Fim Do Transfer Ban: Após disputa na FIFA e no CAS, Botafogo inicia pagamento milionário de 4 parcelas ao Atlanta United por Thiago Almada

 
                  Thiago Almada - Foto: Vítor Silva/Botafogo


Após 20 meses de impasse, o Atlanta United finalmente deu um passo decisivo rumo ao encerramento da disputa financeira com o Botafogo pela transferência de Thiago Almada. Na sexta-feira, o clube Norte-americano recebeu o primeiro pagamento referente aos US$ 31,5 milhões devidos pela negociação do meia argentino.

A longa cobrança envolveu instâncias máximas do futebol mundial, como a FIFA e o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), além de inúmeras rodadas de negociação entre as partes.

“Hoje, podemos confirmar que o Botafogo efetuará o pagamento integral da taxa de transferência, acrescida de juros, conforme estabelecido no acordo”, afirmou o Atlanta United em comunicado oficial. “Agradecemos as decisões da FIFA e do CAS, que reforçam padrões essenciais para um mercado de transferências internacional justo e sustentável.”

O clube da MLS se recusou a divulgar detalhes adicionais, alegando a existência de uma cláusula de confidencialidade no acordo firmado.

Pagamento parcelado e punições severas

O valor será quitado em 4 parcelas, seguindo um cronograma previamente definido. Segundo uma fonte com conhecimento direto do acordo — que pediu anonimato — não foi informado o número exato de pagamentos. A mesma fonte revelou que o contrato prevê sanções rigorosas em caso de inadimplência, incluindo aplicação de juros significativamente mais altos sobre o saldo devedor e uma recomendação formal à FIFA para impor uma nova proibição de transferências, medida já aceita pelo Botafogo.

O depósito inicial realizado na sexta-feira marca o desfecho de um processo comercial que se arrastava havia quase 20 meses.

Entenda o caso Almada

O Atlanta United vendeu Thiago Almada ao Botafogo em 6 de julho de 2024, por uma taxa base de US$ 21 milhões. O contrato incluía cláusulas de bônus por desempenho, juros por atraso e uma cláusula de revenda, garantindo ao clube norte-americano uma porcentagem de uma futura negociação do jogador.

Na prática, o acordo não se desenvolveu como esperado.

Diante da falta de pagamento, o Atlanta United recorreu à FIFA, que decidiu a seu favor em fevereiro de 2025. O Botafogo, então, apresentou recurso ao CAS.

Enquanto o processo seguia, Almada foi negociado com o Atlético de Madrid, em julho de 2025, por cerca de US$ 29 milhões. Com a ativação das cláusulas contratuais, o valor total devido ao Atlanta United chegou a aproximadamente US$ 30 milhões.

No início de dezembro de 2025, o CAS manteve a decisão favorável ao clube da MLS e determinou que o pagamento fosse efetuado até 26 de dezembro. O atraso ocorreu, segundo a fonte, por divergências em torno da cláusula que exigia o pagamento integral imediato, e não parcelado.

Novamente, a estratégia não surtiu efeito.

Proibição de transferências e acordo final

Em 31 de dezembro, a FIFA incluiu o Botafogo na lista de clubes com proibição de registro de novos jogadores por três janelas de transferências, a começar pela de janeiro. Embora o clube ainda pudesse vender atletas, estava impedido de registrar reforços — uma das punições mais severas previstas no regulamento internacional.

As negociações continuaram ao longo do mês seguinte, até que a resolução definitiva foi alcançada na sexta-feira.

O caso se tornou um dos conflitos de transferência mais incomuns da história recente da MLS.

Almada e o modelo de negócios do Atlanta United

Thiago Almada foi contratado pelo Atlanta United em fevereiro de 2022, por US$ 16 milhões, como parte da estratégia do clube de investir em talentos sul-americanos com potencial de valorização. O modelo já havia dado resultado com Miguel Almirón, comprado do Lanús por US$ 8,7 milhões em 2016 e vendido ao Newcastle por até US$ 27 milhões. Outros nomes, como Ezequiel Barco e Pity Martínez, também fizeram parte desse projeto, ainda que com retorno mais limitado.

Em 2022, Almada se destacou com seis gols e 12 assistências, desempenho que o levou à seleção argentina campeã da Copa do Mundo do Catar — tornando-se o primeiro jogador ativo da MLS a disputar um Mundial.

Ele encerrou sua passagem pelo Atlanta United com 23 gols e 17 assistências.

Tanto o ex-presidente do clube, Darren Eales, quanto seu sucessor, Garth Lagerwey, sempre deixaram claro que vendas seriam consideradas desde que beneficiassem o jogador e atendessem aos interesses esportivos e financeiros do clube.

A proposta do Botafogo e sua ambição por títulos pareciam atender a esses critérios.

Sucesso esportivo e tensão financeira

No Brasil, Almada foi peça importante na campanha que culminou no título da Copa Libertadores de 2024. Com três gols e duas assistências em 24 partidas, ele acionou cláusulas de desempenho previstas no contrato. Em dezembro de 2024, acabou emprestado ao Lyon, clube que pertence ao mesmo grupo controlador do Botafogo.

Segundo a fonte ouvida, o Atlanta United não se arrepende de ter negociado o jogador.

A avaliação interna é de que o Botafogo só passou a ter incentivo real para quitar a dívida após a imposição da punição da FIFA. O custo de recorrer a empréstimos bancários para efetuar o pagamento poderia ter sido maior do que os juros previstos no contrato por atraso — ao menos até a entrada em vigor da proibição de transferências.

No fim, a pressão institucional falou mais alto.


Com Informações Doug Roberson AJC

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