2017 à 2018.
Atualmente, Jair está no Vitória, com contrato previsto para vigorar durante a temporada de 2026.
Sua presença na lista demonstra que o levantamento não está restrito ao mercado europeu. O clube também considera profissionais brasileiros que conhecem a realidade do futebol nacional e, no caso de Jair, possuem ligação direta com o Botafogo.
Carlos Queiroz
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Foto: REUTERS/Peter Cziborra |
A lista também chega a uma das figuras mais experientes do futebol mundial: Carlos Queiroz, de 73 anos.
Luso-moçambicano, Queiroz tem uma carreira marcada por participações em Copas do Mundo e trabalhos em seleções e clubes de grande porte.
Em 2026, assumiu Gana pouco antes da Copa do Mundo. A equipe avançou para a fase eliminatória, mas foi eliminada pela Colômbia. Depois do Mundial, Queiroz confirmou sua saída.
É um nome que se encaixa perfeitamente no critério de experiência defendido no mapeamento. Além de pedir um salário baixo, como técnico de Gana recebia 80 mil dólares por mês (cerca de R$ 407 mil), valor inferior aos 100 mil dólares (R$ 509 mil) que vinham sendo divulgados pela imprensa local desde sua contratação.
Laurent Blanc
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| Foto/Divulgação PSG |
O francês Laurent Blanc, de 60 anos, também integra o grupo.
Ex-zagueiro da seleção francesa e campeão mundial em 1998, Blanc construiu carreira como treinador à frente de equipes como Bordeaux, Paris Saint-Germain, Lyon e Al-Ittihad.
Seu último trabalho foi justamente no futebol saudita, pelo Al-Ittihad, e ele está sem clube desde setembro de 2025.
Blanc representa um perfil de treinador acostumado a trabalhar com jogadores de alto nível e ambientes de enorme cobrança.
Jürgen Klinsmann
Outro nome de impacto é do alemão Jürgen Klinsmann, de 62 anos.
Campeão mundial como jogador pela Alemanha Ocidental em 1990, Klinsmann também possui extensa experiência como treinador, incluindo trabalhos em seleções nacionais.
A presença de Klinsmann na relação reforça a dimensão internacional do levantamento realizado pelo departamento de scouting.
Robin van Persie
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Foto/Divulgação Feyenoord |
O holandês Robin van Persie, de 43 anos, aparece como uma alternativa de perfil mais jovem.
Ídolo do futebol holandês e ex-jogador de Arsenal, Manchester United, Fenerbahçe e Feyenoord, Van Persie iniciou sua trajetória como treinador após a aposentadoria.
Em 2026, deixou o comando do Feyenoord. O clube confirmou a saída após uma avaliação interna da temporada, apesar de a equipe ter terminado em segundo lugar e garantido vaga na Liga dos Campeões.
Seria, portanto, uma aposta em um treinador de nova geração, mas com enorme experiência acumulada como jogador de elite.
Imanol Alguacil
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| Foto/Divulgação Real Sociedad |
O espanhol Imanol Alguacil, de 55 anos, também está no radar apontado pela apuração.
Alguacil construiu praticamente toda sua carreira de treinador de alto nível na Real Sociedad, onde permaneceu durante vários anos e consolidou uma identidade competitiva.
Em 2025/26, teve uma passagem pelo Al-Shabab, da Arábia Saudita, deixando o cargo em fevereiro de 2026. Desde então, está sem clube.
Seu longo trabalho na Real Sociedad é justamente um dos pontos que podem pesar a favor de seu nome em uma avaliação que busca experiência e estabilidade.
Ramón Díaz e Emiliano Díaz: uma possibilidade diferente
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| Foto/Diulgação SC Internacional |
A lista ganha um capítulo especial quando aparecem Ramón Díaz, de 66 anos, e seu filho Emiliano Díaz, de 44, considerados em conjunto.
A dupla já trabalhou no Botafogo em 2020.
Ramón foi contratado pelo clube em novembro daquele ano, com Emiliano integrando sua comissão técnica como auxiliar.
Naquele período, porém, a passagem foi extremamente curta.
Ramón precisou se afastar para realizar um procedimento cirúrgico e Emiliano assumiu temporariamente as atividades da equipe. Posteriormente, o Botafogo comunicou oficialmente a saída de Ramón e de toda a comissão técnica, citando o quadro de saúde do treinador como fator determinante para a decisão.
A eventual retomada da parceria seria, portanto, uma solução de natureza completamente diferente: não apenas um treinador, mas uma estrutura familiar e profissional que já conhece o clube e o futebol brasileiro.
Outros nomes como Juan Pablo Vojvoda, Rafael Guanaes podem surgir, com alguns profissionais desta superlista, não aceitando conversar pelo avanço para uma proposta.
Uma lista, não uma negociação
Apesar da quantidade de nomes de peso, uma fonte de cautela é necessária.
Estar no mapeamento não significa que o Botafogo tenha feito proposta, iniciado negociação ou escolhido qualquer um desses profissionais.
A apuração da Gazeta Botafogo aponta para um levantamento amplo de mercado realizado pelo departamento de scouting. O objetivo, neste momento, seria justamente ter alternativas preparadas caso a diretoria decida efetivar uma mudança completa.
Em outras palavras, o clube estaria trabalhando com um plano A, plano B, plano C e várias outras alternativas, em vez de iniciar uma busca pelo treinador somente depois de uma eventual saída.
O que a lista revela sobre a nova estratégia
Mais importante do que qualquer nome individual é o perfil da relação.
Dos treinadores citados, uma parcela significativa possui passagem por:
seleções nacionais;
Copa do Mundo;
Champions League;
grandes clubes europeus;
futebol saudita;
equipes tradicionais da América do Sul;
ambientes de alta pressão competitiva.
Isso indica uma possível mudança de filosofia.
O Botafogo que montou a lista não estaria procurando simplesmente um treinador disponível. A prioridade seria encontrar um comandante pronto para assumir responsabilidade imediatamente.
A escolha de um profissional mais experiente também representaria uma resposta à pressão criada pelo momento esportivo.
A goleada em Cusco aumentou a pressão
O contexto não pode ser ignorado.
O Botafogo perdeu por 6 a 1 para o Cienciano, no Peru, pela ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. A equipe sofreu quatro gols no primeiro tempo e chegou ao intervalo perdendo por 4 a 0.
Depois da partida, Franclim Carvalho reconheceu os problemas apresentados pela equipe e comentou sobre as dificuldades provocadas pela altitude de mais de 3.300 metros de Cusco.
O resultado colocou o comando técnico sob forte pressão e tornou inevitável a discussão sobre os próximos passos do clube.
Até aqui, porém, a existência de uma lista extensa de possíveis substitutos deve ser interpretada como planejamento de mercado, e não como confirmação de uma decisão final.
O Botafogo procura experiência — mas terá de escolher o perfil certo
Se a apuração se confirmar e a diretoria realmente optar por um treinador mais experiente, o clube terá diante de si uma decisão que vai muito além de currículo.
Pioli oferece experiência de campeão italiano e trabalho em grandes clubes.
Rudi Garcia chega de uma Copa do Mundo e de uma passagem recente por seleção europeia.
Marcelino oferece longa experiência no futebol espanhol e duas classificações consecutivas do Villarreal para a Champions.
Queiroz representa décadas de experiência internacional e cinco participações consecutivas em Copas do Mundo como treinador.
Blanc tem experiência em seleções e gigantes europeus.
Beccacece oferece um perfil sul-americano moderno e experiência recente em Mundial.
Jair Ventura conhece profundamente o futebol brasileiro e o próprio Botafogo.
Thiago Motta representa uma opção mais jovem, mas com formação europeia e passagem pela Juventus.
Van Persie seria uma aposta em uma nova geração de treinadores com experiência de elite como jogador.
Imanol Alguacil oferece estabilidade e um longo histórico de trabalho na Real Sociedad.
E Ramón Díaz/Emiliano Díaz representam a alternativa mais familiar, com conhecimento prévio do clube e uma parceria que já esteve dentro do Botafogo.
A decisão agora será estratégica
O cenário desenhado pela Gazeta Botafogo é de um clube que, diante da possibilidade de mudança no comando, pretende evitar improvisações.
O levantamento do Head Scout teria colocado na mesa uma variedade incomum de alternativas, mas a mensagem principal é clara: a experiência passou a ser um dos critérios centrais para o próximo treinador.
Não há, até o momento, confirmação pública de que qualquer um dos nomes tenha recebido proposta formal.
Mas, se a diretoria decidir pela mudança, o Botafogo não deverá começar do zero.
A chamada superlista já estaria pronta — e reúne nomes capazes de transformar uma eventual troca de treinador em uma das decisões mais importantes do clube nesta temporada e no planejamento já para a temporada de 2027.













