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Evangelos Marinakis e Textor. Foto: Michael Regan/Getty Images; Thiago Ribeiro/AGIF |
O futuro da SAF do Botafogo entrou em uma nova fase de incertezas, disputas estratégicas e negociações multilaterais. Uma proposta apresentada por John Textor, que está afastado temporariamente desde 23 de Abril de 2026 do comando do Botafogo, em decisão do Tribunal Arbitral da FGV, em parceria com o empresário grego Evangelos Marinakis e investidores ligados à plataforma FuboTV, colocou novamente o nome do norte-americano no centro das discussões políticas e financeiras do clube carioca.
A oferta totaliza US$ 95 milhões — cerca de R$ 480 milhões na cotação atual — e foi apresentada ao Botafogo associativo como uma alternativa para reestruturação da SAF em meio ao atual cenário de recuperação judicial envolvendo ativos ligados ao ecossistema Eagle Football.
Segundo informações ligadas às negociações, os recursos seriam disponibilizados até setembro de 2026 e estariam divididos entre financiamentos estruturados, potenciais receitas judiciais e um fundo de contingência voltado ao futebol.
Estrutura da proposta
O plano financeiro apresentado por Textor prevê quatro pilares principais.
A primeira parcela, prevista para maio de 2026, seria de US$ 20 milhões através de um financiamento DIP (Debtor-in-Possession), mecanismo comum em empresas em recuperação judicial. O modelo permite que companhias em reestruturação obtenham capital novo com prioridade jurídica sobre débitos anteriores. O documento prevê conversão obrigatória do valor em participação acionária após o encerramento do processo de recuperação judicial.
A segunda etapa, programada para junho de 2026, acrescentaria outros US$ 25 milhões em um segundo financiamento DIP, igualmente condicionado à conversão futura em ações da SAF.
Outro componente importante envolve um possível acordo relacionado à Ares Management e ao Lyon. A estimativa apresentada fala em US$ 25 milhões adicionais oriundos de entendimento judicial e financeiro envolvendo reivindicações de Textor contra a gestora Norte-americana. O texto da proposta afirma que “todas as partes amigas do Botafogo devem compartilhar informações para maximizar o valor solicitado no acordo”.
O último bloco financeiro seria um fundo de contingência de US$ 25 milhões, previsto para setembro de 2026. A linha de crédito funcionaria como reserva para déficits em janelas de transferências e poderia financiar a contratação de um ou dois jogadores considerados de “alto impacto”.
Resistência interna no associativo
Apesar do valor elevado, o ambiente político dentro do Botafogo social está longe de consenso.
Parte significativa do associativo demonstra desgaste na relação com John Textor após os acontecimentos recentes envolvendo a Eagle Football e as dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo. Internamente, dirigentes e conselheiros avaliam que a credibilidade do empresário sofreu abalos, o que pode pesar diretamente em uma eventual decisão final.
Ainda assim, uma ala favorável à permanência de Textor considera “estranha” a demora por uma definição sobre o futuro da SAF. Esse grupo entende que a proposta norte-americana ainda possui potencial competitivo diante das alternativas disponíveis.
Do outro lado, dirigentes ligados ao clube social reforçam que não há pressa para concluir qualquer negociação. O entendimento interno é de que o Botafogo precisa escolher o modelo mais seguro para estabilidade institucional e financeira de longo prazo.
João Paulo mantém controle político
No centro desse processo está João Paulo, presidente do clube social, apontado como figura-chave nas decisões atuais da estrutura botafoguense.
Aliados afirmam que o dirigente mantém maioria no conselho da SAF e, portanto, controle político efetivo sobre decisões estratégicas. Foi sob essa estrutura que Eduardo Iglesias assumiu como CEO, com autonomia para conduzir as áreas administrativa e financeira, enquanto Alessandro Brito permanece responsável pelo departamento de futebol.
A leitura interna é que o clube social preserva a “caneta” e o poder de fiscalização sobre a SAF, podendo inclusive promover mudanças executivas caso considere o desempenho insatisfatório.
Dentro desse cenário, ganhou força uma alternativa intermediária: em vez de vender imediatamente o controle societário, o Botafogo poderia receber aportes financeiros de credores ou investidores sem necessariamente transferir participação majoritária naquele primeiro momento.
Na prática, o investidor atuaria inicialmente como financiador da operação, e não como sócio controlador.
GDA Luma surge como favorita
Enquanto a proposta de Textor segue em análise, a GDA Luma aparece nos bastidores como principal candidata para assumir o controle da SAF do Botafogo.
Fontes próximas às negociações afirmam que o grupo é visto por setores relevantes do associativo como opção mais estável e menos desgastada politicamente.
Além disso, há expectativa de que a GDA Luma por meio de Gabriel de Alba e Marcelo Claure, tente envolver nomes internacionais de grande peso financeiro, como Todd Boehly e o príncipe saudita Bader bin Farhan Al Saud, em uma futura composição acionária, conforme antecipamos de maneira exclusiva.
A possibilidade de entrada desses investidores é considerada por interlocutores do clube como um caminho de forte capacidade financeira e projeção internacional.
Cenários alternativos seguem sobre a mesa
Outro cenário discutido envolve a Cork Gully, administradora judicial da Eagle BidCo. Nesse modelo, haveria uma recuperação dos direitos políticos da SAF Botafogo antes de uma nova venda para investidores internacionais.
Entre os nomes mencionados em contatos preliminares aparecem John Elkann e o grupo Iconic Sports.
Paralelamente, o ambiente político segue marcado por desconfiança e disputas internas. Alguns setores do clube temem movimentos de concentração de poder semelhantes aos vistos recentemente em outros clubes brasileiros organizados sob o modelo SAF, embora não exista qualquer definição concreta nesse sentido dentro do Botafogo neste momento.
Botafogo vive momento decisivo
Com múltiplas propostas, diferentes grupos de influência e uma estrutura de governança ainda em redefinição, o Botafogo entra em um dos períodos mais delicados desde a transformação em SAF.
O clube precisa equilibrar necessidade de capital imediato, estabilidade institucional e competitividade esportiva enquanto avalia quem comandará o próximo capítulo de sua reconstrução financeira e futebolística.
Nos bastidores, dirigentes reconhecem que a decisão tomada nos próximos meses poderá definir não apenas o futuro da SAF, mas também o posicionamento do Botafogo no novo mapa econômico do futebol sul-americano.
