GDA Luma, Credivalores e Botafogo: Ação de US$ 43 milhões no Tribunal de Falências do Sul de Nova York, coloca sob pressão assinatura de Gabriel de Alba para a compra de 90% da SAF; Textor consegue liminar na justiça Inglesa


Gabriel de Alba no Estádio Nilton Santos em 19/8; John Textor no Theatre Du Chatelet em 22 de Setembro de 2025 / Fotos: Vítor Silva Botafogo | IMAGO



Processo de falência do banco colombiano Credivalores - Crediservicios S.A. envolve acusações de transferências fraudulentas, pagamentos preferenciais e recuperação de ativos. GDA Luma, liderada por Gabriel de Alba, está entre os réus. Ao mesmo tempo, o fundo a tentativa de comprar e ter o controle da SAF Botafogo em operação de US$ 105 milhões (R$ 540 milhões).


A negociação que pode colocar a GDA Luma Capital no controle de 90% da SAF Botafogo ganhou uma nova dimensão jurídica nos Estados Unidos. O fundo de investimento liderado pelo empresário mexicano Gabriel de Alba é réu em uma ação movida no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York pelo administrador judicial Salvatore LaMonica, responsável pelo processo de insolvência da financeira colombiana Credivalores - Crediservicios S.A.

A ação, apresentada em 25 de junho de 2026, busca recuperar dezenas de milhões de dólares em dinheiro, propriedades e ativos financeiros que, segundo a acusação, teriam sido transferidos de forma irregular durante o processo de reestruturação da Credivalores. O processo identifica, entre os réus, a GDA Luma Capital Management, LP, além de Gramercy Funds Management, ACON Investments, empresas ligadas a esses fundos, Crediholding e Ban100/Bancien. O próprio registro judicial classifica a demanda, entre outras coisas, como ação para recuperação de dinheiro ou propriedade, transferência fraudulenta, pagamento preferencial e restituição de ativos. O valor apontado nas reportagens que tiveram acesso à ação chega a aproximadamente US$ 43 milhões, cerca de R$ 220 milhões na conversão atual: aproximadamente US$ 3 milhões em dinheiro e mais de US$ 40 milhões em propriedades e carteiras de crédito. O objetivo de LaMonica é fazer com que esses ativos retornem à massa da empresa insolvente.

É importante, porém, estabelecer uma distinção fundamental: as alegações ainda não constituem em uma decisão judicial de que houve fraude. Trata-se das acusações apresentadas pelo administrador judicial em uma ação de recuperação de ativos. A GDA Luma constituiu representação jurídica no processo e o caso continua em andamento no Tribunal de Falências do Sul de Nova York.

O que está sendo discutido na Justiça de Nova York



Banco de financiamento Credivalores - Foto Reprodução

O caso principal da Credivalores foi protocolado em 16 de maio de 2024 no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, inicialmente sob o Chapter 11. O processo acabou convertido para Chapter 7 em 7 de julho de 2025, passando a ter Salvatore LaMonica como administrador judicial responsável pela liquidação e recuperação de ativos. O número do processo de falência é 24-10837-dsj. A partir da conversão para Chapter 7, LaMonica passou a investigar operações realizadas antes e durante a tentativa de reorganização financeira. Em janeiro de 2026, por exemplo, a Justiça autorizou o administrador a obter documentos e realizar depoimentos de representantes da ACON Investments, Gramercy Funds Management e GDA Luma Capital Management. A autorização judicial mostra que a investigação já vinha sendo conduzida antes da apresentação da ação de recuperação de ativos.

Em 25 de junho de 2026, a investigação evoluiu para uma ação adversária específica contra diversos envolvidos. O registro judicial descreve a demanda como uma tentativa de recuperar dinheiro e propriedades e, expressamente, inclui alegações relacionadas às seções da legislação de falências americana que tratam de transferências fraudulentas e preferências. Os US$ 3 milhões (R$ 15,4 milhões) pagos aos acionistas

Um dos pontos centrais da acusação envolve um acordo relacionado a empréstimos feitos por acionistas ou entidades ligadas aos acionistas à Credivalores.

Segundo a narrativa apresentada na ação, existia um acordo que previa pagamentos de aproximadamente US$ 8,5 milhões (R$ 41,1 milhões) aos investidores. O administrador judicial sustenta que, apesar de orientações jurídicas contrárias, aproximadamente US$ 3 milhões (R$ 15,4 milhões) foram pagos na semana anterior ao pedido de recuperação.

A questão que deverá ser examinada pela Justiça é se esses pagamentos representaram uma transferência legítima ou se, diante da situação financeira da empresa, configuraram uma vantagem indevida para determinados credores ou acionistas.

Essa diferença é juridicamente importante. Uma empresa em dificuldades financeiras pode continuar realizando pagamentos legítimos no curso normal de suas atividades, mas determinadas transferências feitas pouco antes de uma insolvência podem ser questionadas quando favorecem determinados credores em detrimento do conjunto de credores.

Os mais de US$ 40 milhões em carteiras de crédito A segunda frente da ação é ainda mais relevante em termos patrimoniais.

O administrador judicial questiona a transferência de mais de US$ 40 milhões (R$ 206 milhões) em ativos, incluindo carteiras de empréstimos consignados da Credivalores, para o Ban100, atual Bancien, durante junho e julho de 2024.

A acusação sustenta que algumas dessas operações não teriam sido acompanhadas de pagamento em dinheiro correspondente e que os ativos transferidos estavam relacionados às garantias oferecidas aos credores durante a reestruturação da dívida.

A documentação pública do processo confirma que Bancien S.A., também conhecido como Ban100 S.A., está entre os demandados juntamente com GDA Luma, Gramercy, ACON e outras entidades. O caso, portanto, não é apenas uma discussão sobre dinheiro. O administrador judicial procura também recuperar propriedades e ativos financeiros, o que explica a dimensão potencial de aproximadamente US$ 43 milhões (R$ 221 milhões) da demanda.

A origem da relação entre GDA Luma e Credivalores A conexão entre GDA Luma e Credivalores começou antes da crise que levou a empresa à insolvência.

Em junho de 2023, a Credivalores anunciou que havia recebido uma injeção de mais de US$ 58 milhões (R$ 298 milhões) da GDA Luma, então apresentada como nova investidora estratégica.

A própria companhia informou na época que o capital serviria para fortalecer sua posição financeira, continuar a execução do plano de negócios e ampliar sua posição como uma das principais originadoras de crédito para os segmentos de renda mais baixa da população colombiana. A GDA Luma foi descrita como um fundo americano especializado em recapitalizações e transformações operacionais, com experiência acumulada em investimentos superiores a US$ 6 bilhões (R$ 30,8 bilhões).

Documentos financeiros apresentados posteriormente à SEC confirmam que, em 2023, a GDA Luma realizou uma injeção de aproximadamente US$ 58 milhões (R$ 298 milhões) na Credivalores. Os documentos também descrevem a GDA Luma como um fundo americano de investimentos voltado a recapitalizações e transformações operacionais.

A operação não foi simplesmente um aporte convencional de capital. Segundo a documentação jurídica da transação, a Credivalores emitiu novas ações para a GDA Luma em troca de uma parcela dos títulos sênior de 8,875% com vencimento em 2025 que estavam nas mãos da GDA Luma. Ou seja, a relação começou dentro de uma estratégia típica de investimento em situação especial: aquisição de dívida, transformação dessa posição em participação societária e tentativa de recuperação da empresa.

O perfil de investimento de Gabriel de Alba Gabriel de Alba é o fundador e sócio-gerente associado à GDA Luma. O modelo de investimento do fundo é concentrado em empresas em situação financeira complexa, nas quais o investidor pode adquirir dívida com desconto e, por meio de reestruturações, transformar sua posição de credor em controle societário.

Esse perfil é especialmente relevante para compreender tanto a entrada na Credivalores quanto a aproximação com o Botafogo. A GDA Luma administra atualmente cerca de US$ 592 milhões (R$ 3,04 bilhões) em ativos regulatórios, segundo informações baseadas no Form ADV mais recente da empresa, enquanto a estratégia declarada é justamente investir em situações especiais e ativos de empresas excessivamente alavancadas.

A crise da Credivalores

A Credivalores havia construído uma posição importante no mercado colombiano de crédito consignado e crédito ao consumidor, especialmente para segmentos pouco atendidos pelos bancos tradicionais.

A companhia informou anteriormente que havia originado bilhões de pesos em créditos e atendido centenas de municípios colombianos. Seu modelo dependia, em grande parte, do acesso aos mercados de capitais para financiar a carteira.

O problema foi que o ambiente internacional de crédito se deteriorou. Aumento dos juros, menor disponibilidade de financiamento e perda de confiança em instituições financeiras não bancárias aumentaram a pressão sobre empresas como a Credivalores.

Em seus documentos financeiros, a própria empresa registrou dificuldades para levantar recursos suficientes para honrar suas obrigações à medida que venciam, inclusive em relação aos títulos internacionais. O episódio dos títulos de R$ 95,9 bilhões A deterioração chegou ao mercado colombiano em agosto de 2024, quando a Credivalores deixou de pagar uma emissão de títulos ordinários no valor de $95,94 bilhões de pesos colombianos. A emissão possuía garantia parcial do Fondo Nacional de Garantías (FNG) equivalente a 70%. Isso representava $67,158 bilhões de pesos colombianos. O FNG confirmou que honraria a garantia e efetuaria o pagamento ao Deceval, que posteriormente faria a distribuição aos investidores. A operação transformou o FNG em credor da Credivalores na proporção correspondente ao valor garantido. A parcela não coberta pela garantia permanecia sujeita ao processo de reestruturação da empresa. Esse episódio é importante porque mostra que a crise financeira da Credivalores já era concreta quando as operações posteriormente questionadas pelo administrador judicial ocorreram.


A reorganização de 2024

Em maio de 2024, a Credivalores entrou com um processo de Chapter 11 nos Estados Unidos para tentar reorganizar aproximadamente US$ 210 milhões (R$ 1,079 bilhão) em dívida, com uma proposta de substituição dos títulos antigos por aproximadamente US$ 165 milhões (R$ 848,1 milhões) em novos títulos.

A estrutura da reorganização buscava preservar a operação e utilizar os recebíveis de empréstimos consignados como parte importante das garantias. O plano, entretanto, não conseguiu alcançar o resultado esperado. O caso foi posteriormente convertido para Chapter 7, em julho de 2025. É justamente nesse intervalo que o administrador judicial concentra parte relevante de sua investigação.

Por que GDA Luma, Gramercy e ACON aparecem juntas A GDA Luma não era a única investidora relevante da Credivalores. A estrutura acionária e de financiamento envolvia também Gramercy Funds Management e ACON Investments, além de outras entidades relacionadas. Documentos do próprio processo mostram que empresas afiliadas à GDA Luma, Gramercy e ACON tinham relações de crédito e financiamento com a Credivalores.

Em março de 2024, por exemplo, documentos do processo registram acordos de forbearance envolvendo GDA Luma Special Opportunities Fund, Gramercy e ACON. Esses contratos concediam à Credivalores tempo adicional para avançar na reestruturação de sua dívida. É nesse contexto que o administrador judicial passou a examinar se determinadas transações realizadas durante a reestruturação preservaram adequadamente os interesses do conjunto de credores.

A relação com o Ban100

Outro elemento central é a ligação entre a Credivalores e o Ban100. Documentos do Ban100 mostram que, em 29 de agosto de 2024, foi celebrado um acordo de cessão de obrigações entre Credivalores e Finanza Inversiones, no qual esta última assumiu posição relacionada a obrigações que a Credivalores mantinha com o banco.

O mesmo documento registra que, em outubro de 2024, o Ban100 recebeu um crédito subordinado de US$25 bilhões (R$ 128,5 bilhões) de pesos colombianos, respaldado por GDA Luma e Gramercy, descritos como acionistas indiretos do banco.

Essas relações corporativas e financeiras ajudam a explicar por que Ban100/Bancien aparece na ação movida pelo administrador judicial.

E onde entra o Botafogo?

É justamente aqui que o processo americano se conecta ao futebol brasileiro.

Em 2026, a GDA Luma passou a negociar a aquisição de 90% da SAF Botafogo, posição que anteriormente estava vinculada à estrutura societária controlada por John Charles Textor e pela Eagle Football Holdings BidCo. O negócio vinculante anunciado em junho foi estruturado em torno de aproximadamente US$ 105 milhões (R$ 540 milhões) pelo bloco de 90%, com a operação também relacionada ao empréstimo realizado em fevereiro de 2026.

Análises sobre a transação descrevem uma estrutura na qual a GDA Luma assumiria o controle da SAF e Gabriel de Alba passaria a ocupar posição central na administração. A negociação, porém, não é juridicamente simples. O empréstimo de fevereiro de 2026 Antes da aquisição definitiva, a GDA Luma passou a ter uma relação de credora com a SAF Botafogo. John Textor em fevereiro de 2026, após conversas com à Hutton Capital, conseguiu um empréstimo com a GDA LUMA que forneceu US$ 25 milhões (R$ 128 Milhões) ao Botafogo; Textor sustenta que, nesse momento, a GDA era credora, e não proprietária da SAF. A situação societária, entretanto, evoluiu posteriormente para um acordo de venda de 90% das ações. A própria SAF Botafogo, em seu informe de gestão de agosto, passou a descrever Gabriel de Alba como investidor alinhado (mecenas) à administração e afirmou que seu apoio financeiro e institucional vinha sendo importante para o processo de reestruturação da companhia. A nova complicação: John Textor e a Justiça inglesa Existe, porém, uma segunda frente jurídica envolvendo a venda do Botafogo, independente do caso Credivalores. Em 12 de agosto de 2026, uma corte comercial de Londres concedeu a John Textor uma medida cautelar que impede, temporariamente, a Cork Gully, administradora da Eagle Football Holdings Bidco, de transferir os 90% das ações da SAF Botafogo. A ordem é provisória e não decidiu definitivamente quem é o proprietário das ações. O processo deverá retornar à Justiça inglesa em 9 de setembro de 2026. Essa informação é fundamental para entender o estágio atual do negócio: o contrato com a GDA Luma existe, mas a transferência definitiva das ações ainda enfrenta obstáculos jurídicos. Gabriel de Alba está impedido de assinar? Não há ainda uma decisão judicial que determine que Gabriel de Alba esteja pessoalmente proibido de assinar documentos ou exercer funções relacionadas à GDA Luma ou ao Botafogo por causa do processo da Credivalores, no cenário atual, que ainda não apontou uma fraude. O que existe é uma ação contra a GDA Luma e outras partes no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. A GDA Luma passou a ter representação formal no processo, e a investigação continua, com maior foco da companhia. Além disso, a liminar concedida em Londres em agosto de 2026 é dirigida à Cork Gully/Eagle Bidco, restringindo a transferência das ações da SAF, e não estabelece, pelo que consta publicamente, uma proibição pessoal contra Gabriel de Alba. Porém Textor e seus parceiros medirão forças. Juridicamente a conclusão da transferência dos 90% da SAF está sob obstáculos judiciais e societários, e que a GDA Luma precisa responder ao processo de recuperação de ativos em Nova York.

O que a ação americana pode significar para o Botafogo

O processo de Credivalores não significa automaticamente que a SAF Botafogo será atingida, nem que os recursos investidos no clube sejam provenientes de ativos que a Justiça americana considere recuperáveis. São processos distintos, com patrimônios e jurisdições diferentes. Mas a ação pode produzir efeitos indiretos importantes. Primeiro, ela aumenta o escrutínio sobre a capacidade financeira e a estrutura de governança do futuro controlador. Segundo, qualquer eventual condenação ou acordo envolvendo valores relevantes poderia afetar a disponibilidade de recursos da GDA Luma. Terceiro, a investigação pode exigir informações adicionais sobre a origem, movimentação e estrutura dos recursos utilizados por empresas ligadas ao fundo. Quarto, a situação aumenta a complexidade de uma operação que já enfrenta litígios relacionados à titularidade das ações da SAF. O que os documentos judiciais realmente dizem Os documentos públicos permitem estabelecer alguns fatos objetivos: A Credivalores - Crediservicios S.A. entrou com Chapter 11 nos Estados Unidos em maio de 2024.

O caso foi convertido para Chapter 7 em julho de 2025. Salvatore LaMonica é o administrador judicial.

Em janeiro de 2026, a Justiça autorizou investigação documental e depoimentos envolvendo GDA Luma, ACON e Gramercy.

Em 25 de junho de 2026, foi apresentada uma ação adversária para recuperar dinheiro e propriedades. GDA Luma Capital Management, LP está entre os demandados.

A ação inclui alegações de transferência fraudulenta, pagamento preferencial e recuperação de propriedades. O processo procura recuperar dezenas de milhões de dólares. O último registro disponível no processo principal, até 24 de agosto de 2026, mostra que a reunião de credores foi novamente adiada para 26 de agosto de 2026.

Uma coincidência de modelos de negócio Há ainda uma questão que merece atenção. O caso Credivalores e a operação Botafogo têm uma característica estrutural semelhante: a GDA Luma atua em situações nas quais uma empresa ou ativo apresenta elevado nível de estresse financeiro. Na Credivalores, o fundo entrou mediante aquisição/troca de dívida e posterior participação societária. No Botafogo, a GDA Luma entrou inicialmente como credora por meio de financiamento emergencial (empréstimo) e posteriormente passou a negociar a aquisição do controle da SAF junto ao Botafogo Social. Isso não significa que as operações sejam juridicamente equivalentes ou que exista irregularidade no negócio brasileiro. Mas explica por que a trajetória da Credivalores ganhou relevância na avaliação da futura controladora do clube.

O risco reputacional para o Botafogo

Para o Botafogo, o problema mais imediato talvez não seja uma eventual obrigação financeira decorrente da ação americana, mas a incerteza sobre o fechamento da transação e a imagem do novo controlador. O clube atravessa uma recuperação judicial, enfrenta problemas financeiros relevantes e busca reconstruir sua estrutura de governança. Em abril de 2026, o próprio Botafogo informou que a Justiça brasileira havia suspendido os direitos políticos da Eagle Football Holdings Bidco e nomeado um gestor interino (Eduardo Iglesias) diante da crise financeira e institucional da SAF. A GDA Luma surgiu justamente como alternativa para estabilizar essa estrutura. Agora, entretanto, o potencial comprador precisa administrar simultaneamente três frentes: O litígio de recuperação de ativos da Credivalores em Nova York; a disputa de John Textor sobre a titularidade das ações da SAF; a conclusão da operação de transferência dos 90% da SAF Botafogo.

O que pode acontecer daqui para frente

O primeiro marco será o andamento da ação da Credivalores em Nova York. A GDA Luma deverá responder às alegações e participar do processo de produção de documentos e defesa, após reunião com credores marcada para 26 de Agosto de 2026. O segundo marco é em 9 de setembro de 2026, quando a Justiça inglesa deverá reexaminar a medida cautelar obtida por John Textor. A ordem atualmente impede a Cork Gully de concluir a transferência das ações, mas não representa decisão definitiva sobre a propriedade do Botafogo.

O terceiro ponto será a conclusão dos procedimentos brasileiros necessários à transferência do controle da SAF.

Até lá, a GDA Luma permanece na posição peculiar de potencial futura controladora do Botafogo, credora da SAF e, simultaneamente, ré em uma ação de recuperação de ativos nos Estados Unidos. O ponto central

O caso Credivalores não prova que a GDA Luma tenha cometido fraude. O que existe é uma acusação formal apresentada por um administrador judicial que tenta recuperar aproximadamente US$ 43 milhões (R$ 221 milhões) em dinheiro e ativos.

Também não há, até o momento, decisão pública que determine que Gabriel de Alba esteja pessoalmente impedido de assinar documentos. Porém como a estrutura da Eagle BidCo/Cork Gully é determinante, não tem como ele assinar somente pela parte do social, ficando com 41%, o social 10%, e o BidCo com 49%. O que os documentos mostram é algo mais preciso e, para o Botafogo, potencialmente mais relevante: a GDA Luma está sob investigação e responde a uma ação de recuperação de ativos nos Estados Unidos ao mesmo tempo em que tenta concluir uma aquisição de US$ 105 milhões (R$ 540 milhões) pelo controle de 90% da SAF Botafogo.

A combinação dos dois fatores torna a conclusão da operação mais sensível. E, com a liminar concedida a John Textor na Inglaterra em 12 de agosto, a transferência das ações já enfrenta um obstáculo judicial independente do processo Credivalores.

A próxima etapa será decisiva para determinar se o projeto de Gabriel de Alba avançará para o controle definitivo do futebol do Botafogo — ou se os litígios em três diferentes frentes jurídicas prolongarão ainda mais a transição de poder no clube.


Notas e referências

Fontes judiciais e documentos oficiais

1. Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York — caso Credivalores - Crediservicios S.A.
Processo nº 24-10837-dsj. Registro do processo de falência, incluindo a abertura do Chapter 11, a posterior conversão para Chapter 7, a atuação do administrador judicial Salvatore LaMonica e os movimentos processuais do caso.


Consulta do processo Credivalores — Southern District of New York


2. Petição de Salvatore LaMonica contra GDA Luma, Gramercy, ACON, Bancien e outros — 25 de junho de 2026.

Documento judicial central da ação de recuperação de ativos. A petição apresenta as alegações de transferência fraudulenta, pagamentos preferenciais e tentativa de recuperação de dinheiro, propriedades e outros ativos da massa falida.

Petição judicial de Salvatore LaMonica — documento do processo


3. Documentos judiciais do processo Credivalores.

Registros e documentos relacionados à investigação conduzida pelo administrador judicial, incluindo informações sobre GDA Luma, ACON Investments e Gramercy.

Documentos do processo Credivalores — Epiq


4. Securities and Exchange Commission (SEC) — GDA Luma Special Opportunities Fund, L.P.

Registro oficial relacionado ao fundo GDA Luma Special Opportunities Fund, L.P.

SEC — GDA Luma Special Opportunities Fund


5. Securities and Exchange Commission (SEC) — Gabriel de Alba e GDA Luma.

Registro oficial que identifica Gabriel de Alba em documentos relacionados ao fundo.

SEC — Gabriel de Alba e GDA Luma


6. SEC Investment Adviser Public Disclosure — GDA Luma Capital Management, LP.

Registro regulatório da GDA Luma Capital Management perante a Securities and Exchange Commission.

SEC AdviserInfo — GDA Luma Capital Management


7. Securities and Exchange Commission — documentos financeiros da Credivalores.

Documentação financeira apresentada à SEC com informações sobre a estrutura de dívida, títulos emitidos e garantias relacionadas à Credivalores.

SEC — documentos financeiros da Credivalores


8. SEC — documentação da reestruturação financeira da Credivalores.

Documento relacionado à reestruturação dos títulos e às condições propostas aos credores da companhia.

SEC — documentação da reestruturação da Credivalores


9. SEC — acordo e garantias da reestruturação da Credivalores.

Documento com informações sobre a estrutura de garantias e utilização de carteiras de crédito na reorganização financeira.

SEC — documentos sobre a reestruturação e garantias


10. Fondo Nacional de Garantías (FNG) — pagamento da garantia dos títulos da Credivalores.

Documento relacionado ao pagamento da garantia de 70% da emissão de títulos da Credivalores e à distribuição dos recursos aos investidores por meio do Deceval.


FNG — comunicado sobre a garantia dos títulos da Credivalores


11. Ban100/Bancien — relatório financeiro.

Documento corporativo que registra relações financeiras e societárias envolvendo Ban100/Bancien, Credivalores, GDA Luma e Gramercy.

Ban100 — relatório financeiro


12. Botafogo — Informe de Gestão de 7 de agosto de 2026.

Documento oficial da SAF Botafogo que aborda a situação financeira e administrativa da companhia e menciona Gabriel de Alba/GDA no contexto da reestruturação.

Botafogo — Informe de Gestão


13. Botafogo — Nota oficial de 28 de abril de 2026.

Documento oficial sobre a situação societária, administrativa e judicial da SAF Botafogo.

Botafogo — Nota oficial


Fontes jornalísticas e análises complementares

14. La República — GDA Luma e o aporte na Credivalores.

Reportagem sobre a entrada da GDA Luma na estrutura acionária da Credivalores e o aporte anunciado em 2023.

La República — GDA Luma capitaliza a Credivalores


15. OffshoreAlert — ação contra Bancien, GDA Luma e outros.

Fonte jornalística especializada que apresenta informações sobre a ação movida no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York.

OffshoreAlert — Credivalores contra Bancien e outros


16. ElevenFlo — histórico do processo de falência da Credivalores.

Análise complementar sobre a trajetória do processo de insolvência, a conversão de Chapter 11 para Chapter 7 e a atuação do administrador judicial.

ElevenFlo — Credivalores - Crediservicios S.A. Bankruptcy Case


17. ElevenFlo — perfil público do processo.

Página complementar com informações processuais e documentos relacionados ao caso Credivalores.

ElevenFlo — perfil público do caso Credivalores


18. The Esk — análise sobre GDA Luma e a SAF Botafogo.

Análise sobre a estrutura da operação envolvendo GDA Luma, Gabriel de Alba e a aquisição de participação na SAF Botafogo.

The Esk — GDA Luma Capital e aquisição da SAF Botafogo


19. The Esk — decisão judicial envolvendo John Textor e as ações da SAF Botafogo.

Análise sobre a medida cautelar obtida por John Textor na Justiça inglesa e seus efeitos sobre a transferência das ações da SAF.

The Esk — liminar de John Textor sobre as ações da SAF Botafogo



Observação jurídica dos EUA

As acusações descritas na ação judicial representam alegações apresentadas pelo administrador judicial Salvatore LaMonica e não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados até que haja decisão judicial ou acordo que estabeleça responsabilidade.


A inclusão da GDA Luma Capital Management, LP, de Gabriel de Alba ou de qualquer outra pessoa ou empresa no processo não significa, por si só, que tenha sido judicialmente reconhecida a prática de fraude.


Da mesma forma, não foi identificada, nas fontes públicas utilizadas para esta matéria, uma decisão judicial ainda que determine que Gabriel de Alba esteja pessoalmente impedido de assinar documentos relacionados à GDA Luma ou à SAF Botafogo; porém Textor não poupará esforços na disputa.


Critério para conversão dos valores

Os valores originalmente divulgados em dólares foram convertidos para reais exclusivamente para facilitar a leitura da matéria. Quando necessário, os valores foram arredondados.


A matéria deve preservar a indicação de que os valores em reais são aproximações, pois a cotação do dólar varia diariamente e cada operação ocorreu em uma data diferente.


Data de referência da conversão: 24 de agosto de 2026.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem