Lyon diz que Textor está insultando os torcedores com cobrança indevida; Acionista majoritário da SAF Botafogo revelou à ESPN que transferiu R$120 Milhões de reais para o Olympique Lyonnais em Dezembro de 2024

 
(FOTO: JEFF PACHOUD / AFP)


Na semana passada, a SAF do Botafogo anunciou que entrou com processos na Justiça para cobrar dívidas do Lyon, da França, que integra a rede multiclubes Eagle Football Holdings Limited. A ESPN do Brasil, divulgou detalhes das ações na última terça-feira (7) e também procurou o clube da Ligue 1 para obter uma posição sobre o assunto. O entendimento geral é que, na França, há grande perplexidade em relação ao caso.


Por sua vez, o empresário Norte-americano John Textor, em contato com a reportagem da ESPN, reafirmou a posição apresentada nos processos e afirmou que a visão do Lyon "não condiz com a realidade".


De maneira oficial, o clube francês informou à ESPN que, por ser uma companhia listada, não possui autorização e não se posicionará sobre a disputa jurídica. No entanto, a reportagem conversou com diversas fontes francesas com conhecimento das várias disputas envolvendo o clube europeu, Textor e o grupo Eagle, que traçaram um panorama do tema.

Segundo as fontes, apesar dos processos já estarem em andamento (um na 2ª Vara Cível e outro na 17ª Vara Cível do Rio de Janeiro), o Lyon ainda não recebeu qualquer notificação oficial sobre o assunto até a última quinta-feira (9).

O OL também entende que as ações não fazem sentido. A interpretação dos franceses, que se apoiam em declarações públicas do próprio Textor, é que o dinheiro que está sendo cobrado atualmente circulava no caixa do grupo Eagle, e não nas contas do clube francês. Assim, acredita-se que as transações, empréstimos e operações eram de "Textor para Textor", e que o empresário estaria agora cobrando a si mesmo na Justiça.

Além disso, as fontes reforçam que, em 27 de março, a Eagle Bidco (holding que controla o Lyon) entrou em administração e foi assumida pela consultoria inglesa Cork Gully, especializada em reestruturações.

As pessoas ouvidas pela ESPN salientam que, se alguém acredita que tem dívidas a cobrar do OL, deve entrar em contato com a Cork Gully pelos canais oficiais para iniciar os procedimentos formais, e não na Justiça comum.

Uma fonte com conhecimento do tema, aliás, vê os processos iniciados pela SAF do Botafogo como uma tentativa de Textor tentar "recuperar o carinho" da torcida do Glorioso.

"O sentimento é que John (Textor) enfrenta dificuldades no Brasil, e que essa ameaça por meio de um processo é uma estratégia populista para reconquistar o amor dos torcedores do Botafogo. Mas, acima de tudo, parece uma maneira de insultar a inteligência dos torcedores", opinou a pessoa, que falou com a ESPN sob condição de anonimato.

Por fim, as fontes consultadas na França lembraram que o Lyon continua lidando com outros problemas relacionados ao sistema de caixa único do grupo Eagle, como as operações envolvendo atletas como Igor Jesus, Luiz Henrique, Thiago Almada, Savarino e Jair.

Esses atletas foram chamados pelas fontes de "jogadores fantasmas", e a reclamação é que o OL está sendo cobrado por bancos e fundos de investimentos por jogadores que sequer foram registrados ou vestiram a camisa do clube francês.

O dinheiro circulado nessas negociações também envolveu clubes como o Nottingham Forest, da Inglaterra, dificultando ainda mais a localização dos fundos. O Lyon existe no Brasil?

Outro ponto importante nas ações da SAF do Botafogo contra o Lyon é que o clube carioca solicitou à Justiça que o clube francês seja citado no endereço de sua suposta subsidiária no Brasil: a OL BRESIL LTDA., cujo nome fantasia é OLYMPIQUE LYONNAIS SASU BRASIL.

A ESPN questionou o Lyon sobre o tema e perguntou se a empresa representa o time da Ligue 1 no Brasil. A resposta oficial foi que, por ser uma companhia listada, o clube francês não tem autorização e não se posicionará sobre sua relação com a empresa.

Fontes com conhecimento do tema, no entanto, afirmaram que a companhia "não está mais ativa". Na França, inclusive, o sentimento é de surpresa com a menção à OL BRESIL LTDA., já que "ninguém sabe para que essa empresa foi criada ou qual seu propósito".

No sistema da Receita Federal do Brasil, a empresa aparece como criada em 19 de junho de 2024 e está registrada como "ativa", tendo como atividade principal o "agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas". Ela possui endereço físico em um complexo de escritórios na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Seu quadro societário inclui apenas dois nomes: Thairo Arruda, ex-CEO da SAF do Glorioso, que deixou o cargo no início de fevereiro e é descrito pela Receita como "administrador"; e Emerson Leão dos Santos, listado como "sócio pessoa jurídica domiciliado no exterior" (no caso, na França), na condição de "procurador" da empresa.

Por isso, as fontes na França interpretam que a OL BRESIL LTDA. é uma "caixa vazia", que não possui recursos, e que, mais uma vez, Textor estaria fazendo uma cobrança contra si mesmo.

Procurado na última quinta-feira (9/4), Thairo Arruda não respondeu até a publicação desta reportagem. Caso o faça, a matéria será atualizada.


Procurado pela ESPN, John Textor se posicionou sobre o novo capítulo da "guerra" entre Botafogo SAF e Lyon.


Em nota oficial enviada à reportagem, ele assegurou que o OL é responsável pelos "problemas causados" ao Glorioso e exigiu que a equipe francesa envie seus posicionamentos à Justiça do Brasil.


O empresário norte-americano também salientou que as ações da SAF são contra o Lyon em si, e não contra a OL BRESIL LTDA., que foi citada de forma meramente protocolar nos processos por, em teoria, ser subsidiária do time francês no Brasil.


Veja abaixo o comunicado na íntegra:


Eu não compreendo as alegações do Lyon, já que elas não refletem a realidade. Primeiramente, nossas iniciativas não são dirigidas contra a OL BRESIL LTDA., apenas contra o Lyon SASU. Eu repito: a OL BRESIL LTDA. não é parte de nenhum processo jurídico. Em resumo, de acordo com o que é permitido pelas leis do Brasil, nós apenas requisitamos que o Lyon SASU seja formalmente notificada da existência dos processos através de sua subsidiária no Brasil. Os dois processos são públicos e podem ser consultados para confirmar essa informação.


Em referência também aos nossos problemas no Brasil, que foram claramente causados pelo Lyon SASU, o que me parece é que o Lyon está tentando desviar a atenção do assunto principal, que são os valores devidos ao Botafogo SAF. Também quero aproveitar a oportunidade para enviar provas materiais de uma das transferências que fizemos em favor do Lyon, que também foram anexadas aos processos judiciais mencionados acima.


Se esse documento existe e se as quantias foram de fato transferidas, não há como o Lyon alegar que a iniciativa do Botafogo SAF não tem base jurídica.


Informamos que todas as nossas reivindicações baseiam-se em transferências eletrônicas efetivas de recursos financeiros, realizadas em conformidade com um contrato de mútuo intercompanhias aprovado pelo Lyon Sasu, no âmbito de uma iniciativa de cash pooling que contou com a plena aprovação do Conselho de Administração e da Assembleia Geral do Lyon.


Por fim, como o Lyon parece ter ciência e inclusive de ter analisado os processos, eu gostaria de pedir a eles que tomem a iniciativa e enviem seus posicionamentos à Justiça, já que essa situação precisa ser resolvida com urgência, já que essas quantias são significantes e indispensáveis para o Botafogo SAF.


Como dito no comunicado, Textor enviou também à ESPN um comprovante de transferência feito ao Lyon em 27 de dezembro de 2024.


No documento, é mostrado que, através de uma operação realizada no Ebury Banco de Câmbio S.A., foi transferida a quantia de 18.441.444,08 euros (R$ 119.786.400,02), de acordo com a taxa cambial do banco) à entidade Olympique Lyonnais, que foi recebida através do banco Santander.


No total, a SAF do Botafogo diz que as ações na Justiça são para cobrar mais de R$ 745 milhões da equipe francesa.


Lyon tem déficit monstruosoNa última quarta-feira (7), foi divulgado o balanço financeiro do Lyon para a temporada 2024/25. O déficit apresentado foi alarmante.

De acordo com o relatório da DNCG (Direção Nacional de Controle de Gestão), órgão responsável pelo controle do fair play financeiro no Campeonato Francês, o OL encerrou o ano no vermelho em 208,6 milhões de euros (R$ 1,246 bilhão).

O número chamou bastante atenção da imprensa local, já que, na temporada anterior (2023/24), o déficit da equipe tinha sido de "apenas" 25,8 milhões de euros (R$ 154,12 milhões).


O déficit do Lyon em 2024/25 foi o maior de toda a Ligue 1. O segundo colocado foi o Olympique de Marselha, com 104,8 milhões de euros (R$ 626,05 milhões) — ou seja, quase metade do valor do OL.


Dos 18 times da elite francesa, apenas sete encerraram a temporada com saldo positivo. Nem mesmo o PSG escapou do vermelho, apresentando um déficit de 40,2 milhões de euros (R$ 240,14 milhões).

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