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Thiago Almada atuando pelo Atlanta United em 4 de Maio de 2024, no Mercedes-Benz Stadium - Foto Reprodução Atlanta United FC |
O Botafogo sofreu uma importante derrota nos bastidores do futebol internacional após o Comitê Disciplinar da FIFA rejeitar um recurso apresentado pelo clube para derrubar a proibição de registrar novos jogadores, conhecida como Transfer Ban, relacionada à dívida milionária envolvendo a contratação do meia argentino Thiago Almada junto ao Atlanta United, dos Estados Unidos, que não foi paga de forma total, pelo então ex-controlador da SAF Botafogo, John Textor.
A decisão representa mais um capítulo de uma crescente crise financeira e regulatória enfrentada pelo clube carioca, que atualmente acumula seis sanções de registro impostas pela entidade máxima do futebol mundial.
FIFA rejeita argumento baseado em recuperação judicial
De acordo com documentos obtidos pela ESPN, o Botafogo buscava suspender a punição disciplinar alegando que sua situação jurídica no Brasil impediria o cumprimento imediato da obrigação financeira.
O clube argumentou perante a FIFA que está submetido a um processo formal de recuperação judicial desde 21 de abril de 2026. Segundo a defesa apresentada, todas as dívidas contraídas antes dessa data deveriam ser tratadas coletivamente dentro do processo de reestruturação financeira, impedindo pagamentos individuais fora de um eventual plano aprovado pela Justiça.
A diretoria sustentou ainda que a legislação brasileira determina a suspensão de ações de cobrança e medidas coercitivas durante o período de recuperação, o que, em sua visão, impediria a exigência de pagamentos específicos a credores individuais.
O argumento central do Botafogo era que a imposição de sanções esportivas para forçar o pagamento ao Atlanta United acabaria violando o princípio da igualdade entre credores previsto no regime de insolvência brasileiro.
Atlanta United contesta defesa do clube brasileiro
O Atlanta United, por sua vez, rebateu as alegações do Botafogo e sustentou que o clube brasileiro descumpriu tanto a decisão da Câmara de Status dos Jogadores da FIFA quanto um acordo posterior firmado entre as partes.
Segundo a equipe norte-americana, a punição aplicada pela FIFA não possui natureza patrimonial ou executória, mas sim disciplinar e esportiva. Dessa forma, argumentou que a medida é plenamente compatível com a legislação brasileira de recuperação judicial.
O clube da Major League Soccer também afirmou que suspender a proibição de registros beneficiaria injustamente o Botafogo, permitindo que continuasse operando normalmente no mercado de transferências mesmo diante do não cumprimento de obrigações contratuais consideradas vinculantes pela entidade internacional.
Comitê Disciplinar vê falta de provas
Na decisão, o Comitê Disciplinar da FIFA concluiu que o Botafogo não conseguiu demonstrar de forma suficiente que está legalmente impedido de quitar a dívida.
O órgão destacou que a documentação apresentada não comprovou a existência de um impedimento jurídico claro, definitivo e incontestável que impossibilitasse o pagamento ao Atlanta United.
Além disso, os membros do comitê observaram que processos de recuperação judicial não necessariamente proíbem a quitação de dívidas específicas, especialmente quando tais pagamentos podem ser fundamentais para evitar consequências que afetem diretamente a atividade operacional da empresa ou instituição envolvida.
Outro ponto considerado decisivo foi a ausência de provas concretas sobre a forma como o crédito do Atlanta United seria tratado dentro do processo de recuperação judicial brasileiro. A FIFA também observou que o Botafogo não demonstrou ter adotado todas as medidas legais possíveis para obter autorização judicial para efetuar o pagamento.
Proibição permanece por tempo indeterminado
Diante dessas conclusões, a FIFA determinou a manutenção integral da sanção.
Na prática, o Botafogo continuará impedido de registrar novos atletas até que a dívida seja quitada ou que o clube apresente provas consideradas robustas e juridicamente definitivas de que está impossibilitado de realizar o pagamento.
A decisão reforça o entendimento da entidade de que processos de recuperação judicial, por si só, não são suficientes para afastar obrigações decorrentes de decisões finais e vinculantes de seus órgãos jurisdicionais.
Dívida ultrapassa R$ 108 milhões
O caso envolvendo Thiago Almada é um dos mais significativos entre os passivos internacionais do clube.
A FIFA determinou que o Botafogo pague aproximadamente US$ 21 milhões ao Atlanta United, valor que corresponde a cerca de R$ 108,5 milhões na cotação atual.
A pendência decorre da negociação que levou o meia argentino ao futebol brasileiro e se transformou em uma das maiores disputas financeiras internacionais envolvendo clubes sul-americanos nos últimos anos.
Seis transfer bans ativos agravam cenário
A situação torna-se ainda mais delicada porque o processo relacionado a Thiago Almada é apenas uma das várias pendências existentes.
Atualmente, o Botafogo acumula seis transfer bans ativos perante a FIFA.
A punição mais recente foi aplicada em 9 de junho e envolve a contratação do atacante uruguaio Lucas Villalba, contratado junto ao Nacional, do Uruguai.
A transferência foi fechada por cerca de US$ 3 milhões, mas atrasos no pagamento resultaram em nova sanção disciplinar.
Como o clube já possuía punições anteriores em vigor, a reincidência agravou significativamente sua situação perante a entidade.
Outras dívidas internacionais permanecem abertas
Além do Atlanta United, o Botafogo enfrenta cobranças relacionadas a negociações envolvendo outros clubes estrangeiros.
Entre os credores estão:
Ludogorets, da Bulgária, pela contratação de Rwan Cruz;
Zenit, da Rússia, pela transferência de Artur Victor;
New York City FC, dos Estados Unidos, pela negociação de Santi Rodríguez.
Segundo informações divulgadas anteriormente, apenas a dívida com o Zenit já alcançava aproximadamente R$ 34,1 milhões em março deste ano.
O valor consolidado de todos os débitos internacionais ainda não foi oficialmente informado, mas especialistas do mercado estimam que os compromissos pendentes possam atingir cifras bastante superiores aos R$ 100 milhões relacionados ao caso Thiago Almada.
Impacto esportivo e financeiro
A manutenção do transfer ban ocorre em um momento particularmente sensível para o Botafogo.
Além das restrições para reforçar o elenco, a sucessão de processos na FIFA pode gerar impactos adicionais na credibilidade financeira do clube perante o mercado internacional de transferências.
Clubes vendedores, agentes e investidores tendem a elevar exigências de garantias financeiras quando negociam com instituições que acumulam sanções disciplinares relacionadas ao pagamento de transferências.
Com a decisão do Comitê Disciplinar, o Botafogo vê reduzidas suas alternativas imediatas para solucionar o impasse e segue pressionado a encontrar uma solução financeira capaz de atender simultaneamente às exigências da recuperação judicial e às determinações da FIFA.
Por enquanto, a punição permanece em vigor sem prazo definido para encerramento.
