Na Berlinda: Em caso de derrota do Botafogo para o Red Bull Bragantino, demissão de Martín Anselmi poderá ocorrer; Treinador deseja voltar a treinar o Cruz Azul do México revelou em entrevista ao Te Dejo En Orsai (VÍDEOS)

 
Martín Anselmi em entrevista ao Te Dejo En Orsai - Foto Reprodução/Youtube


O Botafogo entra em campo neste sábado (21/3) às 16h, contra o Red Bull Bragantino, sob um clima de forte instabilidade. Mais do que um jogo pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro, a partida em Bragança Paulista pode representar o ponto final da curta passagem de quase 3 meses, do técnico Martín Rodrigo Anselmi pelo clube carioca.


O cenário interno no Botafogo é de alta tensão. Anselmi chega pressionado após uma sequência de resultados ruins, incluindo eliminações precoces e desempenho abaixo das expectativas na temporada.


Segundo informações recentes, o treinador vive seu momento mais crítico desde que assumiu o cargo, com risco elevado de demissão dependendo diretamente do resultado contra o Bragantino. Caso perder, Martín Anselmi será demitido em Bragança Paulista-SP, durante à noite de sábado ou manhã de domingo. Caso venha ser no Domingo 22/3, Anselmi ficará no cargo somente por 3 meses.


No último 16/03/2026 foi ao ar no Youtube uma entrevista ao canal argentino TE DEJO EN ORSAI (Te deixo impedido) na tradução livre.



A história entre Martín Anselmi e Cruz Azul ainda não tem um fim definido. O atual técnico do Botafogo reconheceu que seu tempo com o time azul-celeste deixou um sentimento pendente e não descartou a possibilidade de retornar no futuro, apesar de estar atualmente no futebol sul-americano.


Em uma entrevista com o podcast Te dejo en Orsai, o técnico argentino falou francamente sobre sua saída do clube, o que gerou polêmica após aceitar uma oferta do Porto quando o projeto já estava em andamento. Mesmo assim, deixou claro que seu vínculo emocional com a instituição permanece intacto.


nselmi reconheceu que mudaria de decisão em sua carreira em troca de ter conquistado um título com La Máquina. Em particular, ele se referiu à possibilidade de obter a tão aguardada décima estrela. "É uma história que ainda não tem fim. Esse final não era o que eu queria. Eu mudaria muitas coisas para ter vencido o décimo com Cruz Azul [...] (retorno?) Por que não?" disse o treinador, que também ressaltou que respeita o trabalho da atual comissão técnica comandada por Nicolás Larcamón.


Íntegra da entrevista


Bem. Bom, depois você foi para o México, para o Cruz Azul. Com que projeto você se deparou lá? Era o que você imaginava? O futebol mexicano superou suas expectativas?


O futebol mexicano me encantou. Acho que é um futebol subestimado deste lado do mundo. É uma liga super competitiva, com jogadores muito bons, bons treinadores, bons estádios e bons espetáculos.


E tem uma forma particular de ser vivido, mas que ao mesmo tempo adiciona esse tempero ao show que o torna entretenido e agradável. Sinceramente, nesse aspecto, gostei muito do futebol mexicano. Tem esse “tempero”, né? De jogar os playoffs, que agora é como o futebol argentino, onde não importa como você termina, você tem a possibilidade de ser campeão. Então, por um lado, dá oportunidades a muitos times, mas por outro, toda a regularidade que você teve pode se perder em uma noite.


Depois, me deparei com um clube enorme como o Cruz Azul, onde o torcedor tem muito arraigado de onde vem, o que sente e o que quer que aconteça dentro de campo. Na minha forma de ver o futebol, e falando novamente de liderança, entender o torcedor que você representa é determinante. E o torcedor do Cruz Azul vem de uma cimenteira, onde muitos trabalham nas fábricas produzindo cimento. São pessoas trabalhadoras que, graças ao cimento que produzem, o clube tem receita.


Então, nós, dentro de campo, temos que defender isso, temos que nos identificar e mostrar quem estamos representando. E, nesse aspecto, esse time representava isso.


A partir daí, se gerou uma conexão com o torcedor que nunca vou esquecer na vida, porque foi especial. Assim como o Independiente del Valle foi especial por tudo o que me deu, pelo que descobri, pelo que aprendi e pelo que conquistamos, a torcida do Cruz Azul foi a primeira vez que me deu esse carinho.


Resumindo: o futebol mexicano me pareceu muito bom, gostei muito, e o clube me deu esse primeiro amor com a conexão com os torcedores que sempre vai ficar no meu coração.


Você acha que hoje a liga mexicana é mais competitiva que a argentina?

Eu não gosto muito de fazer comparações nesse sentido. Não é que eu esteja evitando a pergunta, é que realmente não sei. Às vezes você pensa em levar um jogador de um lugar para outro e fica na dúvida se vai render. Eu não sei se é mais competitivo, mas acho que os times mexicanos são fortes no México e competem bem.


O que você acha que falta para o México competir de verdade em Copas do Mundo?

Acho que é um tema sensível, porque no México se fala muito disso. É uma combinação de vários fatores. Tem o fator sorte — em algumas Copas, o México não teve sorte. Também se discute por que não há tantos mexicanos jogando na Europa.


Talvez o jogador argentino, além de ter uma identidade forte, tenha mais facilidade para conseguir cidadania europeia e não ocupar vaga de estrangeiro. No México isso pode ser mais complicado.


Além disso, a liga é forte economicamente, então para ir à Europa muitas vezes é preciso abrir mão de coisas, e isso nem sempre é fácil — tanto para o jogador quanto para o clube, que quer manter um jogador importante.


Também é um país com muito mais habitantes, então é importante trabalhar na formação dos jovens. O jogador mexicano é inteligente, competitivo, me lembra muito o argentino em várias situações. No Cruz Azul, eu não vi diferença — éramos um grupo com a mesma fome e entrega.


Acho que é preciso fazer com que eles acreditem que podem. E também há muita pressão: é uma seleção com grande visibilidade, patrocinadores e cobrança. Não é fácil vestir a camisa da seleção mexicana. Mas acredito que, mais cedo ou mais tarde, o México vai conseguir dar esse salto, passar das oitavas e chegar mais longe.


Você acha que existe mesmo essa rivalidade entre argentinos e mexicanos ou é mais coisa de redes sociais?

No futebol, talvez exista um pouco, porque já nos enfrentamos várias vezes. Mas, pessoalmente, não. Minha experiência com o México foi extraordinária.


Como estrangeiro, em qualquer país, é mais difícil. Você precisa se adaptar à cultura, aos tempos, ao jeito do lugar. Você é quem está no país deles, então deve se adaptar. Quem não faz isso pode acabar sendo rejeitado — não só no México, em qualquer lugar.


Eu, pessoalmente, achei o povo mexicano incrível. No dia a dia, eu fazia coisas no México que talvez, sendo treinador de River ou Boca na Argentina, não poderia fazer. Isso eu valorizava muito.


Que conselho você daria a um jogador ou treinador que vai para o México?

Para o jogador, é o mesmo princípio para qualquer lugar: escolher bem o treinador, entender como o time joga, por que está sendo contratado e o que vão exigir dele. Não se deixar levar apenas pelo escudo do clube.


Para o treinador, é fundamental se envolver com o lugar, entender a cultura, os costumes. E, taticamente, é uma liga com muito ritmo e com dois torneios dentro de um: a fase regular e a liguilla, que é praticamente outro campeonato.


Qual foi a coisa mais louca que você viveu no México?

Uma música da Julieta Venegas voltar ao top 3 do país por causa de um vídeo que eu postei no Instagram quando renovamos contrato.


Eu queria fazer algo diferente, com um vídeo e uma música que representasse o que vivemos. Escolhi uma música dela que combinava com a nossa história. O vídeo viralizou de uma forma absurda: começaram a cantar a música nas ruas, no estádio, virou mosaico em final, e a música voltou a crescer nas plataformas.


Foi algo inesperado e muito marcante.


Quando você saiu para o Porto, houve muita polêmica. O que aconteceu de verdade?

Chegou um momento em que precisei explicar isso. Quando você não fala, parece que está concordando com o que dizem.


A imprensa muitas vezes exagera ou inventa. Foi fácil me colocar como vilão. Mas houve muitas situações internas, inclusive um conflito legal, que impediram que eu explicasse na época.


Eu sempre tentei fazer tudo da forma correta, falando diretamente com o presidente e tentando que tudo fosse transparente. Mas houve uma ruptura na relação que fez com que a saída acontecesse sem explicações públicas naquele momento.


Depois, tudo foi resolvido, inclusive com pagamento alto pela minha saída. O que mais me dói é como terminou a relação com pessoas com quem eu tinha um vínculo muito forte.


Você gostaria de voltar ao Cruz Azul no futuro?

Acho que a história ainda não teve o final que eu gostaria. Se pudesse, mudaria muitas coisas da minha carreira para ter conquistado a “décima” com o Cruz Azul.


Mas também é preciso ser prudente. O clube tem um grande treinador hoje. Quem sabe, no futuro, essa história possa ter um final diferente.


Anselmi também elogiou o futebol mexicano e falou da Seleção do México em Copas Do Mundo




O que você acha que falta para o México conseguir realmente competir nas Copas do Mundo? Porque, apesar de ter uma liga super competitiva, nos mundiais sempre fica aquele gosto amargo de não alcançar o objetivo.


Bom, eu acho que opinar sobre isso é delicado, porque no México se fala muito desse tema. Acho que é uma combinação de vários fatores. Existe o fator sorte — analisando a história do México nas Copas, em alguns momentos faltou sorte.


Também se discute por que não há tantos jogadores mexicanos atuando na Europa. E eu me atrevo a dizer algo que talvez não seja totalmente preciso, mas o jogador argentino, além de ter uma identidade forte, muitas vezes tem mais acesso à cidadania europeia, o que faz com que não ocupe vaga de estrangeiro. Acho que isso pode dificultar mais para o jogador mexicano.


Além disso, é uma liga forte economicamente, então para ir à Europa às vezes é preciso abrir mão de coisas. E acredito que o jogador mexicano tem essa ambição e está disposto a isso, mas também é difícil o clube permitir essa saída, porque ele é visto como uma peça muito importante.


Também é um país com três vezes mais habitantes que a Argentina, então é necessário trabalhar muito na formação dos jovens. O jogador mexicano é inteligente, competitivo, me lembra muito o argentino em muitas situações. Pelo menos nos jogadores que tive no Cruz Azul, não vi diferença — éramos um grupo com a mesma fome e entrega.


Acho que, como em tudo, também é questão de encontrar um grupo que realmente acredite. É preciso transmitir que eles podem, que acreditem nisso.


E depois, como em tudo, é um país com muita pressão. Eles representam uma das camisas mais valiosas do futebol mundial, pelo alcance, pelos patrocinadores e pela cobrança. Não é fácil vestir a camisa da seleção mexicana. Mas acredito que, mais cedo ou mais tarde, isso vai acontecer, e o México vai conseguir pelo menos passar das oitavas de final e chegar a uma semifinal ou fases mais avançadas.


Você sente que existe realmente uma rivalidade entre argentinos e mexicanos ou isso fica mais nas redes sociais?

No futebol, talvez sim, porque já nos enfrentamos várias vezes e muitas vezes eliminamos o México. Mas, pessoalmente, não. Minha conexão — e da minha família — com o México foi extraordinária.


Nunca senti nada negativo, pelo contrário. Mas, como em qualquer país, sendo estrangeiro, sempre é um pouco mais difícil. Você precisa se adaptar à cultura, ao ritmo e aos costumes do lugar. Você é quem está no país deles, então deve se adaptar.


Há pessoas que querem continuar sendo exatamente como são, sem se adaptar, mas não funciona assim. As culturas são diferentes, e você precisa ter a capacidade de se adaptar para ser mais um.


Se você não se comporta como alguém do lugar, pode acabar sendo rejeitado — não só no México, mas em qualquer país. Mas, pessoalmente, não tive essa experiência. Pelo contrário, achei a sociedade mexicana e o dia a dia no México excelentes.


Inclusive, eu fazia coisas no México que talvez, sendo treinador de River ou Boca na Argentina, não poderia fazer. E isso eu valorizava muito.


O que você recomendaria a um jogador e a um treinador que vão para o México?

Para o jogador, ir ao México ou a qualquer lugar parte do mesmo princípio: eu gosto que o jogador, mais do que escolher o clube, escolha o treinador. Sempre recomendo que, quando for contratado, observe bem como o time joga, por que estão te contratando e o que vão exigir de você.


E que não se deixe encantar apenas pelo escudo do clube, porque pode ser um passo para frente e depois três para trás. Às vezes, um passo intermediário te leva ao seguinte.


Em relação ao treinador, tem muito a ver com isso também. Eu gosto de me envolver e me adaptar ao lugar onde estou. E isso é fundamental no México, em Portugal ou no Equador: entender a cultura, o contexto e os costumes.


E, taticamente, é uma liga com muito ritmo e que se divide em duas partes: a fase regular e a “liguilla”, que é praticamente outro torneio. Nela, você precisa estar preparado para competir a cada dois ou três dias, em jogos decisivos.


Além disso, o rival muitas vezes entra em desvantagem, dependendo da classificação, e isso muda o jogo — porque ele pode não ter nada a perder. Então são partidas muito diferentes, é praticamente um campeonato à parte. Encerrou Anselmi.

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