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Carlos Augusto Montenegro em 2015 - Foto: Jessica Mello |
Uma nova camada da turbulência política da SAF Botafogo de Futebol e Regatas começou a circular nos bastidores do clube nas últimas horas. Em mensagens compartilhadas via WhatsApp, uma pessoa considerada desconhecida no cenário esportivo carioca, afirmou que Carlos Augusto Saade Montenegro (ex-presidente do Botafogo entre 1994-1996) estaria articulando um possível rearranjo de forças envolvendo investidores do Banco BTG através de linha de crédito, isolando a GDA LUMA, principal empresa interessada na reestrutura judicial e esportiva, além de ludibriar o associativo para retomar influência sobre a SAF alvinegra.
VEJA A MENSAGEM ABAIXO:
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Foto Reprodução: Conversa em chat do WhatsApp da META Inc |
Chegou aí o golpe do Montenegro? Golpe na GDA (Luma), linha de crédito com o BTG (BANCO) + venda de Danilo. Modelo Pedrinho, diz a mensagem.
Segundo relatos apurados pelos administradores da Gazeta, com conselheiros e interlocutores políticos do clube, Montenegro teria em mente uma aproximação com a GDA Luma Capital, e ser um diretor-geral da SAF, se não conseguir, ele quer isolar a GDA Luma, além de observar movimentações semelhantes às realizadas no Vasco da Gama durante a crise societária cruzmaltina com a 777 Partners, vencida pelo Presidente Pedro Paulo de Oliveira, mais conhecido como Pedrinho. A leitura dentro de setores do associativo é direta: ou novos investidores assumem protagonismo rapidamente, ou o clube social tentará recuperar o maior controle sobre a estrutura da SAF.
Nos bastidores, nomes de peso do mercado internacional aparecem como potenciais interessados ou articuladores indiretos de cenários alternativos para o futuro do futebol botafoguense. Entre eles estão John Elkann, Gerry Cardinale, Sheik Moe Al Thani, Juca Abdalla, executivos do próprio Banco BTG Pactual, a Iconic Sports e a Apollo Management.
Embora nenhuma desses fez uma oferta oficial pública, fontes próximas ao ambiente político do clube afirmam que diferentes grupos econômicos monitoram atentamente o impasse jurídico e societário envolvendo a SAF alvinegra.
Montenegro consultou interlocutores ligados a Michel Temer
O que apuramos, é que Montenegro, ex-presidente do Botafogo entre 1994 à 1996 e também ex-comandante do Ibope, empresa que mede a audiências das principais emissoras de tvs do Brasil; teria buscado opiniões de antigos contatos do mercado de comunicação, sobre a possibilidade de uma reorganização política em General Severiano.
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Michel Miguel Elias Temer Lulia foi o 37.º Presidente da República do Brasil entre 31/08/2016 à 01/01/2019 - Foto Reprodução: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo |
Entre esses interlocutores estariam pessoas próximas ao ex-presidente da República Michel Temer, que governou o país entre Agosto de 2016 à 01/01/2019 e é conhecido por sua simpatia pelo São Paulo Futebol Clube, apesar de não ter um clube do coração para torcer oficialmente.
A consulta, segundo relatos internos, teria sido informal e girado em torno da viabilidade política e institucional de uma retomada de protagonismo do associativo em meio ao atual desgaste da SAF. Além do ex-presidente Michel Temer ser um bom especialista na visão de Montenegro em apaziguar, e conhecer bons nomes no Banco BTG.
“As múmias de General Severiano”
Nos corredores políticos do clube, um termo voltou a circular com força: “as múmias de General Severiano”. A expressão é utilizada por grupos em apoio à reestruturação da SAF, para se referir a antigos dirigentes e figuras controversas do associativo que tentariam reassumir influência sobre o futebol do clube, mas que deixaram o clube as moscas e ao léu por 28 anos.
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Carlos Augusto Montenegro, João Paulo Magalhães Lins e Durcesio Mello em Fevereiro de 2024 - Foto. Arthur Barreto/Botafogo |
O clima interno piorou após a longa conversa de João Paulo Magalhães Lins, Durcesio Mello e o próprio Montenegro se reuniram recentemente após a negociação envolvendo o zagueiro Alexander Barboza para o Palmeiras.
A reunião gerou desconfiança entre desconfiados de Textor, e até quem ainda o apoia, que enxergam uma possível articulação política sendo construída nos bastidores enquanto a SAF atravessa seu momento mais delicado desde a implementação do modelo empresarial no clube.
Durcesio no centro da desconfiança
Internamente, o nome de Durcesio Mello provoca divisões profundas.
A Ares, Cork Gully e Eagle BidCo afirmaram reservadamente que o ex-presidente atua como uma espécie de “agente duplo”, transitando entre interesses do associativo e da SAF conforme o cenário político muda.
A metáfora usada nos bastidores é a de “um surfista que procura sempre pegar a melhor onda”.
Pessoas ligadas à ARES, Cork Gully e Eagle BidCo teriam demonstrado forte resistência à permanência de Durcesio como figura de influência dentro do ecossistema político do clube. Segundo relatos internos, antes do agravamento da crise jurídica, integrantes desses grupos defendiam seu afastamento das negociações estratégicas para a SAF Botafogo pode ter um futuro sem o dito agente duplo.
Entretanto, a Justiça do Rio de Janeiro não acolheu pedidos relacionados à exclusão política de Durcesio do ambiente decisório do clube.
Tribunal Arbitral da FGV afastou Textor temporariamente
Em meio ao conflito societário, o Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas determinou em 23 de abril o afastamento temporário de John Textor da administração da SAF do Botafogo. A decisão atendeu a um pedido ligado à Eagle BidCo por intermédio da administradora judicial Cork Gully e a maior credora, a Ares Management Corporation, e considerou que medidas recentes do empresário poderiam gerar “danos irreparáveis” aos acionistas e ao clube.
O afastamento ocorreu após disputas envolvendo recuperação judicial, assembleias societárias e divergências sobre aportes financeiros e governança da SAF. A decisão foi classificada como provisória e sujeita a reavaliação pelo próprio tribunal arbitral.
Além disso, a disputa envolve diretamente a Eagle BidCo, fundos ligados à Ares e investidores conectados à estrutura financeira da SAF botafoguense.
GDA Luma e temor de perda de controle
Outro ponto que alimenta a tensão interna é o papel da GDA Luma Capital nas operações financeiras recentes da SAF.
Discussões públicas e comentários de bastidores indicam preocupação crescente sobre cláusulas de garantias envolvendo ativos do clube e participação societária futura. Parte da torcida teme que o Botafogo possa perder ainda mais autonomia em meio ao emaranhado financeiro criado pela crise.
Nos bastidores políticos, há quem interprete o cenário atual como uma guerra aberta entre três forças:
O grupo ligado a John Textor;
Setores históricos do associativo;
Investidores e credores internacionais interessados em reestruturar o controle da SAF.
O futuro do Botafogo segue indefinido
Enquanto a disputa jurídica avança na arbitragem da FGV, o ambiente político em General Severiano segue marcado por desconfiança, articulações silenciosas e uma batalha crescente pelo controle do futebol do clube.
A crise deixou de ser apenas financeira ou administrativa. Hoje, ela envolve poder político, sobrevivência institucional e o futuro da SAF alvinegra.
Nos bastidores, uma frase resume o sentimento de parte dos envolvidos:
“Tem muita coisa acontecendo longe dos holofotes.”
BTG, GDA Luma e o plano alternativo do EX-CEO Thairo Arruda
Outro ponto que alimenta a tensão interna é o papel da GDA Luma Capital LLC nas operações financeiras recentes da SAF.
Dentro da SAF, pessoas próximas à gestão afirmam que havia um entendimento interno diferente antes do agravamento da crise financeira: a ideia de Thairo Arruda seria aproximar o Botafogo de executivos e investidores ligados ao BTG Pactual, utilizando uma estrutura de crédito considerada mais sólida e institucionalizada, sem precisar do empréstimo feito com a GDA LUMA, que foi aprovado por Jordan Fiksenbaum, Kevin Weston, membros do conselho da falida Eagle BidCo, que na ocasião ainda tinham poder, Textor teve 3 votos, e Durcesio Mello voltou nulo, isto gerou a demissão de Thairo, que segundo alguns membros da SAF, era como uma ¨traição¨.
Se o Botafogo realmente migrar para uma linha de crédito ligada ao BTG, isso reforçaria a tese de que o plano inicial de Thairo Arruda fazia sentido desde o começo.
A avaliação interna é que, nesse cenário, talvez nem tivesse sido necessário recorrer ao financiamento estruturado com a GDA Luma — operação que virou alvo de críticas nos bastidores e na torcida, por possuir mecanismos financeiros considerados extremamente agressivos e de crescimento acelerado da dívida em curto prazo, com juros de 25% ao mês.
Nos bastidores de General Severiano, há quem diga que, caso essa mudança de rota financeira realmente aconteça, o ambiente político do clube pode entrar em ebulição total.
Resta ver o que há de vir, novos investidores, com um projeto esportivo, divulgado de forma pública resolveriam todo este imbróglio. A resolução completa dos problemas do Botafogo, não possuem uma data definida para tal, mas sem novos investidores, é flertar com a volta de John Textor ou o Botafogo Associativo sob Carlos Augusto Montenegro, que sempre gostou de um Holofote, voltar. Novos investidores são extremamente necessários, de forma urgente. Desde que estes, garantam projeto esportivo, e times competitivos, e livrar o Botafogo da insolvência financeira, que Textor causou ao clube, com o caixa único e transferências fantasmas.



