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Eagle e John Textor - Foto Reprodução: Eagle Football e Sky Sports |
O projeto comandado então pelo programador e empresário John Textor segue sob forte escrutínio no futebol internacional. Dono de uma estrutura multiclubes que envolve a Botafogo SAF, o Olympique Lyonnais e o RWDM Brussels, através da Eagle Football Holdings, o dirigente vê crescerem críticas sobre governança, sustentabilidade financeira e decisões estratégicas que atravessam continentes e ligas distintas não só apenas de críticos, mas de todos de torcedores, dirigentes, e até de jogadores do Botafogo que já não endossam ele, como antes, até os elogios de BOSS, papai John, terminaram.
Em meio a esse cenário, uma série de acusações, reportagens e análises críticas — muitas delas ainda sem confirmação definitiva em instâncias oficiais — alimentam a percepção de instabilidade no modelo de gestão. Entre os pontos mais sensíveis estão alegações de dificuldades financeiras severas em diferentes ativos do grupo, incluindo a discussão sobre uma suposta situação de insolvência envolvendo a estrutura da SAF do Botafogo em determinados momentos de sua reorganização societária.
Botafogo SAF no centro do debate e questionamentos sobre gestão
No Brasil, a Botafogo SAF é o principal símbolo do projeto de Textor e também o epicentro das críticas. Parte do debate público aponta para decisões administrativas complexas, mudanças de rota e tensão entre investimento esportivo e equilíbrio financeiro.
Analistas afirmam que a condução do projeto teria passado por fases de instabilidade, enquanto defensores argumentam que se trata de um processo natural de estruturação de uma SAF ainda em consolidação no futebol brasileiro. Onde Textor foi afastado temporariamente há 1 mês e 1 dia, em 23 de Abril de 2026, após decisão do Tribunal Arbitral da FGV.
Europa: RWDM, Lyon e o desgaste do modelo integrado
Na Europa, o RWDM Brussels também aparece no centro de polêmicas. Relatos e análises críticas indicam que o clube teria enfrentado forte rebaixamento competitivo dentro de sua estrutura esportiva, chegando a disputar divisões inferiores e, segundo interpretações mais duras, até competições de nível semi-amador em meio a reestruturações do futebol belga.
Já na França, o Olympique Lyonnais viveu uma fase de forte turbulência esportiva e administrativa, com mudanças internas e perda de protagonismo nacional, o que levou parte da imprensa a apontar um possível afastamento prático do controle efetivo do clube dentro da estrutura multiclubes. Um dos pontos centrais das discussões recentes envolve a entrada de investidores institucionais no financiamento da aquisição do Olympique Lyonnais em 2022.
Segundo registros públicos e relatos de mercado, a gestora Ares Management Corporation teria atuado como principal credora em operações ligadas à estrutura da Eagle BidCo, viabilizando parte do financiamento necessário para a consolidação do controle do clube francês dentro do grupo.
Outro ator relevante nesse processo teria sido a Iconic Sports, que, de acordo com interpretações do mercado e documentos discutidos em disputas posteriores, também participou do financiamento inicial do projeto com expectativas de retorno estruturado, incluindo a possibilidade de abertura de capital da Eagle em bolsa — especificamente em uma IPO na Bolsa de Nova York. IPO (sigla em inglês para Initial Public Offering). A sigla IPO significa Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial. Trata-se do processo em que uma empresa abre seu capital ao mercado, permitindo que qualquer investidor compre ações dela na Bolsa de Valores. Ao fazer isso, a companhia passa a ter novos sócios e precisa seguir regras rígidas de transparência e governança. O objetivo, geralmente, é levantar recursos para investir ou reduzir dívidas.
Essa listagem, no entanto, não teria se concretizado até o momento, tornando-se um dos pontos de tensão dentro das relações entre investidores e o grupo de Textor.
IPO não realizado e a escalada da disputa societária
A não realização da oferta pública inicial (IPO) da Eagle Football é citada em análises e disputas como um dos fatores que intensificaram o desgaste entre as partes envolvidas no financiamento do projeto.
Segundo essa linha de interpretação, o plano inicial de levar a holding ao mercado acionário norte-americano seria uma peça central na estratégia de retorno dos investidores, o que não ocorreu dentro do cronograma esperado.
Disputa judicial no Reino Unido e derrota em apelação
Esse impasse culminou em uma disputa legal no Reino Unido entre John Textor e a Iconic Sports.
De acordo com registros do caso, o processo foi iniciado em 3 de julho de 2025 em corte britânica, envolvendo divergências contratuais e obrigações relacionadas ao financiamento e à estrutura da Eagle.
Em 21 de janeiro de 2026, Textor teria sofrido uma derrota na corte de apelação, segundo os autos do processo e reportes do setor jurídico-esportivo. A decisão final sobre o caso ainda não foi proferida, com expectativa de conclusão entre julho e outubro de 2026.
Esses episódios são frequentemente usados por críticos como evidência de que o modelo integrado de gestão teria dificuldade em manter estabilidade simultânea em diferentes mercados.
Marinakis, Nottingham Forest e as relações no mercado europeu
Outro ponto que ganhou força no debate envolve a relação entre Evangelos Marinakis, proprietário do Nottingham Forest, e o próprio Textor.
A crítica mais recorrente gira em torno de uma suposta amizade e alinhamento estratégico entre dirigentes, levantando suspeitas no debate público sobre o fluxo de negociações envolvendo clubes conectados a diferentes grupos empresariais. Nesse contexto, também surgiram alegações sobre “transferências fantasmas” ou operações pouco transparentes entre clubes ligados ao mesmo ecossistema de investimentos — embora tais acusações não tenham comprovação pública definitiva e sejam alvo de interpretações divergentes no meio esportivo e jornalístico.
Recompra da SAF do Botafogo e o paradoxo estratégico
Em meio a esse ambiente de questionamentos, ganhou repercussão a informação de que o próprio Textor teria avaliado ou apresentado interesse em recomprar a SAF do Botafogo em determinado momento. Para seus críticos, esse movimento seria contraditório diante das acusações de instabilidade e das dificuldades enfrentadas em outros ativos do grupo.
Já para aliados e defensores do modelo, trata-se de uma estratégia de reposicionamento comum em estruturas de investimento esportivo, onde ajustes societários fazem parte da dinâmica de gestão global.
Um modelo ainda em disputa no futebol global
O caso de John Textor sintetiza um dos debates mais intensos do futebol moderno: até que ponto o modelo multiclubes representa inovação sustentável e quando passa a ser visto como um sistema vulnerável a crises interligadas.
Entre acusações, interpretações críticas e defesas do projeto, o fato é que a estrutura ainda busca estabilidade. E, no centro disso tudo, clubes históricos como o Botafogo e Olympique Lyonnais seguem como peças-chave de um experimento que ainda está longe de uma avaliação definitiva no cenário global. Porém de uma nova reconfiguração com novos investidores.
