Em coletiva, após o empate amargo do Botafogo contra o Caracas FC, Franclim Carvalho detona atuação: "Não estamos satisfeitos" (VÍDEO)


Franclim Carvalho - Foto Reprodução: Botafogo TV/Youtube


A estreia do técnico Franclim Carvalho no Botafogo foi com empate que foi amargo. O time alvinegro recebeu o Caracas FC, pela primeira rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana, e empatou em 1 a 1, no Estádio Nilton Santos.


O português de Coimbra, concedeu entrevista coletiva após o resultado e apontou que há muitos pontos ainda a melhorar. Ele reconheceu que a apresentação foi ruim.


Assista abaixo:


- Vamos cometer erros hoje, e em dezembro. Não há equipes ou momentos perfeitos, há momentos melhores que outros. Garantidamente, vamos melhorar muito. Obviamente, os jogadores não estão satisfeitos, não estamos satisfeitos. Apresentamos algumas coisas que queremos fazer. Não foi de todo mal, nem de todo bem. Mas cada treinador tem a sua ideia Vamos implementar a nossa (ideia). O tempo é curto, temos vantagem por conhecer parte do elenco - afirmou Carvalho.


- Eles tentaram fazer o que pedimos. Gostei mais do segundo tempo do que do primeiro. Depois, houve a questão da transição ofensiva. É uma situação que precisamos precaver. O adversário fica defendendo perto da área, fomos muito pouco objetivos o jogo todo. Começamos com quatro atacantes e mantivemos a ideia até o final. Temos que ser mais agressivos na frente, mas é normal que tínhamos que nos expor, até porque o adversário havia feito o gol. Nós trabalhamos, tentamos trabalhar nestes três dias. Me parece que temos muita margem, e tenho certeza de que vamos melhorar muito. Não só um setor, mas todos - analisou o treinador


O time venezuelano ainda saiu na frente com Wilfred Correa, no fim do primeiro tempo, mas o Botafogo chegou ao empate com Arthur Cabral nos primeiros instantes da etapa final.


- Faltamos objetividade e agressividade na frente. Muita. Não podemos ter uma partida com 70% de posse de bola, ou mais, e ter três chutes no gol. É impossível. Com este volume de posse, temos que ser mais agressivos na frente. A nossa proposta de jogo é controlar o jogo com a bola, mas não pode ser (de um lado para o outro). Nós queremos priorizar as duas coisas (resultado e ideia de jogo), mas a prioridade real é ganhar. Não é uma questão de características dos jogadores.


- Fizemos um gol porque colocamos a bola na área, senão não faríamos. Tivemos três tiros de gol de de meia distância, nenhum foi na baliza, creio eu. Tivemos a oportunidade do Jordan (Barrera) na parte final. E outros em que precisávamos ser mais objetivos. Temos que entender quando é que para finalizar primeiro ou ficar com a bola. Não sei se é um problema da equipe ou não. Os jogadores têm tentado muito apresentar o que temos pedido.


Pela Sul-Americana, o Botafogo volta a campo com uma parada dura: duelo contra Racing, no estádio Presidente Perón, na Argentina, pela 2ª rodada do Grupo E. O duelo acontece na próxima quarta-feira, às 19h (de Brasília).


Vale lembrar que apenas o primeiro colocado do grupo avança direto para as oitavas de final do torneio, enquanto o segundo disputa um playoff contra um dos terceiros colocados da fase de grupos da Conmebol Libertadores.


Outros pontos da coletiva

Ideia de jogo:


- Eu disse aqui na coletiva da apresentação: nossa ideia é propor o jogo. Não podemos ter uma equipe com nomes como Danilo, Montoro, Barrera e jogar de maneira reativa. Nós queremos uma equipe que assume o jogo e que controla o jogo com bola. Eu acho que todos os treinadores procuram isso. Por vezes temos jogadores com estas características, outras não. E nós temos este tipo de jogador. Por isso é que eu disse aqui na coletiva da apresentação que a nossa ideia é esta. E a nossa ideia vai ser esta. Há jogos onde vamos conseguir, outros jogos onde não vamos conseguir. Claro que hoje foi uma junção das duas coisas, a nossa ideia e a estratégia do adversário, que nós também muito respeitamos. Há jogos onde vamos conseguir, outros não. Tivemos pouca objetividade e agressividade na frente. A minha equipe não pode fazer 10 faltas num jogo, não pode, tem que fazer mais, muito mais. A minha equipe não pode estar em cima da área do adversário e fazer 10 faltas. Nós vamos estar expostos, vamos sofrer na transição. Temos que matar a bola lá na frente, matar a transição. Em três dias que não conseguimos mudar tudo, ou passar toda a informação. Hoje tiveram muita preocupação de fazer o que nós pedimos. Eu creio que por vezes isso até os trancou. Eu quero mais liberdade deste tipo de jogadores que jogam naquela zona (ataque), porque esta liberdade é que causa dificuldade ao adversário.


- Eu tenho a minha ideia, todos nós temos nossas ideias, eu quero ganhar, todos nós queremos ganhar. Nós trazemos uma ideia, nós queremos implementar essa ideia. Nós mudamos a forma de pressionar, por exemplo, do primeiro tempo para o segundo tempo. Colocamos o Montoro pela esquerda e o Cabral lá na frente. Não estávamos conseguindo pressionar como queríamos. Dentro da mesma ideia, conseguimos apresentar duas formas de pressionar. Temos nuances e variantes que podemos usar dependendo do espaço que o adversário nos dá. Eu posso ganhar no minuto 99 ou o minuto 1, para mim está tudo bem, há jogos que nós não vamos conseguir. Como falei ali, temos de ter esta preponderância com bola, vamos ter que saber ficar sem a bola também. Isso leva tempo, não vou cobrar deles porque eu sabia que este era o tempo que eu teria e estou satisfeito com a postura dos atletas e dos torcedores, que não vaiaram durante a partida. Tenho um vestiário triste porque queríamos vencer. Agora temos que virar a página para vencer a próxima partida.


Mudanças na zaga:


- O Bastos e os atletas que eu conheço têm vantagem, mas a mudança não foi por isso. Todos os jogadores nos dão garantia. Tenho que tomar decisões. O Bastos não jogou contra o Vasco, mas jogou o jogo anterior. Acho que Bastos e Barboza fizeram um grande jogo, melhor sem bola do que com bola até. Eles sabem que têm que melhorar com bola e vamos melhorar. Estou satisfeito com os zagueiros que temos.


Alex Telles:


- Ele sentiu contra o Vasco, fez exames e estava indisponível. Vamos ver se fica disponível para o próximo jogo.


Familiaridade com o calendário do futebol brasileiro e gestão do grupo:


- A Copa Sul-Americana não é para oportunidades. Temos a questão regulamentar no Brasileiro e na Copa do Brasil que só permite nove estrangeiros, e nesta podemos ter todos disponíveis. Esta é a única variante que temos. A ideia que eu penso é analisar como estamos. Não posso priorizar o Brasileiro em detrimento à Sul-Americana ou à Copa do Brasil. Até a parada para a Copa do Mundo temos o fim da fase grupos, temos os jogos da Copa do Brasil, então não podemos escolher competição. Temos que entrar em todos os jogos para ganhar e pensar jogo a jogo. Não adianta pensar no Racing antes de pensar no fim de semana. Agora é virar a página. Amanhã vamos pensar no Brasileiro, pegar em coisas que fizemos e que não fizemos hoje. Temos que olhar muito para nós e depois para o adversário. Não vamos, nem podemos, nem essa camisa nos permite priorizar uma competição em detrimento das outras.


Pretende continuar com o rodízio de goleiros ao longo do ano ou Raul titular?


- Temos três opções e acrescentamos o Christian (Loor), um pouco atrás, algo normal, mas com potencial. Não vamos alterar o goleiro constantemente. O goleiro joga segundo o seu rendimento durante a semana. Raul não sei se fez duas ou três defesas, teve pouco trabalho dada as características do jogo. Ele vem de uma sequência de jogos que é o máximo no clube. Tenho três goleiros em quem confio e acredito. Mas, para mim, é rendimento. Não vou falar em rodízio, priorizar competição ou dar competição a um goleiro que um joga na Copa, outro na Sul-Americana, outro no Brasileiro. Não, para mim é rendimento. Goleiro e jogador de linha. Neste caso, o Raul foi uma opção de continuidade. Daqui a três dias, vamos ver.


Vaias da torcida:


- Estou muito satisfeito com a resposta dos atletas e também dos torcedores. Os torcedores não nos vaiaram durante a partida, nem durante o primeiro tempo, nem durante o segundo, vaiaram no intervalo e no final da partida porque estavam tão satisfeitos, como nós estamos. Tenho um vestiário triste, pois queríamos vencer, mas já disse que temos que virar a página, porque aqui daqui a três dias também temos um jogo muito importante para nós, novamente aqui em casa, queremos que os torcedores venham nos apoiar. Nós temos que chamar, como é que nós vamos chamar? É com a vitória, para isso temos que ganhar.


Trabalho com controle de carga e escolhas para o jogo:


- Acho que, dada a densidade competitiva que há aqui no Brasil, é normal que coloquem a gestão de carga. Nós temos um núcleo de saúde e performance de excelência que nos dá todas as ferramentas e todas as informações desse próprio controle de carga. Mas, hoje, não houve controle de carga nenhum, estavam todos aptos. Nós tentamos mudar a ideia, tentamos ter um volante que crescesse, que era o Danilo, e ter aqueles quatro homens na frente que se movimentasse com liberdade porque sabíamos que o adversário cederia espaço entre linhas. Os nossos (laterais) lá atrás têm que correr muito, acabamos por substituir os dois, porque são duas posições que vão ter muito desgaste na nossa forma de jogar, têm que fazer muito vai e vem e estar preparados para isso. Jogamos com o Vasco no fim de semana, passados dois ou três dias jogamos agora. Vamos ter que recuperar a tempo para ter todos os atletas disponíveis, como hoje, e, pois, ter a nossa ideia com todo o elenco disponível.


Como você pretende gerar as jogadas ofensivas do Botafogo?


- É uma boa questão. Nós temos o nosso jogo posicional e temos várias nuances e variantes de apresentar. Hoje, tivemos muitas vezes em três (volantes) mais um (meia). Porque a equipe fica melhor assim, com três homens mais atrás, preenche melhor os corredores. E este homem aqui (o meia central) é muito importante. Um jogador com as características do Danilo como segundo volante, ou as características do Edenílson, nós não podemos trancar esse volante, temos que livrá-lo para crescer. Aí, já obriga o nosso lateral do lado oposto a ter uma percepção de jogo para saber quando tem que dar equilíbro ou não. Ainda tivemos uma dificuldade nisso hoje, normal, pois tivemos três dias de treinamentos. Depois, a forma como o Caracas se apresentou permitiu com que tivéssemos a bola. Faltamos muita objetividade na sempre. Não vou dizer que quero controlar a bola sempre e ter que dar 20 toques para fazer um gol. Às vezes, o goleiro dá uma bola longa para o homem da frente, tenho o Júnior Santos que vai voar, e criamos uma oportunidade com o Jordan (Barrera) assim, que é uma bola longa e há o desvio. Portanto, acho que depende do que o adversário nos dá. E esta percepção dos jogadores lá dentro, são inteligentes para isso, para ferir o adversário. Atrair, fazer posse com cinco, seis jogadores na zona da bola para depois acelerar, ou ir na lateral e jogar a bola na área. São jogadores com qualidade. Estiveram demasiado castrados para fazer o que a comissão pedia. Mas a postura deles me deixa com alento para chegar ao CT amanhã e enfrentar o próximo adversário.

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