Durante Libertadores Experience, Textor fala à ESPN Brasil sobre disputa pelo comando da SAF Botafogo e admite possibilidade de levar batalha judicial contra Clube Social e GDA LUMA a Brasília

Empresário afirmou à ESPN Brasil que pretende avançar na Justiça brasileira para recuperar o comando da SAF alvinegra após decisão favorável nos Estados Unidos



John Charles Textor em entrevista na Enseada de Botafogo, durante o evento da Conmebol Libertadores Experience / Foto Reprodução: ESPN Brasil


John Textor voltou a falar sobre a disputa pelo controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo e afirmou que pretende levar a batalha judicial até as últimas instâncias no Brasil, se necessário. Em entrevista à ESPN Brasil durante a Libertadores Experience, na Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro, o empresário declarou que poderá recorrer à Justiça em Brasília para tentar recuperar o comando do clube.


A manifestação ocorreu após uma decisão publicada na quinta-feira (17/9) pela juíza Danielle Sherriff, da Corte de Palm Beach, na Flórida. A magistrada reconheceu Textor como proprietário de 90 mil ações ordinárias de classe B da SAF Botafogo, equivalentes a 90% do capital social e do capital com direito a voto. Segundo o empresário, o entendimento representa a confirmação de sua propriedade sobre a participação majoritária. 


A decisão, contudo, não significa automaticamente que Textor reassumiu a administração da SAF no Brasil. O cenário societário e judicial brasileiro continua sendo objeto de disputas e medidas próprias, e a SAF Botafogo já manifestou entendimento de que a decisão da Justiça norte-americana não produz efeito automático sobre a situação jurídica da companhia no país.


“É uma regra nos EUA, mas eu sou o dono aqui no Brasil. O contrato pelo qual eu vendi minhas ações para a Eagle foi um contrato formado nos EUA e está vazio nos EUA e também aqui no Brasil. Vai levar um pouco de tempo para trabalharmos o processo judicial aqui. Talvez aconteça de uma boa maneira aqui no Rio, talvez tenha de subir a linha para Brasília. Mas, ultimamente, eu sou o dono. É muito frustrante estar fora do clube agora”, afirmou Textor.


Assista a entrevista abaixo:



Você pegou de volta 90% do Botafogo nos EUA, então como você se sente sobre isso? O que você espera disso? Bem, olha, é uma regra nos EUA, mas eu sou o dono aqui no Brasil. O contrato pelo qual eu vendi minhas compras para a Eagle foi um contrato formado nos EUA e está vazio nos EUA e também aqui no Brasil. Vai levar um pouco de tempo para trabalharmos o processo judicial aqui. Talvez aconteça de uma boa maneira aqui no Rio, talvez eu tenha de subir a linha para Brasília. Mas, ultimamente, eu sou o dono. É muito frustrante estar fora do clube agora. Eu acho que não é apenas um teste para o Botafogo, é um teste para o futebol brasileiro. Eu fui convidado aqui para investir não apenas no time, mas neste país. Eu quero encorajar esses investimentos tanto dentro deste país quanto de forças além deste país, para fortalecer o futebol brasileiro.


Textor vê disputa como um teste para o futebol brasileiro

O empresário ampliou o alcance da disputa e afirmou considerar o caso não apenas uma questão envolvendo o Botafogo, mas também um teste para o modelo de investimento no futebol brasileiro.


“Eu acho que não é apenas um teste para o Botafogo, é um teste para o futebol brasileiro. Eu fui convidado aqui para investir não apenas no time, mas neste país. Eu acho que queremos encorajar esse investimento, tanto dentro deste país quanto de forças além deste país, para fortalecer o futebol brasileiro”, declarou.


Textor também defendeu a necessidade de preservar as regras estabelecidas pelo modelo das SAFs e afirmou que seu interesse no processo está diretamente relacionado ao vínculo que criou com o clube.


“É o melhor futebol do mundo. Então, nós realmente não podemos ter essas situações em que as regras locais e a influência dos clubes sociais, os antigos modelos de legado que causaram que a lei da SAF fosse concebida e passada para a lei, nós temos que proteger isso”, disse.


O empresário acrescentou que considera a disputa com a Eagle uma questão que, segundo sua versão, sempre esteve relacionada à propriedade da SAF.


“Eu digo isso de forma egoísta, porque o meu interesse é o meu amor por este clube. Mas eu acho que há muito mais no que apenas o Botafogo. Então, eu acho que as regras ultimamente chegam às decisões certas. Eu sou o dono. Esta é uma luta de família entre mim e a Eagle. Sempre foi assim. Isso acabou agora.”


Retorno ao clube

Questionado sobre a possibilidade de encontrar um ambiente saudável caso consiga retornar ao comando do Botafogo, Textor afirmou que não considera o cenário um obstáculo.


O empresário relembrou o período em que assumiu o futebol alvinegro e destacou a evolução esportiva do clube durante sua gestão.


“Eu fui enviado a um clube sem muitos empregados, com apenas alguns jogadores que jogaram na primeira divisão. Eu fui pedido por todos os jovens que me enviaram mensagens de texto, dizendo ‘por favor, nos faça competir’. E não só competimos, mas acho que ganhamos o Brasil, ganhamos a América do Sul, mas também ajudamos o Brasil a ser orgulhoso da nossa apresentação na Copa do Mundo de Clubes”, afirmou.


Textor também minimizou as críticas feitas nas redes sociais e disse acreditar que a maior parte da comunidade alvinegra deseja seu retorno.


“A fúria dos 10% de pessoas que se enfiaram nas redes sociais, eu não me importo com isso. Eu acho que o maior amor da comunidade de Botafogo me aprecia e acho que estaremos de volta juntos como família em breve”, completou.


Elogios a Tite

Na mesma entrevista, Textor comentou a chegada de Tite ao Botafogo. O treinador foi anunciado pelo clube em 16 de setembro, com contrato até dezembro de 2028.


Tite estreou neste sábado (19), na derrota do Botafogo por 2 a 0 para o Mirassol, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Os dois gols da partida foram marcados por Eduardo, ainda no primeiro tempo.


Textor revelou que já havia tentado contratar o treinador anteriormente e fez elogios ao trabalho desenvolvido pelo técnico.


“Primeiro de tudo, não é minha decisão agora, como sabemos. Mas eu tentei muito duro contratá-lo há muito tempo. André Rizek disse algo recentemente, que é bastante certo, quando ele estava falando sobre o estilo de jogo que estávamos procurando no Botafogo. Mas na época em que eu estava falando com o Tite, eu o encontrei muito bem, maravilhoso, tão fácil de respeitar por causa de seus fundamentos.”


O empresário também destacou a capacidade de Tite no desenvolvimento de jogadores e afirmou que, caso retome a liderança do clube, pretende trabalhar com o treinador.


“Eu acho que, junto com o filho, é um gênio absoluto, um coach desenvolvedor, eu estava ansioso para trabalhar com ele como um time. Então, sim, talvez o estilo de jogo dele em diferentes situações não se encaixe com exatamente o que nós gostaríamos. Mas, agora, o que nós estamos procurando é estrutura e forma e voltar a uma mentalidade de ganhar novamente.”


Por fim, Textor afirmou que vê Tite como uma escolha adequada para o momento do Botafogo.


“Ele certamente é o melhor treinador para nos manter no Brasileiro e ele é o melhor treinador para nos levar para cima da mesa. Então, sim, se eu voltar à liderança, tanto quanto queria contratá-lo naquela época, eu certamente o abraço agora”, concluiu.


Disputa ainda depende dos desdobramentos no Brasil

Apesar da decisão favorável a Textor na Flórida, a disputa pelo controle da SAF Botafogo ainda envolve procedimentos no Brasil. A própria manifestação do empresário reconhece que será necessário avançar no processo judicial brasileiro para que a situação tenha desdobramentos no país.


Enquanto o conflito societário prossegue, o Botafogo segue sob a gestão vigente e iniciou a passagem de Tite com derrota por 2 a 0 para o Mirassol. A equipe havia vencido o Grêmio por 3 a 2 três dias antes, ainda sob o comando de Rodrigo Bellão.


É justamente nesse ambiente de disputa entre decisões estrangeiras, Justiça brasileira e arbitragem que Textor pretende construir sua próxima ofensiva. A promessa de que poderá “subir a linha para Brasília” coloca o STJ e os tribunais superiores no radar da batalha jurídica, embora eventual chegada do caso a essas instâncias dependa dos instrumentos processuais e das decisões que ainda serão tomadas no Brasil. Em uma petição da recuperação judicial da SAF Botafogo, aparecem simultaneamente as assinaturas de Rodrigo Fux, que é filho do Ministro Luiz Fux do STF, e de integrantes do escritório Salomão Advogados, entre outros advogados. Que podem ser contatados, Textor estar disposto a fazer o que for possível para recuperar o controle da SAF Botafogo.


Nos bastidores, a disputa jurídica de John Textor também passa por uma equipe que reúne nomes de peso da advocacia brasileira. Salomão Advogados e Fux Advogados integram a defesa da SAF Botafogo e de Textor em processos relacionados à disputa pelo controle da companhia. Entre os advogados está Rodrigo Fux, sócio do Fux Advogados e filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux. O Salomão Advogados, que também possui escritório em Brasília e atuação em contencioso estratégico, arbitragem e direito desportivo, aparece ao lado de Rodrigo Fux em documentos judiciais do caso. A composição da equipe ganha importância diante da possibilidade, admitida pelo próprio Textor, de que a batalha pelo controle da SAF avance para Brasília.


Enquanto a disputa pelo comando da SAF continua nos tribunais, o futebol do Botafogo segue em campo sob o comando de Tite. Textor, por sua vez, mantém publicamente a disposição de retornar à liderança do clube e afirma que sua intenção é reconstruir o projeto que, segundo ele, transformou o Botafogo em protagonista nacional e continental.


Até a AGE, tudo pode acontecer

Com a disputa jurídica pelo controle da SAF ainda em aberto e John Textor sinalizando que pretende levar a batalha até onde for necessário no Judiciário brasileiro, os próximos dias prometem ser decisivos para o futuro do Botafogo.


A Assembleia Geral Extraordinária (AGE), marcada para 24 de setembro, surge como uma data importante no calendário alvinegro. Até lá, novas decisões judiciais, manifestações das partes e movimentações nos bastidores podem alterar o cenário da SAF e, consequentemente, os rumos do clube.


O período ganha ainda mais importância porque o Botafogo terá 17 dias sem entrar em campo. Sem jogos para dividir as atenções, o foco tende a se concentrar nos bastidores, justamente em um momento no qual Textor promete avançar na tentativa de recuperar o controle da SAF e admite até mesmo levar a disputa para Brasília.


Entre decisões nos Estados Unidos, processos no Brasil, a atuação de diferentes bancas de advocacia e a possibilidade de novos movimentos jurídicos, o cenário permanece aberto. Até a AGE de 24 de setembro, muita coisa ainda pode acontecer envolvendo o Botafogo — e os próximos 17 dias, sem o time em campo, podem ser tão movimentados fora das quatro linhas quanto dentro delas.

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