Advogados da SAF Botafogo, pedem que Tribunal Arbitral da FGV reconsidere e coloque John Textor de volta no comando e que AGE ocorra na segunda-feira 27/4

 


John Charles Textor já recorreu. A SAF do Botafogo entrou com pedido nesta sexta-feira de reconsideração da decisão do Tribunal Arbitral da FGV de afastar o programador e empresário Norte-americano. A informação é do blog do Ancelmo Gois, em “O Globo”. Tal pedido de reconsideração à Câmara de Mediação e Arbitragem da Fundação Getulio Vargas (FGV) contra a decisão que afastou, de forma preventiva, John Textor da administração do clube-empresa. Outra solicitação é de que a assembleia marcada para segunda-feira, dia 27 de abril, volte a acontecer.


No documento, os advogados alegam que a decisão do tribunal arbitral teria ido além do que foi solicitado pela Eagle Football Holdings, uma das partes na arbitragem. A SAF afirma que a Eagle não pediu o afastamento de John Textor, mas apenas a revogação de uma liminar que o mantinha no cargo. Além disso, solicita que a Assembleia Geral Extraordinária seja realizada no dia 27 de abril, como previsto anteriormente, antes de ser cancelada pelo Tribunal.


Os advogados argumentam que a arbitragem extrapolou o pedido da Eagle, que se limitava à revogação da liminar. Segundo a defesa, o Tribunal foi além ao determinar diretamente o afastamento de John Textor.


A defesa também sustenta que houve fraude por parte da Ares ao apresentar uma “minuta sem validade jurídica” sobre a venda de participação societária — documento que John Textor teria assinado como três partes — e afirma que a tutela cautelar para recuperação judicial não exige autorização de outros acionistas. A petição ainda aponta que a decisão se baseou em uma informação “falsa” apresentada pela Eagle. O ponto central seria a suposta celebração de um acordo de venda da participação da empresa na SAF Botafogo. De acordo com a defesa, tratava-se apenas de uma minuta sem validade jurídica, dependente de autorização prévia de credores e, portanto, sem produzir efeitos.


Outro argumento é que o tribunal arbitral teria interpretado de forma equivocada a necessidade de autorização dos acionistas para medidas judiciais. A SAF Botafogo afirma que essa exigência se aplica apenas a pedidos de recuperação judicial, e não a uma tutela cautelar, como a apresentada à Justiça comum e já parcialmente deferida.


O clube afirma que a medida judicial foi essencial para evitar o agravamento da crise financeira, permitindo a suspensão de execuções, a manutenção de contratos de jogadores e a negociação com credores.


A notícia que agitou General Severiano e as redes sociais no setor de esporte, na última quinta-feira (23/4) foi o afastamento de John Textor do comando da SAF do Botafogo. Mas por que essa decisão aconteceu?


Quem determinou o afastamento foi o Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas, na última quinta-feira (23). A decisão, de caráter imediato, aconteceu após pedido da ARES a maior credora da Eagle Bidco, que é administrada judicialmente pela Cork Gully, sócia majoritária da empresa, principalmente após Textor ter comandado o pedido de recuperação judicial protocolado no dia anterior na Justiça do Rio de Janeiro.


O intuito da recuperação judicial é tentar aliviar a situação financeira do clube, que tem um passivo de R$ 2,5 bilhões, dando um processo de pagamento mais organizado e facilitado para quitar dívidas, ficando livre de penhoras ou bloqueio.


A alegação alvinegra é de que a continuidade do clube estaria em risco caso a recuperação judicial não acontecesse. No entanto, a Eagle, por meio de documento, criticava a postura de Textor e afirmava ser contra a recuperação judicial.


"A Eagle Football Holdings Bidco Limited (Eagle Bidco), na qualidade de detendora de 90% do capital social da SAF Botafogo e, portanto, sua acionista controladora, vem , por meio da presente notificação, registrar, para todos os fins de direito, que não concorda, não anui ou aprova, tampouco concordará, anuirá ou aprovará, a adoção de qualquer medida judicial ou extrajudicial pela atual administração da SAF que tenha relação com um potencial pedido de recuperação judicial ou extrajudicial da SAF".


Além disso, outro ponto abordado no documento foi o fato de John Textor tentar avançar com o pedido de recuperação judicial sendo o representante das três partes envolvidas: Eagle Bidco, Eagle Football Group e SAF Botafogo.



Este fim de semana, fora de campo, para o Botafogo promete um enredo digno de “Faroeste Caboclo” da banda legião urbana: João de Santo Cristo contra Jeremias. Adivinhem quem é o protagonista da vez? Se você pensou em John Textor, acertou. Não surpreenderia se JT protagonizasse mais um capítulo turbulento, com direito a embates envolvendo Brasília e seus bastidores e até quem sabe como o Banco BRB. Assim como Juscelino Kubitschek, o 21.º presidente da República Federativa do Brasil que transferiu a capital do país, se pudesse — e houvesse brecha no contrato da SAF — John Textor talvez levasse o Botafogo do Rio de Janeiro para Brasília. E, pelo rumo das decisões, não seria surpresa se até o escudo já tivesse sido alterado. Não podemos duvidar de uma pessoa que colocou o Botafogo em insolvência financeira, que não assume isto, coloca sempre a culpa nos outros, não tem responsabilidade, e já foi de Li Yonghong que quase faliu o Milan em 2018.


Jordan Fiksenbaum e Kevin Weston desempenham papéis centrais nas controvérsias internas do clube. Ambos foram nomeados membros do conselho da Eagle Bidco em novembro de 2025, após Textor afastar Mark Affolter, executivo importante na Ares Management, outra empresa ligada ao processo de reestruturação. Próximo dos dois, Textor mantém contato frequente por chamadas de vídeo e telefone, acompanhando de perto os desdobramentos.


Foi com o apoio desses aliados que o primeiro empréstimo da GDA LUMA foi aprovado em fevereiro, movimento que gerou forte impacto na estrutura interna do Botafogo. Na ocasião, Durcesio Mello votou nulo, enquanto o então CEO, Thairo Arruda, pediu demissão. Arruda defendia a saída de Textor do comando da SAF e a entrada de executivos ligados ao BTG Pactual, o que ampliou ainda mais as tensões e agravou o cenário político e administrativo do clube, conforme antecipamos.


O documento que a ESPN teve acesso mostra a tentativa de Textor de conseguir a recuperação judicial com as três assinaturas dele como representante das partes.


A decisão de afastar foi tomada por Adriana Braghetta, presidente do Tribunal Arbitral, com as seguintes alegações.


"Nesses termos, o Tribunal Arbitral, a título meramente conservatório, DETERMINA o afastamento automático e imediato do Sr. John Charles Textor da administração da SAF do Botafogo, o que será objetivo de reanálise após a apresentação da manifestação da Companhia prevista para 29/04/2026".


Em comunicado, a administração ressaltou que “a medida de afastamento temporário de John Textor da administração da companhia não encontra correspondência nos pedidos submetidos à apreciação do Tribunal, tendo sido determinada sem requerimento específico das partes”, e que “a decisão avança sobre matéria tipicamente societária, substituindo, de forma excepcional e sem a devida deliberação, a vontade dos acionistas — cuja manifestação, por definição legal e estatutária, deve ocorrer em assembleia regularmente convocada”.


“A SAF Botafogo ressalta que a observância dos limites objetivos da arbitragem, bem como o respeito à confidencialidade, à autonomia privada e à governança societária, são pressupostos essenciais para a segurança jurídica e a integridade do procedimento arbitral”.


Enquanto a defesa de Textor tenta algo, a ARES, Cork Gully e Eagle, buscam novos compradores, e um CEO independente, após Durcesio Mello ter sido vetado para a função, por ser muito próximo de John Textor.

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