Alexander Barboza se despede da torcida botafoguense no Estádio Nilton Santos, confirma acerto com o Palmeiras e expõe bastidores turbulentos de sua saída no Botafogo, e revela que disse para Savarino sair do clube, após ele não se sentir valorizado (VÍDEO)


Alexander Barboza se transferiu do Libertad-PAR para o Botafogo em 2024, estando presente na conquista da Libertadores (Foto: Peter Ilicciev/Agencia Enquadrar/Folhapress)


A vitória do Botafogo por 3 a 1 contra o Corinthians, neste domingo (17/5), no Estádio Nilton Santos, entrou para a história não apenas pelo resultado dentro de campo, mas pela despedida carregada de emoção do zagueiro argentino Alexander Barboza, que confirmou oficialmente sua saída do clube rumo ao Palmeiras.


A negociação gira em torno de quase R$ 20 milhões e encerra uma passagem marcada por títulos, identificação com a torcida, conflitos internos e uma série de bastidores que o próprio jogador decidiu expor publicamente após a partida.


Visivelmente emocionado, Barboza chorou no gramado do Nilton Santos, recebeu abraços de familiares, foi cumprimentado pelos companheiros de elenco e pelo técnico Franclim Carvalho, além de receber aplausos da torcida alvinegra. Em entrevista ainda no campo ao “SporTV”, o defensor admitiu que já sabia que aquela seria sua última atuação diante dos torcedores botafoguenses no estádio.


Assista aos vídeos abaixo:





“Sabia que seria meu último jogo aqui no Nilton Santos. Então, a realidade é que é uma mistura de sentimentos, de felicidade mas também de tristeza, porque vivi muitas coisas aqui. Fui campeão aqui, estou na história do clube. O clube está na minha história, isso não é fácil, por isso toda essa emoção nesse meu último jogo aqui”, declarou.


A trajetória no Botafogo: adaptação difícil, superação e títulos


Durante a entrevista, Barboza relembrou toda sua trajetória no futebol brasileiro e as dificuldades enfrentadas desde sua chegada ao Botafogo. Segundo o zagueiro, a adaptação ao país, à cultura e ao idioma foi complicada, especialmente em seus primeiros meses no clube.


“Saí para outro país, com outro idioma, outra cultura, a família tem que se adaptar. Meu começo não foi muito fácil. Passei por momentos em que não jogava, queria sair, mas graças a Deus e ao meu trabalho consegui dar a voltar por cima e conquistar um lugar no time titular e sendo campeão.”


O argentino ressaltou que construiu sua trajetória através de esforço e dedicação diária.


“Ganhei meu lugar no time, tudo com trabalho e sacrifício. Ganhei o carinho das pessoas porque sou um cara que me entrego.”


Em uma das falas mais fortes da noite, Barboza afirmou que poucos críticos não apagariam a história construída por ele no clube.


“Tem pessoas que não vão reconhecer, mas sempre tento ver o lado bom das coisas. Acho que ninguém vai apagar a história que construí aqui, nem que sejam cinco ou seis idiotas que pensam diferente.”


O defensor ainda revelou o impacto emocional causado pelo carinho da torcida nas últimas semanas.


“Sou muito grato por eles. O que eles fizeram comigo nesse tempo e com minha família eu nunca vivi. Há duas ou três semanas tem um monte de torcedor na rua me agradecendo. Muitas pessoas mandando mensagem para mim e para minha mulher por esse caminho que construí.”


Palmeiras confirmado, mas foco ainda na Sul-Americana


Apesar de confirmar o acerto com o Palmeiras, Barboza evitou aprofundar detalhes sobre o novo clube por respeito ao Botafogo.


“Estou feliz e não vou falar ainda do Palmeiras, porque tenho mais dois jogos para fazer na Copa Sul-Americana. Do Palmeiras falarei na minha apresentação lá.”


O defensor ainda disputará os confrontos contra o Club Independiente Petrolero e o Caracas Fútbol Club pela Copa Sul-Americana antes da pausa para a Copa do Mundo.


No entanto, ficará fora das partidas do Campeonato Brasileiro contra São Paulo Futebol Clube e Esporte Clube Bahia para não atingir o limite de jogos que impediria sua inscrição pelo Palmeiras na competição nacional no segundo semestre.


A revelação sobre Savarino: “Fui eu que falei para ele sair”


Após a partida, Barboza concedeu outras entrevistas nas quais fez revelações ainda mais contundentes sobre os bastidores do clube. Uma delas envolveu diretamente o meia venezuelano Yeferson Soteldo Savarino, atualmente no Fluminense Football Club.


Segundo o argentino, ele próprio aconselhou Savarino a deixar o Botafogo por sentir que o jogador não estava sendo valorizado internamente.


“Fui eu que falei com o Savarino, quando ele não estava sendo valorizado pelo clube, que ele tinha que sair.”


Barboza afirmou que sempre lutou por reconhecimento profissional dentro do clube e usou a situação do amigo como parâmetro para sua própria decisão.


“Eu sinto que sempre trabalhei demais para ser valorizado. Então eu falei mesmo com o Savarino. E minhas palavras para ele foram: ‘Se você não está sendo valorizado aqui, tem que sair.’”


O zagueiro ainda sugeriu que a saída do venezuelano não foi exatamente uma escolha espontânea.


“Ele escolheu, não, escolheu não, tiraram ele, né? E ele foi para o Fluminense.”


Segundo Barboza, não faria sentido aconselhar um amigo a buscar valorização em outro lugar e agir de maneira oposta quando passou pela mesma situação.


“Como eu posso falar uma coisa para ele, que é meu amigo, e eu fazer o contrário? Não tem como.”


O início da crise: propostas após temporada histórica em 2024


Barboza iniciou então um longo relato explicando detalhadamente todo o processo de desgaste entre ele e o Botafogo.


Segundo o defensor, tudo começou após a temporada histórica de 2024, quando o clube conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro.


“Tivemos um ano espetacular, inesquecível. Todo mundo sabe que quando o jogador consegue ganhar a Libertadores e o Brasileiro no mesmo ano, ele é valorizado no mercado.”


No começo de 2025, seu empresário apresentou três propostas concretas: uma do México e duas da Europa. Mesmo assim, Barboza decidiu permanecer.


“Eu falei que ainda tinha coisas para ganhar no Botafogo. Queria jogar o (Super) Mundial de Clubes nos Estados Unidos.”


Além disso, o defensor citou a importância das disputas da Recopa e da Supercopa.


“Minha decisão foi ficar.”


Propostas da Arábia e pressão para sair


Após o Super Mundial de Clubes, entretanto, o cenário mudou radicalmente. Segundo Barboza, dirigentes do Botafogo passaram a considerar sua venda necessária financeiramente.


Ele revelou que três propostas do futebol árabe chegaram ao clube.


“Falaram que era bom para o clube e que eu tinha que ir embora porque o clube estava necessitando do dinheiro.”


O argentino afirmou que recusou mesmo diante da possibilidade de receber salários muito superiores.


“Eu ia ganhar um monte de dinheiro, é verdade. Mas eu falei que não, que não ia.”


Renovação travada e desconfiança


No início de 2026, Barboza revelou que novas propostas surgiram, inclusive uma oferta de renovação do próprio Botafogo.


Contudo, o defensor explicou que a situação financeira e esportiva do clube gerava insegurança.


“Eu sabia que o momento do Botafogo não era o melhor. Muitas coisas de fora, dívidas com os jogadores também.”


Segundo ele, o problema nunca foi exclusivamente salarial.


Embora tenha pedido aumento compatível com outras propostas recebidas, afirmou que aceitou os limites financeiros apresentados pelo clube.


“O Botafogo falou que era impossível competir financeiramente. Eu aceitei.”


O grande entrave era outro: garantias esportivas.


Barboza queria segurança de que o clube manteria um projeto competitivo e que não o venderia logo após uma renovação contratual.


“Eu queria ter certeza de que o clube realmente ia brigar por coisas importantes e que não iria se desfazer de muitos jogadores.”


O defensor citou casos recentes de atletas negociados após renovarem contrato.


Entre eles, Gregore, John Victor e Savarino.


“Eu não queria que acontecesse a mesma coisa comigo.”


O plano inicial: sair livre apenas no fim do ano


Barboza revelou que sua ideia original era permanecer até o término do contrato e decidir o futuro apenas no final da temporada.


“Minha ideia era esperar até o final do ano para ver se o clube melhorava e se existia um projeto.”


Segundo ele, sequer pretendia assinar pré-contrato com outro clube em junho.


“Se eu mantivesse o nível, iriam chegar muitos clubes interessados porque eu ficaria livre.”


A ligação decisiva: “Você tem que ir embora”


O momento decisivo ocorreu quando dirigentes do Botafogo ligaram para seu empresário.


Segundo Barboza, o clube foi direto:


“Falaram que eu tinha que ir embora.”


A justificativa apresentada, segundo ele, foi a preocupação do clube em perder o jogador gratuitamente no fim do contrato.


“Eles disseram que sabiam que eu queria sair livre no final do ano e que o clube precisava de dinheiro.”


Inicialmente, o destino indicado seria o Palmeiras.


Dias depois, no entanto, houve mudança de rota.


“Voltaram a ligar dizendo que eu já não tinha que ir para o Palmeiras, e sim para o Cruzeiro, porque o Cruzeiro dava mais dinheiro.”


O argentino admitiu que naquele momento percebeu que o clube estava determinado a negociá-lo.


“Eu pensei que iam se desfazer de mim de qualquer jeito.”


A escolha pelo Palmeiras


Mesmo diante da pressão financeira, Barboza afirmou que teve liberdade para escolher entre os clubes interessados.


Além do Palmeiras e do Cruzeiro, outras equipes também consultaram sua situação.


Segundo ele, o projeto esportivo foi determinante.


“Eu escolhi entre três clubes. E obviamente o projeto do Palmeiras era muito melhor.”


O defensor voltou a negar que tenha forçado sua saída ou agido por dinheiro.


“Por dinheiro não foi. Se eu saísse livre no final do ano, eu receberia muito mais.”


Barboza também rejeitou críticas de oportunismo.


“Mercenário eu não fui.”


Segundo o jogador, aceitar a transferência acabou ajudando financeiramente o Botafogo.


“Eu decidi ajudar meus companheiros e o clube decidiu me vender para pagar seus compromissos.”


Veja a íntegra de tudo o que Barboza disse: 


– Sabia que seria meu último jogo aqui no Nilton Santos. Então, a realidade é que é uma mistura de sentimentos, de felicidade mas também de tristeza, porque vivi muitas coisas aqui. Fui campeão aqui, estou na história do clube. O clube está na minha história, isso não é fácil, por isso toda essa emoção nesse meu último jogo aqui – iniciou Barboza, na entrevista ainda no gramado.


– Saí para outro país, com outro idioma, outra cultura, a família tem que se adaptar. Meu começo não foi muito fácil. Passei por momentos em que não jogava, queria sair, mas graças a Deus e ao meu trabalho consegui dar a voltar por cima e conquistar um lugar no time titular e sendo campeão. Ganhei meu lugar no time, tudo com trabalho e sacrifício, ganhei o carinho das pessoas porque sou um cara que me entrego. Tem pessoas que não vão reconhecer, mas sempre tendo ver o lado bom das coisas. Acho que ninguém vai apagar a história que construí aqui, nem que sejam cinco ou seis idiotas que pensam diferente. Sei do carinho do torcedor, isso é muito gratificante e me sinto muito feliz com isso – continuou.


– Sou muito grato por eles, o que eles fizeram comigo nesse tempo e com minha família eu nunca vivi. Há duas ou três semanas que tem um monte de torcedor na rua me agradecendo nas ruas. Muitas pessoas mandando mensagem para mim, para minha mulher, por esse caminho que eu construí. Sempre trabalhei e respeitei essa camisa, nunca ninguém pode falar nada sobre isso. Estou feliz e não vou falar ainda do Palmeiras, porque tenho mais dois jogos para fazer na Copa Sul-Americana. Do Palmeiras falarei na minha apresentação lá – finalizou.


“O clube precisa de dinheiro, precisava pagar o salário dos jogadores e ligaram para mim falando que eu tinha que ir embora porque a minha renovação no clube estava parada. Com a renovação travada, o clube decidiu que o melhor era me vender e falou para mim: 'tem que ir embora'. Me deram as opções de Palmeiras e Cruzeiro. O clube escolheu quem dava mais dinheiro. A realidade é que eu não me senti valorizado 


Me surpreendi (quando me ligaram). Porque eu não tinha pensado em sair no meio do ano. Se eu fosse sair, seria no final do ano, como agente livre. Por dinheiro não foi porque se eu saísse livre no final do ano, eu iria receber muito mais dinheiro. Mercenário eu não fui. Eu decidi ajudar meus companheiros e o clube decidiu me vender para pagar seus compromissos


Eu pedi a segurança de que eu não queria ser vendido quando eu renovasse, eu queria ter a certeza de que não ia ser vendido, como aconteceu com outros jogadores. Eu queria ter certeza que o clube ia ter um projeto ganhador. O clube não conseguiu me dar as duas coisas que eu pedi.”


– Fui eu que falei com o Savarino, quando ele não estava sendo valorizado pelo clube, que ele tinha que sair. Eu sinto que sempre trabalhei demais para ser valorizado. Então, eu falei mesmo com o Savarino. E falei com ele. E minhas palavras para ele foram, se você não está sendo valorizado aqui, tem que sair. Porque se não agora, é dentro de uma semana para outro clube. E ele escolheu, não, escolheu não, tiraram ele, né? E ele foi para o Fluminense. Então, como eu posso falar uma coisa para ele, que é meu amigo, e eu fazer o contrário? Não tem como. Então, quando eu não me senti valorizado, eu falei, tá, então, perfeito. Só faleu que eu tinha que decidir, se ir para um ou ir para outro clube – declarou Barboza.


– Eu vou começar falando do ano de 2024. Tivemos um ano espetacular, inesquecível. Todo mundo sabe que quando o jogador consegue ganhar a Libertadores e o Brasileiro no mesmo ano, que não é fácil, o jogador é valorizado no mercado. No começo de 2025, o meu empresário chegou com três propostas de diferentes clubes. Um do México e dois da Europa. Eu falei que ainda tinha coisas para ganhar no Botafogo e por isso eu decidi ficar. Eu queria jogar o Mundial de Clubes nos Estados Unidos. Então eu falei para ele que ainda não era o momento de sair, porque também tínhamos duas finais, Recopa e Supercopa. Então a minha decisão foi ficar. Depois chegou o Mundial de Clubes, eu joguei. Graças a Deus fiz um bom Mundial também. Quando finalizou o Mundial, eu ainda queria ficar, lógico. De parte do clube, nesse momento falaram que eu tinha que ir embora. Nesse momento chegaram três propostas diferentes, de diferentes clubes da Arábia, falando que era bom para o clube. Então eu tinha que ir embora, porque o clube estava necessitando do dinheiro. Eu falei que não, que não ia ir embora. Minha decisão foi ficar. Eu ia ganhar um monte de dinheiro, é verdade. Mas eu falei que não, que não ia ir. Seguiu o ano.


Cenário em 2026


– No começo desse ano, novamente, tinha propostas. Inclusive a proposta de renovação da Botafogo. Tinha propostas de renovação do Botafogo também. Eu sabia que o momento da Botafogo não era o melhor. Muitas coisas de fora, dívidas com os jogadores também. No ano passado eu não renovei. Eu queria esperar, ver como avançava. E que projetos também tinha o clube, daí para frente, para saber se eu renovava ou não. Chegou, eu decidi ficar aqui. Comecei a jogar. Quando chegou na metade do ano, e perguntaram para mim, porque eu não tinha renovado ainda, e eu falei que a renovação estava parada. Eu falei que eu precisava de segurança. Minha segurança, a segurança que eu precisava, era saber que o clube realmente ia brigar por coisas importantes, que o clube não ia se desfazer de muitos jogadores e ficar jogando para não ganhar nada. E a outra coisa que eu queria ter certeza, que o clube não decidiu me dar isso, ou não conseguiu, melhor dito, foi que se eu renovasse, o clube não iria querer me vender. Porque aconteceu com outros atletas, que depois de renovar, o clube vendeu. Gregore, John, Savarino. E eu falei com o Savarino, e eu sei tudo o que aconteceu com o Savarino. Como foi tudo. Eu não queria que acontecesse a mesma coisa comigo. Por isso, eu queria ter essa segurança. Por isso, o clube não conseguia me dar essa segurança. Porque o clube estava necessitando de dinheiro. E se eu tivesse uma boa proposta, o clube iria querer me vender. Por isso, a renovação estava parada.


Planos


– Minha ideia, a princípio, era esperar. Esperar até o final do ano. Ver se o clube tinha um projeto, se o clube melhorava. E depois aconteceu o que aconteceu. Eu não iria firmar um pré-contrato com ninguém. Porque, realmente, eu não iria firmar um pré-contrato com um clube em junho. Porque sabia que o ano que vem, se eu mantivesse o nível, iriam chegar muitos clubes interessados, se eu ficasse livre. Para mim, não era uma boa escolha firmar um pré-contrato. E aí chegou o Palmeiras. E aí chegou o Cruzeiro, e muitos interessados de outros times também, que perguntaram as condições.


Ordem do Botafogo para sair


– Eu não estava sabendo de nada, é a realidade, até que um dia ligaram para o meu empresário, falando que eu tinha que ir embora. Como assim? Eu não podia sair. Eles disseram que eu tinha que ir embora. A gente estava recebendo uma proposta, é muito bom para o clube, e eu tinha que ir embora. Eu perguntei por quê. E falaram que eles sabiam que eu queria sair de graça no final do ano. E o clube decidiu que eu não ia, porque precisava de dinheiro. Meu empresário falou isso para mim. Eu pensei e falei que ia dar uma resposta em poucos dias. Eu continuava jogando. E três dias depois, voltaram a ligar para o meu empresário, falando que eu já não tinha que ir para o Palmeiras, e sim para o Cruzeiro, porque o Cruzeiro dava mais dinheiro. E eu pensei que iam se desfazer de mim, de qualquer jeito.


Escolha pelo Palmeiras


– Palmeiras. E eu não quero falar agora, melhor não falar agora de Palmeiras, porque eu respeito o Botafogo, e ainda tenho mais dois jogos pela frente. Então, tudo que seja de Palmeiras, vou falar quando estiver lá, quando iniciar a apresentação lá. Agora, acho que não é o momento. Mas, sim, explicar para todo mundo a minha saída, porque sempre respeitei, e sempre fui frontal, sincero com todo mundo. Então, não quero que vocês falem coisas… Vocês falaram muitas coisas que não são verdade, como que eu pedi para sair, como que eu pedi mais dinheiro, e isso não é certo, porque com o Botafogo, acordei no ano passado, o salário e os anos do contrato. Eu pedi um salário muito maior, não muito maior, um salário maior sendo valorizado pelas outras propostas que eu tinha. O Botafogo falou que era impossível competir, e ele falou, tá, não tenho isso, tenho isso aqui. Eu falei, tá, certo, tá bom. Se deu como eu achei, tá, perfeito, fechou. Mas eu pedi as outras seguranças, as outras certezas que eu queria ter para renovar. O clube não conseguiu me dar. Então, por isso foi que não se deu a renovação. Mas falaram um monte de coisas que não são verdade, como eu falei, e isso que me deixa triste, porque eu não podia falar no momento. Já quase tudo está resolvido, quase tudo se sabe. Eu posso falar de frente, sem problemas, sem esconder nenhuma coisa. Como eu falei, tudo que seja, o Palmeiras, minha decisão de escolher o Palmeiras em lugar de outros times, será dito quando estiver. Eu escolhi entre três clubes, tirando o Botafogo. Eu escolhi entre os três clubes, o Palmeiras e os outros dois. E, obviamente, o projeto do Palmeiras era muito melhor.


Barboza fora contra São Paulo e Bahia

Barboza ficará fora dos jogos contra São Paulo e Bahia, pelo Campeonato Brasileiro, para não estourar o limite e poder atuar pelo Palmeiras na competição no segundo semestre. O defensor ainda poderá atuar contra Independiente Petrolero e Caracas, pela Copa Sul-Americana, antes da pausa para a Copa do Mundo de 2026. 


O caso Alexander Barboza transcende uma simples transferência do futebol brasileiro. Suas declarações revelam um retrato profundo das contradições enfrentadas por clubes sul-americanos que tentam equilibrar ambição esportiva, responsabilidade financeira e gestão de elenco.


O Botafogo viveu recentemente uma de suas fases mais vitoriosas em décadas, conquistando títulos históricos e alcançando protagonismo continental. No entanto, os relatos do zagueiro argentino mostram que o sucesso em campo nem sempre significa estabilidade nos bastidores.


Barboza expôs temas delicados: dívidas com jogadores, insegurança contratual, receio de desmontes no elenco e pressão financeira para vendas imediatas. Mais do que isso, revelou uma relação desgastada entre atletas e gestão esportiva, marcada pela falta de garantias sobre o futuro do projeto competitivo do clube.


Ao mesmo tempo, o defensor deixa o Botafogo como símbolo de entrega, liderança e identificação com a torcida. Suas lágrimas no Nilton Santos e a reação dos torcedores demonstraram que, independentemente dos conflitos internos, seu nome permanece ligado a um dos ciclos mais marcantes da história recente do clube.


Para o Palmeiras, a contratação representa a chegada de um jogador experiente, acostumado à pressão de grandes competições e consolidado em alto nível no futebol sul-americano.


Para o Botafogo, a saída de Barboza abre um debate inevitável: até que ponto um clube consegue sustentar um projeto vencedor quando a necessidade financeira obriga a abrir mão de peças fundamentais?


No futebol moderno, títulos constroem glórias momentâneas. Mas estabilidade, confiança institucional e valorização interna são os pilares que sustentam ciclos vencedores duradouros. E, pelas palavras de Alexander Barboza, esse talvez tenha sido justamente o elo que se rompeu no Estádio Nilton Santos.

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