Em um cenário de tensão institucional e fragilidade financeira, o Botafogo protagoniza um novo capítulo de disputa interna envolvendo a condução da SAF e o controle sobre ativos esportivos. O clube associativo (o “Botafogo social”) interveio diretamente para impedir, ao menos quatro vezes, negociações lideradas por John Textor que envolveriam a venda de jogadores ao Nottingham Forest de Evangelos Marinakis.
Negociações barradas e disputa de poder
Segundo apuração, o Botafogo social bloqueou três tentativas de venda do meia-atacante Álvaro Montoro — duas em 2025 e uma em 2026. Além disso, neste ano, também impediu a negociação do volante Danilo, que igualmente tinha como destino o clube inglês.
As movimentações fazem parte de um embate maior entre a associação e a SAF, comandada por Textor, sobre governança e transparência. Em janeiro, o empresário negou publicamente qualquer intenção de vender os atletas na janela inicial de 2026, apesar de as tratativas já estarem em estágio avançado internamente.
Valores envolvidos e impacto financeiro
As negociações com o Nottingham Forest chegaram a cifras relevantes:
Danilo: €19 milhões (R$102,6 milhões)
Montoro: €14 milhões (R$75,6 milhões)
No entanto, a operação era mais complexa do que aparentava. O Botafogo possui uma dívida de €20 milhões (R$108 milhões) com o próprio Nottingham Forest pela contratação de Danilo em julho de 2025, ainda não quitada. Com isso, em caso de concretização das vendas, o clube teria um saldo líquido de apenas €13 milhões(R$70,2 milhões).
Ou seja, mesmo envolvendo cifras elevadas, o retorno efetivo seria significativamente reduzido devido ao passivo existente.
Intervenção judicial e exigências de governança
Diante das tentativas de venda sem aval institucional, o Botafogo social acionou a Justiça do Rio de Janeiro. A decisão judicial determinou que Textor:
Informe previamente qualquer negociação de jogadores
Obtenha aprovação do clube associativo (sócio minoritário da SAF)
A medida foi tomada após o entendimento de que houve descumprimento de decisões anteriores. Como consequência, negociações de ativos da SAF foram suspensas até que o empresário apresente esclarecimentos formais.
Risco esportivo e pressão da FIFA
O pano de fundo dessa crise envolve também o risco esportivo. O Botafogo enfrenta a possibilidade de um novo Transfer Ban imposto pela FIFA.
O motivo é uma dívida com o Vélez Sarsfield, referente à contratação de Montoro. O clube argentino acionou a entidade após atrasos nas parcelas previstas para agosto e dezembro de 2025.
Caso a situação não seja regularizada, o Botafogo pode ser impedido de registrar novos jogadores, agravando ainda mais o cenário esportivo e financeiro.
Futuro incerto
Apesar dos bloqueios e da intervenção judicial, a venda de jogadores não está completamente descartada. A delicada situação financeira do clube mantém essa possibilidade em aberto, especialmente diante das obrigações pendentes e do risco de sanções internacionais.
