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João Paulo Magalhães Lins apontando para um lado, e olhando para outro lado em conversa com a torcida organizada Fúria Jovem Botafogo na frente do Espaço CT Lonier em 01/09/2026 - Foto Divulgação/FJB |
O processo de transição do controle da SAF do Botafogo para a GDA Luma ganhou um personagem central nos bastidores: João Paulo Magalhães Lins, presidente do clube social. Em meio às negociações para a conclusão da venda e à reorganização da estrutura do futebol, o dirigente passou a exercer papel cada vez mais relevante nas decisões do departamento e se tornou o principal elo entre o Botafogo e o empresário mexicano Gabriel de Alba, investidor e sócio-diretor da GDA.
As informações foram divulgadas pelo ge nesta quarta-feira (2), em reportagem assinada por Letícia Marques e Rafael Bizarelo. Segundo o veículo, João Paulo vem participando diretamente da montagem da estrutura do futebol e liderou a chegada de profissionais de sua confiança para áreas estratégicas do clube.
A movimentação acontece justamente em um período considerado sensível para o Botafogo: a SAF ainda está em processo de transição para a GDA Luma, enquanto o clube precisa manter o futebol competitivo, reorganizar suas contas e definir os próximos passos esportivos.
Nesse cenário, João Paulo passou a ocupar uma posição que ultrapassa as atribuições tradicionais de um presidente do clube social.
A aproximação com Gabriel de Alba
A relação de João Paulo com Gabriel de Alba é um dos principais elementos para entender o peso que o dirigente ganhou no atual momento do Botafogo.
De acordo com o ge, João Paulo mantém conversas frequentes com De Alba e com Eduardo Iglesias, diretor-geral da SAF. Os três participam das discussões consideradas mais importantes para o futuro do futebol alvinegro.
O papel de João Paulo ganhou ainda mais relevância a partir da aproximação que ajudou a transformar a relação da GDA com o Botafogo. Gabriel de Alba inicialmente apareceu como credor do clube, depois de um empréstimo realizado no início do ano, ainda durante a gestão de John Textor. Ao longo dos meses, porém, as conversas avançaram até a construção do acordo para a transferência do controle da SAF.
A GDA, segundo as informações apresentadas pelo clube, já realizou US$ 25 milhões em aportes no Botafogo desde então. Pela cotação de referência de R$ 5,16 por dólar em 2 de setembro, o valor equivale a aproximadamente R$ 129 milhões.
Esse montante é separado do empréstimo de US$ 25 milhões feito em fevereiro, utilizado para o pagamento da dívida relacionada à negociação de Thiago Almada. Convertido pela mesma cotação de referência, o empréstimo corresponde a cerca de R$ 129 milhões.
Assim, considerando os dois valores mencionados — os US$ 25 milhões em aportes e os US$ 25 milhões do empréstimo de fevereiro — chega-se a US$ 50 milhões, ou aproximadamente R$ 258 milhões, embora sejam operações de naturezas distintas e não devam ser tratadas como um único aporte.
Os recursos ajudaram o Botafogo a manter salários de jogadores e funcionários em dia e deram ao clube condições para atravessar a janela de transferências com maior previsibilidade financeira.
João Paulo passa a participar da montagem do futebol
A influência do presidente do clube social também aparece na composição do departamento de futebol.
Durante a transição, o Botafogo promoveu mudanças na estrutura interna e contratou profissionais que têm relação anterior com João Paulo. Entre os nomes estão Marcelo Salles, conhecido como "Fera", e Ronaldo Torres.
Marcelo Salles chegou para integrar a comissão técnica permanente como auxiliar. O profissional trabalhou nos últimos anos ao lado de Renato Gaúcho.
Ronaldo Torres, por sua vez, retornou ao Botafogo para trabalhar na preparação física. O profissional já havia passado pelo clube e fazia parte da estrutura do time campeão brasileiro de 1995.
A escolha dos profissionais se encaixa em uma ideia atribuída a João Paulo: aumentar a presença de nomes experientes na estrutura do futebol, os chamados "mais cabeças brancas", em referência a profissionais com trajetória e conhecimento do ambiente do futebol.
A mudança, entretanto, não significa a substituição completa da estrutura criada durante a chamada era Textor.
Estrutura antiga permanece em áreas estratégicas
Apesar das novas indicações, profissionais que já estavam no futebol do Botafogo continuam exercendo funções importantes.
Deive Bandeira permanece como diretor de player trading, responsável principalmente pelas movimentações relacionadas às saídas de jogadores. Brunno Noce segue como head scout, trabalhando na identificação de atletas e no processo de contratações.
Léo Coelho continua como diretor de futebol, fazendo a ligação entre diferentes setores do departamento.
A dinâmica envolve a apresentação de cenários esportivos e financeiros à direção da SAF. A avaliação passa por Eduardo Iglesias, diretor-geral, e pelo alinhamento com a GDA.
Na prática, o Botafogo atravessa uma estrutura híbrida: profissionais remanescentes da administração anterior continuam trabalhando no futebol, enquanto João Paulo ganha espaço na tomada de decisões e novos nomes ligados ao presidente são incorporados ao departamento.
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Thiago Alves e JP Magalhães em 2018 - Foto Reprodução |
Thiago Alves é a indicação mais recente
A movimentação mais recente foi a chegada de Thiago Alves para o cargo de gerente de futebol.
Segundo o ge, Alves tem relação profissional anterior com João Paulo, com quem trabalhou no Boavista. O novo gerente ficará encarregado principalmente de questões administrativas e logísticas relacionadas ao futebol.
A escolha reforça o padrão observado nas últimas mudanças: João Paulo participa diretamente da indicação de profissionais para posições estratégicas.
O objetivo, nesse momento, é montar uma estrutura com experiência suficiente para lidar com as demandas de um clube que vive simultaneamente uma transição societária, uma reorganização financeira e uma pressão esportiva.
Paulo Bonamigo recuou após reação da torcida
Outro nome que esteve próximo de integrar a nova estrutura foi Paulo Bonamigo.
O ex-jogador e treinador chegou a ser anunciado para assumir a função de coordenador técnico, mas acabou desistindo diante da forte rejeição de parte da torcida.
O episódio mostrou que a reorganização do departamento de futebol não ocorre apenas dentro dos gabinetes. A relação com os torcedores também passou a ser um fator relevante para a implementação das mudanças.
O caso Bonamigo também evidencia o grau de exposição que João Paulo enfrenta neste período. Ao assumir protagonismo na montagem do futebol, o presidente do clube social passa a ser associado não apenas às decisões administrativas, mas também aos resultados das escolhas feitas no futebol.
Mercado mais cauteloso
A reorganização interna acontece paralelamente a uma postura mais conservadora do Botafogo no mercado de transferências.
Com diversas saídas de jogadores, o clube conseguiu reduzir a pressão sobre a folha salarial. A estratégia nesta janela tem sido evitar grandes investimentos e buscar atletas considerados alternativas menos óbvias no mercado.
A mudança de perfil está relacionada ao momento financeiro e à necessidade de equilibrar competitividade esportiva com responsabilidade orçamentária.
O Botafogo, portanto, não vive apenas uma mudança de comando societário. A transição para a GDA também está produzindo uma mudança de filosofia na gestão do futebol.
Decisões passam por João Paulo, Iglesias e De Alba
O funcionamento da atual estrutura pode ser resumido em três personagens: João Paulo Magalhães, Eduardo Iglesias e Gabriel de Alba.
Segundo o ge, João Paulo e Iglesias recebem as informações e análises de quem trabalha diretamente no futebol. Os temas considerados mais importantes são então levados a De Alba para discussão e alinhamento.
É nesse contexto que o presidente do clube social ganhou o status de principal ponte entre o Botafogo no Brasil e o empresário mexicano.
A dinâmica é particularmente importante porque a transferência definitiva do controle da SAF ainda não foi concluída.
Enquanto isso, João Paulo participa das conversas sobre decisões esportivas, contratações, estrutura administrativa e definição da comissão técnica.
Novo treinador ainda é uma incógnita
Uma das decisões mais importantes em discussão é justamente a contratação do próximo treinador.
O Botafogo avalia, de acordo com o ge, dois caminhos principais: um profissional de renome internacional ou um treinador brasileiro experiente. Ainda não existe, porém, um perfil definitivo escolhido.
Até que a decisão seja tomada, Rodrigo Bellão seguirá no comando da equipe.
A escolha do próximo treinador será um dos primeiros grandes testes dessa nova dinâmica de poder. O nome precisará passar pela avaliação esportiva, financeira e administrativa e, sobretudo, pelo alinhamento entre a estrutura atual do futebol, Eduardo Iglesias, João Paulo e Gabriel de Alba.
A própria demissão de Franclim Carvalho, segundo o ge, foi definida após uma reunião durante a passagem de Gabriel de Alba pelo Brasil, em agosto.
João Paulo pode continuar influente depois da venda
O aspecto mais significativo dos bastidores, porém, pode estar no que acontecerá depois da conclusão da operação com a GDA.
A expectativa, segundo as informações divulgadas pelo ge, é que João Paulo Magalhães não necessariamente deixe de participar das decisões quando a transferência da SAF for formalizada.
Ao contrário: sua proximidade com Gabriel de Alba pode fazer com que o presidente do clube social continue sendo um personagem importante na estrutura de poder do Botafogo.
Isso significa que a transição não deve representar necessariamente uma ruptura entre o clube social e a gestão da SAF.
João Paulo construiu uma relação direta com o novo investidor e se tornou a principal ligação entre o ambiente institucional do Botafogo no Brasil e o grupo mexicano. Essa posição pode garantir ao dirigente influência mesmo após a mudança formal do controle.
O novo desenho de poder do Botafogo
O cenário atual revela um Botafogo dividido entre continuidade e mudança.
De um lado, profissionais que participaram da estrutura montada durante a administração de John Textor continuam em posições estratégicas. De outro, João Paulo Magalhães passou a participar mais diretamente das decisões e promoveu a entrada de nomes de sua confiança.
No centro dessa transição está a GDA Luma, que já colocou recursos relevantes no clube e caminha para assumir definitivamente o controle da SAF.
O desafio agora é transformar essa estrutura provisória em um modelo de gestão estável.
Para isso, será necessário definir com clareza os limites de atuação de cada grupo: o clube social, a SAF, a GDA e os executivos responsáveis pelo futebol.
Até que a operação seja concluída, entretanto, João Paulo Magalhães aparece como uma das figuras mais importantes desse processo.
O presidente do clube social deixou de ser apenas um observador da transição. Ele participa das escolhas, indica profissionais, dialoga diretamente com o futuro controlador da SAF e influencia a formação do departamento de futebol.
A chegada de Thiago Alves, depois das incorporações de Marcelo Salles e Ronaldo Torres e da frustrada contratação de Paulo Bonamigo, é mais um capítulo dessa transformação.
E, se a relação construída com Gabriel de Alba permanecer como está, a influência de João Paulo pode sobreviver à própria transição que ajudou a conduzir.
Os valores envolvidos
US$ 25 milhões em aportes da GDA: aproximadamente R$ 129 milhões.
US$ 25 milhões de empréstimo em fevereiro: aproximadamente R$ 129 milhões.
Total dos dois valores mencionados: US$ 50 milhões, aproximadamente R$ 258 milhões.
Com tantas mudanças e a chegada de profissionais que mantêm relações próximas com João Paulo Magalhães Lins, cresce o questionamento sobre os critérios utilizados para a montagem da nova estrutura do futebol do Botafogo. Para críticos desse modelo, o clube corre o risco de se transformar em um verdadeiro “balcão de negócios” ou “cabide de empregos”, com espaço para que pessoas do círculo de relacionamento do presidente ocupem cargos estratégicos.
A comparação com o Boavista também começa a aparecer nos bastidores e entre torcedores. Isso porque João Paulo Magalhães Lins já trabalhou no clube de Saquarema e, agora no Botafogo, alguns dos nomes escolhidos para integrar o departamento de futebol têm ligação profissional anterior com ele. Para os críticos, a preocupação é que uma metodologia de gestão e a formação de grupos de confiança que funcionaram em um clube de menor estrutura estejam sendo reproduzidas em uma instituição de dimensão, orçamento, torcida e responsabilidade muito maiores.
O temor, portanto, é que o Botafogo passe a operar sob uma lógica excessivamente baseada em relações pessoais e indicações, em vez de priorizar exclusivamente critérios técnicos, profissionais e estratégicos. Nesse cenário, a expressão “Botafogo está se tornando um Boavista” surge como uma crítica à forma como o departamento vem sendo montado sob a influência de João Paulo.
A discussão ganha ainda mais peso porque o Botafogo atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente, com a transição do controle da SAF para a GDA Luma ainda em andamento e sem uma definição completa sobre como ficará a estrutura de poder após a conclusão da operação.
Enquanto João Paulo Magalhães Lins amplia sua participação nas decisões e fortalece sua relação com Gabriel de Alba, permanece uma questão central para o torcedor: qual será, de fato, o projeto para o futuro do Botafogo?
Por enquanto, a resposta ainda não está definida. E, diante das mudanças promovidas nos bastidores, da indicação de nomes ligados ao presidente e da indefinição sobre o comando esportivo, o futuro do Botafogo continua cercado de dúvidas.

