A Autoridade dos Mercados Financeiros da França, a Autorité des Marchés Financiers (AMF), abriu uma investigação sobre a empresária Michele Kang por suspeitas de um “acordo paralelo” envolvendo a estrutura de governança da holding Eagle Football Holdings, grupo controlado pelo empresário John Textor e que reúne clubes como o Botafogo de Futebol e Regatas e o Olympique Lyonnais.
De acordo com informações divulgadas inicialmente pelo portal Lance!, a investigação apura a existência de um suposto acordo não divulgado firmado entre Kang, o fundo de investimentos Ares Management e o ex-diretor da Eagle Bidco, Christopher Mallon. O entendimento teria alterado a governança do Lyon e da própria estrutura da Eagle sem conhecimento prévio dos acionistas.
Suspeita de “conselho sombra”
No relatório inicial, a AMF questiona a criação de um “conselho sombra” que teria passado a atuar paralelamente ao conselho oficial do clube francês. Esse grupo teria tomado decisões estratégicas sobre a gestão do Lyon sem que a existência da estrutura fosse comunicada aos investidores da empresa listada na bolsa de Paris.
Como a Eagle Football Group é uma companhia listada na Euronext Paris, a legislação francesa exige que mudanças relevantes na governança corporativa ou acordos estratégicos sejam divulgados ao mercado. Caso tenha sido ocultado, o acordo poderia representar violação das normas de transparência financeira.
Papel do fundo Ares
Entre os pontos analisados está um compromisso envolvendo o fundo Ares, credor da Eagle na operação que viabilizou a compra do Lyon em 2022. O acordo investigado teria estabelecido que o fundo não poderia executar garantias ou penhorar ações da Eagle ou de subsidiárias — como a Eagle Bidco — sem consentimento prévio de determinadas partes envolvidas.
Denúncia partiu de Textor
A suspeita de um acordo paralelo ganhou força após declarações públicas de John Textor no fim de fevereiro. O empresário afirmou ter descoberto em janeiro um entendimento secreto que, segundo ele, teria alterado o controle do Lyon e da estrutura da Eagle sem autorização formal.
Segundo Textor, o acordo teria sido firmado ainda em 2025 e permitiu que Kang e o fundo Ares criassem uma estrutura de poder paralela para tomar decisões estratégicas no clube francês. O empresário alega que a iniciativa foi “ativamente ocultada” e poderia violar a legislação francesa de governança corporativa.
Disputa interna na Eagle
O episódio ocorre em meio a uma disputa de bastidores pelo controle e pela gestão do Lyon e da própria Eagle Football. Textor havia deixado a presidência do clube francês em 2025, quando Kang assumiu o cargo após a crise financeira que colocou o clube sob pressão das autoridades esportivas francesas.
Nos últimos meses, a relação entre Textor, Kang e o fundo Ares se deteriorou, com acusações públicas sobre decisões financeiras e administrativas dentro do grupo multiclubes.
A investigação da AMF busca esclarecer se houve irregularidades na governança corporativa da Eagle Football e se o suposto acordo paralelo violou as regras do mercado financeiro francês.
