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João Paulo Magalhães Lins abraçando o vice-presidente André Silva, em 19 de Dezembro de 2024, durante as eleições presidenciais do Botafogo - Foto: Arthur Barreto/BFR |
Decisão da Justiça do Rio determinou que os direitos políticos das ações da Eagle Football sejam exercidos pelo Administrador Judicial. No dia seguinte, Assembleia Geral Extraordinária aprovou emissão de 200 milhões de novas ações, operação que poderá reduzir a participação da antiga holding de John Textor a cerca de 0,04% e avançar o processo que pode levar a GDA Luma Capital à estrutura acionária da SAF Botafogo.
A disputa pelo controle e pela estrutura societária da SAF Botafogo entrou em uma nova etapa nesta semana. Na noite de quarta-feira (23/9), a Justiça do Rio de Janeiro determinou que os direitos políticos correspondentes às ações da Eagle Football Holdings BidCo na SAF passem a ser exercidos pelo Administrador Judicial. A decisão ocorreu às vésperas da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para discutir o aumento do capital social da companhia.
A determinação judicial atingiu diretamente a capacidade da Eagle Football BidCo, detentora de 49% da SAF, de exercer seus direitos políticos. Os administradores judiciais designados são o escritório Marcello Macêdo Advogados e a Preserva-Ação Administração Judicial, que foram intimados a comparecer à assembleia realizada nesta quinta-feira (24/9).
Com a medida, a Eagle permaneceu titular das ações que possui, mas sem exercer diretamente os direitos políticos vinculados a essa participação. Na AGE, a empresa foi representada pelo Administrador Judicial e não participou da votação. O Botafogo associativo, que detém os outros 51% da SAF, foi representado pelo presidente João Paulo Magalhães Lins.
A decisão judicial ocorreu no contexto de uma disputa mais ampla envolvendo John Textor, a antiga estrutura de controle da SAF e o processo de reorganização societária do Botafogo. Em decisão publicada na quarta-feira, o juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, manteve a realização da AGE e também aplicou multa a Textor em processo relacionado à tentativa de suspender a assembleia.
AGE aprova aumento de capital de R$ 2 milhões
A Assembleia Geral Extraordinária foi realizada de forma virtual nesta quinta-feira (24/9) e aprovou, em primeira convocação, o aumento do capital social da SAF Botafogo.
A operação prevê a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias da Classe B, todas nominativas e sem valor nominal, ao preço de emissão de R$ 0,01 por ação, totalizando um aumento de capital de R$ 2 milhões.
A SAF Botafogo informa que realizou, nesta quinta-feira (24), Assembleia Geral Extraordinária (AGE), em primeira convocação, na qual foi aprovado o aumento do capital social da Companhia mediante a emissão de novas ações ordinárias da Classe B, todas nominativas e sem valor… pic.twitter.com/xjbQ7Qs3oB
— Botafogo F.R. (@Botafogo) September 25, 2026
Segundo a nota oficial divulgada pela SAF Botafogo, escrita pelo CEO Eduardo Hahn Iglesias, a medida tem como objetivo contribuir para a recomposição do fluxo de caixa da companhia, considerando a situação econômico-financeira da empresa e o contexto de recuperação judicial, inclusive para o cumprimento de obrigações correntes.
Leia a nota oficial do Botafogo:
“A SAF Botafogo informa que realizou, nesta quinta-feira (24), Assembleia Geral Extraordinária (AGE), em primeira convocação, na qual foi aprovado o aumento do capital social da Companhia mediante a emissão de novas ações ordinárias da Classe B, todas nominativas e sem valor nominal. As ações subscritas pelos acionistas deverão ser integralizadas em moeda corrente nacional no prazo máximo de três dias úteis a contar da respectiva subscrição
A medida tem como objetivo contribuir para a recomposição do fluxo de caixa da Companhia considerando sua atual situação econômico-financeira e o contexto de recuperação judicial, inclusive para o cumprimento de obrigações correntes.”
A convocação da AGE já estabelecia que os acionistas teriam direito de preferência na subscrição das novas ações pelo prazo de 30 dias corridos a partir da aprovação da operação.
Como ficam as 200 milhões de novas ações
A atual estrutura acionária da SAF, antes da conclusão da operação de aumento de capital, é dividida entre o Botafogo associativo, com 51%, e a Eagle Football BidCo, com 49%.
Com a emissão das 200 milhões de novas ações, cada acionista recebeu o direito de preferência proporcional à sua participação atual.
Prazo de 30 dias coloca decisão sobre as ações no centro da próxima etapa
Com a aprovação do aumento de capital nesta quinta-feira (24/9), começou a correr o prazo de 30 dias para o exercício do direito de preferência dos atuais acionistas. Na prática, antes de 24 de outubro, a Eagle Football BidCo terá que tomar uma decisão sobre as 98 milhões de novas ações a que tem direito.
A Eagle, que atualmente detém 49% da SAF Botafogo, poderá exercer seu direito de preferência e subscrever as 98 milhões de ações correspondentes à sua participação atual. Para isso, deverá cumprir as condições estabelecidas para a operação dentro do prazo previsto.
Se a Eagle não exercer esse direito dentro dos 30 dias, as ações que deixarem de ser subscritas poderão ser destinadas ao Botafogo associativo, que já possui 51% da SAF e tem direito, inicialmente, a adquirir 102 milhões de novas ações.
Dessa forma, antes de 24 de outubro haverá necessariamente uma definição sobre o exercício do direito de preferência da Eagle. A decisão será determinante para a composição acionária seguinte da SAF.
Caso a Eagle não faça a subscrição das 98 milhões de ações e o Botafogo associativo adquira também as ações que sobrarem, a participação da antiga holding de John Textor será drasticamente diluída. Nesse cenário, a Eagle permaneceria com as 90 mil ações que já possui, enquanto o número total de ações da SAF aumentaria para uma quantidade muito superior, fazendo sua participação cair para aproximadamente 0,04% do novo capital social.
O prazo, portanto, não representa apenas uma formalidade societária. Ele estabelece uma data-limite para que a Eagle manifeste se pretende preservar sua participação na SAF por meio da aquisição das novas ações ou se permitirá que o Botafogo associativo avance sobre as ações não subscritas.
Após o encerramento do prazo inicial, ainda serão observados os procedimentos previstos para eventual subscrição das sobras. Somente depois da conclusão dessas etapas será possível conhecer a composição acionária definitiva resultante do aumento de capital aprovado pela AGE.
Assim:
Botafogo associativo: direito de subscrever 102 milhões de novas ações, correspondente a 51% da emissão;
Eagle Football BidCo: direito de subscrever 98 milhões de novas ações, correspondente a 49% da emissão;
Prazo: até 30 dias para o exercício do direito de preferência;
Valor total da operação: R$ 2 milhões;
Preço por ação: R$ 0,01.
Caso um dos acionistas não exerça integralmente seu direito dentro do prazo, as ações não subscritas poderão ser oferecidas aos demais acionistas que manifestarem interesse, conforme as regras estabelecidas para a operação. No caso das sobras, o edital prevê prazo adicional de cinco dias após o encerramento do período inicial de 30 dias.
Eagle pode ser reduzida a participação de aproximadamente 0,04%
O ponto central da operação está justamente no efeito que a emissão das novas ações poderá produzir sobre a participação da Eagle.
A holding atualmente possui 49% da SAF, mas mantém 90 mil ações da estrutura anterior. Se não exercer o direito de preferência para adquirir as 98 milhões de novas ações e o Botafogo associativo subscrever também as ações que sobrarem, a quantidade de ações pertencentes à Eagle permanecerá praticamente inalterada enquanto o número total de ações da companhia aumentará significativamente.
Nesse cenário, a Eagle ficaria com suas atuais 90 mil ações diante do novo capital social, o que levaria sua participação para aproximadamente 0,04%.
É justamente essa possibilidade que faz do aumento de capital uma etapa relevante da reorganização societária da SAF Botafogo.
A diluição, contudo, depende da conclusão de todas as etapas previstas para a subscrição das novas ações. A Eagle ainda possui o direito de preferência e dispõe do prazo estabelecido para decidir se exercerá ou não esse direito.
Administrador Judicial passa a exercer direitos políticos da Eagle
A situação da Eagle na AGE foi diferente da de um acionista com plenos direitos políticos.
A decisão da Justiça do Rio determinou que os direitos políticos correspondentes às ações da Eagle sejam exercidos pelo Administrador Judicial da SAF Botafogo. Os escritórios Marcello Macêdo Advogados e Preserva-Ação Administração Judicial foram intimados para comparecer à assembleia.
Na prática, a Eagle permaneceu com sua posição acionária, mas não exerceu diretamente os direitos políticos vinculados às ações. Na AGE, a empresa foi representada pelo Administrador Judicial e não votou. O Botafogo associativo, por sua vez, participou da deliberação e votou favoravelmente ao aumento de capital.
A decisão ocorreu justamente quando a Justiça também analisava medidas apresentadas por John Textor contra a realização da assembleia. O magistrado manteve a AGE e a votação acabou ocorrendo normalmente nesta quinta-feira.
Assembleia começou depois do horário previsto
A AGE estava inicialmente marcada para começar às 11h, no horário de Brasília, mas o encontro só avançou efetivamente por volta das 13h30, segundo a apuração divulgada pela Gazeta Botafogo e posteriormente repercutida.
A reunião ocorreu de forma totalmente virtual e teve duração aproximada de 30 minutos depois de superadas as questões que antecederam a deliberação.
O presidente do Botafogo associativo, João Paulo Magalhães Lins, participou diretamente dos Estados Unidos. A participação ocorreu de forma remota, inclusive durante sua passagem por Nova York.
Do outro lado, a Eagle teve sua representação vinculada ao Administrador Judicial em razão da decisão judicial proferida na véspera.
Apesar dos obstáculos que antecederam a reunião, a AGE foi concluída em primeira convocação e aprovou o aumento de capital.
Participação de João Paulo Magalhães Lins nos Estados Unidos
João Paulo Magalhães Lins acompanhou a AGE diretamente dos Estados Unidos. A participação do presidente do Botafogo associativo ocorreu de maneira virtual.
O dirigente esteve em Nova York, onde também participou remotamente junto de Gabriel da Alba no escritório da GDA, segundo as informações relacionadas à reunião.
A presença de representantes ligados ao Botafogo e à GDA em Nova York ocorre em meio ao processo que envolve a futura reorganização da SAF e a possibilidade de entrada da GDA Luma Capital, grupo liderado pelo empresário mexicano Gabriel de Alba.
A AGE, entretanto, não tinha como pauta a transferência direta das ações para a GDA Luma. O objeto formal da reunião foi o aumento de capital social. A operação, contudo, é considerada uma etapa relevante dentro do processo societário que pode permitir a futura alteração da composição acionária da SAF.
GDA Luma ganha espaço no processo de reorganização
A GDA Luma Capital aparece no cenário como potencial nova investidora e futura controladora da SAF Botafogo. A aprovação do aumento de capital não significa, por si só, a conclusão da entrada da empresa na estrutura societária.
O que a AGE produziu foi uma mudança potencialmente importante na composição acionária.
Caso a Eagle não exerça o direito de adquirir as 98 milhões de novas ações e o Botafogo associativo fique também com as ações não subscritas, a participação da antiga holding de John Textor será fortemente diluída.
Essa nova configuração pode facilitar a etapa seguinte da reorganização societária e abrir espaço para a operação envolvendo a GDA Luma, que já vinha sendo tratada como parte do processo de transferência do controle da SAF.
O papel de John Textor na disputa
A aprovação do aumento de capital ocorreu depois de uma série de disputas judiciais envolvendo John Textor e a estrutura societária da SAF.
Textor tentou impedir a realização da AGE por meio de medidas judiciais. A Justiça do Rio, entretanto, manteve a assembleia.
Na decisão de quarta-feira, o juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres também aplicou multa de 5% sobre o valor do contrato discutido no processo por litigância de má-fé. Segundo o ge, considerando a estimativa de valor atualizado do contrato, a multa poderia chegar a pelo menos R$ 10 milhões.
A decisão não alterou a divisão acionária de 51% para o Botafogo associativo e 49% para a Eagle naquele momento. O que mudou foi a forma de exercício dos direitos políticos vinculados às ações da Eagle.
A nova estrutura após a AGE
Com a aprovação do aumento de capital, a estrutura passa agora por uma etapa de 30 dias.
O Botafogo associativo possui o direito de subscrever 102 milhões de ações. A Eagle possui o direito de subscrever 98 milhões.
Se os dois acionistas exercerem integralmente seus respectivos direitos, a nova emissão será distribuída proporcionalmente e não haverá, apenas por esse mecanismo, uma diluição proporcional da participação de cada um.
O cenário muda se a Eagle não exercer seu direito.
Nesse caso, as ações não subscritas poderão ser adquiridas pelo Botafogo associativo, seguindo as regras previstas na convocação da AGE. Se o clube ficar com as 200 milhões de novas ações, a participação da Eagle, que hoje representa 49%, cairá para uma parcela estimada em 0,04% do novo capital social.
Portanto, o prazo de 30 dias passa a ser uma das próximas etapas determinantes da reorganização da SAF.
O que foi aprovado nesta quinta-feira
A decisão da AGE pode ser resumida em quatro pontos principais:
Aumento do capital social da SAF Botafogo em R$ 2 milhões.
Emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias Classe B, ao preço de R$ 0,01 cada.
Direito de preferência de 30 dias para os atuais acionistas.
Possibilidade de diluição da Eagle caso ela não subscreva as 98 milhões de ações a que tem direito.
A SAF informou que as ações subscritas deverão ser integralizadas em moeda corrente nacional no prazo máximo de três dias úteis a contar da respectiva subscrição.
Próximos passos
A partir da aprovação da AGE, o processo entra em uma nova fase.
Primeiro, começa a correr o prazo de 30 dias para que os acionistas exerçam o direito de preferência. O Botafogo associativo poderá subscrever suas 102 milhões de ações, enquanto a Eagle poderá decidir se adquirirá as 98 milhões correspondentes à sua participação atual.
Caso haja ações remanescentes, será aberto o procedimento previsto no edital para eventual subscrição das sobras pelos demais acionistas.
É somente depois dessas etapas que será possível determinar a composição acionária definitiva decorrente do aumento de capital.
Paralelamente, segue o processo de reorganização que envolve a GDA Luma Capital. A entrada formal do grupo na estrutura da SAF depende das demais etapas da operação societária e não foi objeto direto da deliberação realizada nesta quinta-feira.
Um novo capítulo na disputa pelo controle da SAF
A sequência de decisões entre quarta e quinta-feira representa uma nova etapa na longa disputa societária envolvendo o Botafogo.
Na quarta-feira (23/9), a Justiça determinou que os direitos políticos das ações da Eagle fossem exercidos pelo Administrador Judicial. No dia seguinte, a AGE aprovou o aumento de capital de R$ 2 milhões, com a emissão de 200 milhões de novas ações.
A operação não altera automaticamente a propriedade das ações da Eagle, mas cria um mecanismo que poderá reduzir drasticamente sua participação caso a holding não exerça o direito de preferência.
Com isso, o Botafogo associativo, atualmente com 51% da SAF, passa a ter a possibilidade de ampliar ainda mais sua participação no capital social, enquanto a GDA Luma aparece como parte do processo que poderá resultar em uma nova configuração de controle não o fizer, o Botafogo associativo poderá avançar sobre as ações remanescentes, levando a participação da antiga holding de John Textor a uma fração estimada em 0,04% do novo capital social. do futebol alvinegro.
A próxima etapa será definida pelo comportamento dos acionistas dentro do prazo de 30 dias. Até o encerramento desse período, a Eagle mantém o direito de subscrever suas 98 milhões de novas ações. Se não o fizer, o Botafogo associativo poderá avançar sobre as ações remanescentes, levando a participação da antiga holding de John Textor a uma fração estimada em 0,04% do novo capital social. A situação ganha um avanço, mas ainda não está completamente definida, ainda haverão mais novidades à respeito nos próximos dias, pois John Textor irá responder, assim como a Eagle BidCo, que é administrada judicialmente pela Cork Gully LLP.
