SUPERBARCA: Botafogo prepara adeus a Santi, após promover reformulação do elenco que já economizou R$ 6 milhões por mês


Santi Rodríguez em meados de 2025 - Foto: Vítor Silva/Botafogo

O Botafogo atravessa uma mudança profunda na composição de seu elenco, e dois movimentos ajudam a explicar o atual momento do clube. De um lado, Santiago Mariano “Santi” Rodríguez perdeu espaço e vive um cenário cada vez mais próximo de uma saída definitiva. De outro, a diretoria acelerou a reformulação do grupo, negociou oito jogadores e conseguiu reduzir significativamente o custo mensal do futebol.


Os dois assuntos estão diretamente relacionados.


O Botafogo passou a trabalhar com uma política mais rigorosa de controle da folha salarial, redução do elenco e contratação de jogadores de menor custo. Nesse contexto, Santi Rodríguez, um dos investimentos mais altos realizados pelo clube nos últimos anos, deixou de ser considerado uma peça incontestável do projeto esportivo.


A tendência, hoje, é que o uruguaio deixe o clube caso apareça uma proposta próxima de €6 milhões conforme apurou a Gazeta Botafogo.


SANTI RODRÍGUEZ: UM CICLO CADA VEZ MAIS PRÓXIMO DO FIM


Santi Rodríguez novamente ficou sem espaço no Botafogo.


O meia uruguaio não foi relacionado para o clássico contra o Fluminense, no sábado, por decisão técnica de Franclim Carvalho. A ausência aconteceu depois de um período de quase duas semanas sem jogos, justamente quando o jogador buscava recuperar espaço no elenco.


O cenário chama atenção porque Santi chegou a treinar entre os titulares durante o início da semana no Espaço Lonier. Na lista final, entretanto, ficou fora até mesmo do banco de reservas.


Franclim tratou a decisão como opção técnica e citou outros jogadores que também ficaram fora, como Kadu e Anthony. A justificativa não altera, porém, a realidade de Santi dentro do elenco: o uruguaio vem recebendo cada vez menos minutos.


A última vez em que começou uma partida como titular foi pela Copa Sul-Americana, competição que o Botafogo volta a disputar nesta semana.


Pouco espaço com Franclim

Os números ajudam a dimensionar a perda de protagonismo.


Santi foi relacionado em 13 dos 19 jogos disputados pelo Botafogo sob o comando de Franclim Carvalho, mas começou apenas quatro dessas partidas como titular.


Antes da chegada do treinador português, o meia havia participado de dez jogos no ano, sendo titular em seis.


A diferença é significativa.


Santi não está afastado do elenco e tampouco foi colocado oficialmente no grupo de jogadores fora dos planos. Ele continua à disposição da comissão técnica. O problema é que deixou de ocupar uma posição de prioridade.


E o próprio jogador quer mais.


O episódio contra o Cruzeiro

A insatisfação de Santi veio a público depois da vitória sobre o Cruzeiro.


Chamado para entrar nos minutos finais, o uruguaio demonstrou irritação e questionou o auxiliar Luís Felipe Fernandes sobre o tempo que teria em campo.


O episódio tornou público um desconforto que já existia internamente.


Santi quer jogar.


O Botafogo, por sua vez, precisa encontrar uma solução para um jogador que representou um investimento elevado, mas que atualmente não possui espaço garantido no time titular.


Duas semanas depois daquele episódio, veio a ausência no clássico contra o Fluminense.


O investimento de R$ 85 milhões

O Botafogo pagou aproximadamente R$ 85 milhões pela contratação de Santi Rodríguez em fevereiro de 2025.


O investimento colocou sobre o meia uma expectativa naturalmente elevada. Ele chegou para ser uma das principais peças ofensivas da equipe e ocupar um espaço importante após a saída de Thiago Almada.


Mais de um ano depois, entretanto, a realidade é diferente.


Santi não conseguiu se estabelecer como titular absoluto e agora aparece em uma situação na qual uma transferência definitiva começa a ser vista como a melhor alternativa para todas as partes.


O Botafogo não considera interessante simplesmente emprestá-lo.


Empréstimo não interessa ao Botafogo

Antes da parada para a Copa do Mundo, o estafe de Santi se reuniu com a diretoria alvinegra para discutir o futuro do jogador.


Uma possibilidade apresentada foi a saída por empréstimo.


O clube descartou.


A razão é financeira. O Botafogo entende que fez um investimento alto para contratar o meia e, portanto, não considera adequado abrir mão temporariamente do jogador sem uma perspectiva clara de recuperação do capital aplicado.


O Columbus Crew, dos Estados Unidos, tentou uma operação de empréstimo com obrigação de compra, mas as conversas não avançaram.


Agora, a preferência é por uma venda.


€6 milhões podem ser suficientes

Nos bastidores, uma proposta próxima de €6 milhões (R$ 35,4 milhões) pode ser suficiente para convencer o Botafogo a negociar Santi.


Seria uma operação abaixo do valor investido pelo clube na contratação, mas a diretoria considera necessário analisar o cenário de maneira pragmática.


Manter um jogador caro, com pouco espaço e insatisfeito com sua utilização pode representar um risco maior do que aceitar uma perda financeira e liberar espaço no elenco.


A janela de transferências permanece aberta até 11 de setembro.


Até lá, o Botafogo poderá receber novas sondagens e avaliar uma eventual proposta definitiva.


A Copa Sul-Americana também pode funcionar como vitrine para Santi. Caso volte a receber oportunidades, o uruguaio terá a possibilidade de demonstrar seu futebol e, consequentemente, melhorar sua posição no mercado.


Mas a mensagem interna é clara: se o valor considerado adequado aparecer, a tendência é pela venda.


BOTAfOGO CORTA R$ 6 MILHÕES DA FOLHA E MUDA PERFIL DO ELENCO

A possível saída de Santi acontece dentro de uma transformação muito maior.


O Botafogo iniciou o segundo semestre com uma missão definida pelo departamento de futebol: reduzir o tamanho do elenco, retirar jogadores que não estavam nos planos e diminuir significativamente a folha salarial.


O clube trabalhava com uma folha próxima de R$ 21 milhões mensais e tinha como objetivo chegar a algo perto de R$ 15 milhões.


O resultado já apareceu.


As saídas de oito jogadores proporcionaram uma economia aproximada de R$ 6 milhões por mês.


Oito jogadores deixaram o clube

A reformulação envolveu diferentes tipos de negociação.


O Botafogo utilizou vendas, empréstimos e rescisões amigáveis para reduzir o custo do elenco.


As oito saídas foram:


Bastos — rescisão;

Chris Ramos — empréstimo ao Real Oviedo, da Espanha;

Joaquín Corrêa — rescisão e assinatura com o Estudiantes, da Argentina;

Léo Linck — empréstimo ao Estrela Amadora, de Portugal;

Nathan Fernandes — empréstimo ao Ludogorets, da Bulgária;

Neto — rescisão;

Newton — vendido ao São Paulo;

Raul — rescisão e assinatura com o AVS Futebol SAD, de Portugal.

O resultado foi uma redução expressiva da folha sem que o Botafogo simplesmente desmontasse o elenco.


A estratégia foi substituir parte dos jogadores por atletas com custo mensal inferior.


Dois jogadores ainda precisam de solução

O processo ainda não terminou.


Ythallo e Caio Roque permanecem com seus futuros indefinidos.


Os dois estão fora dos planos desde a reapresentação após a Copa do Mundo, mas o Botafogo possui estratégias diferentes para cada um.


A ideia é emprestar Ythallo para que o zagueiro tenha mais minutos e experiência.


No caso de Caio Roque, a prioridade é encontrar um novo clube, considerando que o lateral possui vínculo por empréstimo com a Portuguesa.


A expectativa é que novas movimentações aconteçam antes do fechamento da janela.


Seis reforços chegam com custo menor

Enquanto abre espaço na folha, o Botafogo também foi ao mercado.


O clube contratou seis jogadores:


Warleson, Gabriel Batista, Lucas Monzón, Paulinho, Domingos Andrade e Danilo Pereira.


A diferença está no perfil das operações.


A previsão interna é de que o custo mensal dos novos atletas represente menos da metade da economia gerada pelas oito saídas.


Na prática, o clube está tentando fazer uma troca estrutural: diminuir salários, reduzir o número de jogadores e utilizar o mercado para montar um elenco mais barato.


Não se trata apenas de uma reformulação esportiva.


É uma reformulação financeira.


Uma nova filosofia para o Botafogo

A mudança acontece junto com uma nova etapa administrativa da SAF.


O clube está sob o comando de Eduardo Iglesias e tem uma nova investidora, a GDA, se aproximando do projeto.


Esta é a primeira janela sob influência da nova estrutura.


Nos bastidores, a orientação é semelhante à estratégia adotada no início da gestão de John Textor: procurar jogadores pouco badalados, com custo de contratação mais baixo e potencial de valorização.


A ideia é construir um time mais “operário”, baseado em intensidade, competitividade e, principalmente, na atuação do departamento de scout.


O objetivo é reduzir a dependência de grandes investimentos em jogadores já valorizados no mercado.


E é justamente aí que o caso Santi Rodríguez ganha importância.


Santi representa o antigo modelo diante de uma nova realidade

Santi foi uma contratação de alto investimento.


O Botafogo pagou cerca de R$ 85 milhões por um jogador que chegou com expectativa de protagonismo.


Agora, enquanto o clube trabalha para economizar aproximadamente R$ 6 milhões mensais com sua reformulação, o meia pode ser vendido por cerca de €6 milhões caso surja uma proposta.


O contraste é evidente.


De um lado, o Botafogo está tentando construir um elenco mais barato e funcional.


Do outro, mantém em seu grupo um jogador caro que perdeu espaço com o treinador.


A saída pode, portanto, fazer sentido não apenas pelo aspecto esportivo, mas também pelo financeiro.


Quem conduz as negociações

Dentro do novo modelo, as negociações de entrada e saída foram divididas.


As operações de saída são conduzidas por Deive Bandeira.


As contratações ficam sob responsabilidade de Brunno Noce.


O diretor de futebol Léo Coelho participa dos dois processos.


A palavra final, porém, é de Eduardo Iglesias, diretor geral da SAF.


A estrutura mostra que o Botafogo tenta estabelecer uma divisão mais clara de responsabilidades no mercado.


O objetivo é controlar custos e, ao mesmo tempo, buscar jogadores que estejam de acordo com o novo perfil desejado.


Menos estrelas, mais eficiência

A principal mudança no Botafogo não está apenas na quantidade de jogadores que deixaram o clube.


Está na lógica por trás das decisões.


O clube quer gastar menos.


Quer ter um elenco menor.


Quer diminuir a folha.


Quer contratar jogadores mais baratos.


E quer aumentar a importância do scout na formação do grupo.


As oito saídas representam o primeiro passo. Os seis reforços mostram que a redução de custos não significa abandono do mercado.


A diferença é que, agora, cada contratação precisa fazer sentido dentro de uma estrutura financeira mais controlada.


Enquanto isso, a reformulação continuará.


Ythallo e Caio Roque ainda precisam ter seus destinos definidos, novas oportunidades podem aparecer para outros atletas e o Botafogo seguirá procurando reforços dentro da nova política de mercado.


O cenário é de transição.


Santi Rodríguez representa uma contratação cara que perdeu espaço. As oito saídas representam a tentativa de corrigir a estrutura financeira. Os seis reforços representam o novo modelo de mercado.


No fim, os três movimentos fazem parte da mesma história: o Botafogo está deixando para trás um modelo de elenco mais caro e tentando construir uma equipe mais enxuta, competitiva e financeiramente sustentável.

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