Botafogo Social interceptou Textor de vender Montoro por 3 vezes, e ainda vetou venda conjunta de Danilo ao Nottingham Forest de Marinakis


John Textor segurando o boné pensativo em Junho de 2025 durante o Super Mundial De Clubes 2025; Danilo e Álvaro Montoro em Fevereiro de 2026, durante a vitória do Botafogo contra o Cruzeiro - Foto Reprodução: Vítor Silva/Botafogo

Em um cenário de tensão institucional e fragilidade financeira, o Botafogo protagoniza um novo capítulo de disputa interna envolvendo a condução da SAF e o controle sobre ativos esportivos. O clube associativo (o “Botafogo social”) interveio diretamente para impedir, ao menos quatro vezes, negociações lideradas por John Textor que envolveriam a venda de jogadores ao Nottingham Forest de Evangelos Marinakis.


Negociações barradas e disputa de poder


Segundo apuração, o Botafogo social bloqueou três tentativas de venda do meia-atacante Álvaro Montoro — duas em 2025 e uma em 2026. Além disso, neste ano, também impediu a negociação do volante Danilo, que igualmente tinha como destino o clube inglês.


As movimentações fazem parte de um embate maior entre a associação e a SAF, comandada por Textor, sobre governança e transparência. Em janeiro, o empresário negou publicamente qualquer intenção de vender os atletas na janela inicial de 2026, apesar de as tratativas já estarem em estágio avançado internamente.


Valores envolvidos e impacto financeiro


As negociações com o Nottingham Forest chegaram a cifras relevantes:


Danilo: €19 milhões (R$102,6 milhões)

Montoro: €14 milhões (R$75,6 milhões)


No entanto, a operação era mais complexa do que aparentava. O Botafogo possui uma dívida de €20 milhões (R$108 milhões) com o próprio Nottingham Forest pela contratação de Danilo em julho de 2025, ainda não quitada. Com isso, em caso de concretização das vendas, o clube teria um saldo líquido de apenas €13 milhões(R$70,2 milhões).


Ou seja, mesmo envolvendo cifras elevadas, o retorno efetivo seria significativamente reduzido devido ao passivo existente.


Intervenção judicial e exigências de governança


Diante das tentativas de venda sem aval institucional, o Botafogo social acionou a Justiça do Rio de Janeiro. A decisão judicial determinou que Textor:


Informe previamente qualquer negociação de jogadores

Obtenha aprovação do clube associativo (sócio minoritário da SAF)


A medida foi tomada após o entendimento de que houve descumprimento de decisões anteriores. Como consequência, negociações de ativos da SAF foram suspensas até que o empresário apresente esclarecimentos formais.


Risco esportivo e pressão da FIFA


O pano de fundo dessa crise envolve também o risco esportivo. O Botafogo enfrenta a possibilidade de um novo Transfer Ban imposto pela FIFA.


O motivo é uma dívida com o Vélez Sarsfield, referente à contratação de Montoro. O clube argentino acionou a entidade após atrasos nas parcelas previstas para agosto e dezembro de 2025.


Caso a situação não seja regularizada, o Botafogo pode ser impedido de registrar novos jogadores, agravando ainda mais o cenário esportivo e financeiro.


Futuro incerto


Apesar dos bloqueios e da intervenção judicial, a venda de jogadores não está completamente descartada. A delicada situação financeira do clube mantém essa possibilidade em aberto, especialmente diante das obrigações pendentes e do risco de sanções internacionais.

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