Emil Pinheiro foi o primeiro ¨Textor¨ que foi afastado na história do Botafogo, em Novembro de 1992 renunciou ao cargo de presidente, após se perder na gestão, e ver o seu pupilo Renato Gaúcho virar um traidor em Churrasco para ¨pagar aposta¨


Emil Pinheiro foi mecenas e presidente do Botafogo entre 1986 à 1990 (como mecenas) e Presidente de 1991 à Novembro de 1992 - Foto: Arquivo Pessoal e Dólares e Elenco do Botafogo de 1989/Montagem


Depois de um duradouro jejum de 21 anos sem títulos, um investidor assumiu a gestão do Botafogo e injetou dinheiro no clube carioca, que contratou reforços de peso e voltou a ser um time competitivo no cenário nacional. Estádios (Marechal Hermes) e Caio Martins ficaram cheios, troféus foram conquistados, e a torcida passou a andar por aí sorrindo de orelha a orelha. Parecia bom demais pra ser verdade. Pouco tempo depois, porém, o clube se viu de novo afogado em dívidas e, para piorar, perdeu o seu "salvador" porém tal medida foi necessária, pois se ele continuasse para 1993, o Botafogo não teria vencido a Copa Conmebol, pois o time vencedor foi formado com várias contratações assertivas e baratas além de jogadores da base do Botafogo, que já tinha sido campeã no Sub-17 e Sub-20.


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Pode parecer, mas não estamos resumindo a passagem do empresário John Textor pelo alvinegro do Rio. O parágrafo acima descreve um filme parecido já vivido pelo clube em outra época e com outro pivô na trama. No fim dos anos 1980, o bicheiro Emil Pinheiro assumiu a gestão do Botafogo e, assim como o investidor Norte-americano, acabou com uma longa estiagem de títulos do time. Entretanto, pouco tempo depois, em Novembro de 1992, deixou o clube afogado em incerteza e dívidas.




Emil Pinheiro e Castor de Andrade em 1990 - Foto/Reprodução


Emil não era um contraventor poderoso como foi Castor de Andrade. Pertencia ao segundo escalão do jogo do bicho. Mas, depois que o "Doutor Castor" levou o decadente Bangu Atlético Clube à final do Campeonato Brasileiro, em 1985, Emil sonhou em fazer algo assim com seu time do coração. Quando ele entrou no Botafogo, em 1987, o clube carioca estava sem títulos desde 1968. Em 1989, as torcidas rivais, em coro, contavam até 21 e emendavam com um "parabéns pra você". Maldade pura.



O técnico Valdir Espinosa e Emil Pinheiro com o neto em 1989 - Foto: eJuha Tamminen



O bicheiro, dono de bancas de apontamento na Barra da Tijuca e arredores, começou a jogar dinheiro no clube. Popular entre os torcedores, ele tinha um estilo personalista parecido com o de Textor. Para liderar o elenco alvinegro, Emil trouxe o técnico Valdir Espinoza, que exibia no currículo uma Copa Libertadores recém-conquistada pelo Grêmio. 


 

Entre os reforços dentro de campo, estavam o zagueiro Mauro Galvão e o lateral-direito Josimar, atuantes na seleção brasileira desde a Copa de 1986. Além da participação na época do lendário torcedor Russão, fundador da Torcida Organizada Folgada do Botafogo.


 

Uma das emblemáticas entrevistas foi quando Emil Pinheiro acertou sobre o salário dos jogadores, em quererem receber o salário mais que o Presidente da República, algo que hoje ocorre muito mais.



Maurício pronto para marcar o gol do título na Final do Cariocão de 1989 - Foto/Reprodução: Jornal Dos Sports


O Botafogo começou a entregar o que a torcida tanto almejava. Depois de 21 anos sem título, em 1989, o time foi campeão estadual invicto, derrotando o Flamengo na final  com gol de Maurício naquele 21 de Junho de 89. Logo no ano seguinte, em 1990, faturou o bicampeonato.


Àquele que se tornaria o traidor Renato Portaluppi


Emil Pinheiro com Renato Gaúcho ao lado de um iate do contraventor — Foto: Julio Cesar Guimarães/Agência O GLOBO



Além de Edinho, o Botafogo teve outros técnicos naquele ano de 1992, foram eles: A temporada começou com Ernesto Paulo, depois veio Gilberto Alves (O Búfalo Gil). Edinho vivenciou os últimos meses da gestão curta de Emil Pinheiro como presidente.


Ainda em 1992, o Botafogo foi vice-campeão brasileiro com Renato Gaúcho em campo, mas que boicotou e muito fora dele. Após o jogo de ida da final do Campeonato Brasileiro de 1992, que terminou com vitória do Flamengo por 3 a 0 sobre o Botafogo, Renato Gaúcho, então vestindo a camisa 7 do Alvinegro, organizou um churrasco que se tornou um dos episódios mais contraditórios e marcantes para a torcida do Botafogo.


Renato alegou que o churrasco fazia parte de uma aposta



Em entrevista à TV Globo, o treinador afirmou que repetiria a atitude, mesmo diante da repercussão negativa entre os botafoguenses. A confraternização aconteceu devido a uma aposta perdida para o amigo Gaúcho, autor de um dos gols rubro-negros na primeira partida da decisão.


“Essa história ainda rende comentários até hoje, mas, com todo o respeito à torcida do Botafogo, naquela época havia várias apostas. Organizávamos muitos jogos entre amigos. Romário, Edmundo, Gaúcho… Eram apostas que eu vencia e também perdia, e sempre cumpria o combinado”, disse Renato, ressaltando que precisava honrar sua palavra. Mas prejudicando o Botafogo foi legal, e nessa entrevista Renato disse que faria de novo. Uma pessoa que não é bem-vinda no Botafogo.


Mas, depois de perder a final de 1992 para o Flamengo, em dois jogos no Maracanã, Emil começou a tirar seu dinheiro do Botafogo. Cheio de dívidas e alegando pressão da família para deixar o futebol, ele passou a cortar gastos. Sob sua direção, o clube pagava todas as despesas dos jogadores. Aluguel, água, telefone, luz, tudo. Depois da derrota no Brasileiro, entretanto, essa torneira fechou. "O Botafogo está agonizando, perto da morte", disse ele. "Impossível continuar vestindo uma capa".


Mas o maior sofrimento para a torcida foi assistir aos craques partindo. Carlos Alberto Dias, Valdeir, Chicão... No lugar deles, chegou um elenco de 22 jogadores cujos salários, somados, não alcançava a metade do que Renato ganhava, segundo a edição do Jornal O GLOBO de 22 de agosto de 1992. Ou seja, um mês depois da final do Campeonato Brasileiro, o Botafogo estava de volta a uma dura realidade. Do escrete vice-campeão, só havia sobrado o apoiador Pingo.


"Se o Botafogo tiver de viver à sombra do dinheiro da contravenção, melhor que morra", disse o grande jornalista Armando Nogueira. Mas a opinião do cronista não era um consenso entre os botafoguenses eméritos. "O Emil é a alma do Botafogo. Quando ele assumiu, o time estava sob a ameaça de cair para a segunda divisão. Ele reestruturou o clube, ganhou dois títulos estaduais e o vice-brasileiro. Se sair, não tenho dúvida, o Botafogo voltará a correr sério risco de rebaixamento", disse o ex-craque Didi.


Emir Pinheiro renunciou a presidência do Botafogo em Novembro daquele ano. Mas o time não ficou muito tempo sem um título. Venceu a Copa Conmebol de 1993 com um time de garotos e jogadores que eram sobras de outros times, numa primeira gestão muito bem elaborada pelo presidente sucessor Mauro Ney Palmeiro e o vice-presidente da época Antônio Rodrigues, e Edson Santana como diretor de futebol, ainda naquela diretoria Montenegro como diretor de marketing e Carlos Eduardo Pereira foi o vice-presidente administrativo. Já em 1995, com Carlos Augusto Montenegro na direção do clube, o alvinegro se sagrou campeão brasileiro após 27 anos sem o troféu. O próprio dirigente, em entrevistas posteriores, admitiu que não havia nenhum grande planejamento na época. Mas brilharam as estrelas do técnico Paulo Autuori e dos craques Donizete e Túlio Maravilha, artilheiro do torneio com 23 gols em 25 jogos, além de 14 jogadores que encaixaram e conquistaram o bicampeonato brasileiro. Toda vez que o Botafogo passa por uma crise, vem um título a seguir. E assim será após o fim da ERA TEXTOR.

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