Treinador, que está livre no mercado após passagem pelo Al-Hussein, da Jordânia, é visto por integrantes do clube social como nome adequado para a reta final do Brasileirão. Diretoria da SAF ainda está dividida, e decisão caberá a João Paulo Magalhães Lins e Gabriel de Alba
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Alessandro, Lúcio Flávio, Fahel, Ney Franco e Leandro Guerreiro - Foto: Jorge William/O GLOBO - Maio de 2009 |
O Botafogo pode voltar a apostar em um nome conhecido de sua história. Ney Franco ganhou força nos bastidores para assumir o comando da equipe na reta final do Campeonato Brasileiro Série A 2026, em uma movimentação que recoloca o treinador no radar alvinegro 17 anos depois de sua primeira passagem pelo clube.
De acordo com as informações que embasam esta reportagem, Carlos Augusto Montenegro entrou em contato com Ney Franco. O movimento é visto como um indicativo importante de que o treinador passou a ser considerado uma alternativa concreta para o comando da equipe.
A avaliação de integrantes ligados ao clube social é de que Ney Franco possui o perfil considerado adequado para um momento de pressão e de necessidade de resultados imediatos. A experiência no futebol brasileiro, o conhecimento do ambiente do Botafogo e a passagem anterior pelo clube pesam a favor do treinador.
A decisão, entretanto, ainda não está tomada. A diretoria da SAF estaria dividida entre os nomes avaliados, e a definição deverá passar por JP Magalhães Lins e Gabriel de Alba.
Ney Franco pode receber mais de R$ 500 mil
Caso as conversas avancem e o acordo seja concretizado, a proposta discutida para Ney Franco prevê um salário superior a R$ 500 mil por mês.
A ideia também seria estabelecer um vínculo de médio prazo, com contrato até o fim do Campeonato Carioca de 2027. O formato demonstra que a eventual contratação não seria necessariamente tratada apenas como uma solução emergencial para o Brasileirão, mas como uma aposta para a sequência do projeto esportivo. Pois no momento Gabriel de Alba é um mecenas que está aportando dinheiro do próprio bolso, pois ainda não assinou o contrato da GDA LUMA e adquiriu os 90% da SAF Botafogo. No momento o clube social possui 51% e a Eagle BidCo administrada judicialmente pela Cork Gully LLP detém outros 49%.
É importante ressaltar que, neste momento, esses valores e o período contratual fazem parte do cenário de negociação informado nos bastidores e não representam, até aqui, um contrato oficialmente anunciado pelo Botafogo.
Renato Gaúcho era o nome preferido
Antes de Ney Franco ganhar força, o nome que mais agradava internamente era o de Renato Gaúcho.
A possibilidade, porém, enfrenta um obstáculo de natureza política e emocional: a relação do ex-jogador e treinador com parte da torcida do Botafogo permanece marcada pelo episódio ocorrido durante a decisão do Campeonato Brasileiro de 1992.
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Renato Gaúcho em entrevista à TV GLOBO e ao GE que disse que faria tudo o que fez no Churrasco novamente - Foto/Reprodução |
Naquele ano, Renato Gaúcho defendia o Botafogo e esteve envolvido em uma das maiores polêmicas daquela final. Após o primeiro jogo da decisão contra o Flamengo, o jogador compareceu a um churrasco relacionado à comemoração rubro-negra dito por ele que foi para pagar aposta com Gaúcho, e o pior em Março de 2025, Renato Portaluppi disse que faria tudo de novo durante entrevista à TV GLOBO. O episódio provocou forte repercussão e culminou em seu afastamento do Botafogo.
Por isso, apesar de ser apontado como um nome que agradava pelo perfil e pela experiência, Renato é considerado uma opção politicamente delicada diante da resistência de parte dos torcedores.
Nesse cenário, Ney Franco passou a ganhar espaço.
Um velho conhecido de General Severiano
Ney Franco não seria um estranho para o Botafogo.
O treinador chegou ao clube em julho de 2008, depois da saída de Geninho, e permaneceu até 10 de agosto de 2009. Registros históricos apontam que sua passagem começou em 11 de julho de 2008 e terminou pouco mais de um ano depois.
Naquele período, Ney encontrou um Botafogo que precisava se reorganizar depois de um momento turbulento. Em seu primeiro Campeonato Brasileiro pelo clube, conduziu a equipe ao sétimo lugar. Em 2009, conquistou a Taça Guanabara e levou o time à decisão do Campeonato Carioca.
A passagem terminou em agosto de 2009, após uma campanha irregular no Campeonato Brasileiro. Ao deixar o cargo, Ney acumulava 75 partidas pelo Botafogo, com 34 vitórias, 18 empates e 23 derrotas, segundo levantamento publicado à época.
O vínculo do treinador com o clube, portanto, não se resume a uma lembrança distante. Ney já conhece a pressão de comandar o Botafogo, o ambiente do futebol carioca e a cobrança que envolve o trabalho no clube.
A curiosa história da contratação de 2008
A primeira chegada de Ney Franco ao Botafogo também ganhou uma história peculiar.
Em entrevista recente ao Charla Podcast, de Bruno Cantarelli e Beto Júnior, o treinador contou que o contato que ajudou a encaminhar sua chegada ao clube ocorreu em um momento inusitado: ele estava em um dentista quando recebeu a notícia.
Assista abaixo:
Naquele momento, Carlos Augusto Montenegro teve participação decisiva na escolha do treinador. Montenegro, porém, não era o presidente do Botafogo. O clube era presidido por Bebeto de Freitas.
A lembrança ajuda a explicar por que o nome de Montenegro volta a aparecer agora no contexto de uma possível nova chegada de Ney Franco. A relação entre os dois já havia sido construída naquela primeira passagem.
O que Ney Franco fez desde sua saída do Botafogo?
Depois de deixar o Botafogo, Ney Franco construiu uma carreira extensa no futebol brasileiro.
O treinador passou por Coritiba, Seleção Brasileira Sub-20, São Paulo, Vitória, Sport, Goiás, Chapecoense, Cruzeiro, CSA, Joinville e ABC, além de ter retornado ao Flamengo em 2014.
Um dos pontos altos da carreira ocorreu à frente da Seleção Brasileira Sub-20. Ney comandou a equipe que conquistou o Sul-Americano Sub-20 de 2011 e, posteriormente, participou da campanha que terminou com o título mundial da categoria naquele mesmo ano.
Mais recentemente, o treinador voltou a trabalhar fora do Brasil.
Último trabalho foi na Jordânia
O trabalho mais recente de Ney Franco foi no Al-Hussein SC, da Jordânia. Ele assumiu a equipe em dezembro de 2025 e deixou o cargo em 27 de abril de 2026. Atualmente, está sem clube.
Os números de sua passagem pelo clube jordaniano são positivos: em 19 partidas, foram 14 vitórias, dois empates e três derrotas, com 51 gols marcados e 15 sofridos, segundo os registros disponíveis.
O desempenho recente é um dos elementos que podem ajudar a sustentar a candidatura de Ney Franco neste momento.
Por que Ney virou favorito?
A possível escolha de Ney Franco combina três fatores.
O primeiro é a experiência. Aos 60 anos, o treinador acumula trabalhos em diferentes contextos do futebol brasileiro e conhece a pressão de grandes clubes.
O segundo é a identificação com o Botafogo. Ney já comandou a equipe por mais de uma temporada, viveu momentos de pressão e conhece parte da estrutura e da cultura do clube.
O terceiro é o momento do mercado. Como está sem clube desde abril, o treinador poderia ser contratado imediatamente, sem necessidade de negociação para liberação de outra equipe.
Além disso, o episódio envolvendo Renato Gaúcho acabou mudando o cenário. O treinador era considerado o nome que mais agradava, mas a possibilidade de uma reação negativa da torcida pesa na avaliação interna. Ney, nesse contexto, aparece como uma alternativa de maior viabilidade política.
SAF dividida antes da decisão
Apesar do avanço do nome de Ney Franco, a contratação ainda não pode ser tratada como fechada.
A diretoria da SAF está dividida, e a decisão deverá ser tomada por João Paulo Magalhães Lins e Gabriel de Alba. O contato feito por Carlos Augusto Montenegro representa um movimento relevante, mas não significa, por si só, que o acordo esteja concluído.
O cenário, portanto, é de negociação em andamento e de avaliação interna.
Se Ney Franco for escolhido, o Botafogo poderá apostar novamente em um treinador que já conhece profundamente o clube e que, em sua primeira passagem, conseguiu conduzir a equipe ao sétimo lugar no Brasileirão de 2008 e ao título da Taça Guanabara de 2009.
A diferença, desta vez, estaria no tamanho do compromisso: um salário acima de R$ 500 mil e um contrato projetado até o fim do Carioca de 2027 indicariam uma aposta que ultrapassa a simples solução para o restante do Brasileirão.
A possível chegada de Ney Franco ao Botafogo pode vir acompanhada de outra movimentação importante nos bastidores: o retorno de Tiquinho Soares ao clube.
A informação é de que a possibilidade de uma chegada conjunta dos dois nomes já é discutida internamente. Tiquinho, que teve passagem de destaque pelo Botafogo, aparece no radar como possível reforço para a sequência da temporada, enquanto Ney Franco ganhou força para assumir o comando técnico.
A indicação do atacante e a possibilidade de seu retorno ao clube já foram apresentadas a Ney Franco. O treinador teria sido consultado sobre o nome e questionado se aprovava a eventual contratação de Tiquinho.
A consulta é considerada relevante dentro do cenário atual, já que Ney Franco pode ter participação na definição do elenco caso seja escolhido pela SAF para comandar a equipe.
Dessa forma, uma eventual negociação pode representar mais do que simplesmente a troca no comando técnico. O Botafogo trabalha com a possibilidade de Ney Franco e Tiquinho Soares chegarem juntos, caso haja consenso entre as partes e a diretoria da SAF avance nas tratativas.
A definição, contudo, ainda depende da decisão de JP Magalhães e Gabriel de Alba, diante da divisão existente dentro da SAF sobre o próximo treinador.
Por enquanto, Ney Franco é o nome que ganhou força. A palavra final, contudo, ainda pertence à cúpula da SAF que irá ver se o nome agrada à Gabriel de Alba.

