A transferência forçada de Jefferson Savarino para o Fluminense por intermédio do controverso John Charles Textor, no início da temporada voltou ao centro das discussões no Botafogo após declarações contundentes do ex-presidente Carlos Augusto Montenegro. Segundo ele, o clube alvinegro não recebeu diretamente nenhum valor da negociação que levou um dos principais jogadores do elenco para o rival carioca.
O venezuelano foi negociado com o Fluminense por US$ 4,5 milhões, além da chegada do jovem volante Wallace Davi como parte do acordo. Na época, a saída de Savarino já havia causado insatisfação entre torcedores, principalmente pelo peso técnico que o meia-atacante possuía dentro da equipe.
"O cheque não era para o Botafogo"
Durante participação no canal "Gerações Botafoguenses", Montenegro afirmou ter ficado surpreso ao descobrir que o pagamento da transferência não foi destinado ao Botafogo, mas sim ao Lyon, clube francês que também faz parte da rede multi clubes controlada por John Textor.
Segundo o ex-dirigente, Savarino sequer desejava deixar o clube.
"O Savarino não queria sair do Botafogo. Adorava o clube, o ambiente e a torcida. Mas foi obrigado a sair por causa do salário", afirmou Montenegro.
Ainda de acordo com ele, quando o Fluminense se preparava para efetuar o pagamento da transferência, a SAF alvinegra informou que os recursos deveriam ser enviados diretamente ao Lyon.
"O Fluminense ia fazer o cheque para o Botafogo. Aí a SAF avisou: o cheque não é para o Botafogo, é para o Lyon", relatou.
Entenda a operação entre Botafogo e Lyon
A explicação para a situação remonta a uma negociação realizada em 2025. Naquele ano, o Botafogo transferiu os direitos econômicos e federativos de Savarino para o Lyon por cerca de 7,6 milhões de euros, em uma operação interna dentro do grupo Eagle Football. Apesar disso, o jogador permaneceu atuando normalmente pelo clube carioca.
Documentos revelados posteriormente mostraram que a venda tinha como objetivo melhorar o fluxo de caixa do clube francês, que enfrentava dificuldades financeiras. Dessa forma, quando surgiu a proposta do Fluminense, os direitos do atleta já pertenciam ao Lyon, o que explica o direcionamento do pagamento para a equipe francesa.
Montenegro, no entanto, questiona os benefícios práticos da operação para o Botafogo.
"O Savarino não era do Lyon. Estava registrado no Lyon. O ativo Savarino era do Lyon. O que o Botafogo ganhou com isso?", indagou.
Críticas à gestão de John Textor
As declarações sobre Savarino vieram acompanhadas de novas críticas à administração de John Textor. Montenegro relacionou a negociação do venezuelano a uma série de problemas financeiros enfrentados pelo clube nos últimos meses.
O ex-presidente citou questões como transfer bans, aumento do endividamento e disputas envolvendo outras operações da Eagle Football. Para ele, o episódio de Savarino reforça dúvidas sobre a condução dos negócios da SAF.
"São coisas que não dá para explicar. O cheiro não é bom", declarou Montenegro ao comentar o cenário financeiro do clube.
Impacto esportivo da saída
Dentro de campo, a perda de Savarino foi significativa. O venezuelano havia sido uma das principais peças do Botafogo nas conquistas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, acumulando 103 partidas, 20 gols e 19 assistências pelo clube.
Sua transferência para o Fluminense foi acompanhada da chegada de Wallace Davi, jovem promessa das categorias de base tricolores. Embora o volante seja visto como um ativo para o futuro, parte da torcida alvinegra questiona se a compensação esportiva foi suficiente diante da importância do venezuelano para o elenco.
Negócio continua gerando repercussão
Meses após a transferência, a negociação de Savarino segue sendo um dos temas mais debatidos entre dirigentes, conselheiros e torcedores do Botafogo. As revelações de Montenegro ampliam os questionamentos sobre a relação financeira entre Botafogo e Lyon dentro da estrutura da Eagle Football e sobre os reais benefícios que operações desse tipo trouxeram ao clube carioca.
Enquanto isso, Savarino segue sua trajetória no Fluminense, e o episódio permanece como mais um capítulo da turbulenta discussão sobre a gestão financeira e esportiva da SAF alvinegra.
Assista ao trecho abaixo:
– Eu me surpreendo com coisas. O Savarino não queria sair do Botafogo, o Savarino adora o Botafogo, adorou o ambiente, adorou o clube, adorou tudo. Mas foi obrigado a sair, por causa do salário. Aí, o Fluminense ia fazer o cheque para o Botafogo. Aí a SAF Botafogo avisou: o cheque não é pro Botafogo, é pro Lyon. Como assim? Ele nunca jogou lá. Aí o Fluminense fez um cheque de US$ 4 milhões, sei lá, o preço combinado, pro Lyon. E o Savarino foi embora. Só uma coisa, o que que o Botafogo ganhou com isso? – indagou Montenegro, no canal “Gerações Botafoguenses”.
– O Savarino não era do Lyon. Estava registrado no Lyon. O ativo Savarino era do Lyon. Eu não sei como é que é esse negócio, no mundo do empresário esportivo, eu não sei, juro por Deus que eu não sei. Eu sei que o Fluminense pagou o Lyon. Mas aí a SAF Botafogo se livrou, entre aspas, do salário dele. E acabou se livrando do futebol dele. Uma coisa super necessária ainda. Então são coisas que, sabe, não dá pra gente explicar, não dá pra gente saber, tem que levantar isso com calma. Agora, vai levantando, porque o cheiro não é bom. Terrível. Quando tem um cheiro de gambá num lugar perto, numa gaveta ou outra, o cheiro não é bom. O não pagamento dos transfer ban, o estelionato com Almada, sabe, o aumento da dívida de R$ 1 bilhão para R$ 2,7 bilhões, o cheiro não é bom – cutucou Montenegro, criticando as negociações da era John Textor.
Em uma negociação confusa, o Botafogo vendeu direitos econômicos de Savarino ao Lyon em 2025, mas permaneceu com o jogador no elenco.
