Estêvão Prates Benincá de 42 anos assume presidência do Conselho da SAF Botafogo com missão de reconstruir a governança corporativa com elo da GDA Luma

Estêvão Benincá - Foto Reprodução/Instagram


Executivo de muitos anos do Banestes, especialista em finanças e controladoria, chega para ser o presidente e liderar o Conselho de Administração da SAF alvinegra com foco em transparência, conformidade e fortalecimento institucional. Permanência após a conclusão da venda para a GDA Luma Capital já é prevista.


A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo iniciou uma nova fase em sua estrutura de governança. Estêvão Prates Benincá, de 42 anos, tomou posse como presidente do Conselho de Administração da SAF na última sexta-feira e assume uma das funções mais estratégicas da organização em um momento de transição administrativa, financeira e societária.


Administrador de formação, mestre em Finanças e Controladoria pela Fucape Business School e diretor do Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo), Benincá chega com a responsabilidade de estruturar praticamente do zero um modelo moderno de governança corporativa para o clube, considerado hoje um dos principais desafios da SAF.



Estêvão Benincá no gramado do Estádio Nilton Santos - Foto Divulgação/Botafogo



Em publicação no seu perfil do Instagram, o dirigente destacou o simbolismo do novo cargo.


"Assumo como Presidente do Conselho da SAF Botafogo! Meu time de coração e de três gerações! Agradeço ao João Paulo Magalhães Lins por estar comigo nesse desafio."


A indicação foi conduzida pelo presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães Lins, durante o processo de reorganização institucional iniciado após a saída de John Textor do controle da SAF.


Perfil técnico voltado ao mercado financeiro

Ao contrário de dirigentes ligados diretamente ao futebol, Estêvão Benincá construiu praticamente toda sua carreira no sistema financeiro.


Como diretor do Banestes, participa da administração de uma carteira de crédito superior a R$ 14 bilhões, experiência considerada relevante justamente pelo ambiente altamente regulado em que atua o setor bancário.


No mercado financeiro, processos de governança exigem cumprimento rigoroso das normas do Banco Central, Conselho Monetário Nacional, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), auditorias permanentes, controles internos, gestão de riscos e elevados padrões de transparência.


Essa experiência foi determinante para sua escolha.


Segundo informações divulgadas pelo Canal do Manel e confirmadas posteriormente pelo próprio dirigente, sua principal missão será implantar uma estrutura robusta de governança corporativa na SAF do Botafogo.


Missão é fortalecer governança da SAF

Em entrevista ao GE, Benincá explicou quais serão suas prioridades no cargo.


"Chego com a vontade de contribuir para que o Botafogo siga entre os protagonistas do futebol. Em parceria com a gestão, quero fortalecer processos, aprimorar a governança e ajudar o clube a seguir alinhado às melhores práticas de mercado, com responsabilidade financeira e visão de longo prazo."


Mais do que atuar na administração cotidiana do futebol, sua função será supervisionar a estrutura institucional da empresa.


Entre suas atribuições estão:


fiscalização da gestão executiva;

acompanhamento da relação entre investidores e a SAF;

implantação de modelos de governança corporativa;

definição de diretrizes estratégicas;

fortalecimento do desenvolvimento institucional;

supervisão dos atos da diretoria executiva.

Ou seja, o presidente do Conselho não participa das decisões operacionais do futebol, mas exerce papel central na fiscalização e orientação estratégica da empresa.


Permanência após chegada da GDA Luma

Uma das informações mais relevantes envolvendo a nova gestão é que Benincá deverá permanecer no cargo mesmo após a conclusão da venda da SAF para a GDA Luma Capital, grupo liderado por Gabriel de Alba.


Segundo apuração do Canal do Manel, o executivo já conta com respaldo para continuar à frente do Conselho durante a nova administração.


O próprio dirigente comentou a expectativa em relação ao novo investidor.


"Com a vinda de Gabriel de Alba, que será o novo investidor da SAF, vamos trabalhar para fortalecer ainda mais a estrutura do clube e consolidar um Botafogo cada vez mais competitivo e preparado para o futuro."


A permanência sinaliza que a reorganização institucional deverá ultrapassar a fase de transição entre os controladores da SAF.


Governança passa a ser prioridade estratégica

Embora boa parte da torcida acompanhe principalmente o desempenho esportivo, os bastidores administrativos ganharam protagonismo após a crise financeira enfrentada pela SAF.


Segundo análises apresentadas pelo Canal do Manel, a nova administração encontrou uma estrutura considerada insuficiente do ponto de vista de governança corporativa.


A avaliação é que diversos mecanismos formais de controle previstos para empresas desse porte ainda precisam ser estruturados ou aperfeiçoados.


Entre eles:


políticas internas;

funcionamento efetivo dos conselhos;

processos formais de aprovação;

gestão de riscos;

transparência administrativa;

controles institucionais;

mecanismos permanentes de fiscalização.

Especialistas em compliance costumam destacar que a governança corporativa não tem como objetivo apenas burocratizar decisões, mas criar mecanismos capazes de impedir que decisões individuais coloquem em risco o patrimônio da empresa.


Experiência bancária pode acelerar mudanças

O histórico profissional de Benincá é visto como um diferencial justamente porque o mercado financeiro opera sob algumas das normas mais rigorosas do ambiente empresarial brasileiro.


Instituições financeiras precisam manter controles permanentes sobre:


concessão de crédito;

gerenciamento de riscos;

auditorias independentes;

prestação de contas;

transparência regulatória;

controles internos;

conformidade legal (compliance).

A expectativa é que parte dessa cultura organizacional seja adaptada à realidade da SAF do Botafogo.


Segundo pessoas próximas ao processo de transição, a intenção é implantar uma estrutura de governança comparável aos padrões utilizados em grandes instituições financeiras.


Novo Conselho foi formado após saída de John Textor

Benincá passou a integrar o Conselho de Administração após a destituição de John Textor do comando da SAF.


Além dele, foram nomeados:


Ricardo Menezes Mello, integrante do Conselho Fiscal do Botafogo associativo;

Carlos Thiago Cesario Alvim, assessor da presidência do clube social.

A composição marca o início de uma nova configuração institucional da SAF.


Governança e Lei da SAF

A reestruturação também ocorre em meio às exigências previstas pela Lei nº 14.193/2021, conhecida como Lei da SAF.


A legislação estabelece que o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal são órgãos obrigatórios e de funcionamento permanente.


Além disso, alterações recentes na legislação ampliaram exigências relacionadas à transparência, publicidade de documentos institucionais e participação de conselheiros independentes.


Na prática, essas medidas buscam aumentar o controle sobre as decisões administrativas e oferecer maior segurança para investidores, credores e demais partes interessadas.


Ambiente financeiro exige credibilidade

Outro aspecto apontado por analistas é que empresas com estruturas sólidas de governança tendem a apresentar menor percepção de risco perante instituições financeiras.


Isso pode facilitar:


acesso ao crédito;

redução de custos financeiros;

melhoria das condições de financiamento;

fortalecimento da imagem institucional;

aumento da confiança de investidores.


Para uma SAF em processo de reorganização financeira, esses fatores podem se tornar relevantes ao longo dos próximos anos.


Planejamento de longo prazo

Segundo Benincá, o objetivo não é apenas resolver questões imediatas, mas construir bases permanentes para o crescimento da instituição.


Sua atuação deverá concentrar esforços na criação de processos duradouros, capazes de fortalecer a estabilidade administrativa da SAF independentemente das mudanças futuras de investidores ou dirigentes.


A expectativa dentro do clube é que a implantação de novos mecanismos de governança aconteça gradualmente, acompanhando a chegada da GDA Luma Capital e a consolidação do novo modelo de gestão.


Mais do que uma mudança de nomes, a posse de Estêvão Prates Benincá representa uma tentativa de reposicionar institucionalmente a SAF do Botafogo, aproximando sua administração das práticas adotadas por grandes empresas e instituições financeiras, em um momento considerado decisivo para o futuro do clube.

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