Franclim Carvalho em coletiva do Botafogo, pede ¨pés no chão¨ na Sul-Americana: Não olhamos para o favoritismo teórico porque já vimos que isso é muito traiçoeiro (VÍDEO)


Franclim Carvalho na coletiva após Botafogo 2 x 1 Racing - Foto/Reprodução: Botafogo TV


O Botafogo se garantiu no mata-mata da Copa Sul-Americana, nesta quarta-feira, ao vencer o Racing. Com a vitória por 2 a 1, o clube carioca carimbou a classificação ao menos aos play-offs, podendo ainda avançar diretamente às oitavas. O técnico Franclim Carvalho evitou falar em favoritismo alvinegro ao analisar a situação do grupo E.


Assista abaixo:


— Acho que temos que respeitar todos os adversários. O Caracas tem oito pontos não por acaso. Nós sabemos que no jogo em casa com o Caracas estivemos abaixo do que já produzimos. Foi o nosso primeiro jogo desde que chegamos. Sabemos que dominamos o jogo em termos de números. Não podemos desvalorizar o Caracas e o Petrolero — disse Franclim, acrescentando:


— O Petrolero neste momento tem zero pontos, o Caracas tem oito, está na luta conosco. Na próxima parada parece-me que o Racing joga a vida e o Caracas vai jogar a vida também, nós temos que ganhar o próximo jogo, é assim que vemos. Não olhamos para o favoritismo teórico porque já vimos que isso é muito traiçoeiro.


Líder do grupo, o Botafogo chegou a dez pontos com o triunfo desta quarta-feira. O Caracas, segundo colocado e atual dono da vaga nos play-offs, tem oito pontos somados. O Racing soma quatro pontos na terceira posição, e o Independiente Petrolero é o lanterna da chave, ainda zerado.


Outros tópicos da entrevista de Franclim Carvalho:

Ausência de Santi e gestão do elenco do Botafogo:

— Santi ficou fora por opção. Temos que gerir de três em três dias, quando jogamos. Não podemos pensar muito à frente. Faltam sete jogos até a parada (da Copa do Mundo). Temos que pensar no próximo jogo, contra o Atlético-MG.


Posicionamento da defesa no gol do Racing:

— Não é um problema do corredor direito. Estávamos mal posicionados. Sem marcação, sem referência, sabemos como devemos fazer. Naquele momento, tivemos azar, isso também faz parte, porque a bola desvia em alguém. E o adversário faz um gol de nível alto. A culpa não é do Vitinho, nem de ninguém naquela posição. Estávamos em superioridade dentro da área.


Um mês de Botafogo:

— Não posso estar satisfeito porque temos uma derrota a mais do que pretendíamos e um empate a mais do que pretendíamos. Obviamente que, em termos de resultado, nós sabemos que é uma indústria voltada 99% ao resultado. Não importa se joga bem ou mal, é o resultado que se almeja. Ninguém vai lembrar se perdemos injustamente para o Remo ou se empatamos justa ou injustamente com o Coritiba, ninguém vai se lembrar disso. Só vão lembrar do resultado. Nós estamos insatisfeitos com esses quatro resultados.


— Eu olho hoje para a equipe e me vejo muito mais satisfeito com os meus olhos, obviamente. Estou mais feliz hoje do que estava um mês atrás. Essas pessoas têm nos recebido muito bem, têm nos feito sentir muito bem no dia a dia Encontrei um grupo de jogadores muito melhor do que eu esperava, sinceramente. Esse lado humano me deixa muito satisfeito, da parte dos jogadores e da parte do restante da estrutura. As pessoas que trabalham perto de nós se preocupam em nos dar as melhores condições para evoluirmos nosso trabalho no dia a dia. Temos um grupo muito forte, uma diretoria mais próxima.


Não utilização de Joaquín Correa e possível teimosia em escolhas:

— Corajoso eu sou, porque aos 29 anos fui sozinho para a Coreia do Sul trabalhar. Teimoso eu sou, me dizem isso em casa todos os dias. Se eu sou assim com essas pessoas e não for assim dentro de campo, alguma coisa está errada. Os treinadores têm as suas convicções, obviamente. Já percebi que alguns jogadores causam algum frisson na torcida, mas não posso tomar decisões por esse ruído. Trabalho com os jogadores todos os dias, temos uma ideia do que os jogadores podem entregar. Em defesa do Tucu, é muito difícil um jogador jogar poucos minutos e fazer sempre a diferença. Hoje vimos que o jogo estava muito difícil. O Villalba entrou, deu dez piques para a frente e para trás, depois já estava com a mão no joelho. Jogo estava num ritmo alto e hoje tinha essa exigência. Temos que olhar para o jogo.


O que falta para Villalba ter mais minutos no time?

— Decisão do treinador. Eu sei das características do Villalba, são diferentes dos pontas que nós temos utilizado. Hoje o Villalba foi um segundo atacante. Fez isso com perfeição, quase deu uma assistência para o Arthur. Entregou o que nós queremos, que é compromisso, que é ajudar o Vitinho a fechar o corredor. Fez isso com perfeição. O Villalba é um jogador em que eu confio, é uma figura interessante, é um jogador de grupo, que trabalha. Gosto dele.


Restrições no número de estrangeiros em jogos da CBF:

— Essa questão dos estrangeiros é um problema que o Brito e o Léo (diretores do Botafogo) me criaram. Eu não posso fazer nada se no Brasileiro e na Copa do Brasil nós temos um limite de nove estrangeiros. Tenho que deixar sempre cinco (jogadores gringos) fora. Os jogadores já sabem disso, estão conscientes e sabem da dificuldade que nós, comissão, temos em escolher porque eles trabalham bem. Mas sabem que nós temos que fazer opções. Hoje, não veio o Santi. Não vou dizer que não veio por A, B, ou C. Não veio por opção, não vou esconder nada de ninguém. Volto a dizer que hoje fizemos coisas bem e outras não tão bem, ou mal até. Temos que melhorar muito. O adversário não nos trouxe nenhuma surpresa. Na questão física, já falei que temos um Núcleo de Saúde e Performance de excelência. As condições do clube são muito melhores hoje do que eram em 2024, e isso é mérito das pessoas que trabalham no clube e do NSP.


Prefere um jogador bem tecnicamente ou um jogador que se entrega?

— Prefiro claramente jogadores que se entreguem. O Júnior não joga em função de estatísticas, não quero que o Júnior faça isso. Eu digo dez vezes por dia, tens que atacar o espaço.


Qual é a real situação do Barboza?

— Eu tenho a mesma informação (que você). No último jogo ele falou conosco, se por ventura houver novidade, vocês às vezes têm a informação primeiro do que eu. Na última vez que falei com vocês, não menti. Eu contava com ele, ele jogou. Temos o lance do gol que obviamente nos deixa chateado, tenho que ver melhor a questão do Ferraresi e do Barboza, mas não pode acontecer, o atacante não pode fazer gol no meio dos dois zagueiros. Mas o Barboza fez um grande jogo com o Ferraresi, estou muito satisfeito com os dois.


Por que o Botafogo cai de rendimento no segundo tempo?

— Contra Coritiba e Caracas, não concordo. Contra o Remo, concordo. É o único jogo que eu posso dizer isso. Hoje, a oportunidade mais clara no segundo tempo foi nossa, com o Danilo. O adversário teve chances, nós também, mas a chance mais clara foi essa. Portanto só estou de acordo com o jogo do Remo, não conseguimos controlar o jogo. Hoje estávamos a ganhar e sabíamos que o adversário ia partir para o jogo, fizemos duas alterações no final. Esse resultado nos deixa satisfeitos.


Chances ao Kadir

— Você começou a pergunta dizendo que o Kadir teve a terceira chance como titular, Kadir não pode ter mais chances do que essas. Ele tem que demonstrar lá dentro, como tem demonstrado. E eu tenho mostrado satisfação. Às vezes queremos apressar as coisas e dar um passo maior do que a perna, mas temos que ter paciência. Vocês às vezes gostam de classificar o adversário pelo poderio teórico, mas, como eu disse, os jogos são todos perigosos. E o Kadir tem trabalhado bem, tem feito o que nós pedimos e nós temos dado ao Kadir essa possibilidade de começar os jogos. Acho que ele está um pouco ansioso para fazer gols, tem que ter calma, até porque tem 18 anos e vai fazer muitos gols até o final da carreira.


Acha que o Alex Telles pode ir pra Copa?

— Acho que deveriam perguntar ao Mister (Ancelotti). Obviamente que se me perguntar, estou condicionado, gostaria que os jogadores do Botafogo fossem todos convocados para a Copa. O Alex é um jogador com o qual eu tenho uma relação de conversar, é um chefe de família, uma pessoa que eu aprecio muito. Temos muito tema para conversa. Obviamente que, se me perguntar, eu vou dizer que quero que o Alex vá, que o Vitinho vá...

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